Resultado de imagem para Baiana System carnaval 2019

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ARTIGO

                         Nem Se Compara!

                         Samir Dahia

Nem começou e eu doido que acabe.
Peguei raiva. Enchi o saco.
Sou saudosista mas chamem de velho.
Pra os jovenzinhos que ficam doidinhos no Carnaval, aprendam uma coisa. Isso aí não é Carnaval. Posso garantir.

O verdadeiro Carnaval já acabou.
A pá de cal foi Bell sair do Chiclete. Mas o processo já acontece há, pelo menos, uma década.
Não só pelas músicas, mas também pelo espírito, pela raiz.
Isso aí é um arremedo de Carnaval.
Um arremedo de folia.
Um arremedo da cultura bahiana.

Essa Claudia Leite é um pé no saco.
No verdadeiro Carnaval eu não ouvia Psirico, eu ouvia Ademar e Furtacor porra. Esse Psirico machuca meu tímpano.
Eu não dançava ao som de piano clássico com bailarinas de Daniela Mercury, que se acha a bala que matou Kennedy. Essa moça se acabou. Era até boazinha antes.
Eu me acabava era com o furacão Márcia Freire no Cheiro de amor e de macacão calorento.

Eu me esbaldava com Ricardo Chaves (era o bicho….) e não ao som de um Tomate pêco. Eu peguei os bons tempos do Asa de Águia com Durval tocando guitarra e sem se vestir de porra de vampiro. Para com isso Durval. Se respeite rapá.
Toque “Take it easy” e não “A dança da tartaruga”. Deu pra entender….
Toque ” Na Bahia iá iá!”

Nessa festinha aí, a única coisa que se assemelha é a guitarra baiana do BaianaSystem( a melhor coisa atualmente) que me lembra os bons tempos de Armandinho. E é por isso que é bom! Mas já já param de participar pois sabem que é furada esse rótulo de banda de Carnaval.
Ah Armandinho…” Lua no mar vendo a canoa passear”.
Não é a toa que o Alvontê faz esse sucesso. Até o nome mudou agora. Puxa pelo antigo.

O bicho pegava com Netinho arrebentando no Beijo e não nessa lerdeza desse Saulo inhaquento da disgrama. Nota 7 pra ele.
Luiz Caldas resiste mas tem pouco espaço. O cara tem musica boa pra cantar uma semana.
Cadê os Acordes Verdes seu Luiz. Resgate isso. ” Ei vc, venha logo pra cá “
Lá Carlinhos Brown só tocava percussão e mantinha a boca fechada. Maravilha.
Toca Magia aí Luiz! Isso que era música.
Eu tolerava Ivete, hoje nem isso. Um nehm nhem nhem retado.
Só pensa em fazer propaganda. É Luftal, papel higiênico, cerveja, neosaldina…..vá matar o diabo!

Cadê o encontro de trios na Castro Alves? E no Farol? Cadê Moraes cabeludo?
Cadê a Fumaçinha saindo dos camarins?
Esse arrocha me deprime.
Porra de Pablo. Uma voz ordinária.
Esses pagodeiros me irritam.
Porra de Gigante. Vc é minúsculo na historia do carnaval rapaz. Vá catar coquinho e alisar um jegue.
Tem até quem goste de Harmonia. Eu nem isso.

Era diferente. Era axé!
Cadê a Banda Patrulha com Cátia Guimma? A Reflexu’s com Marinês?
Cadê o Pinel, o Papa Léguas?
Cadê o Carnaval de rua decente meu Deus do céu ?
É muito camarote. É muito salto alto. É muita massagem e maquiagem. É muito sushi.
Os “macho” tudo pocadão. Cadê as panças de chopp?
Tudo de gel no cabelo. Adoram usar gel…..

Cadê meu pastel pingando óleo? Meu rolete de cana?
Cadê minha lóló?
Meu fornecedor de lança morreu de overdose.
Estou órfão. O cara era brother.
Cadê o Baile Preto e Branco do Bahiano de Tênis?
Que folia é essa? Que folia é essa que só se assemelha às antigas pelo cheiro de mijo nas ruas. O de hoje chega é aguado.

Cadê a mortalha fedorenta de 3 dias? Hoje todo dia é um abadá limpinho.
Cadê meu cantil com Old eight?
Porra de RedBull. Porra de Smirnoff ice.
Cadê as Brahmas?
Cadê minha faixa de Rambo?

O trio nem quebra mais. Cadê o trio parado engarrafando tudo?
Cadê o dono do bloco anunciando ao microfone, se desviando das ovadas, que pra compensar o bloco vai descer a ladeira da Barra na 3a feira? Ou sair um dia a mais no próximo ano?

Isso não é Carnaval!!!!!
Cadê Jubiabálálááô? E a dança da Galinha?
Cadê Gerônimo. O único Negão branco.
Saudade de Faraô!
Saudade do “já fui Banda Mel”.
Tô virado na zorra com o que fizeram com meu Carnaval.

Cadê as latinhas de ferro pesadona?
Queria ver catador pisando pra amassar. Porra de reciclagem. Vá vender espetinho porra. Com palito de madeira pontudo.
No meu tempo o bicho pegava, matava e comia. As vezes comia sem nem matar.

Quando o Eva, tocando Eva, passava no Campo Grande no sol quente, o chão tremia.
Hoje precisa um maluco clamando pela favela, berrar no microfone pra o chão tremer.

Bom era comer o macarrão, subir pra avenida a pé. Porra de UBER.
Descer depois de 7 horas, comer o feijão e ir nos bailes nos clubes.

Hoje não tem uma música que preste. Umazinha.
E que conversa é essa de DJ no trio com música eletrônica. Onde já se viu?
Cadê o Chicletão quebrando tudo?
Cadê os solos de Cacique Johnny?
Repense isso Bell. Volte essa porra. Seria o recomeço de tudo.
Bote seus filhos pra dirigir o trio. Cantam mal pra porra!

Ô saudade.
Lembro bem.
Barra Ondina era novidade com os “alternativos”
Eu vou, Nuoutro etc….
6a e sábado na Barra. Domingo, 2a e 3a na Avenida.
Poucos camarotes. Pouca estrutura. Pouco glamour.
Mas muita, muita alegria.

ERA MELHOR! BEM MELHOR!