m 14/07/19

ARTIGO

A tirania do politicamente correto

Joaci Góes

Para os confrades e amigos Gerana Damulakis e Aramis Ribeiro Costa!

 

A eleição presidencial de Jair Bolsonaro foi uma demonstração inequívoca da vontade do povo brasileiro de se libertar da tirania do politicamente correto, entre nós reinante, postura a serviço, em grande medida, de interesses ideologicamente direcionados, no sentido de atribuir aos conservadores todas as injunções dos vícios e do atraso, e aos autodenominados progressistas as ocorrências beneficamente transformadoras das estruturas sociais. No Brasil essa reação se realizou em intensidade, ainda maior, do que a verificada nos Estados Unidos com a imprevisível eleição de Donald Trump, tendência que se espraia mundo afora.

Atônita, diante das evidências de que Jair Bolsonaro marcha para realizar um governo histórico, com grande crescimento econômico e efetivas conquistas dos escalões mais pobres da sociedade, parcela ponderável da oposição, com o suporte dos núcleos de poder que perderam a boca livre da associação espúria com os governos petistas, pôs em prática a técnica de demonizar questões de pequena ou nenhuma importância para a população, vinculando-as, ao novo governo, com o propósito de mesmerizar a patuleia ignara, desviando sua atenção do essencial, consistente na montagem de uma equipe ministerial de qualidade nunca vista na Administração Pública Nacional, responsável pelo cumprimento de uma agenda inovadora e vitoriosa, como o fizeram as nações mais prósperas do Planeta. A aprovação de uma legislação mais rigorosa no combate ao crime de todo jaez e da Reforma da Previdência Social, ambas em curso no Congresso Nacional, assoalhará essa nova e benfazeja realidade.

Na semana passada, os dois temas dominantes na mídia foram a veiculação pelo Presidente de um vídeo contendo comportamento pornográfico de dois foliões e sua declaração de que, sem a adesão das forças armadas, não pode haver democracia.
Quanta hipocrisia barata, produto da campeadora pusilanimidade moral vigente!

Qualquer pessoa minimamente informada, a cavaleiro de excessos de pundonor monástico, sabe que no Brasil os costumes se degradam numa intensidade sem limites, nem rival, expandindo-se durante os festejos momescos. Há dez anos, uma menina de doze foi socorrida, aos soluços, no Campo Grande, em Salvador, porque, diferentemente da maioria de suas coleguinhas, da mesma idade, que alcançaram as centenas, ela só havia sido beijada na boca por, apenas, cerca de cem homens, em obediência ao comando de festejada canção pop que mandava, ao entardecer de um domingo de carnaval, que todos se beijassem, sôfrega e indiscriminadamente, na boca. No artigo que, então, escrevemos, lavrando nosso protesto, caracterizamos o explícito atentado ao pudor e outros delitos, capazes de resultar em grave punição aos responsáveis, em qualquer país minimamente civilizado.

O silêncio omissivo dos setores da sociedade brasileira que existem, sobretudo, para zelar pelos bons costumes, advém da subordinação à tirania do politicamente correto que defende liberdade plena de expressão, física e verbal, sem qualquer respeito aos direitos alheios. A corajosa iniciativa do Presidente, ao explicitar sua indignação diante de um comportamento crescentemente escatológico e coprolálico, guarda estreita sintonia com seus compromissos de campanha de denunciar a impostura do politicamente correto, de matriz velhaca.

O escândalo torrencial em torno da declaração presidencial de que a Democracia não é possível sem o apoio das Forças Armadas decorre de uma mistura, em iguais proporções, de ignorância, burrice e má fé, na medida em que qualquer criança sabe que nada há de mais verdadeiro no campo da vida ou da Ciência Política, do que o fato da estabilidade dos governos depender da fidelidade armada, como se verificou em todos os tempos, na história de todos os povos. O governo corrupto e antipovo que se instalou na Venezuela só continua matando pessoas de privações de toda ordem, porque as forças armadas locais foram cooptadas para participarem da pilhagem proporcionada pelo fascismo ali instalado. Se o PT tivesse tido êxito nas tentativas que fez de passar para a Casa Civil o poder de promover e de transferir a oficialidade, também estaríamos sangrando sob o comando de Lula, Dilma, Zé Dirceu e da impagável Gleisi Lula.

Essa gente já fez mal excessivo ao Brasil. É chegado o momento de pagarem pelos crimes ominosos que cometeram.

Joaci Góes é escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia e ex-diretor  da Tribuna da Bahia. Texto publicado originalmente na TB, edição desta quinta-feira, 14.