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ARTIGO

O país que importa

Fernando Gabeira

Aqui na Praia do Norte, em Nazaré, pensando nos portugueses que se atiraram, como diz o poeta, ao mar absoluto, ao encontro do impossível — aqui sigo surpreso com o que acontece conosco, com o que fizemos de nós no outro lado do Atlântico. São tristes as imagens que chegam do Brasil, a mulher deformada pelo espancamento, a jovem mãe correndo com um bebê no colo do conflito entre torcida e polícia. E Maduro fechando a fronteira para comida e remédio.

Todo cais é uma saudade de pedra, como lembra Fernando Pessoa. É preciso um momento de reflexão à distância. A mais recente crise política no Brasil seria tema de um folhetim, amores enviesados, mentiras, veneno e fel.

Temos de achar uma forma de abstrair esse baixo nível e nos unirmos no principal: tirar o Brasil da crise, votar a reforma da Previdência, reduzir o número de crimes. No caso da Previdência, ela tem a aprovação das pessoas preocupadas com o país e não pode ser nem rejeitada nem mutilada pelo Congresso.

Por mais que o governo considere a imprensa como inimiga, os ambientalistas como obstáculo ao progresso, é preciso ajudá-lo, pois o que está em jogo no momento é muito maior que ele.

O Congresso derrubou o decreto que deformava a Lei de Acesso à Informação. Já havia criticado Mourão por tê-lo lançado. A transparência venceu. Faz parte do jogo ganhar ou perder. Sou catedrático em derrotas e asseguro que não importam tanto. Com uma boa análise, fugimos das inevitáveis; com alguma cintura, transformamos outras em vitória relativa.

Num outro artigo em que divago sobre o tempo na concepção do historiador Fernand Braudel, classifico a vitória de Bolsonaro apenas como uma conjuntura em que vários fatores convergem para alterar o tempo rotineiro.

Guardadas as proporções, uma convergência que também aconteceu nos Estados Unidos. São conjunturas que necessariamente não quebram a longa linha do tempo.

Conheço um pouco do Brasil e de Bolsonaro. Quando se tornou um candidato favorito, sabia que sua experiência ainda era limitada. E que sua vitória exigiria de todos nós uma dose de maturidade para evitar traumas. O resto ficaria por conta dos eleitores em 2022.

Foi essa a escolha majoritária. Diante dela, creio eu, o ideal é mapear os temas essenciais para sairmos do buraco. E criticar o governo sempre que se afaste deles.

Intrigas, vaidades, embriaguez do poder sempre se apossam das pessoas mais simples. Ainda mais no Brasil, onde tudo parece ter um viés novelesco: “Carlos Henrique, nunca pensei que fosses me trair…”

De novo, reafirmo aqui minha defesa do jornalismo preventivo. Não se trata de evitar as coisas feias, mas simplesmente de colocá-las no contexto.

Com todo o respeito pelo seu trabalho, Bebianno não existia na política brasileira até a campanha de Bolsonaro. Por sua vez, Bolsonaro nunca foi um hábil estadista, atenuando arestas, unindo forças divergentes. São, por assim dizer, forças não buriladas, que podem amadurecer ou seguir aos trancos até o fim do mandato.

Bolsonaro sempre foi um homem risonho e brincalhão, embora, é natural, tenha ficado mais sombrio depois do atentado que sofreu. Não me importo com as coisas que diz sobre o meio ambiente, muito menos com seus seguidores fanáticos. Pertenço a um grupo no Brasil que leva porrada dos dois extremos e já se acostumou.

Na hora de fazer a coisa certa, como proibir barragens a montante e dar um prazo para desativar as que existem, ele o fez. Será que está esverdeando? Será que, como todos os outros verdes, ele é uma espécie de melancia, verde por fora, vermelho por dentro?

É um país estranho. Não sei se os portugueses traçariam o mesmo rumo se soubessem do desfecho. Sei apenas que é hora de partir. Saudade e dever me empurram de volta, depois desses dias ao lado de Fernando Pessoa:

“E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente/ A fraternidade afinal não é uma ideia revolucionária/ É uma coisa que a gente aprende pela vida afora, onde tem que tolerar tudo/ E passa a achar graça ao que tem que tolerar/ E acaba quase a chorar de ternura sobre o que tolerou!”

O poeta me saúda no cais:

“Boa viagem! Boa viagem!/ Boa viagem, meu pobre amigo casual, que me fizeste o favor /De levar contigo a febre e a tristeza dos meus sonhos”.

Daqui a pouco, alguém só é preso se concordar, ironiza Moro

 

Sergio Moro defendeu hoje a ampliação dos casos em que a Justiça pode extrair a identificação genética de condenados criminalmente, um dos pontos de seu pacote anticrime.

Hoje, a lei prevê que só os condenados por crimes praticados com violência grave ou por crimes hediondos terão o perfil genético identificado. Moro quer ampliar essa identificação para os condenados por crimes dolosos.

“Há alguns que argumentam que colher o perfil genético é inconstitucional. Particularmente, eu vejo que é busca e apreensão de um vestígio corporal. Se é inconstitucional, então também é inconstitucional colher impressão digital”, disse o ministro da Justiça.

“Porque, se a pessoa não é obrigada a fazer nada, então também não pode ser obrigada a fornecer impressão digital. E nós, daqui a pouco, vamos caminhar num sentido de que alguém só é preso e levado à cadeia se concorde”, ironizou.

84 Bem Vividos!!! 70 Anos de Carreira!!! João Donato!!! Orgulho Nosso!!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

fev
26
Posted on 26-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-02-2019
DO EL PAIS
Tragédia de Brumadinho
Marcos de Paula Rodrigues e Andreza Rodrigues, pais de Bruno, funcionário da Vale, que está desaparecido desde a tragédia de Brumadinho. Douglas Magno
 

Há um mês a auxiliar de cozinha Paloma da Cunha, de 22 anos, não consegue parar de rebobinar em sua cabeça as lembranças do tsunami de lama produzido após o rompimento da barragem I da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho. A enxurrada de rejeitos da mineradora Vale engoliu sua casa, levando embora o marido, o filho de 1 ano e 6 meses, a irmã de 13 anos e o futuro como ela tinha imaginado. Paloma foi a única da residência que sobreviveu.

“Primeiro veio aquele barulho forte, parecia um helicóptero caindo. Depois, a luz acabou e, quando me levantei da cama para ver o que era, só sentia as coisas me esmagando”, conta a auxiliar de cozinha que morava em frente à pousada Nova Estância também devastada pelo tsunami de rejeitos. Levada pela correnteza, Paloma foi arremessada pela onda para o lado esquerdo e se agarrou ao que encontrou pelo caminho para sair da enxurrada.Com muita dificuldade, chegou até um dos pilares de um pontilhão de uma linha de trem rompida pela força da lama. Neste ponto, conseguiu escutar a voz de Claudiney Coutinho, funcionário da Vale, que a localizou e lançou uma corda para resgatá-la. Afundada na lama, Paloma mal conseguia se mexer. O resgate, filmado por um amigo de Coutinho pelo celular, foi uma das imagens mais impressionantes da retirada de sobreviventes da tragédia de Brumadinho, que deixou pelo menos 179 mortos . Aos menos 131 seguem desaparecidas.

“Eu já não estava aguentando mais, a lama é muito pesada. Sentia muitas dores, quebrei o osso esterno, o nariz, estava sangrando muito, mas eu só pensava na minha família. Naquele momento, eu achei que todo mundo poderia estar vivo como eu”. As esperanças de Paloma, no entanto, foram diminuindo ao longo dos dias que esteve internada em um hospital em Belo Horizonte. Primeiro veio a notícia de que o corpo do marido Robson Andrade, de 26 anos, tinha sido encontrado. Sem poder deixar o centro médico, Paloma lamenta não ter podido dar o último adeus.

No dia 7 de fevereiro, quando já tinha retornado a Brumadinho, o corpo da irmã Pamela foi identificado. O velório aconteceu no dia seguinte, com o caixão lacrado. “Depois de tudo que eles fizeram com a gente, ainda temos que enterrar com o caixão fechado. A gente fica pensando, será que é a pessoa? É horrível. O meu bebê Heitor ainda não foi encontrado, eu fico ligando para saber notícias, mas até agora nada”, se emociona.

Sentada em um sofá de uma casa alugada pela Vale e ainda com o rosto bastante machucado, Paloma reclama do descaso da mineradora após a tragédia. “Só consegui esse lugar aqui porque eu procurei eles e insisti que queria uma casa. Quando voltei do hospital e fui à Estação do Conhecimento [espaço da mineradora usado para auxiliar parentes e amigos de vítimas e desaparecidos], as pessoas falaram que nem sabia que eu existia. Como pode?”, diz. Para Paloma, dinheiro nenhum trará sua família de volta, mas está empenhada em lutar até conseguir todos os seus direitos e encontrar também o corpo do bebê.

Paloma Cunha foi arrastada pela lama de rejeitos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, perdeu o filho, o marido e a irmã. ampliar foto
Paloma Cunha foi arrastada pela lama de rejeitos após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, perdeu o filho, o marido e a irmã. Douglas Magno
 Ela não consegue entender como sobreviveu, mas acredita que, se essa foi a vontade de Deus, foi para que ela siga em frente. Decidiu adotar no último mês a estratégia de viver um dia de cada vez. “Já não faço planos como fazia, fiz tantos planos com a minha família e não aconteceu nada do que eu sonhei. Para que pensar muito no futuro se em um minuto a gente pode perder todo mundo que a gente amava?”

Às vezes, Paloma se questiona se diante de tamanha perda e dor sua “ficha já caiu”. “Parece que eu estou viajando, longe de casa, e na hora que eu voltar vai estar todo mundo me esperando. Ainda mais o meu filhinho, eu amava demais, era meu sonho ter ele“, lamenta.

“Já não faço planos como fazia. Para que pensar muito no futuro se em um minuto a gente pode perder todo mundo que a gente amava?”

Paloma da Cunha, 22 anos, sobrevivente da tragédia de Brumadinho

A sede de justiça e o amor de mãe é o que também faz o coração de Andreza Rodrigues continuar batendo um mês após a tragédia. Moradora de Mário Campos, cidade vizinha a Brumadinho, ela busca incansavelmente notícias sobre o filho Bruno Rocha Rodrigues, engenheiro, que trabalhava na Vale. Ele tinha sido efetivado em 2018 na mineradora após trabalhar dois anos como estagiário. “O que sentimos é um descaso em relação às buscas dos mais de 100 desaparecidos. A intensidade diminuiu ao longos dos dias, temos menos helicópteros circulando, menos informações do que está sendo feito. Já estamos completando um mês de luto sem corpo. A gente está morrendo um pouquinho cada dia”, diz Andreza. Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas ainda não têm prazo para finalizar e podem durar meses. Eles explicam que os trabalhos entraram em uma nova fase, mais complexa e lenta, de escavações e uso de maquinário, e menos sobrevoos de varredura.

A mãe de Bruno chegou a visitar o local de trabalho do filho a convite da empresa há alguns meses e questionou uma funcionária que dava uma palestra na companhia se a barragem desativada não corria risco de rompimento. “Ela me falou que não, que era monitorada diariamente. Ou seja, mascarado diariamente. Eles sabiam que estavam levando nossas famílias para o matadouro. Quem assinou os relatórios sabia do risco que todos sofriam”, afirma.

Oito funcionários da Vale, entre gerentes e integrantes de equipes técnicas, estão presos sob acusação de “conluio” para ocultar informações sobre os riscos da barragem de Brumadinho.

Junto com o marido, Andreza tem participado de distintas reuniões sobre a tragédia para fazer um clamor para que os desaparecidos não sejam esquecidos. “O presidente disse que a Vale é uma joia, mas quem são as joias são os nossos entes queridos que estão soterrados lá”, disse Andreza.

A mãe de Bruno –assim como outras 264 famílias– recebeu uma doação de 100 mil reais da Vale por ter tido um parente vítima do rompimento. Outras 56 pessoas foram contemplados com 50 mil reais por residirem em imóveis na zona de Autossalvamento. “Teve a questão das doações e agora começam as propostas de indenização, tudo é muito triste, quanto vale a vida do meu filho e dos outros? Ele era tudo que eu tinha. Fui mãe aos 14 anos, vivi uma vida dedicada a ele”, diz.

Na última quinta-feira, o casal se somou a um encontro promovido pelo Ministério Público e a Defensoria Pública da União, realizado no bairro Parque da Cachoeira, em que foi esclarecido aos moradores algumas dúvidas sobre o acordo assinado pela Vale, no qual a mineradora se comprometeu a pagar uma indenização de um salário mínimo mensal por um ano a todos os moradores de Brumadinho adultos, meio por adolescente e um quarto para crianças. O documento prevê também o mesmo pagamento aos moradores de comunidades até um quilômetro do rio Paraopeba.

A notícia do acordo suscitou dúvidas de várias pessoas da comunidade que queriam saber se o valor seria descontado da indenização futura que atingidos irão receber e se as doações oferecidas pela Vale – de 100 mil reais e 50 mil reais – continuavam valendo. Um dos moradores questionou se era justo que pessoas que perderam familiares, casas, local de trabalho, recebessem a mesma indenização de moradores ricos de Brumadinho que não tiveram suas vidas afetadas.

Casa no Córrego do Feijão foi levada pela lama. ampliar foto
Casa no Córrego do Feijão foi levada pela lama. Douglas Magno
 “Ninguém perdeu nenhum direito porque o outro ganhou. Se vocês se desunirem vai ser pior e é isso que a Vale quer”, replicou o promotor de Justiça André Sparling. Na avaliação dele, reconhecer um acordo para todo o município – que possui 39.520 habitantes, segundo o IBGE- é uma vitória já que, além dos atingidos diretamente pelo rompimento da barragem, várias pessoas, comércios e pousadas foram afetadas indiretamente. Ainda não há, no entanto, previsão de quando esses valores serão liberados para a população.

Em compasso de espera, o agricultor Leonice Fernandez Ferreira, que assistia também à reunião não sabe como serão os seus próximos dias. A horta em que trabalhava foi levada pela lama e, apesar de já ter feito o cadastro pedindo uma doação emergencial de 15 mil reais da Vale por ter perdido seu ambiente de trabalho, ainda não recebeu nada. Desde a tragédia vive de alimentos básicos que estão sendo doados na comunidade. “O que eu sei mexer nessa vida é na horta, não sei para onde ir”, lamentava. Segundo a Vale, a doação de 15 mil reais para quem teve negócios impactados está em fase de cadastramento.

Vida dentro de um quarto de hotel

Vivendo há um mês com a filha e o marido em um quarto de hotel com três camas em Brumadinho, a operadora de moagem Maria Aparecida dos Santos também tem pressa por respostas e providências da Vale. A casa e a fazenda em que trabalhavam foram engolidas pelo tsunami da lama no dia 25 de janeiro. Ela e a filha de 9 anos estavam na residência na hora do rompimento, mas conseguiram sair a tempo de não serem atingidas. “Desde o primeiro dia, que cheguei só com a roupa do corpo, estou pedindo um aluguel de casa, uma assistência pra gente. Aqui é uma passada, não uma moradia, um mês já passou”, explica.

Assim como Maria Aparecida, cerca de outras 100 pessoas também estão atualmente desalojadas após a tragédia, morando em quartos de hotéis e casas de parentes. Famílias que viram suas vidas mudaram de uma hora para outra e passam o dia entre o quarto e as dependências das pousadas, sem saber o que será do futuro.

José Maria Medeiros, Ana e Maria Aparecida dos Santos vivem há um mês em um quarto de hotel após terem a casa engolida pelo tsunami de rejeitos após o colapso da barragem.
José Maria Medeiros, Ana e Maria Aparecida dos Santos vivem há um mês em um quarto de hotel após terem a casa engolida pelo tsunami de rejeitos após o colapso da barragem. Douglas Magno
 

“O que é mais difícil é a falta de liberdade. Estamos sem emprego, sem casa, sem nada. Já fiz os cadastros e protocolos possíveis, troquei minha filha de escola, porque ela está traumatizada e não quer mais voltar para o Córrego do Feijão. A casa alugada a Vale já poderia ter providenciado”, afirma Maria Aparecida. A operadora de moagem diz que tem sido tratada muito bem na pousada, mas quer um lugar para chamar de seu. Confessa, no entanto, ter passado por situações constrangedoras, como num dia em que, segundo ela, foi impedida de almoçar no restaurante localizado no hotel sob alegação que a comida tinha sido suspensa. “Foi uma situação absurda da Vale, que tirou a minha casa, a minha liberdade, e agora estava restringindo a alimentação de uma criança de 9 anos”, conta.

Enquanto os dias passam, a dor de Maria Aparecida, que além da casa perdeu um número grande de amigos e vizinhos, parece crescer. “Essa dor não sei se vai cicatrizar não. O porquê é o que ninguém responde. Por que ninguém tomou providência sobre isso e deixou o dinheiro falar mais alto? Assinaram que a barragem estava segura por causa do dinheiro“, diz de maneira

fev
26
Posted on 26-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-02-2019

Do Jornal do Brasil

 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou que a investigação conduzida pela Polícia Federal sobre a facada ao presidente da República, Jair Bolsonaro, ainda não está concluída. Segundo o ministro, a audiência agendada para as 17 horas desta segunda-feira, 25, entre ele, Bolsonaro e o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, é para informar ao presidente o resultado até aqui da apuração.

“Ainda está em andamento. O presidente é a vítima, então é interessado. Então, será apresentado a ele o resultado da investigação até o momento”, disse Sérgio Moro, nesta segunda-feira, na saída de um seminário sobre segurança pública em Brasília.

Além dos três, estarão na reunião o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Morais, e o superintendente da PF em Minas Gerais, o delegado Cairo Costa Duarte. O teor do relatório da PF até o momento ainda não foi divulgado.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro é atingido por facada (Foto: Fábio Motta/AE)

O ataque ao presidente da República foi feito no dia 6 de setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, por Adélio Bispo, que está preso desde então.

Em vídeo gravado quando ainda estava internado para retirar a bolsa de colostomia, Bolsonaro cobrou da PF uma resposta sobre o caso.

No vídeo, o presidente citou a necessidade de a corporação dar uma resposta para o caso “nas próximas semanas”.

Do Jornal do Brasil

 

Ao participar da 40ª reunião do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, apelou hoje (25), em Genebra, que para que a comunidade internacional congregue esforços para pacificar a crise política pela qual passa a Venezuela.

Macaque in the trees
Damares Alves (Foto: Divulgação/MRE)

“Não poderia deixar de expressar a preocupação do governo brasileiro com as persistentes e sérias violações de direitos humanos cometidas pelo regime ilegítimo – repito, regime ilegítimo – de Nicolás Maduro”, disse.

A ministra acrescentou que o governo brasileiro está comprometido com as políticas de defesa dos direitos humanos, a democracia e o pleno funcionamento do estado de direito.

“O Brasil uniu-se aos esforços do presidente encarregado, Juan Guaidó, não para intervir, mas para prover imediata ajuda humanitária ao povo venezuelano. O Brasil apela à comunidade internacional à somar-se aos esforços de liberação internacional da Venezuela, reconhecendo o governo legítimo de Guaidó e exigindo o fim da violência das forças do regime contra sua própria população.”

Direito à vida

Segundo Damares, o governo federal irá reguardar o direito à vida. “Defenderemos tenazmente o pleno exercício por todos do direito à vida, desde a concepção, e à segurança da pessoa.”

“Quero assegurar a todos o compromisso inabalável do governo brasileiro com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e com o pleno funcionamento do Estado de Direito”, enfatizou.

Feminicídio

A ministra ressaltou que um dos principais focos da sua gestão será o enfrentamento à violência contra a mulher. “Não pouparemos esforços no enfrentamento da discriminação e da violência contra as mulheres, sobretudo o feminicídio e o assédio sexual.”

“Vamos alcançar, portanto, mulheres, muitas vezes invisíveis, que integram povos e comunidades tradicionais, como as mulheres indígenas, quilombolas, pescadoras artesanais, as quebradeiras de coco, as ribeirinhas, as ciganas, entre outras.”

Demarcação de terras

Outra questão abordada pela ministra foi a mudança no processo de demarcação de terras indígenas, que avaliou como “especialmente positiva”, garantindo que “em nada afetará o direito constitucional dos povos indígenas”.

A nova dinâmica vigora desde o dia 1º de janeiro, data de edição da medida provisória que transferiu para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a função.

Agenda

De acordo com a assessoria do ministério, além das atividades do conselho, compõem a agenda de Damares Alves encontros com a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.

Também há reuniões com a ministra federal dos Direitos Humanos do Paquistão, Shireen Mazari, o secretário executivo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco Ribeiro Telles, a imprensa e representantes de organizações da sociedade civil.

O Brasil completa seu quarto mandato como membro do conselho.

fev
26
Posted on 26-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-02-2019


 

Duke, no jornal

 

 
 Alunos formam fila em colégio da Polícia Militar em Porto Velho. Daiane Mendonça Secom/Rondônia
O Ministério da Educação (MEC), comandando por Ricardo Vélez Rodríguez, enviou para todas as escolas públicas e privadas do país um e-mail pedindo para que, no primeiro dia de aula, “professores, alunos e demais funcionários da escola fiquem perfilados diante da bandeira do Brasil, se houver na unidade de ensino, e que seja executado o Hino Nacional”. Além disso, o texto pedia para que fosse lida uma carta de Vélez que dizia o seguinte: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de você, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”. A palavra de ordem no final da carta foi utilizada ao longo da campanha do presidente Jair Bolsonaro — já seu Governo adotou como slogan “Pátria Amada Brasil”.

O e-mail e a carta foram primeiramente divulgados pelo jornal O Estado de S. Paulo, mas o MEC confirmou seu conteúdo ao EL PAÍS. Disse ainda que se tratava “um pedido de cumprimento voluntário” que faz parte “da política de incentivo à valorização dos símbolos nacionais”. A mensagem ainda solicitava “que um representante da escola filme (pode ser com celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do Hino Nacional. E que, em seguida, envie o arquivo de vídeo (em tamanho menor do que 25 MB) com os dados da escola”. As imagens deveriam ser enviadas para os correios eletrônicos da assessoria de imprensa do próprio MEC e da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

Para Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV e ex-secretária de Educação da cidade do Rio de Janeiro (2009-2014), o problema maior não é pedir que se cante o Hino Nacional. “Acho até positivo, faz parte da educação de um jovem a educação cívica — não como matéria. Quando eu fui secretária no Rio, a gente determinou que toda segunda-feira se cantaria o hino. Em vários municípios se canta o hino. Canta-se menos em escolas privadas que em públicas, não foi uma tradição que se perdeu”, explica. Além disso, o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em 2009 uma lei que obriga a execução do Hino uma vez por semana nos centros públicos e privados do ensino fundamental. “O que eu vejo de errado é associar cantar o Hino com um slogan de campanha”, acrescenta Costin.

Outro problema que Costin enxerga é a solicitação para que alunos sejam filmados. “Todo educador sabe que para tirar fotos você precisa de autorização dos pais, porque são menores de idade. Isso demandaria uma logística um pouco complexa”, argumenta. Já o MEC esclareceu que, “após o recebimento das gravações, será feita uma seleção das imagens com trechos da leitura da carta por um representante da escola. Antes de qualquer divulgação, será solicitada autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável”.

Vélez é um dos ministros indicados por Olavo de Carvalho, guru da extrema direita brasileira. Ambos defendem acabar com uma suposta “doutrinação ideológica marxista” sobre os 48,6 milhões de estudantes matriculados nas escolas da educação básica e os 8,3 milhões de alunos do ensino superior (dados do último Censo Escolar, de 2017). Desde que foi empossado, Vélez já defendeu a volta da disciplina de moral e cívica no curriculum do ensino fundamental, para que os estudantes aprendam a ser brasileiros, retomem “valores fundamentais” e saibam quais são “nossos heróis”. Ele chegou a dizer em entrevista à revista Veja que o brasileiro, quando viaja, “rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”.

O ministro também já argumentou que a universidade “não é para todos”, uma afirmação que causou alvoroço em um país que assistiu, nos últimos anos, políticas de inclusão social e racial nos centros de Ensino Superior públicos. “A Educação tem uma série de desafios. O que eu sinto é que estamos discutindo questões menos relevantes ao invés de fazer aquilo que é necessário para dar um salto de qualidade na Educação”, opina Costin. “Isso demanda, por exemplo, melhorar a carreira do professor e trabalhar com as universidades para melhorar a formação do professor, e não de atos visíveis que não representam de verdade o que deveria ser feito”, acrescenta.

Parlamentares de oposição vem argumentando que Vélez cometeu improbidade administrativa, um crime de responsabilidade. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) anunciou que vai apresentar uma denúncia contra o ministro.

“Hino Nacional”, João Gilberto:no espetáculo histórico de reinauguração do Teatro Santa Isabel, de Recife. em 30 de julho de 2009 . Nesse concerto inesquecível para os pernambucanos, João cantou o Hino Nacional por três vezes! Foi ouvido com grande respeito e, no final, efusivamente aplaudido pelo público. Viva!!!

(Vitor Hugo Soares)

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