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Postado em 01-02-2019
Arquivado em (Artigos) por vitor em 01-02-2019 00:16

“Não é possível não sentir essa dor”, diz Raquel Dodge

 

  

A procuradora-geral Raquel Dodge pediu à cúpula da Polícia Federal na noite da quarta-feira, 30, “prioridade” nas investigações sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Até o momento, 99 mortes foram confirmadas. As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria.

Na quarta, Raquel Dodge recebeu em seu gabinete, na sede da Procuradoria-Geral da República, o número 1 da PF, delegado Maurício Leite Valeixo, e outros dirigentes de áreas estratégicas da corporação.

Dodge revelou ainda preocupação com a apuração da responsabilidade pelo rompimento da barragem de Brumadinho. Ela destacou que as investigações devem ser tratadas “com prioridade e de forma integrada por todos os órgãos do sistema de Justiça, com foco, inclusive, na prevenção de outros desastres desta natureza”.

Macaque in the trees
Raquel Dodge (Foto: Paulo Matos/TV Brasil)

Durante a entrevista a procuradora assumiu estar emocionada com a situação. Com a voz embargada e os olhos marejados, Dodge declarou ser muito difícil “não se emocionar. Posteriormente ela ainda destacou que “não é possível não sentir essa dor. Não é possível ignorar que tem mais de 400 pessoas nessa situação de desaparecimento e, portanto, pessoas que têm parentes, que têm amigos, que são brasileiros como nós. É muito difícil ouvir todo esse relato e não se emocionar”.

Tragédia

Classificando o rompimento da barragem de Brumadinho como uma “grande tragédia”, Dodge afirmou que as empresas mineradoras precisam assumir – “de forma muito séria” – o compromisso de zelar diariamente pela higidez de suas barragens. “Para que elas não se rompam e novas vítimas sejam atingidas”, disse.

Dodge alertou sobre “possíveis vítimas futuras” ao mencionar o risco de que outras barragens se rompam.

“É preciso tratar desta questão do ponto de vista daqueles que temem novos acidentes e que estão diretamente na linha de rompimento de novas barragens. As pessoas que trabalham nesta região estão sofrendo graves danos psicológicos, temendo por novos acidentes”, acrescentou a procuradora-geral, reconhecendo que, por ocasião da tragédia de Mariana, no qual 19 pessoas morreram, houve erros que não podem se repetir.

Emergência

Ao fim do encontro, ela destacou que é vital que a Vale e os órgãos públicos envolvidos com a tragédia da última sexta-feira (25) cuidem das questões emergenciais, como o resgate das vítimas e a busca dos desaparecidos, e o fornecimento de água, alimentos, remédios e abrigos, ao mesmo tempo que tomem as providências necessárias para que a população possa, pouco a pouco, retornar à rotina.

“É preciso que as crianças tenham condições de retornar às escolas e que a vida volte ao normal. E nada disso será possível se a empresa não assumir, de forma muito clara, suas responsabilidades. Imediatamente. Independentemente de ações judiciais”, acrescentou Dodge.

Para Raquel Dodge, as instituições brasileiras precisam trabalhar com o objetivo de proporcionar resoluções céleres, lembrando que a sociedade civil e suas organizações precisam ser ouvidas a fim de garantir que as necessidades das vítimas sejam atendidas.

“Há uma demora na solução dos casos que ocorrem em detrimento dos mais vulneráveis: os trabalhadores, os moradores da região, as pessoas que estavam na linha direta da lama e não tinham condições de se defender”, criticou.

A procuradora se reúne hoje com o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, de quem cobrará ações extrajudiciais. Ela participa de uma solenidade com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Dias Toffoli. Os dois assinarão um documento priorizando, no âmbito do Poder Judiciário e do MP, o atendimento aos processos envolvendo graves crimes ambientais.

Jean Wyllys

No mesmo encontro, de acordo com a procuradoria, Dodge também cobrou prioridade da PF das investigações das ameaças ao deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que levaram o parlamentar a desistir de assumir o mandato para o qual foi eleito em outubro.

A procuradora disse que o caso Jean Wyllys “é muito grave”. “Representa uma ameaça à democracia”, afirmou Raquel. “É necessário que seja dada resposta rápida e firme de instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público.”

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Comentários

Vanderlei on 1 Fevereiro, 2019 at 23:09 #

Dá para acreditar na justiça do Brasil?


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