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Postado em 03-04-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 03-04-2019 00:11

Um mês depois da morte, laudo de exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz descartam todos os tipos de meningite como causa do óbito

Lula com o neto, Arthur Araújo Lula da Silva.
Lula com o neto, Arthur Araújo Lula da Silva. Ricardo Stuckert Divulgação

O laudo de exames feitos no neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva descarta todos os tipos de meningite como causa da morte da criança de sete anos há um mês, como havia informado o Hospital Bartira, da rede D’Or. Arthur Araújo Lula da Silva morreu na tarde do dia primeiro de março, após dar entrada no hospital com náuseas, febre e dores abdominais. O resultado negativo para a doença acusada foi confirmado pela Prefeitura de Santo André.

“Apesar da notificação, o resultado do exame de líquor realizado no mesmo dia pelo próprio Hospital Bartira, acusou bacterioscopia negativa”, diz a nota da Prefeitura de Santo André, sem informar o motivo que levou a criança a óbito. “Informações adicionais relacionadas ao caso dependem da autorização expressa da família”, acrescenta o comunicado.

Por volta das 7h da manhã do dia primeiro de março, Arthur foi levado para o Hospital Bartira com febre e dores abdominais. Já no hospital, passou a apresentar confusão mental e morreu por volta de meio dia. No dia, o hospital informou meningite como causa da morte. “Todos os procedimentos de proteção e profilaxia dos comunicantes foram realizados seguindo os protocolos do Ministério da Saúde”, diz a nota da prefeitura. Amostras de sangue da criança foram enviadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para confirmar o diagnóstico. O laudo emitido nesta segunda-feira, porém, descartou todos os tipos de meningite.

O ex-ministro da Saúde da gestão petista, Alexandre Padilha, chegou a comentar o caso no Twitter, cobrando uma posição do hospital sobre a divulgação da causa da morte da criança. “Apenas dois objetivos nos movem em relação a tais cobranças. O primeiro conseguimos: que a autoridade sanitária viesse a público esclarecer à população que não se tratava de um caso de doença meningóccica para a qual havia corrida por vacina”, publicou.

A segunda cobrança do ex-ministro é de que o Hospital Bartira esclareça “quais procedimentos de apuração já realizou para o vazamento de diagnóstico que se revelou antiético para com a família e irresponsável com a Saúde Pública da região”. Padilha disse ainda que solicitaria ao Conselho Regional de Medicina que apure se houve participação dos médicos no vazamento da notícia. Segundo a Revista Crusoé, a família de Arthur decidiu processar o hospital por divulgar a morte da criança sem a sua autorização. O EL PAÍS tentou contatar o Hospital Bartira, mas a assessoria de imprensa da unidade de saúde não atendeu as ligações.

O ex-presidente foi autorizado pela Justiça Federal a ir ao velório do neto no sábado de Carnaval. Seis policiais armados com fuzis acompanharam o ex-presidente em todo momento. Lula ficou ao lado da família por cerca de duas horas, durante as quais pode consolar o filho Sandro, pai de Arthur, e a nora Marlene. Foi a segunda vez que Lula saiu da prisão na Superintendência da PF, em Curitiba, desde que foi preso em 7 de abril de 2018 —em novembro, ele saiu para ser interrogado na Lava Jato—. Há um mês, os advogados do ex-presidente solicitaram à Justiça autorização para que ele participasse do enterro de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, de 79 anos, no dia 30 de janeiro, mas o pedido foi negado. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, acatou um recurso da defesa e autorizou o petista a encontrar os familiares, mas a decisão foi liberada no exato momento em que acontecia o enterro.

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