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Janaína: uma voz potente em defesa da Lava Jato na Educação…
 Por Quem os Sinos Dobram : Foto Gary Cooper, Ingrid Bergman, Sam Wood
…”Por quem os Sinos Dobram”:Gary Cooper e Ingrid Bergman:
romance explosivo na guerra civil espanhola.
 ARTIGO DA SEMANA

Janaína e a Lava Jato da Educação: abalos no começo do ano letivo

Vitor Hugo Soares

Janaína Paschoal, renomada professora e advogada – com respaldo de mais de 2 milhões de votos em sua histórica presença como deputada  na Assembléia de São Paulo – levantou a voz alguns decibéis a mais, para defender a “Lava Jato da Educação”. Alerta relevante neste insano começo de ano letivo, manchado de sangue, pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na quarta-feira (13) e marcado, também, pelos  tiroteios verbais e ações cerradas da guerra interna envolvendo núcleos decisivos do poder, pelo comando das diretrizes do MEC, chefiado por Ricardo Velez Rodríguez, um ministro acossado por todos os lados.

Estilo leve e direto, tanto na fala quanto nas mensagens que dispara nas redes sociais, Janaína escreveu, em seu Twitter, de legiões de seguidores fiéis que ela chama de Amados: “Eu não estou entendendo bem o que está ocorrendo no Ministério da Educação. Só digo uma coisa: seja quem for o ministro, sejam quem forem seus assessores, esta CPI precisa sair”. É fácil notar:  cargas de dinamite misturadas com litros de nitroglicerina pura, deixados debaixo da ponte. E um ambiente sufocante de tensões e expectativas, à espera do resultado da arriscada empreitada bélica.

A exemplo das cenas antológicas sobre a guerra civil na Espanha, descritas no romance “Por quem os Sinos Dobram”, do notável escritor e atirador norte americano, Ernest Hemingway. Ou das cenas dramáticas no cinema, na adaptação do livro, no Cult dirigido por Sam Wood, com a dupla romântica Gary Cooper e Ingrid Bergman, em inesquecíveis cenas e diálogos amorosos, enquanto o mundo pega fogo ao redor.

Vida real: não falta quem veja “uma mexida de mestre” na atitude da advogada de acusação no processo de impeachment que culminou com o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff do Palácio do Planalto – encerrando o ciclo de quase 15 anos de mando do petismo. Movimento crucial no  cabo- de- guerra dentro do governo, entre a chamada “ala militar” e o grupo liderado pelo pensador e guru do denominado “Clã Bolsonaro”, Olavo de Carvalho. Este, instalado nos EUA, outra carga ambulante de explosivos nas redes sociais.

Nesta batalha intestina – na qual um dos lados conta agora com a valiosa participação de Janaína – nada custa lembrar: a “Lava Jato da Educação” é, originalmente, uma idéia do atual ocupante do Palácio do Planalto. Para Jair Bolsonaro, o setor educativo e do ensino em geral, mas principalmente o ambiente acadêmico, vem sendo “massacrado pela ideologia de esquerda, que divide para conquistar. Enaltece o socialismo e tripudia o capitalismo”.  Neste contexto, segundo o presidente, “a formação dos cidadãos é esquecida e prioriza-se a conquista dos militantes políticos”. Máquina de poder político e ideológico, segundo os defensores da operação, azeitada com muita corrupção e desvios de finalidades de montanhas de dinheiro, principalmente nas universidades públicas. Mais explosivos sob a ponte. 

Neste domingo, 17,  Bolsonaro embarca para os Estados Unidos – onde mora o guru Olavo de Carvalho – com agenda carregada de encontros, homenagens e assinaturas de acordos na Casa Branca do aliado presidente Donald Trump. Na seleta comitiva ao centro do poder do mundo vai o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ex-juiz que entende de Lava Jato como ninguém. O resto a conferir no retorno.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Viva El Pasodoble”, Rocio Jurado: a saudosa diva da canção espanhola interpreta um de seus maiores sucessos, na carreira de retumbantes êxitos. Neste clip, o antológico Pasodoble vai na gravação incluída no  álbum: Sevilla. 1991 . Viva Rocio, Viva Espanha!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

É a maior operação internacional da estatal aeroportuária espanhola, que tem 51% das ações controladas pelo Estado espanhol

Madri
O aeroporto internacional de Recife, arrematado pela espanhola Aena.

 O aeroporto internacional de Recife, arrematado pela espanhola Aena. Divulgação/Infraero Aeroportos

O Governo Jair Bolsonaro comemorou nesta sexta o resultado do leilão de privatização de 12 aeroportos, que superou a outorga estipulada pela gestão que era de 2,1 bilhões de reais. O ágio foi de 986% e ao todo 2,38 bilhões de reais foram arrecadados na operação. O certame mostrou o apetite internacional no programa de privatizações do Planalto, uma das apostas para a recuperação da economia. Os estrangeiros, alguns estreantes no mercado brasileiro, foram as estrelas do leilão.

espanhola Aena venceu a disputa para administrar seis aeroportos no Nordeste, considerado o lote mais atrativo do conjunto de concessões de 12 aeroportos. A Aena, que tem 51% das ações controladas pelo Estado espanhol, pagará ao Governo brasileiro 1,9 bilhão de reais pelo direito de explorar essas seis instalações durante os próximos 30 anos. A concessão inclui a possibilidade de uma prorrogação voluntária por mais cinco anos ao final do contrato. É o maior investimento já feito pela Aena fora da Espanha, e a primeira vez que administrará sozinha um aeroporto no exterior. O  bloco, que tinha um preço inicial de 171 milhões de reais, segundo informa a agência Europa Press, foi também, de longe, o mais caro, com o lance de 1,9 bilhão da Aena.

“O governo federal também foi vencedor, pois o leilão atraiu taxas de concessão relativamente altas de grupos tradicionais que já atuam no Brasil e de recém-chegados”, afirmou o BTG Pactual em nota a clientes, segundo a agência Reuters.

Além do lote do Nordeste, houve mais dois blocos em disputa, o do Sudeste e o do Centro-Oeste. Nove grupos disputavam os três blocos leiloados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), com preços iniciais bem diferentes. A suíça Zurich venceu o lote Sudeste, com oferta de 437 milhões de reais. E o lote Centro-Oeste foi arrematado pelo consórcio brasileiro Aeroeste, formado pelos grupos Socicam e Sinart, que ofereceram cerca de 40 milhões de reais.

Juntos, os aeroportos dos três lotes recebem 19,6 milhões de passageiros por ano, o que equivale a 9,5% do mercado nacional de aviação. É a primeira vez que aeroportos são leiloados em pacotes, combinando ativos mais rentáveis com outros menos atrativos. O Governo Federal arrecadou ao todo 2,38 bilhões de reais na operação.

Planos da Aena

A partir do final deste ano, se os planos avançarem segundo o previsto, a espanhola Aena presidida por Maurici Lucena passará a operar os aeroportos de Recife (com o oitavo maior tráfego do Brasil), Maceió (AL), João Pessoa-Bayeux (PB), Aracaju (SE), Juazeiro do Norte (CE) e Campina Grande (PB). Juntos eles movimentam 13,7 milhões de passageiros por ano, 6,5% do tráfego aéreo brasileiro.

A companhia pública espanhola destaca no comunicado que esta concessão “consolida sua liderança mundial” como maior operadora de aeroportos. Além dos 46 da rede pública espanhola, a empresa vem cumprindo sua meta de internacionalizar as atividades. Já controla 51% do aeroporto londrino de Luton, participa de 17,4% no Grupo Aeroportuário do Pacífico, que opera 12 aeroportos do México, e é majoritário no Aeroporto de Montego Bay, na Jamaica. Na Colômbia, tem a metade da Aerocali, operadora do aeroporto na terceira maior cidade do país, e 37,89% da SACSA, companhia que administra as instalações aeroportuárias de Cartagena.

Conforme informou a empresa pública espanhola, nos próximos dias começarão os trâmites administrativos “para a formalização da concessão”. Para isso, a Aena Desarrollo Internacional, filial da companhia espanhola que foi ganhadora no leilão realizado na sede da Bolsa de São Paulo, deverá criar uma empresa concessionária exclusiva para esse fim, mas 100% de sua propriedade. Esses trâmites poderiam levar até o mês de agosto, e, se tudo correr segundo o previsto, a gestão dos aeroportos se tornará efetiva no último trimestre deste ano.

A Aena acredita que a inclusão de mais seis aeroportos na sua rede permitirá “incrementar as sinergias com os aeroportos hub (polos de conexão de voos) de Madri e Barcelona, assim como com os aeroportos latino-americanos” dos quais também participa. A operação foi assessorada pelo Bank o. f America Merrill

Janaina, sobre a Alesp: “Não existe discussão em plenário. Não existe debate”

 

Como esperado, Janaina Paschoal não conseguiu eleger-se presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Na entrevista à Crusoé desta semana, ela disse que, do jeito que a Assembleia funciona, não são necessários 94 deputados. “Vinte seriam suficientes, porque tudo é decidido pelo colégio de líderes”:

“Hoje, da maneira como a Casa funciona, não são necessários 94 deputados. Vinte seriam suficientes. Isso porque tudo é decidido pelo colégio de líderes. Não existe discussão em plenário. Não há debate. No colégio de líderes, cada partido tem um lugar. A desproporcionalidade é gritante. O PSL elegeu 15 deputados, sendo que eu tive 2 milhões de votos. Mas nós teremos só uma cadeira nesse colégio de líderes. Outro partido, que só conseguiu eleger um deputado, com cento e poucos mil votos, também terá um lugar no colégio de líderes. Então os 4 milhões de votos do PSL terão o mesmo peso de 100 mil votos de outro partido. Isso não é democracia. Não há nenhuma representatividade. Há deputados antigos, praticamente sozinhos, que mandam completamente na Casa. O regimento afirma que as decisões devem ser tomadas por consenso no colégio de líderes. Mas eles interpretam “consenso” como unanimidade. Acham que, para qualquer projeto ser levado a plenário, é necessário que todos os membros do colégio de líderes sejam favoráveis a ele. Quando o projeto chega ao plenário, o que acontece é uma ficção. Isso é muito grave.”

mar
16

Do Jornal do Brasil

 

O ágio médio, diferença entre o mínimo fixado pelo governo para pagamento inicial, e a soma dos lances vitoriosos, foi de 986%

  O leilão de privatização de 12 aeroportos superou a outorga estipulada pelo governo de R$ 2,1 bilhões. No total, os lances pelos três blocos somaram R$ 2,377 bilhões. Os terminais estão localizados nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, e, juntos, recebem 19,6 milhões de passageiros por ano, o que equivale a 9,5% do mercado nacional de aviação. O investimento previsto para os três blocos é de R$ 3,5 bilhões, no período de 30 anos.

O ágio médio, diferença entre o mínimo fixado pelo governo para pagamento inicial, e a soma dos lances vitoriosos, foi de 986%.

Em um certame marcado por muitas ofertas, a disputa maior se concentrou no bloco do Nordeste entre o grupo espanhol Aena Desarrollo Internacional e o grupo suíço Zurich Aiport. O grupo espanhol saiu na frente com oferta de R$ 1,850 bilhão. Próximo ao final do leilão, o grupo suíço ofereceu R$ 1,851 bilhão pelo bloco. O lance foi coberto logo em seguida pela Aena, que ofereceu R$ 1,900 bilhão, e levou o bloco.

O leilão desta sexta-feira (15), realizado na B3, em São Paulo, foi o primeiro no modelo de blocos. Até então, os terminais vinham sendo leiloados individualmente. Segundo o governo, a organização dos terminais em três blocos está relacionada a uma maior vocação de uso dos terminais: os do Nordeste para o turismo, os do Centro-Oeste, para o agronegócio, e os do Sudeste, para atividades empresariais ligadas ao setor de energia, como petróleo e gás.

Pelas regras do edital, vence o leilão quem apresenta o maior ágio sobre o valor mínimo de contribuição inicial mínimo do bloco. Para o Nordeste, o lance mínimo inicial foi de R$ 171 milhões. Para o bloco Sudeste foi de R$ 47 milhões, enquanto para o bloco do Centro-Oeste, R$ 800 mil, totalizando R$ 219 milhões. Esses valores deverão ser pagos à vista junto com o ágio ofertado na data de assinatura do contrato.

Após a apresentação dos envelopes com as propostas, os grupos passaram a ofertar lances de viva voz pelos blocos. O primeiro bloco arrematado foi o do Nordeste, que teve o maior número de ofertas. Formado pelos aeroportos de João Pessoa e Campina Grande, ambos na Paraíba; do Recife, de Maceió, Aracaju e Juazeiro do Norte, no Ceará, o bloco recebeu seis propostas.

O maior lance foi do grupo espanhol Aena Desarrollo Internacional, que ofereceu R$ 1,900 bilhão para pagamento à vista, um ágio de 1.010,69%. Em segundo lugar ficou o grupo suíço Zurich Aiport, com oferta de R$ 1,851 bilhão, um ágio de 982,05%. O grupo também arrematou o bloco Sudeste. Em terceiro lugar, o Consórcio Região Nordeste ofertou R$ 1,785 bilhão, ágio de 949,31%.

O bloco Centro-Oeste, formado pelos aeroportos de Cuiabá, Rondonópolis, Sinop e Alta Floresta, em Mato Grosso, recebeu 2 propostas: a do vencedor, Consórcio Aeroeste, de R$ 40 milhões, um ágio de 4.739% e o Consórcio Construcap-Agunsa, que ofereceu R$ 31,5 milhões, ágio de 3.711,01%.

Já para o bloco Sudeste, formado pelos terminais de Macaé, no Rio de Janeiro, e de Vitória, no Espírito Santo, foram apresentadas quatro propostas. A Zurich Aiport venceu com oferta de R$ 437 milhões, ágio de 830,15%; a ADP do Brasil, R$ 304 milhões, ágio de 547%; a CPC (Companhia de Participações em Concessões), R$ 167 milhões, ágio de 255,47%, e a Fraport, com oferta de R$ 125,002 milhões, ágio de 166,07%.

Outorga

As regras do edital preveem a adoção do chamado risco compartilhado entre o governo e as concessionárias vencedoras do leilão. Por esse dispositivo, o pagamento do valor da outorga, de R$ 2,1 bilhões, vai depender da receita bruta da futura concessionária. O edital fixou que essa outorga variável, a ser paga ao longo do período de concessão, será calculada em cima da receita bruta da futura concessionária, sendo o percentual de 8,2% para o bloco Nordeste; 8,8% para o bloco Sudeste; e 0,2% para o Centro-Oeste.

Inicialmente, o novo concessionário não pagará nada pelo período de cinco anos. Após esse período, têm início os pagamentos do percentual da receita até o final do contrato.

Os vencedores terão que, em um primeiro momento, realizar melhorias em banheiros; sinalizações de informação; internet wi-fi gratuita; sistemas de climatização; escadas e esteiras rolantes; elevadores, entre outras intervenções.

Essa é a quinta rodada de concessões de aeroportos, iniciadas em 2011, com o leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. A aposta do governo é que as concessões podem trazer melhorias na qualidade do serviço com novos investimentos.

mar
16
Posted on 16-03-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-03-2019


 

Miguel, no

 

Do Jornal do Brasil

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 15, que o governo federal já poderia contar com 260 votos para aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) na Câmara dos Deputados. Segundo o ministro, a PEC já teria 160 votos “declarados” a favor da reforma.

“O Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil, tem uma conta que chega a 260”, afirmou Guedes, durante palestra que se estendeu por 57 minutos, no seminário “A Nova Economia Liberal”, na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

Segundo o ministro, haveria na contas de Onyx cem votos “velados” a favor. Para aprovar uma PEC é preciso de um mínimo de 308 votos favoráveis na Câmara. “Sai ainda no primeiro semestre a reforma da Previdência”, afirmou o ministro, sem especificar se estaria se referindo apenas à aprovação na Câmara ou se levava em conta a aprovação final no Senado Federal. Ele também disse que acredita que a PEC não terá seu impacto fiscal “desidratado” pelo Congresso.

Ao longo de sua palestra, Guedes defendeu a reforma da Previdência e o programa econômico comandado por ele e sua equipe. Segundo o ministro, o programa “está andando”, mas “quem dá o timing é a política”. A vontade da equipe econômica, disse ele, seria tomar várias medidas e fazer as reformas “ao mesmo tempo”. No campo tributário, por exemplo, a ideia é fazer uma simplificação geral, juntando impostos federais indiretos num só. “Já existe a ideia de um imposto único federal”, afirmou Guedes.

Guedes voltou a demonstrar otimismo com a tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. Disse que “há maturidade muito grande na classe política” e elogiou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O ministro também voltou a citar a proposta de mudar a Constituição para desvincular e desindexar os orçamentos públicos em todas as esferas de governo. O objetivo de medida seria diminuir a concentração dos recursos tributários no “topo”, na União.

“Está na hora de os políticos assumirem o protagonismo e reabilitar a classe política brasileira”, afirmou Guedes. Como exemplo de proposta para descentralizar recursos num redesenho do pacto federativo, Guedes comentou a intenção de mudar a distribuição da riqueza oriunda da exploração do petróleo na camada pré-sal. A ideia, segundo o ministro, seria distribuir 70% dos US$ 1 trilhão arrecadados ao longo de 15 anos para Estados e municípios. Guedes, que deixou o evento na FGV sem falar com a imprensa, não detalhou como chegou a esse valor.

Dois extraordinários poemas de Drumond, nos quais a Bahia é mais que um retrato na parede.Fala até de Palmas do Monte Alto, Quijingue e Boninal. E não dói nada.

(Vitor Hugo Soares)

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O POEMA DA BAHIA QUE NÃO FOI ESCRITO

Carlos Drummond de Andrade***

Um dia – faz muito tempo, muito tempo –
achei que era imperativo fazer um poema sobre a Bahia,
mãe de nós todos, amante crespa de nós todos.
Mas eu nunca tinha visto, sentido, pisado, dormido, amado a Bahia.
Ela era para mim um desenho no atlas,
onde nomes brincavam de me chamar:
Boninal,
Gentio do Ouro,
Palmas do Monte Alto,
Quijingue,
Xiquexique,
Andorinha.
– Vem… me diziam os nomes, ora doces.
– Vem! ora enérgicos ordenavam
Não fui.
Deixei fugir a minha mocidade,
deixei passar o espírito de viagem
sem o qual é vão percorrer as sete partidas do mundo.
Ou por outra, comecei a viajar por dentro, à minha maneira.

Ainda carece fazer poema sobre a Bahia?
Não.

A Bahia ficou sendo para mim
poema natural
respirável
bebível
comível
sem necessidade de fonemas.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record.

***
Igreja Matriz de Palmas do Monte Alto

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“Europa, França e Bahia” – Carlos Drummond de Andrade

Europa, França e Bahia

Meus olhos brasileiros sonhando exotismos.
Paris. A torre Eiffel alastrada de antenas como um caranguejo.
Os cais bolorentos de livros judeus
e a água suja do Sena escorrendo sabedoria.

O pulo da Mancha num segundo.
Meus olhos espiam olhos ingleses vigilantes nas docas.
Tarifas bancos fábricas trustes craques.
Milhões de dorsos agachados em colônias longínquas formam um tapete
para Sua Graciosa Majestade Britânica pisar.
E a lua de Londres como um remorso.

Submarinos inúteis retalham mares vencidos.
O navio alemão cauteloso exporta dolicocéfalos arruinados.
Hamburgo, embigo do mundo.
Homens de cabeça rachada cismam em rachar a cabeça dos outros
dentro de alguns anos.
A Itália explora conscientemente vulcões apagados,
vulcões que nunca estiveram acesos
a não ser na cabeça de Mussolini.
E a Suiça cândida se oferece
numa coleção de postais de altitudes altíssimas.

Meus olhos brasileiros se enjoam da Europa.

Não há mais Turquia.
O impossível dos serralhos esfacela erotismos prestes a declanchar.
Mas a Rússia tem as cores da vida.
A Rússia é vermelha e branca.
Sujeitos com um brilho esquisito nos olhos criam o filme bolchevista
e no túmulo de Lenin em Moscou parece que um coração enorme
está batendo, batendo mas não bate igual ao da gente…

Chega!
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.
Minha boca procura a “Canção do exílio”.
Como era mesmo a “Canção do exílio”?
Eu tão esquecido de minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
onde canta o sabiá.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

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