Regiane Oliveira
Jair Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca.
Jair Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. MICHAEL REYNOLDS EFE

 

Bolsonaro foi aos EUA com um pacote a oferecer a Donald Trump. Nele está o aluguel da base de Alcântara, que ainda depende de aprovação do Congresso, a isenção de vistos para turistas norte-americanos, o apoio na luta contra o Governo de Nicolás Maduro, sem falar na decisão brasileira de abrir mão do status de país em desenvolvimento nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio). Em contrapartida, recebeu apoios público do norte-americano para entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e para receber o status de aliado preferencial fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) —talvez até mesmo dentro da organização, como afirmou Trump dizendo que “precisava falar com muita gente” a respeito—. O resultado prático em relação aos potenciais avanços políticos e econômicos entre os dois países ainda divide opiniões.

“Foi uma viagem simbólica, unilateral, em que o Brasil adere à agenda do Governo Trump”, afirma o ex-embaixador Rubens Ricupero. De acordo com ele, a visita será proveitosa apenas para a agenda interna de Bolsonaro — “dentro da linha que ele vem defendendo em relação a seus apoiadores, que têm uma mesma ideologia”—, mas sem nada de concreto. Ele afirma, no entanto, que o acordo sobre a base de Alcântara pode ter utilidade. “A base não está sendo usada, é útil, mas não é um grande resultado.”

Matias Spektor, professor e pesquisador de relações internacionais da FGV, no entanto, viu a viagem com mais otimismo. Em seu Twitter, afirmou que foi uma “vitória enorme para Bolsonaro”. “Foi o maior pacote de concessões já dado por um presidente americano a um colega brasileiro nos últimos trinta anos de democracia “, disse, em relação ao apoio a entrada na OTAN e na OCDE, ao acordo sobre a base de Alcântara, ao fortalecimento dos fóruns de Inovação e Energia, à parceria no combate ao crime organizado e à projeção de identidade internacional comum entre os países, com foco nos princípios de “fé, família e país”. Spektor destacou ainda que a visita vai provocar “repercussões para as relações do Brasil com a China e com o resto da América do Sul”.

Já o Fabio de Sá e Silva, professor de estudos brasileiros na Universidade de Oklahoma, afirma que alguns aspectos positivos da visita só terão sua eficácia analisada com o tempo. “Algumas dessas coisas que Bolsonaro prometeu, como Alcântara, ainda têm que passar pelo Congresso. E quais condições políticas ele terá para cumprir essas promessas?” “Concessões em troca de uma reciprocidade assimétrica e difusa, na esperança de integrar a OCDE. Os diplomatas dos EUA devem estar eufóricos”, escreveu Adriana E. Abdenur, coordenadora do Instituto Igarapé, que atua na área de segurança internacional e potências emergentes.

Um tema ainda em aberto é a cooperação a Casa Branca em relação à crise na Venezuela. O Brasil declarou que não quer intervenção militar, mas pede que o Exército venezuelano apoie Juan Guaidó na derrubada do Governo de Maduro. Nesta terça, ao lado de Trump, Bolsonaro evitou descartar um apoio à uma ação bélica, opção que é rechaçada pela ala militar do Governo. “Vamos ver se essa linha vai se manter”, diz Ricupero. A ONG de Direitos Humanos Conectas divulgou dura nota. “É grave quando o chefe de Estado brasileiro emite declarações ambíguas, em desacordo com a posição oficial do país. Essa atitude gera incertezas e mostra fraturas no núcleo central do governo pelo simples fato de estar diante do presidente de uma potência como Estados Unidos”, disse Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos.

OTAN e a China

Os Estados Unidos já haviam divulgado a intenção de conceder ao Brasil o status de aliado preferencial fora da OTAN (major non-NATO ally, em inglês). Atualmente, 17 países possuem este status, dentre eles Argentina. No ano passado, a Colômbia se juntou à Otan como parceira global. Na teoria, isto significa acesso especial a políticas de cooperação, transferência de tecnologia e recursos na área de defesa, além de vantagens em licitações para compras militares.

Na prática, no entanto, há dúvidas se este é o melhor caminho a ser seguido pelo Brasil. “Esta categoria reúne países que têm estado ao lado dos Estados Unidos em conflitos internacionais, como Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Japão, Israel e Egito”, afirma Ricupero. “Como a expressão indica, um aliado militar é alguém que vai apoiar os EUA em relação a inimigos comuns. E os inimigos dos EUA, hoje em dia, são países como Afeganistão, Iraque, Líbia, para onde estes aliados têm que se engajar, mandando tropas, apoiando decisões americanas em organismos internacionais”, explica.

Ricupero é taxativo: “O Brasil não tem este tipo de adversário. A agenda dos EUA é contra a China Rússia, Irã, que são grandes clientes de exportações do Brasil”. Para o ex-embaixador não faz sentido do ponto de vista de segurança, uma vez que os problemas que os EUA estão envolvidos atualmente, como terrorismo internacional, não tem relação direta com o Brasil, mas também não faz sentido do ponto de vista político e econômico. “Teremos apenas perda de autonomia, porque sempre ser um aliado significa seguir os EUA nas posturas que eles adotam na ONU”, diz.

OCDE

O Brasil formalizou em 2017, ainda durante o Governo Dilma Rousseff, seu pedido de adesão à OCDE, em continuidade aos primeiros acordos feitos no segundo mandato de FHC e ampliados durante a presidência de Lula (ainda que o Governo Lula tenha esfriado a aproximação por causa da ênfase ba relação com os emergentes). A organização, formada por 35 países, tem como objetivo o desenvolvimento econômico das mais avançadas nações do mundo, embora países emergentes como México, Chile e Turquia também participem.

Oliver Stuenkel, professor adjunto de Relações Internacionais na FGV, listou na época do pedido de adesão, em artigo para o EL PAÍS, alguns potenciais benefícios da medida, como a obrigação do país de implementar mudanças legislativas para cumprir regras mais sofisticadas em termos de concorrência, transparência e tributação. “Para investidores estrangeiros, a adesão ao grupo significaria um selo de qualidade nas políticas públicas brasileiras, constituindo um passo importante para dar credibilidade à narrativa de que o Brasil está no rumo certo. É possível imaginar um futuro Ministro da Fazenda dirigindo-se a delegações estrangeiras e retratando o Brasil como o maior mercado emergente do mundo que cumpre os rigorosos padrões da OCDE”, escreveu.

Mas não faltaram críticas ao que chegou a ser chamado de entreguismo brasileiro ao “clube dos ricos”. E agora, com a decisão de Bolsonaro de dar continuidade ao projeto dos governos anteriores, estas críticas voltam à tona. “A OCDE é mais um think tank, que publica estudos, negociam regras sobre tributação, problemas de relação financeira. Entrar neste grupo significa ter que adequar legislação a essas regras. Para isto, muita coisa teria que mudar”, afirma Ricupero.

Sá e Silva também desconfia da medida. “Fazer parte de um clube com o qual talvez você não consiga cumprir com a exigências não me parece uma boa ideia. Quanto a expectativa de desempenho econômico melhor, me pergunto: os países têm sucesso comercial por que estão na OCDE, ou a OCDE foi formada por países com sucesso comercial? Em meio a economias altamente industrializadas e financializadas, o Brasil será o primo pobre, sem poder de decisão”, analisa.

De qualquer forma, o apoio prometido por Trump não será gratuito. Em Washington, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia afirmado que o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizier pedira, em contrapartida, que o Brasil saísse do grupo de países em desenvolvimento, favorecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) com vantagens e flexibilidade em acordos comerciais. A concessão acabou confirmada no documento final do encontro.

Imigração e acordos bilaterais

Durante a visita, Bolsonaro não poupou críticas a imigrantes irregulares, até mesmo brasileiros, e defendeu a construção do muro de Trump, na fronteira do México, justamente no momento em que entrou em vigor o fim do regime de cotas para veículos leves entre os países, previsto no acordo para livre comércio de automóveis e a integração produtiva entre os dois países, assinado em 2002.

Bolsonaro chegou a pedir desculpas pela declaração sobre os imigrantes brasileiros, mas, ainda assim, o discurso, cujo foco agradar Trump, pode criar problemas futuros para o Brasil. Segundo Sá e Silva, inicialmente, Bolsonaro foi percebido nos EUA como um quase Trump, mas essa imagem se deteriorou. “A elite norte-americana, mesmo a mais interessada em fazer negócios, desconfia um pouco dessa abordagem de guerra comercial adotada por Trump, que aposta mais nas relações bilaterais e um antagonismo em relação à China, à qual Bolsonaro dá eco. É um neoliberalismo dos anos 90 e parte do establishment teme isto”, afirma.

A aproximação com Trump e o discurso anti-imigração também deve afetar a percepção dos brasileiros. “Temos um fenômeno curioso na Costa Leste, em Boston, uma cidade progressista, que tem bastante brasileiros contrários a Trump, mas a favor de Bolsonaro, o que intriga os americanos”, conta Sá e Silva. Muitos saíram do Brasil em busca de segurança, mas estão à margem do sistema legal de imigração. “A aproximação de Trump e Bolsonaro deve aborrecer estas pessoas. Não vejo ganho em relação aos brasileiros que estão aqui, nem em relação a outros países. A posição de fechar fronteiras é malvista internacionalmente”.

“A Beautiful Friendship”, Ella Fitzgerald e Nat King Cole (duas versões): a mesma extraordinária canção  sobre a amizade em duas impecáveis interpretações . Nada melhor para começar a quarta-feira de março no Bahia em Pauta, em celebração a antigas e novas amizades, a exemplo da desenhada ontem, em Washington, entre os atuais ocupantes da Casa Branca e do Palácio do Planalto.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

Presidentes dos EUA e Brasil fecham acordos em matéria de Defesa. Na Casa Branca, brasileiro preferiu não descartar opção bélica contra Venezuela

Bolsonaro e Trump se cumprimentam nesta terça-feira na Casa Branca. KEVIN LAMARQUE REUTERS
Washington / São Paulo

Donald Trump e Jair Bolsonaro inauguraram nesta terça-feira em Washington uma nova etapa nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil, exibindo sua aliança populista contra o que concordaram em identificar como um risco iminente, o socialismo, em decorrência da crise venezuelana. O presidente norte-americano recebeu na Casa Branca um político que foi apelidado internacionalmente de “o Trump dos trópicos”, por causa do discurso agressivo e de viés nacionalista com o qual se elegeu. Trump mostrou apoio à adesão do Brasil à OCDE, o clube das economias mais industrializadas do mundo, e inclusive a um possível ingresso na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Porém, mais do que resultados concretos, a cúpula significou para Brasília um banho de ideologia no país mais poderoso do mundo.

Assim que entrou no Salão Oval da Casa Branca, Bolsonaro valeu-se da surrada e popular diplomacia do futebol. Deu a Trump uma camisa 10 da seleção brasileira, e ganhou dele uma peça equivalente da equipe norte-americana. Ambos jogam no mesmo time em mais de um sentido – pelo discurso de tom nacionalista e populista, e pelo uso incendiário das redes sociais –, embora governem situações políticas e econômicas muito díspares. Para Bolsonaro, Trump é muito mais que o líder da maior potência do mundo; é o modelo no qual se inspirou para se eleger contrariando todos os prognósticos e no qual se inspira diariamente com um discurso constante de “nós contra eles”, apostando em aprofundar a polarização. “Respeitamos a família tradicional, somos tementes a Deus, contra a ideologia de gênero, do politicamente correto e das fake news” disse o brasileiro na entrevista coletiva posterior à reunião, nos jardins da Casa Branca.

Os brasileiros são tementes a outras coisas também. Por isso, o Governo brasileiro procurava o apoio de Washington para entrar na OCDE, acordos em questões de Defesa que permitiriam às empresas brasileiras participar de licitações do Pentágono – o que viria a calhar para à brasileira Embraer – e adquirir material norte-americano a melhores preços, como um aliado, embora não sócio da OTAN. Ao mesmo tempo, Washington procurava que suas empresas pudessem utilizar a base espacial militar de Alcântara (MA) para lançar satélites comerciais. Houve consenso nesses aspectos. No caso do apoio à OCDE, de acordo com Paulo Guedes, foi que o Brasil aceitou “começar a abrir mão do tratamento especial e diferenciado nas negociações da Organização Mundial do Comércio, em linha com a proposta dos Estados Unidos”, de acordo com o comunicado conjunto oficial. Até agora, o Brasil usava o status de país em desenvolvimento para reivindicar prazos especiais e flexibilidade. Em um momento da coletiva, Trump se sentiu tão entusiasmado que chegou a se comprometer, de forma um tanto leviana, a apoiar a adesão do Brasil à OTAN, embora tenha admitido que para isso seria preciso “conversar com muita gente”.

Ambos evitaram abordar os aspectos que os separam na crise da Venezuela, um dos assuntos cruciais na relação entre os dois países. Ambos rejeitam Nicolás Maduro, reconhecem Juan Guaidó como presidente interino do país e exigem a realização de novas eleições, mas os Estados Unidos insistem em que não está descartada uma intervenção militar, da qual o Brasil não gostaria de participar. Perguntados por esta possibilidade, Trump salientou que Washington ainda não começou a aplicar “as sanções mais duras” contra o regime chavista, dando a entender que ainda falta bastante até o uso da força. E Bolsonaro evitou se pronunciar sobre se permitiria a presença de tropas norte-americanas em seu território nesse caso. A conduta do brasileiro é um contraste em relação ao que seu Governo tem repetido. Na própria segunda-feira, o porta-voz do Planalto voltou a dizer em Washington que um apoio brasileiro a uma ação militar estava descartado.

Seja como for, a Venezuela serve a ambos os mandatários para estimularem o medo do “socialismo” entre suas respectivas opiniões públicas. “Acho que Trump vai ser reeleito em 2020, é o mesmo que aconteceu comigo, acho que as pessoas repetiriam seu voto. Veem o que é o socialismo e esse é o sentimento”, disse. Trump, por sua vez, fez dois acenos ao seu convidado. Elogiou o “fantástico trabalho de seu filho” Eduardo Bolsonaro, a quem pediu que se levantasse durante a coletiva para ser aplaudido. Coube ao deputado federal (PSL-SP) acompanhar seu pai no Salão Oval, no lugar do chanceler Ernesto Araújo. Outro aspecto que une ambos os mandatários é que Trump também recorre à família, e deu ao seu genro, Jared Kushner, um papel preferencial nas relações com países como Israel e México.

Além dos resultados tangíveis, ser convidado à Casa Branca é uma bênção para o entorno mais antiglobalista de Bolsonaro e para sua base mais ultraconservadora. “Temos uma grande aliança com o Brasil, melhor do que nunca”, disse o magnata nova-iorquino. A viagem oficial selou o início de uma nova era nas relações entre os dois países após anos de resfriamento, agravado com a descoberta em 2013 de que a CIA espionava conversas da então presidenta Dilma Rousseff. Um símbolo claro nesta nova fase do relacionamento foi a visita de Bolsonaro à sede da Agência Central de Inteligência (CIA), em Langley (Virgínia), e os elogios de Eduardo Bolsonaro a esse órgão em seu Twitter.

“Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é antiamericano chega a Washington. É o começo de uma aliança pela liberdade e a prosperidade”, disse Bolsonaro no domingo, assim que pousou em Washington. O que Bolsonaro retrata como o antiamericanismo de Lula e Dilma Rousseff e até do social-democrata Fernando Henrique Cardoso é a soma da tradição diplomática brasileira de não ingerência, que manteve o gigante sul-americano fechado sobre si mesmo, e as alianças forjadas pelo antigo sindicalista com seus vizinhos esquerdistas, que não o impediram de manter boas relações pessoais tanto com George W. Bush como com Barack Obama.  Neste clima de realinhamento total com os EUA, o protagonista oculto é a China, principal parceira econômica do Brasil. Mesmo não sendo a prioridade dos bolsonaristas, o Planalto sinalizou que não vai abrir mão de todo de um dos projetos-estrela nos anos lulistas, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Brasília abriga a cúpula do grupo em novembro.

Também saiu nesta terça o ‘Nobel’ da matemática, entregue pela 1º vez a uma mulher, Karen Uhlenbeck

 Andrew Hay (Reuters)
Físico brasileiro Marcelo Gleiser recebe Prêmio Templeton por diálogo entre ciência e espiritualidadeHANDOUT REUTERS

O físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser recebeu o Prêmio Templeton de 2019, no valor de 1,4 milhão de dólares, por seu trabalho, que mistura ciência e espiritualidade. Gleiser, de 60 anos, é o primeiro latino-americano a ser agraciado com o prêmio, que homenageia “uma pessoa viva que fez uma contribuição excepcional para a afirmação da dimensão espiritual da vida”, disse a Fundação John Templeton, sediada nos Estados Unidos, em um comunicado nesta terça-feira.

Professor do Dartmouth College, em New Hampshire, nos Estados Unidos, Gleiser escreveu livros de grande vendagem e participou de vários programas de televisão e rádio, debatendo a ciência como uma busca espiritual para entender as origens do universo e a vida na Terra.

 Entre os vencedores do prêmio, criado em 1972 pelo falecido investidor global Sir John Templeton, estão o Dalai Lama e a Madre Teresa de Calcutá. Em 2018 ele foi concedido ao Rei Abdullah 2º, da Jordânia. “Trabalharei mais duro que nunca para divulgar minha mensagem de unidade global e de conscientização planetária para um público mais amplo”, disse Gleiser em um comunicado sobre o prêmio divulgado por Dartmouth.

Gleiser estuda a intersecção entre o que chama de “física do muito grande” e a “física do muito pequeno” para reconstruir o início do universo, informou Dartmouth. Além de pesquisar as origens da vida na Terra, ele também analisa a possibilidade da vida fora do planeta, de acordo com a faculdade norte-americana.

Gleiser nasceu em uma família da comunidade judaica do Rio de Janeiro e estudou no Brasil e no Reino Unido, disse a fundação, que incentiva o diálogo e a pesquisa de temas que vão da evolução ao perdão. Ele entrou no departamento de física e astronomia de Dartmouth em 1991.

Uma mulher ganha o ‘Nobel’ da matemática pela primeira vez

Físico brasileiro Marcelo Gleiser recebe Prêmio Templeton por diálogo entre ciência e espiritualidade
ANDREA KANE/INSTITUTE FOR ADVANCED STUDY

MANUEL ANSEDE

Há meio século, a norte-americana Karen Uhlenbeck, então uma jovem matemática promissora, começou a procurar um emprego, depois de duas breves trabalhos temporários como professora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e na Universidade de Berkeley. “Disseram que ninguém iria contratar mulheres, porque mulheres devem ficar em casa e ter filhos”, lembrou em um livro em 1997. Hoje, a Academia de Ciências e Letras da Noruega decidiu conceder Uhlenbeck o Prêmio Abel 2019, considerado o Nobel da matemática, de aproximadamente 600.000 euros (cerca de 2,5 milhões de reais).

“Eu sou matemática. Os matemáticos fazem pesquisas exóticas, então é difícil descrever exatamente o que eu faço em termos simples “, reconheceu a cientista no mesmo livro. Uhlenbeck nasceu em Cleveland há 76 anos, tem trabalhado com equações diferenciais parciais, desenvolvido originalmente pela necessidade de descrever fenômenos como o eletromagnetismo, mas que agora é usado em diferentes contextos, como o estudo das formas de espaço em várias dimensões .

A matemática americana é a primeira mulher a receber o Prêmio Abel, criado em 2002 para celebrar o bicentenário do nascimento do matemático norueguês Niels Henrik Abel. Outros 19 homens ganharam o prêmio desde então. Já em 1988, Uhlenbeck denunciou que a discriminação explícita não era o único obstáculo em sua disciplina.  “Eu não consigo pensar em uma mulher matemática para quem a vida tem sido fácil, esforços heroicos tendem a ser a norma”, explicou.

Do Jornal do Brasil

O presidente Jair Bolsonaro negou que tenha qualquer ligação com milícias e com os dois ex-policiais acusados pela morte da vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em março do ano passado. A declaração foi dada em entrevista à emissora americana Fox News.

“Sou ex-capitão do Exército brasileiro e muitos policiais militares do Rio de Janeiro são bons amigos meus. Por coincidência um desses supostos assassinos de Marielle morava do lado oposto da minha rua”, disse Bolsonaro, referindo-se ao sargento reformado Ronnie Lessa, preso na semana passada, e o qual vive no mesmo condomínio na Barra da Tijuca que o presidente.

Macaque in the trees

Jair Bolsonaro concede entrevista para Shannon Bream, apresentadora da Fox News (Foto: Alan Santos/PR)

“Eu nunca vi aquele senhor no meu condomínio”, disse. “Só descobri que ele morava lá depois que as notícias se tornaram públicas”, afirmou Bolsonaro. No entanto, um dos filhos de Bolsonaro, Jair Renan, de 20 anos, já teria namorado uma filha de Lessa, além do próprio presidente aparecer em fotos ao lado de milicianos.

Lessa foi denunciado junto com o ex-policial Élcio Queiroz pelo assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes. A polícia não trabalha com nenhuma linha de investigação que relacione Bolsonaro ao crime, mas o assunto tem sido discutido por eleitores brasileiros nas redes sociais. “A mídia, que sempre me criticou, tenta estabelecer uma conexão direta, mas nunca vi esse senhor no meu condomínio”, defendeu-se Bolsonaro na entrevista.

O presidente está em viagem oficial aos Estados Unidos e concedeu entrevista à Fox News na tarde de ontem (18), na Blair House, onde está hospedado em Washington. Durante a entrevista à jornalista Shannon Breen, Bolsonaro também falou sobre a crise na Venezuela, imigração e “fake news” no Brasil. Bolsonaro confessou que admira o presidente Donald Trump – o brasileiro chegou a ganhar o apelido de “Trump dos trópicos” – e contou que concorda com a construção de um muro na fronteira com o México. “A grande maioria dos potenciais imigrantes não tem boas intenções. Eles não pretendem fazer o melhor – ou fazer o bem ao povo dos EUA”, alegou Bolsonaro à Fox News, considerada um veículo de tendência política conservadora.

Sobre a crise política na Venezuela, Bolsonaro afirmou que, apesar dos EUA insistirem que “todas as opções estão na mesa”, inclusive uma militar, “nós [no Brasil] não podemos falar em todas as possibilidades, mas apenas o que for possível de forma diplomática”. “Hoje temos nova ideologia, e queremos que a Venezuela volte à democracia”, afirmou.

Questionado sobre a mídia brasileira, o presidente disse que “há muita fake news circulando” e acusou os jornais de usarem declarações suas “sem contexto”, apenas para critica-lo. Bolsonaro também foi perguntado sobre o polêmico vídeo que postou no Twitter sobre o carnaval, com imagens obscenas.

“Acredito nos princípios, tradições e costumes da família tradicional. Sou cristão e acredito que é preciso haver respeito aos nossos costumes, nossa cultura e nossa religião”, afirmou.

“Se eu fosse tudo isso (misógino, racista e homofóbico), não teria sido eleito presidente. Tem muita fake news no Brasil, a população aprendeu a usar as redes sociais e não acredita mais na mídia convencional, que é dominada por esquerdistas. Não sou contra homossexuais nem mulheres. Mas quero ter minha casa em ordem e a definição de família, para mim, é a da Bíblia”, disse Bolsonaro durante a entrevista. Nesta terça-feira (19), Bolsonaro terá seu primeiro encontro oficial bilateral com Donald Trump. Os dois se falaram por telefone no ano passado, após as eleições.

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20
Posted on 20-03-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 20-03-2019



 

Amarildo, na (ES)

 

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Posted on 20-03-2019
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Jair Bolsonaro pediu desculpas hoje por ter dito que os imigrantes nos EUA têm más intenções na entrevista que concedeu à rede americana Fox News, ontem à noite.

“Aquilo foi um equívoco meu. Boa parte tem boas intenções. A menor parte, não. Houve um equívoco da minha parte, peço desculpas aí”, disse o presidente brasileiro agora à tarde.

“Agora, tem muita gente que está de forma ilegal aqui e isso é uma questão política interna deles. Não é nossa. Eu também gostaria que no Brasil só tivesse estrangeiros legalizados e não de forma ilegal, como existe muita gente nessa situação no Brasil”, acrescentou.

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