Do Jornal do Brasil

O ministro da Justiça, Sergio Moro, minimizou nesta quarta-feira (26), o desentendimento, na semana passada, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre a tramitação do projeto anticrime, apresentado ao Congresso. “Não temos a menor intenção de prolongar esse desentendimento”, disse Moro.

“Isso está sendo conversado com a Câmara, com o presidente Rodrigo Maia. Houve uma troca de palavras ásperas, mas isso é algo absolutamente contornável. Nós temos que dialogar, resolver esses problemas e decidir da melhor forma o que é melhor para o país”, afirmou o ministro da Justiça, ao participar de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Macaque in the trees
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na reunião, Moro tratou da diferença entre o projeto atual e a proposta apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, quando estava no Ministério da Justiça. Para Moro, há semelhanças, mas o projeto apresentado por ele é mais amplo.

“Apesar de algumas convergências, que eu nunca neguei, meu projeto é um pouco mais amplo. E no projeto do ministro Alexandre tem algumas medidas que não estão no meu. É aquela história, não importa a cor do gato, importa que ele pegue o rato. Se a legislação é boa, não importa quem é o autor, vamos aprovar, não tem nenhum problema em relação a isso”, afirmou.

Histórico

O pacote anticrime apresentado ao Congresso em fevereiro tem três projetos (PL 881/2019, PL 882/2019 e PLP 38/2019), em tramitação na Câmara. Ao todo a proposta modifica 14 leis, entre elas o Código Penal e o Código de Processo Penal em pontos como regras de legítima defesa e prisão após condenação em segunda instância, criminalização da prática de caixa dois e mudanças na legislação eleitoral.

Moro disse hoje que entende a importância da votação da reforma Previdência, mas afirmou que o governo espera que o pacote anticrime seja apreciado “o quanto antes”.

“Velhos Tempos”, Renato e Seus Blue Caps: uma canção antiga de saudades para lembrar a última festa com a presença de Wanda Guerra, em Juazeiro. O reencontro marcado para este ano fica transferido para a eternidade. Partiu Wanda, que permaneça , para sempre, a memória de seu espírito alegre, generoso e revolucionário.

SAUDADES, MUITAS SAUDADES!!!

(Vitor Hugo Soares)

Resultado de imagem para Vanda Guerra em Juazeiro
Faleceu na manhã desta quarta-feira (26), em Salvador, Wanda Guerra, 79 anos, uma das mulheres mais marcantes e transformadoras na vida social, filantrópica e de formação cultural e educacional de jovens de Juazeiro e região do Vale do São Francisco desde a década dos Anos 50, até a partida , ontem. Nascida na comunidade de Catuni, zona rural do município de  Jaguarari, Wanda morou desde a infância em Juazeiro , onde reinou , venceu preconceitos machistas e promoveu transformações.

Pioneira desde sempre, ela foi uma das primeiras locutoras de rádio em Juazeiro e Vale do Rio  São Francisco. Teve influência especial na formação cultural de inúmeras gerações de jovens na região, incluindo este editor do Bahia em Pauta, quando morou em Petrolina (PE) e, do outro lado da ponte sobre o Velho Chico, conheceu Wanda Guerra, bebeu de seus ensinamentos , aprendeu a admira-la e tornou-se seu amigo.

O último encontro do jornalista com Wanda foi no ano passado, em Juazeiro, na grande festa “Geração Anos Dourados- IV Encontro Marcado, animada pelo fantástico grupo Reneto e Seus Blue Caps. Wanda, beirando os 80, era a de sempre: mais alegre, mais receptiva, mais animada e participante, sempre abraçada, beijada, louvada e cercada de admiradores novos e antigos, como eu. Conversamos, rememoramos, rimos, derramamos lágrimas (de felicidades) e combinamos novo encontro na festa deste ano. mas o destino traçou outros caminhos na manhã desta quarta-feira, no Hospital, onde ela esta internada. Vanda, mãe revolucionária e amorosa deixa cinco filhos: Tom Zé, Guerra Filho, Alice, Karina e Poliana. O corpo, velado no SAF, será sepultado as 10h da manhã desta quinta-feira, no cemitério Central de Juazeiro.

Adeus, querida amiga. Adeus grande mulher!

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WANDA GUERRA NA DESPEDDA: DEIXE SEU RECADO

Mônica Sangalo

Liguei pro seu apartamento, telefone fixo , precisava de ajuda numas receitas de salgadinhos, nunca houve no mundo cozinheira mais fantástica que Wanda Guerra, a dona de Juazeiro. O telefone chamou três vezes e a voz de Wanda na secretária eletrônica mandou:

_ Você ligou para Guerra à procura de paz! Deixe o seu recado!

Desliguei, incrédula.

Morávamos todos no São Francisco Country Clube, bairro afastado do centro da cidade de Juazeiro, onde Mammy e Wanda, amigas de longa data, reinavam felizes e festeiras com suas filharadas. Wanda era vaidosa, gostava de vestidos longos, de dançar, era apaixonada pelo marido e pelos filhos, e conhecida largamente pela produção de coxinhas e balas puxa-puxa, as deliciosas iguarias que viraram sua marca registrada.

Não lembro claramente o ano, era muito menina nessa época, mas o caso é que Wanda Guerra convidou Mammy pro chá de noiva que ela preparava em casa pra sua cunhada, de casamento marcado pra dali a alguns dias.

Acompanhei Mammy nessa festa, evento só para mulheres, não seria permitida a entrada de homens, haveria brincadeiras e jogos femininos, strip tease e o escambau, ia ser bem animado o encontro.

Sim, muitas brincadeiras engraçadas, adivinhação de presentes, música, salgadinhos e doces feitos por ela, e num dado momento, a grande surpresa: um desfile apoteótico de lindas camisolas de renda, longas e glamourosas, tendo como top model quem?

A própria Wanda, encarnando uma diva hollywodiana e mandando ver nas caras e bocas, nos trejeitos, nos sorrisos, nas gargalhadas, enquanto exibia pra nós sua inacreditável coleção de peignoirs, babydolls, lingeries de seda pura, além de pantoufles de saltos e plumas, um deslumbre!

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Verdade seja dita, Wanda e Dedê fizeram filhos lindos! Uma mistura explosiva, de sangue quente, de gente que sorri com os olhos, um povo dengoso e acolhedor, uma característica que se conservou também entre os netos.

Uma novela de TV, não lembro qual, lançou o uso de botas longas entre as personagens, a novela era gravada no sul, durante o inverno, botas eram muito bem-vindas e o patrocinador agradecia, penhoradamente.

Wanda Guerra, que amava loucamente os filhos e a moda, não pestanejou: presenteou suas pequenas Alice e Karina com botinhas na altura dos joelhos. Mais que isso, fez com que as meninas envergassem as botas por muito tempo em tudo o que era ocasião. Eu via pelo basculante as duas, no ponto do ônibus, uma da tarde, sol a pino _ e estamos falando do sol do sertão brabo _ impávidas, de botas, indo pro curso de inglês. Quando perguntei se as meninas gostavam desse inverno escaldante, sabe o que me respondeu?

_ Puxaram a mim, fazem qualquer sacrifício pela beleza!

No enterro de meu pai, Wanda Guerra conduziu o serviço fúnebre, competente e emocionada, ele decerto não gostaria de ter um padre fazendo esse ritual e deve ter ficado satisfeito com a preleção da amiga de tantos anos.

Lembro bem que Jesús, meu irmão, comprou um caixão muito simples, caixãozinho furreca, o mar não estava pra peixe, a grana tava curta e assim foi feito. Meu pai era um homem grande e pesado. Wanda, entre outras coisas, fez parte do comitê que convenceu tia Angelita a desistir da idéia de carregar o defunto na mão, usando o forte argumento de que ele era gordo e o fundo do ataúde podia ceder pelo peso. Como se vê, eram muitas as suas habilidades.

A última vez que a vi foi em sua casa, em Juazeiro, onde passei rapidamente para uma delícia de cuscuz com café, carne do sol acebolada e uma conversa maravilhosa. Wanda Guerra nos deixou hoje e eu estou triste demais com isso. Com ela vai uma parte bacana da nossa história de família, de Juazeiro, de um tempo leve e feliz, que não vai morrer nunca em minha memória.

P. S. Espero que tenha deixado em testamento sua bala puxa e sua receita imbatível de coxinhas.

(Mônica Sangalo)

O ministro Paulo Guedes.
O ministro Paulo Guedes. Ueslei Marcelino

O bate-rebate entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia teve mais um capítulo nesta quarta-feira, com o presidente da República e o da Câmara trocando farpas públicas em tom cada vez mais exaltado. O mal-estar, um dia depois de os deputados aprovarem em tempo recorde um projeto que engessa o orçamento do Executivo, reverberou na Bolsa de São Paulo. O dólar fechou no maior valor em quase seis meses e a principal Bolsa do país teve forte queda. O dólar comercial encerrou esta quarta-feira vendido a 3,954 reais, com alta de 0,088 reais(+2,27%). A divisa está no valor mais alto desde 1º de outubro, quando tinha fechado em 4,02 reais. O dia ainda teve espaço para uma demissão em falso do ministro da Educação, Ricardo Vélez.

A imprensa revezou em manchetes ao longo do dia as declarações de Bolsonaro e Maia enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendia seus planos para a pasta na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O presidente disse na TV, no programa popular de José Luiz Datena, que o “estado emocional” do presidente da Câmara poderia estar abalado, numa referência velada aos dias de prisão do ex-ministro Wellington Moreira Franco, padrasto da mulher de Maia e investigado pela Operação Lava Jato. Antes, havia feito pronunciamento em teor parecido. “Abalados estão os brasileiros, que estão esperando desde 1º de janeiro que o governo comece a funcionar. São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza, a capacidade de investimento do Estado brasileiro diminuindo, 60 mil homicídios, e o presidente brincando de presidir o Brasil”, rebateu Maia, que disse que era hora de parar de “brincar” no poder.

As declarações complicaram a trama e aprofundaram ainda mais a percepção de crise política precoce numa gestão que nem completou três meses. Em meio a tudo disso, coube a Guedes também adicionar uma pitada de incerteza no Senado. “Não tenho apego ao cargo, desejo de ficar a qualquer custo, como também não tenho a inconsequência e irresponsabilidade de sair na primeira derrota. Não existe isso”, disse o ministro da Economia, questionado sobre as dificuldades de tramitação da reforma da Previdência.

Já eram as horas finais de negociação na Bolsa de São Paulo, mas ainda houve tempo para o mercado reagir à frase de Guedes. O Ibovespa, que estava se recuperando e tinha atingido os 93 mil pontos por volta das 14h30, ampliou a queda e retornou aos 91 mil pontos depois do início da audiência de Guedes na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Educação

O dia ia se encaminhando para seu fim quando a colunista Eliane Cantanhêde anunciou, na Globo News, que Bolsonaro havia decidido demitir o ministro da Educação, Ricardo Vélez, por “motivos óbvios”. O ministro falou nesta quarta-feira à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, onde fez uma confusa analogia com o traficante Pablo Escobar para defender o afastamento de traficantes de drogas das escolas brasileiras. Além disso, a partir da audiência viralizou um vídeo em que a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) o critica pela falta de um plano de educação e de conhecimento sobre “dados básicos” do Ministério.

Não foi desta vez, contudo, que Vélez, cujo ministério tem sido um dos grandes focos de confusão do Governo, deixou de ser ministro. Coube ao próprio Bolsonaro desmentir a colunista, com a costumeira alfinetada na imprensa. “Sofro fake news diárias como esse caso da ‘demissão’ do Ministro Velez. A mídia cria narrativas de que NÃO GOVERNO, SOU ATRAPALHADO, etc. Você sabe quem quer nos desgastar para se criar uma ação definitiva contra meu mandato no futuro. Nosso compromisso é com você, com o Brasil”, escreveu o presidente em seu perfil no Twitter. Mais cedo, Bolsonaro havia dito durante o programa de José Luiz Datena, ao comentar a situação no MEC, que “tem que resolver, porque realmente não está dando certo as questões lá”.

Vélez também foi à rede social se manifestar sobre a informação de que teria sido demitido. “O jornalismo brasileiro se põe raivoso por estar, pela primeira vez, sem poder barganhar às custas de trocas de favores. Meu compromisso é com os brasileiros e seus representantes. Os veículos que busquem outras fontes de financiamento”, escreveu.

mar
28
Posted on 28-03-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-03-2019

Paulo Guedes e Kátia Abreu iniciaram um pequeno bate-boca no Senado quando ele foi interrompido, ao falar sobre a aposentadoria que parlamentares recebem.

“Por favor, eu posso falar? A senhora terá o seu horário”, disse o ministro.

“O senhor não é o mandante da comissão”, rebateu a senadora.

“De forma alguma, mas temos que ter alguma disciplina. Vamos todos falar ao mesmo tempo?”, treplicou Guedes.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, Omar Aziz, entrou em favor da colega.

“O senhor é convidado aqui, vamos lhe tratar com respeito. Mas o senhor não vai desrespeitar senador ou senadora aqui não. O senhor adiou três vezes sua vinda aqui. Entre nós a gente pode ter divergência política. Os senadores são os verdadeiros representantes da população brasileira. Mal ou bem, o governo atacando a velha política, nós somos representantes”.

O senador acusou o ministro de mandar a senadora calar a boca. Ele negou, por não ter usado a expressão.

mar
28
Posted on 28-03-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-03-2019


 

Claudio, no jornal

 

mar
28

Do Jornal do Brasil

 

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, afirmou que as mudanças no aparelho administrativo do MEC têm sido pautadas por critérios administrativos. Em três semanas, 15 exonerações foram realizadas. Ele atribuiu a saída do presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues, a uma reação à decisão de alterar unilateralmente medidas na área de educação básica. “Ele puxou o tapete. Mudou um acordo e não me consultou. Ele se alicerçou em pareceres técnicos que não foram debatidos”, disse.
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Ricardo Vélez Rodrígues (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

Vélez rebateu a afirmação de Rodrigues de que reuniões não eram realizadas. “Isso não é verdade. Reuniões estão sendo feitas para alinhavar as políticas.” O ministro disse que as mudanças na equipe ocorrem para atender a exigências administrativas. “Mas as linhas mestras continuam. As Secretaria de Educação Básica, a Seres, já têm um enorme cabedal de trabalho”, disse. “A máquina administrativa está funcionando”.

Questionado por deputados sobre a ligação com o escritor Olavo de Carvalho, ele afirmou: “Valorizo as ideias de formação humanística a partir da leitura de obras literárias. As análises políticas, as brigas são outros quinhentos, não tomo conhecimento disso. Só me interessa resgatar a tradição humanística que não é uma proposta nova.”

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