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“April in Paris”, Ella e Armstrong: maravilhosa canção composta por Vernon Duke com letra romântica de  E. Y. Harburg  em 1932. Feita para o musical da Broadway  Walk A Little Faster. Gravada ao longo do tempo por inumeráveis grande intérpretes. Aqui vai em uma de suas mais supremas interpretações a cargo de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Precisa dizer mais?

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

A primavera do DEM

 Murilo Medeiros

Na entrega da proposta da Nova Previdência, três democratas ao lado de Bolsonaro: o ministro Onyx Lorenzoni (E), e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (C), e do Senado, David Alcolumbre (D).
Na entrega da proposta da Nova Previdência, três democratas ao lado de Bolsonaro: o ministro Onyx Lorenzoni (E), e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (C), e do Senado, David Alcolumbre (D). Divulgação Onyx Lorenzoni

As voltas que o mundo político dá é impressionante. O Democratas, aquele mesmo que o ex-presidente Lula tentou extirpar do quadro partidário brasileiro, retorna ao centro do poder com força invejável.

O partido preside, simultaneamente, as duas Casas do Congresso Nacional pela primeira vez na história: Rodrigo Maia na Câmara e Davi Alcolumbre no Senado.

É a única legenda com nome civil dentro do Palácio do Planalto (Onyx Lorenzoni na chefia da Casa Civil), além de comandar outros dois portentosos ministérios: Agricultura (Tereza Cristina) e Saúde (Mandetta).

O DEM, antigo PFL, ressurge das cinzas como uma fênix não por acaso. O avanço do partido é consequência direta da coesão programática cultivada na arena política. Foi a principal força partidária que se contrapôs sem nenhuma dubiedade ao modelo de governo petista durante longos 14 anos; agora, naturalmente, colhe os frutos.

Na oposição, capitaneou a derrubada da CPMF, a maior derrota política do governo Lula no Congresso; liderou a criação de CPIs marcantes, como a dos Correios e da Petrobras; combateu as tentações bolivarianas de alas do PT, como a tentativa de controle da imprensa e a busca de um terceiro mandato para Lula.

Distante do poder, o DEM passou anos na escassez, a pão, água e forte desidratação. Viu suas bancadas congressuais minguarem. Foi a legenda que mais perdeu parlamentares na década passada: uma sangria de 45 deputados federais entre 2003 e 2016.

O confronto com o PT lhe rendeu protagonismo nacional. Das poltronas do Parlamento, lideranças democratas reverberavam as mais ácidas críticas ao projeto de poder petista. A partir de 2013, ao contrário do que fez o PSDB, o partido mobilizou suas estruturas internas e tornou-se sócio dos protestos de rua que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff.

Hoje, após doze anos desde a mudança de nome, o DEM vive sua primavera. O início da virada foi sentido nas eleições municipais de 2016, quando o PT perdeu mais de 50% das suas prefeituras, enquanto o DEM cresceu 16% no número de cidades governadas. Desde 1996 o partido não apresentava crescimento no total de prefeituras conquistadas.

Das eleições de 2018, em contraposição ao desmanche dos grandes partidos nas urnas, o DEM emergiu como um dos poucos vitoriosos. Ganhou os governos de Goiás (Ronaldo Caiado) e Mato Grosso (Mauro Mendes), elegeu os vice-governadores de São Paulo e Mato Grosso do Sul e no geral comandará 10,3 milhões de habitantes. Em 2014, o partido não havia ganhado em nenhum estado.

Na Câmara Federal, foi o terceiro partido que mais progrediu quando comparado ao pleito de 2014, com crescimento de 38% no número de assentos. No Senado, conquistou a quinta maior bancada da Casa. Hoje, o partido lidera o maior bloco político da Câmara, com 301 deputados — algo inimaginável quatro anos atrás.

Com status de primeiro-ministro, o DEM caminha para ser peça estratégica na sustentação do Governo Bolsonaro, ofertando-lhe experiência, moderação e ímpeto reformista, característico da legenda.

Na era FHC, sob a liderança de Luís Eduardo Magalhães, o partido tornou-se peça-chave na aprovação de reformas para a modernização do país, como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a abertura econômica e a agenda de privatizações. No governo Temer, foi a única legenda da Câmara a entregar 100% dos votos favoráveis à reforma trabalhista.

Hoje, como na época do “pefelê”, o Democratas será o principal fiador das reformas estruturais no Congresso Nacional, sobretudo a da Previdência — a mais urgente de todas no atual cenário.

Não é pequena a oportunidade que se apresenta ao partido. Com expertise política acumulada, o DEM pode ocupar o espaço partidário que já foi do PSDB e do PT e encabeçar um novo polo político, distante de radicalismos ideológicos, capaz de entregar estabilidade institucional, governabilidade e convicção na aprovação de reformas liberalizantes.

De credencial reformista e visão doutrinária liberal, o Democratas pode ser o próximo centroavante da política nacional. A conferir.

Murilo Medeiros é cientista político (UnB) e assessor legislativo no Senado Federal. É pós-graduando em Democracia, Direito Eleitoral e Poder Legislativo pelo Instituto Legislativo Brasileiro (ILB).

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Posted on 01-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2019
DO JORNAL DO BRASIL

O presidente Jair Bolsonaro inicia no domingo, 31, em Israel uma viagem de caráter político e religioso. Com uma mão, Bolsonaro pretende afagar a bancada evangélica, crucial para o avanço de sua agenda no Congresso. Com a outra, ele joga o peso do Brasil na campanha do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que corre risco de perder o cargo nas eleições locais do dia 9.

A primeira missão deve ser cumprida sem muito esforço, mesmo que Bolsonaro anuncie apenas a instalação de um escritório de negócios em Jerusalém, em vez da mudança da embaixada, como havia prometido. Na última semana, o deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) afirmou que a decisão seria uma solução provisória, até o Brasil “conseguir apoio da comunidade árabe”.

Macaque in the trees
Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante Cerimônia Oficial de chegada à Israel (Foto: Alan Santos/PR)

Nas últimas semanas, a bancada evangélica voltou a chiar. Nos bastidores, eles cobraram a transferência da embaixada e ficaram insatisfeitos com a declaração à Rádio Gaúcha do chanceler Ernesto Araújo de que não há nada definido sobre a mudança. O governo espera que as imagens de Bolsonaro em locais sagrados, como a Basílica do Santo Sepulcro e o Muro das Lamentações, em Jerusalém, sirvam para acalmar a tropa.

Para entender a simpatia dos evangélicos por Israel é preciso voltar no tempo. Doutrinas apocalípticas sempre existiram. A Bíblia, segundo movimentos pentecostais e neopentecostais, não é apenas um amontoado de acontecimentos do passado e um guia de boas maneiras para o presente, é também um plano de Deus para o futuro.

Muitos evangélicos creem que um segundo Cristo chegará à Terra Santa e estabelecerá o reino de Deus na Terra. Forças do mal que jogam contra são anticristos que querem a destruição de Israel. Eles podem ter várias formas: o rei da Assíria, os persas, Hitler, a União Soviética ou Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã.

Netanyahu e o elo com evangélicos americanos

Proteger Israel é, portanto, uma profecia. Segundo Donald Wagner, professor de religião da North Park University, de Chicago, grupos ligados ao lobby judaico nos EUA e o governo de Israel há muito tempo perceberam o potencial político dos evangélicos e se aproximaram de televangelistas americanos como Jimmy Swaggert, Pat Robertson e Jerry Falwell.

Poucos souberam explorar essa coalizão tão bem quanto Netanyahu, que se tornou premiê pela primeira vez em 1996 e percebeu rápido que os judeus dos EUA caminhavam para a esquerda – mais de 75% dos judeus americanos votaram em candidatos democratas em 2018.

“Segundo Bibi, os jovens serão assimilados em breve e perderão o elo com Israel”, disse Wagner. “Para ele, os evangélicos são uma forma de compensar a perda. Eles formam um lobby poderoso capaz de mudar a política externa americana.”

“Com o tempo, esta lógica foi sendo importada pelas igrejas evangélicas brasileiras, principalmente as Assembleias de Deus e a Igreja Universal”, afirma Guilherme Casarões, historiador da FGV. No Brasil dos anos 2000, foram formadas frentes parlamentares e grupos de apoio a Israel. “Hoje, os evangélicos são uma força dentro dos governos de Trump e de Bolsonaro.”

Arie Kacowicz, professor de relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, reconhece a importância da base religiosa, mas acredita que a visita de Bolsonaro a Israel foi feita para um outro espectador: Trump. “Os líderes da América Latina querem atrair apoio americano. Israel não é o foco principal. O objetivo é os EUA”, disse.

Visita ocorre em reta final de campanha

A segunda missão do presidente brasileiro é mais complicada. É incomum embarcar em uma visita de Estado a um país na véspera de um conturbado processo eleitoral. Mas Netanyahu insistiu na data. Segundo a programação oficial, ele posará para fotos ao lado do presidente brasileiro em três dos quatro dias da viagem.

Para Bolsonaro, não parece ser um problema. Em março, nos EUA, ele já havia declarado apoio à reeleição de Trump. “O prejuízo da diplomacia pessoal é que o Brasil pode ficar sem aliados em pouco tempo”, disse Casarões, que cita o risco de vitória democrata, em 2020, e de Netanyahu perder a eleição.

Pode acontecer

Segundo pesquisas, o Partido Azul e Branco, do ex-comandante das Forças Armadas Benny Gantz, teria hoje 32 cadeiras das 120 do Parlamento, à frente do Likud, de Netanyahu, que ficaria com 28. Ainda é incerto quem teria mais apoio de partidos menores, mas Gantz pode ter a prerrogativa de montar o governo e acabar com o reinado de Bibi.

Em entrevista ao jornal The New York Times, em março, Yair Lapid, um dos líderes do Partido Azul e Branco, afirmou que “se Netanyahu preferiu se aliar a populistas de direita como Bolsonaro”, talvez seja melhor a oposição israelense “buscar aliados em governos liberais”.

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Posted on 01-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2019

Do Jornal do Brasil

 

Eleito em outubro passado com um forte discurso antipetista e na esteira do bolsonarismo, o governador João Doria (PSDB) passou a modular suas ações e declarações na tentativa de influir no debate nacional. O tucano parou de criticar sistematicamente o PT, se aproximou de governadores de esquerda e adotou uma distância regulamentar em relação a Jair Bolsonaro – e das crises provocadas pelo presidente.

Doria também enxergou uma janela de oportunidade na recente crise entre Executivo e Legislativo – que teve como ápice o tiroteio verbal entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) – e adaptou sua agenda à temperatura do momento. Neste caso, a estratégia escolhida foi a de se apresentar como uma voz moderada.

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João Doria, governador de São Paulo (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Um dia depois do bate-boca entre Maia e Bolsonaro, por exemplo, Doria recebeu no Palácio dos Bandeirantes o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). No dia 23 de março, um sábado, o próprio Maia foi a São Paulo visitar o governador em sua residência.

Nas últimas semanas, o tucano também recebeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), jantou na ala residencial com três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – Dias Toffoli, Alexandre Moraes e Ricardo Lewandowski – e, diariamente, se reúne com comitivas de deputados de vários partidos.

O novo figurino destoa do Doria prefeito que chegou a aparecer em eventos públicos com roupa de gari ou bota de carpinteiro – o que gerou críticas mesmo de aliados. A iniciativa de deixar o cargo para disputar o Palácio dos Bandeirantes, a despeito das promessas de que terminaria seu mandato à frente da Prefeitura de São Paulo, foi outra ameaça à imagem de “gestor” confiável que ele sempre ressalta em suas intervenções.

Planalto

Aliados não escondem que no horizonte de Doria está a sucessão presidencial em 2022, tema sobre o qual ele diz não ser o momento de discutir. Nesse trajeto, além da mudança de estilo, Doria quer garantir o controle político do PSDB. O governador deve fazer o novo presidente nacional do partido – o ex-deputado federal Bruno Araújo (PE), no lugar do ex-governador Geraldo Alckmin.

Tenta ainda influir na condução nacional da sigla de forma a dar uma guinada à direita, mirando parte dos eleitores que garantiram a eleição de Bolsonaro à Presidência. A iniciativa tem a oposição de Alckmin e de outros caciques do PSDB, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na relação com Bolsonaro, ao mesmo tempo em que se apresenta como aliado leal do presidente e defensor de projetos como a reforma da Previdência – Doria diz que vai se empenhar para que a bancada federal do PSDB paulista vote a favor do projeto apresentado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes -, tem mantido uma distância regulamentar do presidente. Em relação à própria reforma, a tese que Doria tem defendido nas conversas com políticos e empresários é que a mudança da Previdência tem de ser articulada com ou sem o Palácio do Planalto.

“Se o presidente deixar espaços em aberto, serão ocupados. Se o presidente não se aproxima do Maia, o Doria se aproxima. O vácuo na política jamais permanece vácuo. Sempre alguém ocupa”, disse o sociólogo Luiz Bueno, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Doria fala em “tolerância” de ambas as partes. “Tanto o Rodrigo Maia como o Davi Alcolumbre já sabem que eles têm um papel preponderante nesse processo, que é levar adiante a reforma da Previdência, independentemente de lideranças do governo. Sem menosprezar a relação com o governo”, afirmou Doria.

“Depois das rusgas, o presidente Bolsonaro compreendeu que é preciso ter um pouco mais de tolerância nessa relação com o Congresso, sem que isso signifique vilipendiar o seu sentimento. Ele sempre tem dito que não quer o toma lá, dá cá. Bolsonaro já percebeu que a generalização não é um bom caminho. Às vezes, depois de um choque térmico vem a recomposição em melhores condições.”

Na avaliação do cientista político Humberto Dantas, professor da Uninove e pesquisador da FGV-SP, é natural que Doria se posicione como líder por ser governador de São Paulo. Mas, segundo ele, será preciso aprender com a história de outros líderes locais. “Qualquer governador paulista é candidato a presidente em potencial. Mas nenhum foi eleito desde a redemocratização”, afirmou.

WhatsApp

A tentativa de aproximação com outros governadores começou ainda antes da posse. Depois da primeira reunião dos governadores eleitos com Bolsonaro, em novembro passado, o tucano sugeriu a criação de um grupo de WhatsApp para que eles se comunicassem sem a mediação de assessores.

Quatro meses e meio depois, o colegiado virtual segue ativo e com a participação dos 27 governadores. As interações são diárias e versam sobre temas que vão de pautas regionais até a reforma da Previdência. Nessas interações, Doria se tornou o principal mediador mesmo entre colegas de partidos antes atacados por ele. O tucano mantém uma relação amistosa com governadores como Camilo Santana (PT), Wellington Dias (PT) e Paulo Câmara (PSB).

“Doria, que é ligado à área empresarial, ocupou bem esse espaço nacionalmente de mobilizar parlamentares e governadores em torno da reforma da Previdência”, disse o senador e ex-desafeto Major Olímpio, presidente do PSL de São Paulo e líder do partido no Senado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Posted on 01-04-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-04-2019



 

Sinovaldo, no

 

“A questão ideológica deixou de existir em nosso governo”

 

Depois da reunião no gabinete de Binyamin Netanyahu, Jair Bolsonaro voltou a chamar o primeiro-ministro israelense de “irmão” e “amigo”.

“Meu prezado irmão, amigo, capitão e paraquedista. Obviamente o que é mais importante, as tradições, a participação do Brasil no crescimento do estado de Israel, bem como a nossa cultura judaico-cristã. O Brasil deu uma guinada, a questão ideológica deixou de existir em nosso governo, buscamos ampliar nossos negócios no mundo todo. Queremos fazer com que o Brasil se aproxime cada vez mais com o que há de melhor no mundo”, discursou Bolsonaro.

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