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CRÔNICA

 

                                        Sem querer fui me lembrar

                                        Janio Ferreira Soares

 

Quando o Carnaval me fascinava, acordava com a boca pedindo água, o corpo querendo calma e o cérebro implorando um analgésico que curasse dores físicas e morais derivadas das madrugadas de serpentinas voando, frevos encantando e lenços ensopados passando de mão em mão até descompassar o ritmo cardíaco de quem exagerasse na dose. “Maestro, mande aí um si bemol, que eu vou de cibalena ou cibazol!”, brincava o velho crooner vestindo uma mortalha com a letra “Q” acima de um felino, numa espécie de recado endereçado à Mulher-Gato, que bailava arranhando o vento como se estivesse cortejando Batman num beco escuro da velha Gothan City.

Os dois principais clubes da cidade ficavam no acampamento da Chesf, à época área de segurança nacional protegido por guaritas e o escambau. A elite se concentrava no CPA (Clube Paulo Afonso), enquanto o povão brincava no Copa (Clube Operário de Paulo Afonso). E neles aconteceram fatos memoráveis que já narrei aqui, mas que, pela ocasião, valem um bis. Simbora!

Perseguido pelos guardas depois de algumas presepadas na área externa do Copa, Catatau (figura folclórica que perdera uma das mãos num acidente) pulou o muro e se misturou aos foliões. Depois de muita procura, um dos guardas se posicionou em cima do palco e teve a brilhante ideia de pedir ao maestro Turpim que tocasse o hino do Bahia. Estranhando o pedido, já que o havia executado minutos antes, ele obedeceu e, assim que a orquestra deu o breque para o grito de guerra da torcida tricolor, Catatau entrou na onda e se autodedurou com seu cotoco vibrando no ar aos berros de “Baêêêa! Baêêêa! Baêêêa!”.

Outra boa foi quando a loló chegou por essas bandas e a diretoria do CPA, atônita, soltou uma circular, dizendo: “neste Carnaval é proibido entrar no clube portando alucinógenos de fabricação caseira”. Completando a bizarrice, também proibiu a execução de Pessoal do Aló – música de Moraes Moreira e Risério. Nem aí para prováveis punições, nosso velho amigo Pilba, mais magro que os cachorros do finado Zé Moisés, mandou um “deixa comigo!” e, sem ninguém saber, se inscreveu no concurso de fantasia sob o pseudônimo de: “He-Man Subnutrido”, e aí pôde entrar com vários frascos do “alucinógeno” dentro de uma galocha que se fingia bota. Empolgado, nosso herói tomou todas e, pra lá de Grayskull, caiu no frevo com uma She-Ra que ia passando, enquanto frascos se espatifavam no meio do salão provocando uma saraivada de lenços girando aos gritos de “loló!,loló!,loló!”, fato que serviu de senha para a banda tocar a canção proibida e neguinho mandar ver na substância banida.

Este texto vai pra Tavito e todos aqueles que, de alguma forma, continuam dobrando a esquina da Rua Ramalhete toda vez que a saudade chama. Evoé!

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

“A Menina Dança “, Baby do Brasil: a coisa melhor e mais bonita do sábado de carnaval 2019 no Brasil: a apresentação de Baby – na plenitude da forma vocal e interpretação artística- puxando um bloco no surpreendente carnaval de rua de São Paulo, com lances marcantes apresentados na transmissão da Globo News. Belo e grandioso espetáculo! Aqui vai um clip mais antigo de Baby interpretando um de seus maiores sucessos de sempre, também lindamente. Viva!!!

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Lula chega de volta à PF em Curitiba depois de assistir ao velório do neto.
Lula chega de volta à PF em Curitiba depois de assistir ao velório do neto. RODOLFO BUHRER REUTERS
Joana Oliveira
São Bernardo do Campo

“Não gosto de Lula, mas é uma tristeza o que tem acontecido com ele. Fez coisa errada e já está pagando, mas perder tanta gente assim…”, dizia o comerciante José Fernandes, de 71 anos, nos arredores do Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo, onde uma pequena multidão de apoiadores –mas não só– se aglomerou para esperar o ex-presidente petista neste sábado e prestar suas condolências à família. Foi no local que um Lula abatido e choroso passou algumas de suas únicas horas de liberdade desde abril para a despedida de seu neto Arthur, de 7 anos, que morreu de meningite meningocócica na sexta-feira.

No entorno, o sábado de Carnaval havia começado com um forte policiamento nas ruas próximas, com viaturas da Policía Militar de São Paulo e da Polícia Federal bloqueando algumas das vias de acesso ao local da cerimônia de cremação do neto de Lula. Autorizado pela Justiça e sob forte escolta da PF, o ex-mandatário deixou a cela onde cumpre duas condenações por corrupção em Curitiba para voltar  à região que é seu berço político. Por volta das 11h, entrou no local sob gritos de apoiadores e recebeu os abraços e as condolências de familiares e amigos políticos, como a ex-presidenta Dilma Rousseff, Fernando Haddad, o governador da Bahia, Rui Costa e o ex-senador Eduardo Suplicy. 

“Lula chorou ao se despedir e agradecer a todos. Perante seu neto, ele tomou um compromisso de que vai comprovar a inocência dele e nós esperamos que isso ocorra o quanto antes”, afirmou, emocionado, Suplicy ao sair da cerimônia. A promessa relatada pelo ex-senador virou mensagem oficial no site do ex-presidente e foi a nota política do velório. O texto dizia que o petista, durante o breve discurso a familiares, prometera levar “seu diploma de inocência” a Arthur no céu, provando as “mentiras” de Sérgio Moro, juiz que o condenou à cadeia e hoje é ministro da Justiça do Governo Bolsonaro. A nota registrava ainda o lamento do presidente que contou que o neto sofrera bullying na escola por causa do avô preso.

Lula acena a apoiadores na saída do cemitério.
Lula acena a apoiadores na saída do cemitério. MIGUEL SCHINCARIOL AFP
 

Seis policiais armados com fuzis acompanharam o ex-presidente em todo momento. Lula ficou ao lado da família por cerca de duas horas, durante as quais pode consolar o filho Sandro, pai de Arthur, e a nora Marlene. Foi a segunda vez que Lula saiu da prisão na Superintendência da PF, em Curitiba, desde que foi preso em 7 de abril de 2018 —em novembro, ele saiu para ser interrogado na Lava Jato—. Há um mês, os advogados do ex-presidente solicitaram à Justiça autorização para que ele participasse do enterro de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, de 79 anos, no dia 30 de janeiro, mas o pedido foi negado. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, acatou um recurso da defesa e autorizou o petista a encontrar os familiares, mas a decisão foi liberada no exato momento em que acontecia o enterro.

“Seria uma nova injustiça impedir que ele se despedisse do neto”, afirmou Rui Falcão neste sábado. O ex-dirigente do PT também disse que Lula está muito abatido, mas que “ele é um homem resistente”. Apesar de o partido não ter convocado manifestações, dezenas de militantes petistas reuniram-se desde as primeiras horas da manhã às portas do Jardim da Colina. O silêncio no local ante a expectativa da chegada do ex-presidente só era eventualmente interrompido pelos gritos de “Lula livre”. Assessores do PT permitiram a entrada dos apoiadores no cemitério, com a condição de que o fizessem “em silêncio e em respeito à família” de Arthur. Só houve um pequeno tumulto quando os portões foram fechados, depois da chegada de Lula. “Lula, estamos juntos!”, gritavam. O barulho funcionou e, poucos minutos depois, a entrada foi reaberta. No início da tarde, muitos desses apoiadores celebravam o aperto de mão ou o abraço que puderam dar no ex-presidente. Em respeito à figura abatida de Lula e ao momento de comoção familiar, os militantes mantiveram silêncio dentro do cemitério, limitando-se a despedir o ex-presidente, por volta das 13h, com uma salva de palmas. Lula apenas acenou antes de entrar no carro –a nota oficial informou que a decisão da Justiça que lhe permitiu ir ao velório proibia “que ele falasse à população”.

Não foram apenas os simpatizantes que apareceram para prestar apoio. Assim como o comerciante José Fernandes, a vizinha do Jardim da Colina Luísa Carneiro, de 47 anos, conta que nunca apoiou o PT, mas esteve presente no cemitério durante a cerimônia de cremação de Marisa Letícia, mulher de Lula, em 2017, e no velório de Vavá, em janeiro. “Não preciso ser petista para saber o que Lula fez pelo Brasil. Além disso, a família é muito querida aqui em São Bernardo”, disse. “Espero que ele não morra de desgosto na prisão”, afirmou Fernandes.

Nas últimas horas, ilustres opositores de Lula, como José Serra ou Fernando Henrique Cardoso, enviaram-lhe mensagens de condolências pela perda do neto – a exceção foram comentários de ódio nas redes sociais e a crítica do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que questionou que Lula pudesse deixar a cadeia, um benefício previsto para todos os detidos em regime fechado. O ex-presidente  era bastante próximo de Arthur, que chegou a visitá-lo na prisão pelo menos duas vezes. A criança e seus pais moravam com o petista desde a morte de sua mulher, Marisa Letícia, em 2017, e nas redes sociais de Lula era comum ver fotos com o garoto. 

Depois da cerimônia de cremação, o ex-presidente voltou para Curitiba, onde desembarcou às 15h30. Menos de uma hora depois, estava de volta à sua cela.

O choro dos sindicalistas

 

Como era de se esperar, os sindicalistas não gostaram nada da Medida Provisória editada por Jair Bolsonaro que acaba com o desconto em folha do imposto sindical.

Em nota divulgada neste sábado, a Força Sindical afirmou que vai recorrer ao STF contra a MP do presidente.

Segundo a entidade, a proposta é “inconstitucional” por ferir o princípio da liberdade sindical e representa  uma “verdadeira prática antissindical patrocinada pelo Estado”.

“É importante lembrar que desde o início deste governo, a Força Sindical buscou o diálogo democrático e a negociação, mas, infelizmente, na calada da noite o governo edita esta nefasta MP demonstrando autoritarismo, despreparo e indisposição para o diálogo”.

Do Jornal do Brasil

 

Lula volta para carceragem em Curitiba após cremação do corpo do neto

  

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou à carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, após participar do velório e acompanhar a cremação do corpo de seu quinto neto, Arthur Lula da Silva, que morreu aos 7 anos por causa de uma meningite meningocócica.

Ao se despedir do neto, Lula disse: “Vou provar minha inocência e quando eu for para o céu, vou levar meu diploma de inocente”. Ele também prometeu que vai provar quem é o verdadeiro ladrão e disse que  Arthur sofria bullying por ser seu neto. “Vou provar quem é ladrão neste País e quem não é. Quem me condenou não pode olhar nos olhos dos netos como eu olhava para você.”

Macaque in the trees
Lula no enterro do neto (Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP)

Lula deixou o cemitério de São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, de onde tomou helicóptero para se deslocar até o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de onde embarca para Curitiba.

A viagem de volta à capital paranaense será feita em avião do governo do Estado, conforme pedido da Polícia Federal.

mar
03
Posted on 03-03-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-03-2019



 

Thiago Lucas , no

 

mar
03

Do Jornal do Brasil

 

O presidente da Vale, Fábio Scharvtsman, e outros três diretores deixaram a empresa oficialmente neste sábado, 2. A mudança, dada como inevitável desde o rompimento da barragem de Brumadinho, que deixou mais de 300 mortos, ganhou ritmo ontem, quando integrantes da força-tarefa que investiga a tragédia pediram o afastamento de Scharvtsman e dos diretores executivos de ferrosos e carvão, Peter Poppinga, de planejamento, Lúcio Flávio Gallon Cavalli, e de operações do corredor sudeste, Silmar Magalhães Silva.

Macaque in the trees
O presidente da Vale, Fabio Schvartsman (Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil)

A Vale não confirmou a informação, publicada inicialmente pela coluna Radar, da Veja, mas o Broadcast apurou que um grupo importante entre os acionistas controladores já dava como certa a saída de Scharvtsman desde o acidente. O executivo, que foi recrutado no mercado, mas teve seu nome associado ao deputado Aécio Neves no episódio da delação premiada dos empresários Joesley Batista, estava sendo sustentado pela Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil), maior acionista da Vale.

A pressão dos integrantes da força-tarefa foi motivada pela ação de executivos da empresa com empregados, o que estaria, segundo eles, atrapalhando as investigações. Além disso, a divulgação pela empresa do acordo para pagamento do auxílio emergencial para os atingidos como uma iniciativa da empresa causou forte desconforto. De acordo com o promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), André Sperling, a empresa pretendia pagar o auxílio apenas aos moradores das duas localidades mais atingidas – Parque da Cachoeira e de Córrego do Feijão -, mas foi obrigada a estender a indenização para todos os moradores de Brumadinho.

“Não foi bem uma questão de aceitação da Vale. A Vale viu-se compelida a fazer isso. Ela queria (pagar para os moradores) Parque da Cachoeira e Córrego do Feijão”, disse o procurador.

Com a saída do grupo, a Vale deve ser conduzida, interinamente, pelos diretores remanescentes, sob o comando interino do diretor-executivo de Metais Básicos, Eduardo Bartolomeo. Fontes ouvidas pelo Broadcast dizem que não há nenhuma movimentação no mercado, nesse momento, em busca de um substituto.

A mudança definitiva só deve ocorrer em abril, após a Assembleia Geral Ordinária (AGO) de acionistas, quando também são esperadas mudanças no conselho de administração, com a redução do peso da Previ, que hoje ocupa quatro assentos no conselho e o aumento da presença de conselheiros mais ligados ao setor de mineração.

Até agora, a Vale não se pronunciou oficialmente. Por conta do Carnaval, os mercado brasileiros estarão fechados até quarta-feira de manhã, mas o mercado americano, onde são negociadas mais de 70% das ações da Vale na forma de ADRs (American Depositary Receipts) reabre na segunda-feira, o que obriga a empresa a se posicionar amanhã.

Na última semana, com a perda do grau de investimento pela agência Moody’s, a situação da mineradora também começou a causar apreensão entre investidores brasileiros. Desde o acidente, analistas de casas estrangeiras observavam o descolamento das expectativas de investidores dos investidores domésticos, que pareciam mais otimistas. Um segundo rebaixamento, que pode vir da S&P, pode obrigar muitos fundos estrangeiros a se desfazerem de suas posições em ações da empresa, pressionando negativamente o papel, que já perdeu cerca 25% de seu valor desde 25 de janeiro, quando aconteceu a tragédia.

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