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Posted on 11-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2019

Do Jornal do Brasil

 

A queda de um helicóptero nesta segunda-feira (11), Rodoanel, em São Paulo, matou o jornalista Ricardo Boeacht. A aeronave ainda bateu na parte dianteira de um caminhão que transitava pela via. De acordo com o Corpo de Bombeiros, ele e o piloto morreram carbonizados. Houve uma terceira vítima com ferimentos.

A queda ocorreu no quilômetro 7 do Rodoanel, sentido Castelo Branco, perto do acesso à Rodovia Anhanguera. Boechat estava dando uma palestra em Campinas, no interior do estado, e retornava a São Paulo nesta segunda, de acordo com jornalistas da TV Band.  

Boechat trabalhou no JORNAL DO BRASIL no início dos anos 2000. Ele também passou pelo “O Globo”, “O Estado de S. Paulo” e “O Dia”. Na década de 1990, teve uma coluna diária no “Bom Dia Brasil”, na TV Globo.

Atualmente, o jornalista era apresentador do Jornal da Band e da rádio BandNews FM e colunista da revista IstoÉ. Ele ganhou três vezes o Prêmio Esso.

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Ricardo Boechat (Foto: Reprodução/Band)

DA FOLHA DE S. PAULO- SUCURSAL DE BRASÍLIA

Formulador da retórica nacionalista que elegeu Donald Trump e estrategista-chefe do presidente nos primeiros oito meses na Casa Branca, o americano Steve Bannon tem voltado suas atenções para fora dos EUA, em particular ao Brasil.

Na semana passada, apontou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) representante de seu O Movimento, uma rede de partidos e políticos que pregam ideais de direita radical, populistas e nacionalistas. O filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o próprio capitão, como Bannon o chama, são extraordinários, disse Bannon em entrevista por telefone à Folha no domingo (3).

O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, durante uma palestra na Bélgica sobre imigração
O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, durante uma palestra na Bélgica sobre imigração – Nicolas Maeterlinck – 8.dez.18/AFP

Mas o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) é reprovado pelo estrategista. “Ele é desagradável, pisa fora da sua linha”, criticou. “Até onde sei, o presidente Bolsonaro não lhe atribuiu responsabilidades e parece que foi uma decisão sábia.”

A opinião de Bannon é compartilhada por ala do governo ligada aos filhos do presidente. O primogênito, o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), é defendido pelo americano. As investigações de corrupção que o envolvem são parte da guerra do marxismo cultural contra a família no poder, afirmou.

Para o controverso estrategista, acusado de ligação com grupos racistas em seu país, será muito difícil Trump se reeleger caso não consiga construir o muro nos Estados Unidos na fronteira com o México.

Quais suas expectativas com Eduardo Bolsonaro? Quais são as prioridades para O Movimento no Brasil, na América do Sul?

Eduardo veio aos EUA em dezembro e tive a sorte de recebê-lo. Em Washington, havia líderes políticos, agentes de inteligência e segurança nacional. Na noite seguinte, em Nova York, foi bem diferente, gente das finanças. Nunca vi um político com esse potencial para lidar com públicos diferentes, em inglês.

A afiliação a O Movimento visa atingir outros conservadores populistas nacionalistas em países no continente e reforçar aspectos-chave, trazer o poder das elites globais de volta ao homem comum, à pessoa comum. Não há ninguém melhor que Eduardo para isso.

Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, durante seu encontro com Steve Bannon

Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, durante seu encontro com Steve Bannon – Reprodução

Em relação ao Brasil, a associação de Eduardo Bolsonaro com o Movimento pode influenciar de que forma na sua atuação no Congresso e no governo de seu pai?

Como na Itália, na Hungria, ou mesmo com Trump, a ideia é expor as pessoas ao que eles estão fazendo e também conseguir agregar apoiadores, expandir nossas ideias, reunir pessoas. Colocar gente influente das finanças, pessoas interessadas em investir, agentes de start-ups, ações públicas e privadas em companhias brasileiras. É construir relações e intercambiar ideias.

Como pessoas comuns e empresários podem se engajar no Movimento? O sr. aceita doações?

Agora somos uma rede de partidos políticos e líderes. Não queremos competir com partidos políticos. Falamos às pessoas para se afiliarem aos partidos em seus países e trazer informações de volta ao Movimento.

O que pretendemos fazer são workshops, conferências, encontros. Em dezembro, Eduardo participou da Cúpula Conservadora das Américas, no Sul do Brasil [Foz do Iguaçu (PR)]. Vamos começar a fazer isso no Movimento. O mesmo estamos fazendo na Europa, reunindo pessoas na Hungria, Itália, França e preparando para as eleições.

Poderia definir populismo? No Brasil, muitas vezes o termo tem uma conotação pejorativa.

É um entendimento errado do establishment global. Populismo significa tomar decisão o mais perto das pessoas possível e com a influência das pessoas. Fazer políticas sociais, econômicas ou de segurança nacional, mas sem atender aos interesses da elite.

Nos EUA, na última década, as elites cuidaram de si mesmas às custas das classes trabalhadoras e médias. Populismo é basicamente garantir que a classe média e a classe trabalhadora terão um lugar à mesa.

Temos uma situação globalmente que eu chamo de “real-feelism” [sentimento de vida real]. É muito difícil comprar uma casa, ter ações. Os empregos são sempre temporários, não há pensões, não há benefícios.

O governo Bolsonaro tem como ministro da Economia um egresso da Universidade de Chicago, muito consistente [Paulo Guedes]. O Brasil tem tremendos recursos, tremendo capital humano, só precisa ser bem gerido, por um populista que acredite em soberania. O capitão Bolsonaro e Eduardo são os líderes perfeitos para o momento.

O sr. recebeu Olavo de Carvalho para jantar algumas semanas atrás. Quais foram as suas impressões?

Eu o acompanhava por anos e ele vive na minha cidade, Richmond, Virgínia. Quando me contaram, pensei, é impossível! Não pode ser! Fui à casa dele, tem uma biblioteca gigante, onde dá aulas. Foi uma visita incrível.

No dia seguinte, ele iria ao Departamento de Estado americano e eu disse que queria recebê-lo para jantar na minha casa, com gente variada, da mídia, das finanças, da política. Ele falou de todas as grandes ideias, abordou o marxismo cultural, que está destruindo a política sul-americana. Fez de forma formidável.

O que estou tentando fazer agora é agendar, se o capitão Bolsonaro visitar Washington, uma exibição do documentário sobre ele [“O Jardim das Aflições”]. Olavo é um herói, até mesmo global, da direita. Um autodidata, com entendimento profundo do pensamento conservador, populista, nacionalista.

Olavo indicou o chanceler Ernesto Araújo. Seu perfil é diferente do tradicional no Itamaraty, ele fala muito de Deus. Como avalia sua condução?

Tento acompanhar o máximo possível, mas eu só falo inglês. Vejo que ele é muito alinhado ao pensamento do capitão Bolsonaro. Bolsonaro dá importância aos valores cristãos ocidentais, bases próximas aos princípios liberais de autodeterminação. Araújo está alinhado. Às vezes parece que o vice-presidente não está.

 

A escolha do vice-presidente foi ruim?

Disse isso ao pessoal do capitão Bolsonaro. Não é muito útil. Pela minha experiência com Trump, quando você chega [ao poder], tem que ser o mais unificado possível. Como se pronuncia? ‘Mouraro’? Ele é desagradável, pisa fora da sua linha. Bolsonaro vai fazer uma grande diferença no Brasil e devolver o país ao palco mundial, onde deve estar. Ele fala sobre Japão, Coreia, Taiwan, dá destaque à China. Está aberto aos investimentos chineses, sem deixá-los serem donos do Brasil.

Como um observador de fora, me parece que o vice-presidente Mourão gosta de falar muito sobre política externa. Mas, até onde sei, o presidente Bolsonaro não lhe atribuiu responsabilidades e parece que foi uma decisão sábia.

Acho que a visão de Washington é que o general Mourão não é um ator. Meu palpite é que chineses e europeus estão entendendo isso também. A boa notícia é que a equipe do presidente Bolsonaro está começando de forma poderosa.

O que, na sua opinião, Brasil, Estados Unidos e aliados devem fazer em relação à Venezuela?

O Brasil tem problemas na economia e Bolsonaro vai atacá-los de forma bem diferente do socialismo do passado. Você vê a tragédia na Venezuela. De forma esperta, o presidente Bolsonaro e Eduardo estão preparados para ajudar, mas não querem ter uma responsabilidade que o Brasil não deve ter.  

Não somos intervencionistas. Em outras palavras, não achamos que seja papel dos EUA rodar o mundo se metendo na vida das pessoas. Tentamos impingir os ideais cristãos, democráticos, ocidentais nas sociedades. Não tentamos forçar eleições democráticas. Quando sociedades civis estiverem prontas, estarão prontas.

A Venezuela é uma tragédia de proporções bíblicas. Com seus recursos do petróleo, não há motivo para isso. Claramente é o modelo cubano, que não funciona.

Na América do Sul, demandará gente esperta como o capitão Bolsonaro e o presidente da Colômbia para trabalhar com os EUA e outros para não haver um colapso total da sociedade venezuelana.

Há investigações de corrupção envolvendo outro filho de Bolsonaro, o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ). Essa situação compromete o discurso de ética do presidente?

Vejo isso no Brasil como vi com Trump. Eles vêm atrás de você pelas menores coisas. O Capitão Bolsonaro e Eduardo são líderes dinâmicos no palco mundial. Por isso eles são alvos. A luta deles é contra o marxismo cultural que restou. O socialismo econômico faliu claramente.

Faliu no Brasil, na Venezuela, em Cuba, é um modelo falido. Mas há ainda um marxismo cultural muito poderoso. Eles vão tentar atacar e destruir. Capitão Bolsonaro e Eduardo e a família ficarão sob intensa pressão.

Quando Eduardo me visitou [na campanha], o único conselho que dei foi, por favor, cuide do seu pai. Estava preocupado com uma tentativa de assassinato. A razão eram os vídeos da campanha, em aeroportos, com multidões.

Sei pelo Trump que isso pode ser muito perigoso. Disse ‘Vocês parecem não ter muita segurança, mas só é preciso um cara mau’. O capitão Bolsonaro estará sob intensa, intensa pressão pelo marxismo cultural.

O caso envolvendo Flavio prejudica a imagem de Bolsonaro?

Não, não acho. Acho que tentam criar escândalos. Disse a eles que precisam estar preparados, porque serão atacados. Acho que as pessoas esperam ótimas coisas do Brasil e da família Bolsonaro.

A reeleição de Trump depende da construção do muro?

Sim, disse a ele. Se não construir o muro, será muito, muito difícil se reeleger. De todas as promessas, essa foi a mais impactante, de construir o muro e a nossa soberania. Cada voto fará diferença, ele não pode perder nenhum. Se não construir o muro, vai afetar o espírito de parte significativa de sua base.

O sr. vai ajudar Trump na próxima campanha?

Não. Estou trabalhando no Movimento, trabalho com grupos que o apoiam, sou um apoiador. Mas não me vejo mais em campanha e jamais voltaria à Casa Branca.

“Inquietação”: um samba magistral composto nos Anos 50 pelo grande Ary Barroso ( que Dorival Caymmi também gravou em encontro traçado por divindades!) , aqui em duas sublimes e originais interpretações, da saudosa “Divina”  , Elizeth Cardoso, e da maravilhosa Gal Costa. Escolher a melhor,  quem há de? , escreveria o notável colunista, Silvio Lamenha, se vivo fosse.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

 

 

 

 

 

 

 

Do Jornal do Brasil

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Além de não ter febre, quadro pulmonar melhorou “significativamente”

  

O boletim médico divulgado na tarde deste domingo, 10, indica que a saúde do presidente Jair Bolsonaro continua em boa evolução. O documento informa que ele não teve febre e que o quadro pulmonar apresentou “melhoras significativas”. Bolsonaro segue sendo tratado com antibióticos por causa da pneumonia constatada na última semana.

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Em vídeo no Twitter Bolsonaro pede providências à PF sobre o que chamou de atentado terrorista (Foto: Reprodução do twitter)

Além disso, ele realiza exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular. O boletim afirma que o presidente continua com a dieta cremosa associada com suplementos.

Neste domingo, ele fez nova caminhada pelos corredores do hospital e tem seguido a recomendação de aumentar a duração do trajeto. Desde sábado, tem realizado cinco voltas nos corredores, em passo mais firme e rápido.

Mais cedo neste domingo, Bolsonaro publicou um vídeo pedindo para que a Polícia Federal acelere as investigações sobre a facada de que foi vítima ainda durante a campanha. Ele classificou o ocorrido como “ato terrorista” e pediu à polícia que “tenha uma solução para o caso nas próximas semanas”, de forma a indicar quem foram os “responsáveis por determinar” que Adélio Bispo, autor da facada, cometesse o ato.

Confira a íntegra do documento:

“O excelentíssimo Presidente da República, Jair Bolsonaro, permanece internado na Unidade Semi-Intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein.

Mantém boa evolução clínica e está afebril, o quadro pulmonar apresenta melhora significativa e prossegue com os mesmos antibióticos. Iniciou-se hoje a redução gradativa da nutrição parenteral e mantém a dieta cremosa associada ao suplemento nutricional especializado por via oral. Segue realizando exercícios respiratórios e de fortalecimento muscular, alternados a períodos de caminhada.

Por ordem médica, as visitas permanecem restritas.”

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Posted on 11-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2019

Do Jornal do Brasil

 

O discurso independente e a desenvoltura do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) desgastaram a relação do Palácio do Planalto com o setor evangélico, considerado fundamental na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Nos últimos dias, líderes de igrejas que durante a campanha apoiaram explicitamente o candidato do PSL e representantes do segmento no Congresso expuseram a insatisfação com o vice, principalmente após ele se manifestar contra a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

As lideranças religiosas e parlamentares da bancada evangélica pretendem pressionar o presidente para que ele desautorize publicamente o vice – Bolsonaro permanece internado em São Paulo se recuperando da cirurgia para a reconstrução do trânsito intestinal.

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Vice-presidente da República, Hamilton Mourão (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Na condição de presidente em exercício, Mourão recebeu no último dia 28 o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, e defendeu a posição que contraria manifestações anteriores do próprio Bolsonaro.

Com 108 deputados e 10 senadores na atual Legislatura, a Frente Parlamentar Evangélica, que tem uma atuação historicamente coesa em defesa de suas bandeiras, terá um peso decisivo para a agenda do governo no Congresso Nacional.

“Vamos cobrar (do Bolsonaro) o cumprimento daquilo que foi tratado. Se o Mourão está a serviço de algum grupo de interesse contrário a que isso aconteça, tenho convicção que ele perdeu essa queda de braço. Mourão é um poeta calado. Sempre que abre a boca cria um problema para o governo”, disse ao Estado o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), principal porta-voz da Frente.

O deputado deve assumir a presidência do grupo nos próximos dias. O atual presidente, deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), não se reelegeu.

Os evangélicos ficaram também incomodados com o vice por causa de uma entrevista na qual ele defendeu que o aborto é uma escolha da mulher. O ponto central das queixas, contudo, é a questão da mudança da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém. “Esse foi um compromisso de campanha do presidente da República com nosso seguimento. Nós não pedimos muitas coisas a ele, mas essa foi uma delas”, disse Sóstenes.

“Por que o Mourão, sabendo das bandeiras do Bolsonaro, não se manifestou antes da eleição? É uma coisa feia esconder suas convicções. Faltou protocolo e ética no exercício da função dele. Mourão está fazendo campanha para 2022, mas a ala conservadora não vota nele nunca”, disse ao Estado o pastor Silas Malafaia, líder da igreja evangélica Vitória em Cristo e presidente do Conselho dos Pastores do Brasil.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu Jerusalém capital de Israel em dezembro de 2017. Cinco meses depois, a embaixada norte-americana foi transferida para lá.

Para o bispo e presidente do Ministério Sara Nossa Terra, Robson Rodovalho, a mudança da embaixada “facilitaria muito” a viagem de brasileiros a Israel e estimularia a ampliação da oferta de voos.

Os contrários à mudança alertam para os potenciais prejuízos para as exportações brasileiras para países árabes, que estão entre os principais importadores de carne bovina e de frango do País. O Brasil pode também receber pressão da comunidade internacional. Para a ONU, o status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz.

“Quando o Bolsonaro se recuperar, nós vamos marcar uma audiência com ele. A ideia é levar uma carta deixando claro nossa insatisfação. Hoje, o Mourão é uma instituição e deveria guardar as opiniões para ela”, disse o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR). Na semana passada, outros parlamentares usaram a tribuna da Casa para criticar publicamente o vice.

Segundo fontes do primeiro escalão das Forças Armadas ouvidas pelo Estado, Mourão age de forma “coerente” com o pensamento dos militares, especialmente quando faz críticas à política externa e sinaliza que a prioridade do governo deve ser a agenda econômica, e não a de costumes.

Ao desautorizar o chanceler Ernesto Araújo sobre a oferta de uma base no Brasil para os EUA, Mourão reproduziu a linha de pensamento dominante nas Forças Armadas, que contam com sete quadros no primeiro escalão e representam um dos pilares da administração. Procurada, a assessoria do vice disse que ele não iria se manifestar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Do Jornal do Brasil

 

O Palácio do Planalto quer conter o que considera um avanço da Igreja Católica na liderança da oposição ao governo Jair Bolsonaro, no vácuo da derrota e perda de protagonismo dos partidos de esquerda. Na avaliação da equipe do presidente, a Igreja é uma tradicional aliada do PT e está se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo partido no interior do País e nas periferias.

O alerta ao governo veio de informes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e dos comandos militares. Os informes relatam recentes encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre Amazônia, que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todos os continentes.

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Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma “agenda da esquerda”.

O debate irá abordar a situação de povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva.

Com base em documentos que circularam no Planalto, militares do GSI avaliaram que os setores da Igreja aliados a movimentos sociais e partidos de esquerda, integrantes do chamado “clero progressista”, pretenderiam aproveitar o Sínodo para criticar o governo Bolsonaro e obter impacto internacional. “Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil”, disse Heleno.

Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitora a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses.

O GSI também obteve informações do Comando Militar da Amazônia, com sede em Manaus, e do Comando Militar do Norte, em Belém. Com base nos relatórios de inteligência, o governo federal vai procurar governadores, prefeitos e até autoridades eclesiásticas que mantêm boas relações com os quartéis, especialmente nas regiões de fronteira, para reforçar sua tentativa de neutralizar o Sínodo.

O Estado apurou que o GSI planeja envolver ainda o Itamaraty, para monitorar discussões no exterior, e o Ministério do Meio Ambiente, para detectar a eventual participação de ONGs e ambientalistas. Com pedido de reserva, outro militar da equipe de Bolsonaro afirmou que o Sínodo é contra “toda” a política do governo para a Amazônia – que prega a defesa da “soberania” da região. “O encontro vai servir para recrudescer o discurso ideológico da esquerda”, avaliou ele.

Conexão

Assim que os primeiros comunicados da Abin chegaram ao Planalto, os generais logo fizeram uma conexão com as críticas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Órgãos ligados à CNBB, como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), não economizaram ataques, que continuaram após a eleição e a posse de Bolsonaro na Presidência. Todos eles são aliados históricos do PT. A Pastoral Carcerária, por exemplo, distribuiu nota na semana passada em que critica o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que, como juiz, condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato.

Na campanha, a Pastoral da Terra divulgou relato do bispo André de Witte, da Bahia, que apontou Bolsonaro como um “perigo real”. As redes de apoio a Bolsonaro contra-atacaram espalhando na internet que o papa Francisco era “comunista”. Como resultado, Bolsonaro desistiu de vez da CNBB e investiu incessantemente no apoio dos evangélicos. A princípio, ele queria que o ex-senador e cantor gospel Magno Malta (PR-ES) fosse seu candidato a vice. Eleito, nomeou a pastora Damares Alves, assessora de Malta, para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Histórico

A relação tensa entre militares e Igreja Católica começou ainda em 1964 e se manteve mesmo nos governos de “distensão” dos generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, último presidente do ciclo da ditadura. A CNBB manteve relações amistosas com governos democráticos, mas foi classificada pela gestão Fernando Henrique Cardoso como um braço do PT. A entidade criticou a política agrária do governo FHC e a decisão dos tucanos de acabar com o ensino religioso nas escolas públicas.

O governo do ex-presidente Lula, que era próximo de d. Cláudio Hummes, ex-cardeal de São Paulo, foi surpreendido, em 2005, pela greve de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio. O religioso se opôs à transposição do Rio São Francisco.

Com a chegada de Dilma Rousseff, a relação entre a CNBB e o PT sofreu abalos. A entidade fez uma série de eventos para criticar a presidente, especialmente por questões como aborto e reforma agrária. A CNBB, porém, se opôs ao processo de impeachment, alegando que “enfraqueceria” as instituições.

‘Vamos entrar a fundo nisso’

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno Ribeiro, afirmou que há uma “preocupação” do Planalto com as reuniões e os encontros preparatórios do Sínodo sobre a Amazônia, que ocorrem nos Estados.

“Há muito tempo existe influência da Igreja e ONGs na floresta”, disse. Mais próximo conselheiro do presidente Jair Bolsonaro, Heleno criticou a atuação da Igreja, mas relativizou sua capacidade de causar problemas para o governo.

“Não vai trazer problema. (O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro) vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia”, afirmou. “A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso.”

Tanto o ministro Augusto Heleno quanto o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, hoje na assessoria do GSI e no comando do monitoramento do Sínodo, foram comandantes militares em Manaus. O vice-presidente Hamilton Mourão também atuou na região, à frente da 2.ª Brigada de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Manter a imprensa sob questionamento é saudável”

 

A ombudsman da Folha de S. Paulo disse que as falanges do bolsonarismo podem melhorar a imprensa:

“Mesmo que discorde de distorções e ataques desprovidos de base técnica feitos por bolsonaristas, reconheço que manter a imprensa sob questionamento é uma vertente saudável dos novos tempos. Isso torna mais difícil o trabalho do jornalista. Não é simples assumir o papel de vidraça e acostumar-se à crítica pública.

Exige atenção redobrada. Cada informação mal apurada, errada ou desmentida abala a credibilidade e dá munição àqueles que buscam desacreditar a imprensa (…).

Investigar relações do passado, pôr à prova planos e declarações, esquadrinhar patrimônios e relações profissionais escusas é louvável. Apenas torcer — contra ou a favor — é fácil. O dinheiro e o tempo dos leitores não devem ser desperdiçados. O jogo só começou.”

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11
Posted on 11-02-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-02-2019


 

Iotti, no jornal (RS)

 

Brumadinho

 Moradores de Brumadinho realizam homenagem às vítimas. ADRIANO MACHADO REUTERS

“É como se você fosse demitido e continuasse indo para o espaço de trabalho. Você não consolida a demissão, fica num vazio”. A médica Ana Cláudia Quintana Arantes, especialista em intervenções de luto, tenta explicar com palavras o que é o terrível sentimento de perder alguém, mas não encontrar o corpo para realizar os rituais de despedida. “É um espaço que não é de vida e nem de morte; a pessoa só não está lá”, diz ela. É esse vazio que pode ser enfrentado por dezenas de famílias e amigos das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Passadas mais de duas semanas da tragédia que soterrou tantas vidas, a esperança dos familiares que ficam é que ao menos o corpo daquelas 160 vítimas que ainda estão desaparecidas seja encontrado para que o último adeus possa ser dado. Até o domingo,156 corpos haviam sido encontrados e nove deles ainda não haviam sido identificados.

De acordo com Arantes, o fato de não encontrar o corpo agrava ainda mais o processo de enfrentamento do luto. “Quando você não tem o corpo, parece que a pessoa não morreu”, diz. O vazio no olhar de tantos parentes que esperavam por alguma notícia na Estação Conhecimento em Brumadinho na semana passada materializava esse sentimento descrito por ela. Quando a Vale anunciou uma doação de 100.000 reais aos familiares dos mortos e desaparecidos, alguns se recusaram a realizar o cadastro para receber o dinheiro. “Não quero dinheiro, quero meu irmão de volta”, disse Paulo Renato Oliveira da Silva à reportagem, justificando a ausência na fila do cadastro. Como ele, outros tantos negaram a “doação” da Vale antes de ter alguma informação sobre o paradeiro de quem estava na mineradora ou nos arredores naquele fatídico 25 de janeiro. Outros se diziam “sortudos”, como Michel Fernandes Guimarães que afirmou ao menos ter conseguido enterrar o irmão

Em meio a tanta dor, a espera por encontrar os desaparecidos é um fio comum de esperança ao qual se agarram os familiares que vivenciam diferentes tragédias. Em janeiro de 2011, uma forte chuva sobre a região serrana do Rio de Janeiro deixou mais de 900 pessoas mortas, ao menos 99 desaparecidas, além de milhares desabrigadas. Sandra Rodrigues de Oliveira, doutora em psicologia clínica pela PUC do Rio de Janeiro, fez sua tese sobre o luto das famílias que perderam parentes naquela que foi classificada como a maior tragédia climática da história do país. Ela explica que ter esperança faz parte do que chama de “luto ambíguo” diante de algo tão doloroso. “Embora você saiba que a chance de a pessoa estar ali [soterrada] é muito grande, enquanto você não a encontra, você fica na esperança de, quem sabe, encontra-la com vida”, diz.

“Dois anos após a tragédia [na região serrana do Rio], perguntei a várias famílias se elas ainda achavam que o parente poderia aparecer e todas disseram que sim”

“Nos primeiros dias isso é mais intenso”, segue ela. “[Em Brumadinho] muita gente dizia que a pessoa podia estar ilhada, esperando resgate, mesmo tendo a informação de que ela estava em local de alto risco, como o refeitório, no momento do rompimento da barragem”. Com o passar do tempo, essa esperança diminui, mas pode custar até anos para que essa chama se apague por completo. “Dois anos após a tragédia [na região serrana do Rio], perguntei a várias famílias se elas ainda achavam que o parente poderia aparecer e todas disseram que sim”, conta Oliveira.

A psicóloga explica que essa expectativa de encontrar a pessoa com vida, ou ao menos o corpo, está inserida no que ela chama de “flutuação dos sentimentos”, em que um único fato isolado é capaz de alimentar esperança. “A primeira vítima encontrada em Brumadinho foi uma médica que trabalhava na Vale. Depois disso, as pessoas ficam se perguntando: ‘será que a minha hora vai chegar? Por que acharam a médica, lá atrás, e não acharam o meu familiar? Será que estão procurando mais funcionários da Vale?’. Isso tudo passa na cabeça dos familiares”.

Luto coletivo

Maria Helena Pereira Franco, psicoterapeuta, professora da PUC de São Paulo e autora de livros sobre o luto, afirma que os rituais têm função muito importante no processo de superação da perda. “Eles são organizadores, ajudam a colocar no lugar a experiência para a família”, diz. “Por isso, não ter o corpo para fazer o ritual pede que a gente faça alguma coisa para substituir esse ritual”. Sandra de Oliveira lembra que na região serrana do Rio, em 2011, foi realizado um enterro coletivo com caixões vazios, contendo somente alguns pertences dos desaparecidos. “Houve famílias que compareceram, e outras que não compareceram”, afirma. “Para algumas pessoas, enterrar com os pertences era até ofensivo”.

Nesse sentido, Oliveira afirma que é possível que a Vale ofereça algum ritual simbólico, inclusive para dar andamento à parte burocrática dessa tragédia. De acordo com o Código Civil, há alguns casos em que a morte presumida pode ser atestada, tendo o mesmo valor que o atestado de óbito. Quando não se trata de desastres ou acidentes, é preciso esperar por cinco anos após o desaparecimento para que seja atestada a morte presumida. Mas em casos como o de Brumadinho, da região serrana do Rio, ou em acidentes aéreos em que alguns corpos não são encontrados, algumas provas podem ser utilizadas para dar andamento na documentação. “Em um acidente aéreo, por exemplo, tem a lista de passageiros que comprova que a pessoa estava lá”, explica Maria Helena Franco. É uma questão delicada e deve ser analisada caso a caso, já que depende de as buscas terem sido encerradas —algo que ainda não ocorreu em Brumadinho— e coloca uma pá de cal sobre a esperança dos familiares de encontrar a vítima com vida

“É muito diferente de quando você vê o corpo, constata que a pessoa morreu. É tipo você ser abandonado”

Ana Claudia Quintana Arantes ressalta que independentemente da questão burocrática, quem fica precisa de acompanhamento de profissionais. “Não tem a cura para isso. A cura é encontrar o corpo”, afirma. “O processo de ressignificação de sua vida a partir do desaparecimento é muito diferente de quando você vê o corpo, constata que a pessoa morreu. É tipo você ser abandonado”. Ela lembra, porém, que em casos de tragédias coletivas, em que há muitas vítimas, os que ficam podem confortar uns aos outros. “As pessoas todas que perderam alguém podem se amparar, porque cada uma delas sabe o que a outra está vivendo”, afirma. “É um processo de uma dor compartilhada que, de alguma forma, encontra um pouco de alívio. E aí você tem mais jeitos de ressignificar esse processo, que é fundar associações se amparar uns nos outros… Não resolve o processo de luto, não é uma alternativa, mas de alguma forma traz algum

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