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CRÔNICA

O capitão sem noção e o tubarão gente boa

Janio  Ferreira Soares

 

Apesar da semelhança com um filme infantil, o título acima apenas alude à estranha fábula que ora se desenrola no país, cujo principal ator, diferentemente de seu coadjuvante, ainda não se deu conta da importância do papel que lhe cabe no enredo. Explico.

Semana passada, a Folha de São Paulo publicou que a equipe de segurança da Presidência da República já escolheu os apelidos que serão usados pelos seus agentes na hora de citar os nomes de Bolsonaro e de Mourão em seus deslocamentos por Brasília e alhures. O capitão recebeu a alcunha de “águia”, enquanto o general será chamado de “tubarão”, dois superpredadores da fauna aérea e marinha desse mundão de meu Deus. Maravilha.

Embora a reportagem sugira que essas escolhas são homenagens à harpia brasileira e ao grande-tubarão-branco, este velho escriba (que na infância também foi alcunhado pela sua irmã como o temível “perna de grilo”) prefere acreditar que esses codinomes foram inventados por um criativo fã dos antigos desenhos animados, que viu nos dois comandantes certos atributos dos personagens que faziam a festa da garotada nos anos 70 e 80. Sendo assim, conjecturarei meus palpites.

Começando pelo fofo do Mourão, o que seria ele na videoteca da saudade senão o nosso Tutubarão, o simpático baterista da banda subaquática Os Netunos, cujo tema de abertura do desenho com seu nome diz que ele é “alegre, contente, inteligente, o rei do charme na televisão” (quem quiser matar saudades é só clicar no You Tube).

Pois muito bem, com a mesma astúcia do herói criado por Hanna-Barbera – e fisicamente muito parecido com ele -, o esperto Tutumourão, ao perceber que algumas declarações suas não repercutiam muito bem na mídia (a exemplo de quando disse que seu neto era um “branqueamento da raça”), logo ajustou suas barbatanas e começou a mostrar seu lado, digamos, Flipper, que vem sendo o contraponto perfeito para as atitudes do capitão sem noção, de quem falarei a seguir. Antes, um parêntese.

Fosse FHC apelidado de águia e logo seus aduladores espalhariam que a mesma seria uma descendente direta da que nominou Rui Barbosa em Haia. Mas, como os tempos são outros, não foi difícil constatar que a ave de rapina que batiza Bolsonaro, quem diria, é fake. Pra comprovar, é só observar as últimas ações, falas e trejeitos do nosso capitão e logo se chega à conclusão de que seu codinome, na verdade, é uma homenagem ao bom e velho Zeca Urubu, o atrapalhado e eterno rival do chato do Pica-Pau.

No mais, obediente que sou, seguirei à risca a ordem do capitão Zeca, ops, do águia, e neste 31 de março, data do aniversário da gloriosa, prestarei uma longa continência ao verde-oliva do matagal daqui da roça, onde um velho e saudoso bode passa os dias berrando: “Méééédici! Méééédici!”.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco

 

BOM DIA!!!
(Vitor Hugo Soares)

Presidente do Brasil chega neste domingo a Jerusalém sem esclarecer totalmente a incógnita sobre a mudança da embaixada para estreitar sua aliança com Netanyahu e os evangélicos

Netanyahu e Bolsonaro, em foto de dezembro de 2018 no Brasil

 Netanyahu e Bolsonaro, em foto de dezembro de 2018 no Brasil L.Correa AFP

O primeiro-ministro israelense foi o convidado mais bem-quisto do presidente do Brasil em sua posse. Agora lhe devolve o gesto com uma visita oficial a Jerusalém que começa no domingo. O intenso idílio político de Jair Bolsonaro com Israel e Benjamin Netanyahu começou como antigamente muitos namoros começavam. Com uma carta. Uma missiva que o à época deputado do baixo clero enviou à Embaixada israelense em Brasília pedindo desculpas pela então presidenta Dilma Rousseff considerar “desproporcional” a represália em Gaza pelos ataques do Hamas. Nessa guerra mais de 2.000 palestinos morreram, na maioria civis, e 70 israelenses, quase todos soldados. Diante do conflito sangrento, Dilma chamou o embaixador para consultas, ao que Israel respondeu com grosseria: chamou o Brasil de “anão diplomático” e zombou do humilhante 7×1 da Copa do Mundo.

A carta de desculpas foi o primeiro contato do atual presidente Bolsonaro com Israel do qual tem registro Guilherme Casarões, professor da Fundação Getúlio Vargas. Com esse gesto, Bolsonaro marcou principalmente seu perfil anti-PT. Mas sua relação com Israel foi se estreitando ao ponto de na campanha prometer a mudança da embaixada de Tel Aviv a Jerusalém. É preciso esperar para ver se isso irá ocorrer porque, como diz Casarões, o Governo está dividido em facções com opiniões muito díspares. São partidários da mudança os que têm “uma percepção mais ideológica da política exterior”, os antiglobalistas. Já a área econômica “não está interessada, pelo menos por enquanto” nessa mudança, porque temem perdas para a venda de carne halal (de acordo com as leis do Islã) aos países árabes. Já os militares querem preservar a tradição diplomática.

Reflexo dessas divergências, Bolsonaro sugeriu nesta semana que talvez se limite a abrir “um escritório de negócios” na cidade que Israel considera sua capital, contrariando as resoluções da ONU. Por ora, promete voltar da sua viagem com acordos que beneficiem o país. “Buscaremos acordos concretos nas áreas de ciência, tecnologia, defesa, entre outras. Ótimas expectativas! Israel é uma nação amiga e juntos temos muito a somar!”, tuitou ele.

“Um dos problemas de se aproximar muito de Israel é alienar os parceiros árabes e colocar em perigo a tradição diplomática brasileira” de apostar pela maioria e pela defesa da legislação internacional, diz Casarões. Há décadas o Brasil trabalha para ter relações com todos e evitar os lados. “Isso não significa que seja anti-israelense, mas sim muito consistente na crítica às violações dos direitos dos palestinos”. O país, entretanto, começou a votar com Israel no Conselho de Direitos Humanos da ONU. São gestos mútuos de boa vizinhança. Uma equipe de resgate israelense cruzou meio mundo para chegar a Brumadinho após o acidente do rompimento da barreira que deixou centenas de mortos.

Os evangélicos ganharam um papel fundamental nessa aliança. Para esse grupo amplo e compacto de disputados eleitores brasileiros, o apoio a Israel está ligado a “uma profecia bíblica”, frisa o especialista da Getúlio Vargas, que só contempla a ressurreição de Jesus se Jerusalém estiver sob domínio judeu. O pastor Marcos Galdino, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em São Paulo, é parte ativa dessa relação especial. “Somos amigos de Israel e rezamos por Israel”, pontua, em referência aos Salmos 122.6. No terreno, esse bolsonarista considera o país um modelo por sua avançada tecnologia e enorme desenvolvimento. “É uma região com tão poucos recursos, e veja no que Israel se transformou. E veja o que é o Brasil apesar de toda a terra e recursos naturais que tem”, diz Galdino, que todos os anos peregrina à cidade santa com meia centena de seus fiéis.

Ainda que o líder evangélico dê pouca importância ao fato do católico Bolsonaro ter se batizado no rio Jordão em 2016, essa foi uma das primeiras ocasiões em que Bolsonaro expressou em uma transmissão direta via Facebook sua intenção de se candidatar nas eleições. Para o especialista em relações internacionais, “ele queria capitalizar o simbolismo de Israel”.

Do Jornal do Brasil

 

O presidente Jair Bolsonaro embarcou neste sábado (30) para uma visita oficial de três dias a Israel. A viagem retribui a vinda ao Brasil do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que prestigou Bolsonaro durante a posse, no dia 1º de janeiro. Ambos se encontram amanhã em Tel Aviv. Segundo a Presidência da República, Bolsonaro pode assinar até quatro acordos de cooperação com o governo israelense, em áreas como defesa, serviços aéreos, saúde e ciência e tecnologia.

Bolsonaro será acompanhado por uma comitiva formada pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Bento Costa Lima (Minas e Energia), Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Infomação e Comunicações), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), além do tenente-brigadeiro do ar Raul Botelho, chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas, e do secretário da Pesca, Jorge Seif. O grupo ainda inclui os senadores Chico Rodrigues (DEM-RR), Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Soraya Thronicke (PSL-MS) e a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF).

Macaque in the trees
Bolsonaro e Netanyahu se encontraram às vésperas da posse do presidente brasileiro (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O tempo total de voo até Israel é de aproximadamente 20 horas. A comitiva presidencial parte às 13h da Base Aérea de Brasília e faz uma escala técnica em Las Palmas, no arquipélago espanhol das Canárias. A chegada ao aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv, está prevista para as 10h de domingo (31).

Cronograma

Bolsonaro e Netanyahu devem ter um encontro privado na tarde de domingo, seguido por uma cerimônia de assinatura de acordos de cooperação e, em seguida, uma declaração à imprensa.

Está prevista a assinatura dos seguintes atos conjuntos entre os dois governos:

– Acordo de cooperação em ciência e tecnologia, que tem o objetivo desenvolver, facilitar e maximizar a cooperação entre instituições científicas e tecnológicas de ambos os países;

– Acordo de cooperação na área de segurança pública;

– Acordo cooperação em questões relacionadas a defesa;

– Acordo sobre serviços aéreos, com propósito de estabelecer e explorar serviços aéreos entre os dois territórios;

– Memorando de entendimento entre o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Autoridade Nacional de Cybersegurança de Israel (INCD), na área de segurança digital;

– Plano de cooperação na área de saúde e medicina entre ministérios de Saúde dos dois países, para os anos de 2019-2022.

Agenda

A agenda do dia termina com um jantar oferecido pelo primeiro-ministro de Israel ao presidente brasileiro. No dia seguinte, a comitiva brasileira visita a Unidade de Contraterrorismo da polícia israelense, onde deve acompanhar uma demonstração prática de ações executadas pela divisão de segurança.

Na sequência, Bolsonaro faz uma visita e preside uma cerimônia de condecoração da equipe de resgate de Israel que esteve em Brumadinho, após o rompimento da barragem da mineradora Vale. Os integrantes da Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel receberão do presidente a Insígnia da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, que é a maior distinção dada pelo governo brasileiro a estrangeiros que prestaram relevantes serviços ao país.

No mesmo dia, em Jerusalém, Bolsonaro faz uma visita ao Muro das Lamentações, o segundo local mais importante do judaísmo. O local foi construído com parte do muro do templo de Herodes, levantado pelos judeus após anos de cativeiro.

Penúltimo dia

Na terça-feira (2), Bolsonaro toma café da manhã com dirigentes de startups brasileiras e israelenses e depois participa de um encontro entre empresários dos dois países. O presidente deve ainda visitar uma exposição de produtos de empresas de inovação e um centro industrial de alta tecnologia.

À tarde, a comitiva presidencial visita o Centro de Memória do Holocausto Yad Vashem e uma exposição de fotos com a mesma temática. Jair Bolsonaro deverá participar de uma cerimônia de deposição de flores e visita ao Bosque das Nações, em Jerusalém, em homenagem a diplomatas brasileiros que ajudaram as vítimas do nazismo.

O presidente retorna ao Brasil na quarta-feira (3). Antes do embarque, ele deve se reunir com brasileiros que residem na cidade israelense de Raanana.

Flávio Bolsonaro fora da toca

Flávio Bolsonaro saiu da toca.

Caio Junqueira, da Crusoé, conta que o filho de Jair Bolsonaro tem articulado encontros de senadores com o presidente da República.

Foi Flávio quem agendou a visita dos senadores Arolde de Oliveira e Otto Alencar a Bolsonaro nesta semana.

mar
31
Posted on 31-03-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2019


 

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