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Do Jornal do Brasil

 

O vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, viajam hoje (24) para Bogotá onde participam da reunião do Grupo de Lima, que acontece amanhã (25), na capita colombiana. O encontro, que contará com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, vai discutir o acirramento da crise na Venezuela.

O Grupo de Lima reúne o Brasil e mais 14 países da região. Desses, 11 não reconhecem Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela, incluindo o Brasil.

Mourão sai de Brasília por volta das 14h30 e adiantou que o Brasil deverá manter sua posição de conceder ajuda humanitária sem intervir na política interna do país. Já Araújo viaja de Roraima, onde está desde a última sexta-feira (22) acompanhando a movimentação na fronteira com a Venezuela e a entrega de ajuda humanitária aos venezuelanos.

O clima é de tensão na região fronteiriça, dois venezuelanos morreram em confrontos em uma área perto da fronteira da Venezuela com o Brasil. Ainda assim, o governo brasileiro informou que dois caminhões com ajuda humanitária conseguiram entrar em território venezuelano através da fronteira em Roraima.

Em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro condenou os episódios de violência registrados nas fronteiras do Brasil e da Colômbia com a Venezuela, caracterizando os atos como um “brutal atentado aos direitos humanos” do regime do presidente Nicolás Maduro.

“O governo do Brasil expressa sua condenação mais veemente aos atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro, no dia 23 de fevereiro, nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia, que causaram várias vítimas fatais e dezenas de feridos”, diz a nota.

No documento, o Itamaraty apela para que todos os países reconheçam o autoproclamando presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, como líder legítimo do país.

Vice-presidente vai à Colômbia tratar de Venezuela, e faz contraponto a Ernesto Araújo. Para historiador, maior presença de oficiais deixa limite entre Governo e Forças Armadas difuso aos olhos da sociedade

Felipe Betim
Felipe Betim/ Jornalista | El País
  

Os militares definitivamente voltaram para as principais manchetes dos jornais, que não raro informam sobre como os oficiais que compõem o Governo Jair Bolsonaro se articulam nos bastidores para mediar conflitos, apagar incêndios, aconselhar o presidente e expressar discordância com a postura beligerante de seus filhos. Eles vêm ocupando cada vez mais espaço no Executivo Federal, influenciando e até tutelando o governo em áreas como a de política externa, conforme evidenciou a ida do vice-presidente, o general da reserva Hamilton Mourão, para a reunião do Grupo de Lima em Bogotá para discutir a crise na Venezuela. Além de Mourão, se destaca como homem forte do Governo o general da reserva Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e uma espécie de conselheiro e guru de Bolsonaro.“O Brasil não fará nenhuma ação agressiva contra a Venezuela”, garantiu Heleno nesta manhã, contando que o Governo Bolsonaro criou um gabinete de crise para lidar com a ajuda humanitária que está chegando à fronteira.

Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, em Brasília, no dia 13 de fevereiro

 
Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, em Brasília, no dia 13 de fevereiro HANDOUT REUTERS

Heleno seguiu a mesma linha das colocações de Mourão, mostrando o protagonismo de ambos para falar do conflito que alarma os brasileiros desde o fechamento da fronteira, determinada por Nicolás Maduro, nesta sexta. A ida do vice-presidente a Bogotá vem sendo interpretada como mais um sinal de que os militares estão cautelosos com relação ao ministro Ernesto Araújo. O chanceler assinou um documento do Grupo de Lima que prevê a suspensão da cooperação militar com o regime de Nicolás Maduro, mas não teria consultado os militares, segundo informou a Folha de S. Paulo. Isso teria desagradado o setor de inteligência do Exército, que se mantém informado sobre o Governo chavista a partir de seus contatos com os militares venezuelanos. Coube a Augusto Heleno e outros militares do Governo mediar o conflito com a corporação.

Os militares, com Mourão à frente, vêm tentando fazer um contraponto ao antiglobalismo de Araújo, ligado ao guru da extrema direita Olavo de Carvalho, com quem o vice-presidente já teve desavenças públicas. Apesar de ser o principal investidor externo e parceiro comercial do Brasil, a China já foi alvo de fortes críticas tanto de Bolsonaro quanto de Araújo, que já indicou querer se aproximar incondicionalmente dos Estados Unidos e isolar o país asiático, inclusive dos BRICS. Mais pragmático, o vice-presidente vem apaziguando as declarações e, nesta semana, anunciou em seu perfil do Twitter ter ficado responsável pela coordenação das comissões bilaterais com China, Rússia e Nigéria. Outra promessa de campanha que os militares vem agindo para postergar é uma possível mudança da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Mourão chegou a receber representantes da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e o embaixador palestino para, mais uma vez, apaziguar os temores. A mudança poderia gerar retaliação dos países árabes que importam produtos brasileiros, principalmente o frango Halal, além de colocar o Brasil na rota do terrorismo internacional.

Além de Mourão, que busca ter uma voz própria na vice-presidência, já são cerca de 50 militares ocupando o primeiro e segundo escalão. O último a integrar o time do Governo foi o general da reserva Floriano Peixoto Neto, que substituiu Gustavo Bebianno na Secretaria-Geral da Presidência da República nesta semana. A crise envolvendo Carlos e Jair Bolsonaro, que chamaram Bebianno de mentiroso nas redes sociais, também acabou envolvendo os militares, que tentarem interceder a favor do ex-ministro. Ao ficar claro que não havia maneira de retomar a normalidade, conseguiram emplacar o Peixoto Neto no posto. Ele foi chefe de operações das Forças de Paz da ONU no Haiti, na época comandada por Heleno, o principal patrocinador de sua recém nomeação.

Além de Heleno e Peixoto Neto, também fazem parte da equipe ministerial o outros seis militares: o general Fernando Azevedo e Silva (Defesa), o general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), o tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), o almirante Bento Costa Lima (Minas e Energia), o capitão da reserva Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e o capitão da reserva Tarcísio Freitas (Infraestrutura). Com a saída de Bebianno, o único civil que despacha do palácio do Planalto é Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil.

“Existe uma diferença entre militares que participam do governo e governo dos militares. Um governo dos militares significaria que a instituição militar estaria governando. Não é esse o caso, são militares convidados como indivíduos”, alerta o cientista político Eurico de Lima Figueiredo, diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). O historiador Carlos Fico, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda que não se trata de uma “militarização do Governo”. Contudo, a relevância que os militares vêm ganhando reflete “a falta de quadros no entorno de Bolsonaro”, uma vez que o presidente chegou ao poder sem “projeto ou plano” e não conta com “um partido que tenha um instituto de reflexão sobre os problemas do país”. Essa direita “xucra e despreparada”, explica o historiador, “depende dos militares porque são o grupo conservador mais bem preparado, apesar de possuir uma visão muito limitada da realidade pela perspectiva militar”.

 

Para ambos os especialistas, o risco é que Bolsonaro acabe sendo cada vez mais tutelado por esses membros oriundos do meio militar. E que a fronteira entre Governo e as Forças Armadas seja cada vez mais difusa aos olhos da sociedade. “O senso comum não faz essa distinção entre Forças Armadas e membros militares no Governo. E muitos eleitores do Bolsonaro acham que esses personagens vão resolver todos os problemas, o que é uma perspectiva muito preocupante”, opina Fico. O resultado, acrescenta, é uma mistura de “inexperiência e autoritarismo”.

O cientista político Figueiredo enxerga Mourão e Heleno como as duas figuras mais fortes do Governo, responsáveis pela nomeação dos demais militares. “Essa presença faz com que a forma de mundo dos militares esteja no governo. E isso é ruim para a instituição militar, porque liga o destino do governo ao destino da própria corporação. Se der certo, há uma legitimação. E se não ocorrer? Como é que fica?”, questiona.

Ele também opina que a fronteira entre a corporação e o Governo vai ficando “perigosamente fluida”, algo que, ele insiste, é ruim para as próprias Forças Armadas. “Vejo a possibilidade de uma osmose perigosa, de uma absorção dos militares pelo governo. (…) Quando temos generais fazendo parte da conversa dos cidadãos, algo não está certo”, acrescenta. O especialista acredita, contudo, esse cenário não represente o interesse das próprias corporações militares, uma vez que isso cria “o perigo da partidarização e da luta interna” dentro das Forças Armadas. “E os militares querem principalmente o fundamental, que é a manutenção da hierarquia, sem o que eles deixam de existir como instituição”, explica Figueiredo.

Que militares ocupem essas áreas significa levar todo um know-how técnico adquirido em academias e instituições militares, algumas delas conhecidas pela opinião pública por sua excelência, como o Instituto Militar de Engenharia (IME) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). “Possuem personalidades muito marcadas pelo ethos militar, e é impossível que abandonem essa perspectiva. O que se coloca é uma série de propostas de viés muito autoritário. Inclusive em campos que não são próprios das carreiras militares”, argumenta o historiador Fico.

Mas a influência deles não se limita a esse círculo de ministros próximos a Bolsonaro e se estende a diversas áreas que não necessariamente são comandadas por eles diretamente. No ministério da Justiça de Sergio Moro, por exemplo, o general Guilherme Teophilo é o responsável pela área de segurança pública. Na área do Meio Ambiente do ministro Ricardo Salles (NOVO), ao menos 20 superintendentes estaduais do Ibama serão substituídos por militares, segundo informou a coluna de Eliane Cantanhêde no Estado de S. Paulo. “Não se pode brincar com isso, os superintendentes é que concedem licenças e alvarás e eu não sou obrigado a conhecer gente confiável em todos os Estados, no Amapá, no Acre, em tantos lugares em que nunca fui”, disse Salles. A própria escolha do ministro teve de passar pelo crivo dos militares ligados a Bolsonaro.

Com a falta mão de obra no serviço público, mas também dinheiro para abrir novos concursos e remunerar novos servidores, o Governo também prepara uma mudança legislativa para que militares da reserva possam ser aproveitados em atividades civis de órgãos públicos. Assim, além de uma pensão de reservista, receberiam uma gratificação ou abono, segundo noticiou o Estado de S. Paulo. A medida, presente em uma minuta da Reforma da Previdência à qual o jornal teve acesso, inundaria o serviço público de militares reservistas, que hoje só podem exercer funções militares ou cargos de confiança. O Governo Bolsonaro ainda não apresentou um projeto de reforma da previdência dos militares, que representam uma importante fatia das despesas do país. A promessa é que um plano será enviado ao Congresso em um mês, durante as discussões das mudanças na aposentadoria dos civis.

Os tentáculos se estendem também à área de Educação. Durante a campanha, o general Aléssio Ribeiro Souto foi um dos responsáveis pelas diretrizes para as políticas do setor e chegou a dizer em uma entrevista que “os livros de história que não dizem a verdade [sobre o golpe militar] devem ser eliminados”. Os militares não conseguiram emplacar um ministro militar para a pasta de Educação, mas o ministro Ricardo Vélez, ligado a Olavo de Carvalho, já prometeu a volta da disciplina de moral e cívica, predominante na época da ditadura militar. “No dia 31 de março haverá divulgação de filme defendendo o golpe. E o ministro vai fazer propostas nesse sentido com material didático”, aposta Fico.

Além disso, Bolsonaro sempre explicitou que sua referência na área eram as escolas militares, tanto por sua reconhecida excelência como pela disciplina. “É uma perspectiva ingênua e equivocada achar que as escolas militares têm melhor desempenho por causa da presença de militares ou aquelas bobagens cívicas de ordem, cantar hino e hastear bandeira”, explica Fico. “Esquecem de verificar que gastam muito mais, têm recursos, instalações, equipamento, material didático, professor com dedicação exclusiva, bons salário, diretores que não são indicação política…. E o Brasil obviamente não tem condições de financiar uma estrutura dessa em escala nacional”.

Seja como for, o novo paradigma já começa a se disseminar. No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha anunciou no mês passado um convênio entre as pastas de Educação e Segurança para transformar quatro escolas estaduais em militares. A ideia é expandir o modelo para outros 36 centros de ensino até o fim do ano e criar uma espécie de gestão de compartilhada, em que policiais militares e bombeiros da reserva ficariam responsáveis por levar mais disciplina e valores morais. “Precisamos levar disciplina para dentro da educação. Temos de retornar os valores cívicos para as nossas crianças”, disse. No Rio de Janeiro, o governador Wilson Witzel anunciou duas novas escolas militares em equipamentos públicos hoje desocupados.

Turma do Haiti e segurança pública

O setor militar mais próximo de Bolsonaro é composto principalmente por militares que lideraram as tropas da ONU no Haiti. O principal deles é, uma vez mais, o general Heleno. Sob sua influência foi nomeado recentemente o general Floriano Peixoto Neto, que participou da missão de paz no país como oficial de operações e depois como comandante das forças militares. Também esteve no Haiti o general e ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, que serviu como chefe de operações subordinado a Heleno. Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, foi engenheiro militar sênior da ONU no Haiti. E o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, liderou as tropas em 2007. Por fim, o atual comandante do Exército, o general Edson Leal Pujol, também foi comandante das Forças de Paz no país.

O historiador Fico destaca a experiência desses oficiais no Haiti como fonte de inspiração para lidar com o problema da segurança pública no Brasil. “Esses generais tiveram experiências que são muito caras ao presidente Bolsonaro. Representam essa visão de que os problemas da seguranca pública podem ser resolvidos por meio de ocupação de favelas e coisas assim”, explica.

“É de amargar”, Claudionor: miscelânea de grandes frevos de rua de sucesso em antigos e recentes carnavais de Recife e Olinda para alegra a festa no domingo de fevereiro do Bahia em Pauta. Para ouvir, lembrar, cantar e dançar.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

Bolsonaro consultou Toffoli e presidentes do Congresso sobre ação na Venezuela

 

Jair Bolsonaro consultou os presidentes do Senado, da Câmara e do STF sobre o envio de ajuda humanitária à Venezuela.

Segundo a Folha, não houve consenso: Rodrigo Maia e os militares do Planalto foram contra a iniciativa. Para os generais Santos Cruz e Augusto Heleno, o país poderia estar sendo usado como isca para dar margem a uma intervenção militar dos EUA.

“Bolsonaro, então, teria garantido aos presentes que não autorizaria o ingresso de tropas americanas na Venezuela por meio do território brasileiro. Opinaram pela ajuda humanitária os ministros da Defesa e das Relações Exteriores, além de Toffoli e Alcolumbre”.

 

91ª edição da premiação mais popular do cinema mundial acontece neste domingo, 24 de fevereiro

 Oscar 2019 acontece na noite deste domingo, 24 de fevereiro, e a cerimônia terá transmissão ao vivo pela TV (aberta e fechada) e pela internet no Brasil. Esta é a 91ª edição da premiação mais pop do cinema mundial, que mais uma vez será realizada no Dolby Theater de Los Angeles, na Califórnia (Estados Unidos).

A festa de entrega das estatuetas começa às 17h (horário local, 22h no horário de Brasília) e, pela primeira vez em 30 anos, não terá um apresentador único. O comediante Kevin Hart chegou a ser confirmado como anfitrião pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pelo prêmio, mas desistiu de apresentar o Oscar após vir à tona algumas piadas homofóbicas feitas por ele no passado nas redes sociais.

Em toda a América Latina os espectadores podem assistir à entrega dos prêmios Oscar 2019 no idioma original em inglês (e dublado em português, no Brasil) pelo canal pago TNT. No Brasil, a emissora começa a transmitir a cobertura da festa a partir das 20h30, com a chegada das celebridades no tapete vermelho. O E! também faz a transmissão do tapete vermelho do Oscar, a partir das 19h.

Estes são os horários locais para acompanhar a cerimônia pelo TNT:

  • Brasil: 22:00
  • México: 19.00
  • Colômbia: 20.00
  • Equador: 20.00
  • Peru: 20.00
  • Chile: 22.00
  • Argentina: 22:00

Já na TV aberta, a transmissão no Brasil mais uma vez é feita pela Rede Globo, que reproduz a entrega das estatuetas somente após o Big Brother Brasil, com apresentação da jornalista Maria Beltrão, e comentários de Artur Xexéo e da atriz Dira Paes. Na internet, além de ser possível acompanhar pelos serviços de streaming  das emissoras, a ABC costuma reproduzir em suas redes sociais (Facebook e Twitter) a transmissão.

Ilustração de 'Contos dos Orixás', de Hugo Canuto.
Ilustração de ‘Contos dos Orixás’, de Hugo Canuto.
  

Dentro de algum tempo, 2018 quiçá seja lembrado como o ano em que as narrativas negras ganharam destaque na cultura. Séries como Atlanta, que conta a história de um jovem negro tentando sobreviver nos Estados Unidos, foram aclamadas pela crítica e pelo público; This is America, o poderoso manifesto musical de Childish Gambino, foi eleita a canção do ano nos Grammy e, pela primeira vez, um filme de super-heróis, Pantera Negra, produção que celebra a cultura africana e o afrofuturismo, concorre ao Oscar de melhor filme. No Brasil, 2019 começou com o resgate da mitologia afrobrasileira na literatura, da mão de autores que, com diferentes linguagens, tentam fazer dela uma história universal.

Aproximadamente na mesma época em que Pantera Negra começou a ser produzido, em 2016, o quadrinista baiano Hugo Canuto deu início ao projeto Contos dos Orixás, uma série de pôsteres e revistas —agora reunidos em um livro homônimo, de 120 páginas—, com ilustrações que trazem histórias dos mitos do povo Yorubá no estilo dos heróis em quadrinhos da Marvel. Na obra, Yemanjá (a rainha do mar), Xangô (deus do trovão), Oxum (rainha dos rios e cachoeiras), Iansã (senhora dos ventos e tempestades) e outras divindades protagonizam enredos cheios de ação em uma África mítica, de um tempo em que os seres divinos caminhavam ao lado dos seres humanos, transitando entre o Orum (céu ou o mundo espiritual) e o Aiyê (terra ou o mundo físico).

Para construir a narrativa baseada na mitologia yorubá —uma das mais tradicionais civilizações da África Ocidental, em territórios onde hoje estão a Nigéria, Benin e Togo—, Canuto trabalhou durante dois anos e meio ao lado de líderes religiosos e pesquisadores, entre os quais destaca as sacerdotisas do Terreiro do Gantois, em Salvador, e seu professor de yorubá, Mawô Adelson S. de Brito. Tendo como referência obras de Pierre Verger, Edson Carneiro e Lydia Cabrera, Canuto conta a EL PAÍS que a inspiração para sua obra foi precisamente o “legado das civilizações africanas que moldaram a Bahia e sua ancestralidade” que na obra está representada pelos Itan (conjunto de narrativas relacionadas aos Orixás).

“Esse livro foi feito para desconstruir o discurso obscurantista sobre os Orixás e também para ser um instrumento de força e autoafirmação da cultura afro, pensado para também ser usado em sala de aula pelos professores”, explica o autor. Canuto, que realiza oficinas gratuitas de quadrinhos com jovens da rede pública de ensino na Bahia, distribuiu exemplares da obra a educadores. Contos dos Orixás também está sendo utilizado como referência em livros didáticos, citado em teses universitárias e as ilustrações dos Orixás em sua versão mais superpoderosa estão sendo expostas em países como Estados Unidos e Inglaterra.

Orixás para crianças

Também pensando em levar mais cultura negra para as salas de aula, a educadora e escritora Waldete Tristão publicou em dezembro o livro infantil Conhecendo os Orixás: de Exu a Oxalá. A obra, ilustrada por Caco Bressane, apresenta as características e particularidades de 17 orixás, segundo a cultura que ganha adeptos no país: quais são suas cores, dias da semana, comidas favoritas e as forças da natureza que cada um comanda. Trata-se do primeiro volume de uma série de 18 livros, escritos por quatro autoras, que deve estar inteiramente publicada até o dia 12 de outubro.

Capa de 'Conhecendo os Orixás: de Exu a Oxalá'. ampliar foto
Capa de ‘Conhecendo os Orixás: de Exu a Oxalá’.
 A publicação do primeiro volume é o resultado de um projeto gestado desde 2006, quando ela conversava com o filho, Robson Gil, então com 14 anos, que estudava na escola a mitologia e os deuses gregos. “Me incomodava essa educação eurocentrada, porque meu filho só tinha referências da cultura negra em casa. Como ele ia interpretar Zeus, o deus do trovão, em uma peça de teatro, expliquei que nas religiões de matriz africana, o trovão é regido por Xangô. Seguimos conversando sobre isso e decidimos escrever juntos um livro para contar os Orixás às crianças”.

O projeto foi adiado até 2017, quando Gil faleceu, aos 25 anos. Um ano depois, Tristão decidiu que era momento de ressignificar o luto e sua própria vida e retomou a ideia. “Sempre pensei nos valores civilizatórios da história e cultura africanas, que também vieram nos navios negreiros. A religiosidade é um valor que faz parte da ancestralidade dos povos afro brasileiros e levar isso para as escolas é permitir que as crianças negras se reconheçam”, conta a escritora, que acredita que sua obra é a publicação infantil com o maior número de personagens negros (15).

Nas próximas obras da coleção, cada Orixá contará um Itan —contos que transmitem saberes inspirados em atividades do cotidiano—. Tristão explica que sua obra dialoga muito com a lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e africana nas redes pública e particular, do ensino fundamental ao ensino médio. “Defendo que todos os estudantes tenham acesso aos deuses e mitos, sejam eles africanos, europeus, indígenas ou asiáticos. Aprender, conhecer esses diferentes paradigmas é algo que faz parte da cultura, de um conhecimento histórico”, diz.

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24
Posted on 24-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 24-02-2019


 

Lute , no jornal mineiro  Hoje em Dia

 

Por G1

Veja trechos do discurso de Nicolás Maduro

Veja trechos do discurso de Nicolás Maduro

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, discursou na tarde deste sábado (23), na cidade de Caracas, para apoiadores. Em seu pronunciamento, Maduro afirmou que opositores que tentam entrar com ajuda humanitária são ‘traidores’.

“Minha vida é consagrada totalmente à defesa da pátria, em qualquer circunstância. Nunca me dobrarei, sempre defenderei a minha pátria com a minha vida, se necessário for. É uma ordem que dou ao povo, aos militares patriotas, a todas as forças armadas bolivarianas. Se vocês amanhecerem um dia com a notícia de que fizeram algo com Nicolás Maduro, saiam as ruas”, afirmou.

Em relação ao Brasil, Maduro disse que os venezuelanos não são maus pagadores. “Estamos dispostos como sempre estivemos a comprar todo o arroz, todo o açúcar, todo leite em pó que vocês quiserem vender. (…) Não somos maus pagadores, nem mendigos, somos gente honrada e que trabalha. Querem o que? Trazer caminhões com leite em pó? Eu compro agora”, disse. (Veja trecho abaixo).

 
'Querem trazer caminhões com leite em pó? Pago agora', diz Maduro em um recado ao Brasil

‘Querem trazer caminhões com leite em pó? Pago agora’, diz Maduro em um recado ao Brasil

Maduro também chamou a ajuda humanitária de “brincadeira de enganar bobo”. Ele criticou diretamente a qualidade e quantidade da ajuda. “Dois mortos que comeram dessa comida, centenas de pessoas envenenadas. Comida cancerígena, podre. E a quantidade? Se toda fosse distribuída, não chegaria nem a 15 mil municípios”, disse Maduro.

“Estão bloqueando remédio, alimentos. Eu dei a lista completa das nossas necessidades e disse também vamos coordenar com a ONU, para ver se vocês cumprem essa oferta. (…) Será aceita a ajuda humanitária, se for legal. Não sou mendigo de nada, para título de mendigo fale com Guaidó”, afirma.

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