“Até seus inimigos o respeitavam”

 
Ricardo Boechat

 Ricardo Boechat media debate presidencial em agosto de 2018. Kelly Fuzaro Band

Ricardo Boechat, um dos jornalistas com mais garra neste país, partiu muito jovem e no momento em que os meios de comunicação tradicionais mais necessitam de figuras livres como ele, a respeito de quem o melhor elogio que li foi: “Até seus inimigos o respeitavam”.

Não deixa de ser simbólico que Boechat, antes de desaparecer para sempre, tenha falado sobre a impunidade das tragédias que o Brasil está vivendo em cadeia neste 2019. Um ano que deveria ter sido de renovação da política aparece mais como uma nuvem carregada, com seu novo presidente, Bolsonaro, ainda no hospital, e o país como que sendo assolado por uma peste que está ceifando muitas ilusões.

Sua morte repentina também parece ser simbólica da crise que atravessa a informação séria, essa que se nega a ser pura publicidade e se vê aprisionada pelas novas e turbulentas técnicas de comunicação onde é a cada dia mais difícil, como dizia Boechat, “distinguir a verdade da mentira”.

Se esse jornalista que trabalhara na imprensa escrita e audiovisual era de fato respeitado até por seus inimigos, isso foi porque seu trabalho era sério. Era um jornalista crítico, como não pode deixar de ser quem entra neste ofício de querer contar às pessoas o que o poder geralmente tenta esconder.

O mérito de Boechat, além de seu rigor profissional e de sua consciência sobre a importância de contar as coisas às pessoas sem lhes mentir, era o de se fazer entender por todas as classes sociais. Era ouvido e lido nas esferas políticas e nos templos econômicos, mas também pela gente comum. Perguntem aos milhares de taxistas que a cada manhã estavam atentos ao seu programa de rádio. Sem saber que eu era jornalista, às vezes me perguntavam: “Ouviu o Boechat? Hoje ele desceu a lenha”.

Essa capacidade de saber chegar com as notícias ou com seu comentário a todos é uma das alavancas que movem o jornalismo desde sempre — assim como sua capacidade de se fazer respeitar por seu escrúpulo em não tergiversar nem censurar.

Passei minha vida dedicado a este simples ofício de jornalista. Já escrevi reportagens à mão, e já tive que levá-las fora de casa, quando era correspondente, para que a transmitissem para mim por telex à redação do jornal. A primeira vez que me deram um pequeno computador portátil, aquilo me parecia uma miragem, um truque de mágica. Hoje, até uma criança de quatro anos é capaz de nadar nas redes com total naturalidade. Elas são a Enciclopédia Universal com a qual Borges sonhava. Elas são o futuro da comunicação.

E entretanto, como velho jornalista e admirador do querido Boechat, com quem me encontrei várias vezes nas finais do Prêmio Comunique-se de jornalismo, sou invadido por uma onda de orgulho quando alguém, ao ler uma notícia chocante nas redes, para se assegurar da sua veracidade, pergunta de qual jornal, rádio ou televisão saiu tal notícia. A credibilidade, hoje em dia, ainda continua viva nos meios de comunicação tradicionais.

Homenagem a Boechat no final do ‘Jornal da Band’ desta segunda-feira.

Tem razão o presidente do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli, quando, comentando a notícia da morte de Boechat, afirmou que se trata de um dia de luto “para a imprensa e a sociedade”. Vivemos tempos fragmentados e incertos, onde figuras com a força e a paixão que Boechat conferia à informação, agradasse ou não ao poder, são fundamentais para uma sociedade que parece ter perdido uma bússola que lhe confirme a cada momento que ela não está sendo enganada.

“Au Revoir” (Adieu L`amie): uma balada imortal, a altura grandiosa do jornalista que acaba de partir – inesquecível e admirado colega nos anos 70/80 no Jornal do Brasil – exemplar e inimitável homem de comunicação de insuperável versatilidade -mídia impressa, TV e Rádio – que parte trágica e prematuramente no momento em que se  tornara ainda mais essencial ao jornalismo de verdade e ao País.

Morre Boechat, Viva Boechat!!!

Adeus!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do presidente da República aos milhares de ouvintes anônimos, admiradores de Ricardo Boechat manifestam choque e tristeza nas redes

O jornalista Ricardo Boechat, que faleceu aos 66 anos.

 O jornalista Ricardo Boechat, que faleceu aos 66 anos.
Joana Oliveira
  

A notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat aos 66 anos em um acidente de helicóptero nesta segunda-feira, em São Paulo, foi recebida com choque e tristeza no mundo jornalístico, entre personalidades políticas e por milhares de ouvintes que se viam representados na indignação popular que Boechat levava ao microfone a cada manhã, como radialista na Bandnews FM.

O presidente Jair Bolsonaro, que continua recuperando-se uma cirurgia e de uma pneumonia no hospital Albert Einstein, expressou suas condolências em nota. “O país perde um dos principais da imprensa brasileira. Sentiremos a falta de seu destacado trabalho na informação da população, tendo exercido sua atividade por mais de quatro décadas com dedicação e zelo”. Bolsonaro também usou as redes sociais para homenagear o jornalista: “É com pesar que recebo a triste notícia do falecimento do jornalista Ricardo Boechat, que estava no helicóptero que caiu hoje em SP. Minha solidariedade à família do profissional e colega que sempre tive muito respeito, bem como do piloto. Que Deus console a todos!”, escreveu no Twitter.

Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador do Rio de Janeiro, também disse que “Boechat era um grande profissional, referência no jornalismo, capaz de conquistar o respeito tanto dos que convergiam quanto dos que divergiam de suas ideias e opiniões.” “Que seja sempre lembrado por isso”, acrescentou.

O presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM), afirmou em nota que recebeu “em estado de consternação e tristeza” a notícia da morte de Boechat. “Tenho certeza que os brasileiros lamentam a morte desse argentino que escolheu o Brasil como lar. Fica a saudade e o respeito pelo homem e jornalista que sempre demonstrou ser”, diz.

A procuradora-geral da República Raquel Dodge afirmou em nota que “o silêncio de Boechat será eloquente e sentido em todo o país, porque ele fazia a crítica séria e necessária que caracteriza o bom jornalismo, e é tão necessário para a democracia. Seus ouvintes e leitores sempre contaram com sua coragem e seu discernimento para compreender os movimentos da política e da gestão pública, em análises focadas na ética e na transparência. É, por isso, uma perda significativa para o jornalismo brasileiro.”

O jornalismo, em luto

Diversos colegas de profissão, tanto da BandNews quanto do período em que o jornalista trabalhou na Rede Globo (de 1983 a 2001), expressaram a dor pela perda de um companheiro e de uma referência do jornalismo brasileiro. A rádio BandNews, onde o jornalista era âncora, ficou fora do ar por alguns minutos, pois seus colegas não tinham condições de trabalhar depois da confirmação do falecimento do jornalista. José Luis Datena, apresentador da TV Bandeirantes e amigo pessoal de Boechat, deu, ao vivo e entre lágrimas, a notícia do acidente. “Com profundo pesar desses quase 50 anos de jornalismo, cabe a mim informar a vocês que o jornalista Ricardo Boechat, pai de família, companheiro, o maior âncora do jornalismo da TV brasileira, morreu hoje em um acidente de helicóptero no Rodoanel em São Paulo”, contou, visivelmente emocionado.

É consenso no meio jornalístico que Boechat era “insubstituível” e “um dos maiores comunicadores” do Brasil. A jornalista da Globo Miriam Leitão, que em 2015 dividiu com Boechat o prêmio de jornalista mais respeitada do país, lembrou as “palavras generosas” do amigo em momentos difíceis. “Você foi pessoa linda, jornalista maravilhoso”, declarou.

Guilherme Barros, jornalista que foi colunista da Folha de S. Paulo e era amigo de Boechat, diz que está “arrasado” com a notícia. “Se o jornalismo tivesse um rosto, seria o de Boechat. Estivemos muitas vezes juntos, em diversos momentos, trabalhando ou conversando, e ele nunca mudou. Humilde, generoso, bem-humorado e sempre implacável com a coisa errada, com o mal feito. Sem papas na língua, falava o que lhe vinha à cabeça, e o pior (para o alvo da vez) é que tudo fazia sentido, muito sentido”, escreveu. “Como vai ser a vida, a partir de agora, sem ouvir Boechat, todas as manhãs?”, pergunta-se Barros.

“Concordando ou não, todos os respeitavam, queriam saber sua opinião”, lembra o escritor e cronista Marcelo Rubens Paiva.

“Boechat era uma referência do jornalismo: como colunista, como âncora. Com tudo o que era, conseguia ser generoso com quem tinha menos experiência”, disse Vera Magalhães, colunista do Estado de São Paulo.

“Só conheci Boechat como ícone da minha geração mais caloura de jornalistas, não pessoalmente. Mas o simbolismo de sua perda no começo deste ano que promete ser tão chumbado para ser jornalista vai deixar cicatrizes. Ninguém larga o bloco de notas de ninguém”, escreveu Anna Virginia Balloussier, repórter da Folha de S. Paulo.

Nomes como Chico Pinheiro, Alexandre Garcia e Ricardo Noblat, que conheceram Boechat quando este era apresentador do Bom Dia Brasil, na TV Globo, destacaram seu profissionalismo e seu “modelo de jornalismo corajoso”.

Admiradores anônimos de Boechat, seus milhares de ouvintes e seguidores  também manifestaram-se. “Que ano triste”, dizem muitas postagens nas redes. No Twitter, a hashtag Cancela 2019 entrou nos trending topics menos de uma hora depois do acidente fatal que vitimou o jornalista. “A imprensa brasileira perde um grande comunicador”, afirmam os internautas, que consideravam o radialista “um grande monstro do jornalismo”.

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Entre as músicas que fizeram, está O Lema de Rondon – uma homenagem de Patinhas, seu apelido artístico nos velhos tempos, ao marechal e sertanista Cândido Rondon (1865-1958). O lema do militar, que consta da letra, é: “Morrer, se preciso for; matar, nunca”. Santana deixou o cabelo crescer e está usando barbicha. “Parece um filósofo grego”, comparou Gereba.

O outro parceiro de Santana/Patinhas é Jair Ventura dos Santos, o Kapenga, igualmente ex-Bendegó, e responsável pela parte musical das campanhas políticas nos tempos em que o marqueteiro atuava nesse ramo. Somando Gereba e Kapenga, as músicas já chegam a 30. “João ainda não resolveu como e quando o trabalho será divulgado, mas estamos conversando sobre isso”, disse Gereba. Algumas das novas letras de Santana homenageiam grandes compositores de samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho. Gereba e Kapenga estão na lista autorizada de visitas que o marqueteiro pode receber.

João Santana e sua mulher, Mônica Moura, marqueteiros do PT e de outros partidos, foram alvo da 23.ª fase da Operação Lava Jato, de fevereiro de 2016, acusados de receber milhões de dólares em conta secreta no exterior e no Brasil. As duas sentenças do então juiz Sérgio Moro, o hoje ministro da Justiça, condenaram o casal, somadas as penas, a 15 anos de prisão. Como fizeram delação premiada, passaram a cumprir as penas em regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica. O regime passará a semiaberto – quando poderão sair para trabalhar de dia, voltando à noite – em abril.

Interlagos

O domicílio-prisão é a casa de Santana no condomínio fechado Interlagos, de alto padrão, em Camaçari, próximo a Salvador. Há pouco mais de três meses, ele perdeu a mãe, dona Helena. Circulam pela casa três netos ainda na fralda – o mais velho, de 2 anos -, filhos dos filhos de Mônica Moura.

Além de compor com a turma do Bendegó – alguns discos estão disponíveis no YouTube -, Santana está próximo de concluir um livro sobre marketing político. Entre suas conquistas na profissão que o tornou milionário, estão a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, igualmente condenado na Lava Jato e preso desde abril do ano passado, e as duas eleições da presidente Dilma Rousseff, depois alvo de impeachment. Procurado pelo Estado, João Santana não deu retorno. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

fev
12
Posted on 12-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-02-2019

Dodge pede compreensão a procuradores que querem aumento

 

Raquel Dodge expressou preocupação com movimento desencadeado hoje por procuradores que resolveram deixar funções consultivas do Ministério Público Federal para reivindicar aumento salarial.

Em ofício à associação da categoria, a chefe do MP disse que “não se pode estar indiferente à realidade da vida nacional, ao elevado deficit público e aos milhões de desempregados e excluídos” e pediu aos colegas que “compreendam como podem contribuir com a nação neste momento”.

Os procuradores exigem da PGR uma gratificação por acúmulo de atribuições, pagamento do reajuste de 16,38% (já aprovado para 2019) retroativo aos dois meses finais de 2018, compensação por trabalho em plantões e realocação da verba do extinto auxilio-moradia para uma licença-prêmio.

Como alguns dos pedidos estão travados no Conselho Superior do MP, os procuradores decidiram em assembleia deixar funções em grupos de trabalho, que fazem estudos e consultorias para auxiliar as atividades do órgão.

Dodge escreveu no ofício que as pautas devem ser “legais e também proporcionais ao que é justo”.

fev
12
Posted on 12-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-02-2019



 

Fernandes, no

 

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12
Posted on 12-02-2019
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Do Jornal do Brasil

 

A jornalista Veruska Boechat, casada há 14 anos com o também jornalista Ricardo Boechat, fez uma homenagem ao seu marido, falecido de forma trágica, nesta segunda-feira (11).

Sob o nome de @doceveruska no Instagram, forma como o jornalista se referia à esposa, ela postou que esse é o “pior dia da minha vida”.

Ricardo Boechat, que tinha seis filhos, faleceu aos 66 anos, em decorrência de um acidente de helicóptero ocorrido no rodoanel em São Paulo.

 

Do Jornal do Brasil

O jornalista Ricardo Eugênio Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero no Rodoanel no início da tarde desta segunda-feira, 11. A aeronave caiu no quilômetro 7, próximo ao acesso à Rodovia Anhanguera, na chegada a São Paulo, em cima de um caminhão.

A morte do jornalista teve grande repercussão nas redes sociais. O presidente Jair Bolsonaro comentou que recebeu com pesar a notícia.

Macaque in the trees
Ricardo Boechat (Foto: Reprodução/Band)

O piloto da aeronave também morreu. O motorista do caminhão foi socorrido.

Boechat era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM, além de ser colunista da revista IstoÉ. Trabalhou no Estado e, também, nos jornais O Globo e O Dia. É ganhador de três prêmios Esso e, segundo o site da Band, é um dos maiores ganhadores da história do Prêmio Comunique-se, em que foi reconhecido como âncora de rádio, âncora de televisão e colunista. Também foi eleito o jornalista mais admirado do País na pesquisa do site Jornalistas&Cia em 2014.

A confirmação da morte do jornalista veio da direção de jornalismo da Band ao Estado. Ele estava voltando de Campinas, onde tinha ido dar uma palestra.

O helicóptero não era da emissora de televisão.

O apresentador José Luiz Datena interrompeu a programação da Band nesta tarde para confirmar a morte de Boechat. Emocionado, Datena disse que ele era “uma pessoa especial” e um dos maiores jornalistas do País.

Boechat era torcedor do América que prestou homenagem ao jornalista nas redes sociais. “Expressamos nossos sentimentos à família e aos amigos do jornalista e das demais vítimas desse triste acidente.”

Jornalistas e admiradores também lamentaram a morte de Boechat. “Tristeza e luto nessa tragédia para o jornalismo brasileiro. Perdemos uma referência para o jornalismo combativo e questionador”, escreveu Flávio Fachel, apresentador do Bom Dia RJ. “Tá difícil de segurar a onda por aqui. Um dia choro por centenas, noutro por dezenas, agora choro por um colega: Ricardo Boechat, agora não! O jornalismo precisa de você”, escreveu Milton Jung, da CBN.

A colunista do BR 18 e colunista do Estado Vera Magalhães chamou o jornalista de “referência do jornalismo, colunista, como âncora”. “Com tudo o que era, conseguia ser generoso com quem tinha menos experiência. No encontro que tivemos, me brindou com essa generosidade que nem sei se merecia.”

Já o jornalista André Trigueiro lembrou do período em que trabalhou com Boechat na TV Globo.

“Jornalista valente, corajoso, contundente, um dos grandes nomes dessa nossa profissão”, disse. “Ricardo Boechat era um voz contestadora na imprensa, fará muita falta”, lamentou Mauro Cezar, jornalista da ESPN.

A jornalista Miriam Leitão, da TV Globo, também falou sobre a morte do “querido amigo”. “Não posso acreditar. Eu lhe devo tantos favores, tantas palavras generosas em momentos difíceis. Você foi pessoa linda, jornalista maravilhoso.”

“Meus sentimentos para a família do Boechat, um dos melhores e mais geniais jornalistas e comunicadores do Brasil”, escreveu o comentarista internacional Guga Chacra.

Acidente

Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave caiu em cima de um caminhão que trafegava pela via, no sentido interior, próximo à praça do pedágio. O motorista do caminhão foi socorrido pela concessionária.

Os bombeiros informaram que 11 viaturas foram deslocadas para o local.

Ainda de acordo com os bombeiros, a aeronave que caiu era do modelo BELL PT HPG.

Foram feitas interdições parciais na pista do Rodoanel, sentido Perus, e na Anhanguera, sentido Jundiaí. A concessionária CCR Rodoanel informou que os motoristas podem acessar a Anhanguera, no sentido São Paulo, e pegar um retorno no quilômetro 18 para seguir para o interior.

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