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CRÔNICA/AUSÊNCIA

Boechat, sempre!

Gilson Nogueira

 

Há poucos minutos, eram só elas duas, a lua e uma estrela inclinada no azul despedida como se quisesse dar um mergulho atrás do Farol da Barra, neste sábado de fevereiro de carnaval que deveria ser solenemente adiado. Volto a olhar para o alto e vejo a noite chegando com mais estrelas cintilando mistérios. Tenho na garganta um grito preso e no olhar uma lágrima sem querer cair, a lágrima do adeus permanente a muita, muita gente boa, como minha amada mãe, que partiu em novembro último, para o jardim da Eternidade. Boechat, seus olhos azuis, sua caneta entre os dedos, que falava com ele, as pessoas todas vítimas de tragédias que marcam 2019 como um dos anos mais tristes da história pelo número de vidas que foram interrompidas pela fatalidade, a doença, o crime e a incúria. Quem dera que vocês voltassem!

E meu coração parece acelerar ao prosseguir em meu desejo de colocar a cabeça nas costas e esperar ver no firmamento alguma luz diferente a sinalizar que a vida eterna existe de fato na fé da cada um. Esse meu acreditar, desde criança, leva-me a sonhar acordado, vendo todas, absolutamente todas as pessoas de bem que morreram aparecerem, um dia. E o azul ,que inspirou-me estas linhas, partiu dos olhos que vejo, abertos, cintilando o bom caráter, indispensável, cada vez mais, nos dias que correm.Boechat, um dos mais notáveis profissionais de imprensa que o Brasil e o Mundo conheceram.

Esquisito, falo com meus botões, da bermuda velha: “ Desde o primeiro dia que vi Ricardo Boechat, na Imprensa, bati na mesa, este jornalista vai figurar no livro de honra dos maiores profissionais que atuaram no país!.” Não deu outra. Até aquela caneta que dançava entre os dedos do honrado profissional em viagem estelar chora, agora, como os que o admiravam na largada do primeiro texto, do primeiro bom dia!

E minha alma, ao chegar ao final de um  adeus feito de caracteres e, sobretudo, de profunda emoção, até que poderia cantar, como a de Tom, ao ver o Rio, mas, aqui, ela chora, seco,, em cascata de porquês, diferente de outras partidas.

Boechat, meu caro, há uma televisão ligada no espaço de minhas saudades eternas, com  sua cara na tela, sem fantasmas. Ah, sua caneta inteligente permanece cheia de tinta. Adeus, companheiro!

Gilson Nogueira , jornalista, é colaborador da primeira hora do Bahia em Pauta.

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