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Rodrigo Maia (com Temer antes de ser preso) parte para ofensas e ataques contra Moro..
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…mas se dá mal diante da rápida e dura reação do ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

ARTIGO DA SEMANA

 

Da Casa Branca à prisão de Temer:ressurge “Shane” (Os Brutos Também Amam)

Vitor Hugo Soares

“Shane”, clássico do cinema norte-americano, que nas telas do Brasil ganhou título de dramalhão “Os Brutos Também Amam”, atravessa o tempo sem perder sua força e significado referenciais. De repente, alguns de seus simbolismos ressurgem, neste incrível março de 2019: da visita do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos – para encontro histórico com seu colega Donald Trump, na Casa Branca, (dia 19) – seguida,  para não esquecer, da prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB), dia 21, por agentes da PF, em novíssima etapa da Operação Lava Jato, que celebra 5 anos de existência.
 
Desculpem os que discordam, mas é esta a impressão causada, no rodado jornalista, desde as primeiras imagens do mandatário brasileiro, em seu melhor estilo Alan Ladd, no desembarque em Washington para a visita que, seguramente, vai dar o que falar e o que pensar durante muito tempo. Na comitiva presidencial, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, – autor do projeto anticrime entregue ao Congresso – ex-juiz federal e figura mais representativa e simbólica da maior e mais efetiva ação de combate a corruptos e corruptores no País.

Acossado, na volta da viagem, (por inimigos da Lava Jato e adversários explícitos ou mal disfarçados do governo), alvejado por tiros partidos de várias direções, dura e até grosseiramente agredido por inúmeros atiradores, a começar pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que chamou o ex-magistrado e atual ministro de estado, de “empregado de Bolsonaro”. Acusou Moro de não entender nada de política, e de “copiar e colar”, do ministro do Supremo, Alexandre Moraes (amigo do peito de Temer), o texto básico do projeto anticrime entregue ao Congresso.

A primeira resposta do ministro da Justiça veio rápida e firme: “Apresentei em nome do governo um projeto de lei inovador e amplo contra o crime organizado, contra crimes violentos e corrupção, flagelos contra o povo brasileiro. A única expectativa que tenho, atendendo aos anseios da sociedade contra o crime, é que o projeto tramite regularmente e seja debatido e aprimorado pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer. Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais”, disse Moro. A segunda e mais dura reação, provavelmente, foi a que recaiu sobre as costas do ex-presidente Temer, na quinta-feira.

Tudo isto avivou no jornalista e também inveterado amante do cinema, e dos filmes de cowboy, a recordação do filme. A começar, repito, pelo jeitão Alan Ladd (Shane), de Bolssonaro, na “viagem à América”, como ele próprio designou na mensagem postada no Twitter, minutos antes do avião presidencial levantar vôo de volta à Brasília.

No Cult (dirigido por George Stevens) há mais de meio século, o desconhecido Shane, de passagem pelo lugar, aceita trabalhar para o rancheiro Joe Starrett (Van Helfin), ao mesmo tempo em que toma conhecimento dos grandes e pequenos conflitos em volta. Shane é um protótipo do “herói sem passado” que, com a talentosa direção de Stevens, se transforma e ganha densidade cênica e psicológica, de arrepiar, no correr da trama. O caráter do protagonista se revela à medida que a história avança. Mais não digo, até porque o espaço terminou. Só recomendo o filme, de cowboy americano, e as cenas do western que recordam novo folhetim político do Brasil, com a prisão de Temer.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 23 Março, 2019 at 22:46 #

“É melhor partir lembrando
Que ver tudo piorar. ..”(edu lobo)

Caro VHS!

Os versos de Edu Lobo permanecem com a mesma força de quando os ouvi no histórico lp que gravou com Betânia.

Talvez com significado renovado pela tibieza da munga saúde, talvez ampliado pelo cansaço de tantos caminhos.

VHS, faço deste comentário um breve papear com um amigo, um desabafo que estaria melhor numa mesa de bar, com Caymmi ao fundo, esticando a preguiça e o bem estar.

A propósito, o western traduz também o que sinto, especialmente a solidão do protagonista que termina o filme como iniciou, sozinho na pradaria, sumindo no horizonte onde apontou no início envolto na poeira ao longe.

Não me alinho entre os admiradores de Shane, não o considero um marco do western, nem de longe, mas reconheço que tentou, e até conseguiu, trazer algumas vertentes do gênero.

Também não reconheço em algum personagem da nossa triste história a integridade de protagonista solitário e integro que redima o misere em que chafurdamos.

Não, nada que assemelhe o bom e velho mocinho, nem mesmo, sequer, algum cavaleiro errante, o que temos é bravatas descuidadas, poses de estilo, e motivações sombrias.

Saudade de Gary Cooper, John Wayne, Robert Mitchun, e roteiros de Ford.

VHS, este poeta anda triste, cansado, talvez precisando ler mais Janio Soares, e sorrir no cair das tardes junto ao pouso de sábias e patativas.

Enfim, entre o partir de Edu e a poeira do cavaleiro solitário te Abraço amigo!

Tim Tim!!!

“Vamos chamar o vento…”


vitor on 23 Março, 2019 at 23:24 #

Luiz Fontana, grande poeta de Marília (SP)

O sábado se completa para este rodado jornalista (que já quase não enxerga mais, a não ser com os sentimentos de antes e agora), com esta sua mensagem: triste ou alegre, cansado ou não, é sempre fundamenta para este seu amigo e seu blog. Vejo identidade também nos nossos cowboys. Mesmo que eu guarde um lugar especial no coração para Alan Ladd em Shane. Mas isso é de “somenos”, como escrevia Grciliano Ramos. O fundamental,mesmo, como está na poesia de Vinicius, é que a amizade sobreviva. Quanto a Janio Soares estou de pleno acordo: é o que temos de melhor. Aliás, foi no Cine Poty, de Paulo Afonso (na beira do rio da minha aldeia), onde Janio é secretário de Cultura e um dos maiores amantes do western que conheço, que vi “Os Brutos Também Amam” pela primeira vez, ainda garoto. Se você aparecer por lá, não tenho dúvidas, será recebido com tapete vermelho, como você merece. TimTim!!!


luiz alfredo motta fontana on 24 Março, 2019 at 7:45 #

VHS

Cabe ao poeta, por sorte ou maldição, sentir saudade do que não houve.

Guardo comigo a saudade do convívio com o amigo junto ao rio de tua aldeia.

Agradeço o tapete vermelho, não o mereço, mas levo comigos sabores dos momentos que não os vivendo, assim mesmo os usufrui.

VHS, a tua Bahia sempre encantou esse filho de Xango que adiou a vida toda a visita ao terreiro baiano. Talvez por respeito, talvez por cautela, por certo por não merecer tal encanto.

.


luiz alfredo motta fontana on 24 Março, 2019 at 7:47 #

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