DO JORNAL DO BRASIL

Foram normais os resultados da avaliação clínica pré-operatória, exames laboratoriais e de imagem feitos pelo presidente Jair Bolsonaro na tarde de onteme (27), segundo boletim médico divulgado  pelo Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde está internado.

A cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal está confirmada para esta segunda-feira, 28. No procedimento, ocorrerá a retirada da bolsa de colostomia, que o presidente passou a usar desde setembro do ano passado após ter sofrido uma facada.

Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro passará por cirurgia nesta segunda-feira (28) para retirada de bolsa de colostomia (Foto: Reprodução/Twitter de Jair Bolsonaro)

Bolsonaro foi esfaqueado em um ato de campanha, em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro. A facada atingiu o intestino e o então candidato foi submetido a duas cirurgias, uma na Santa Casa de Juiz de Fora e outra no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A bolsa de colostomia utilizada por ele por cerca de quatro meses funciona como um intestino externo e possibilita a recuperação do intestino grosso e delgado.

Do  Jornal do Brasil

Em coletiva após se reunir com o Presidente da República Jair Bolsonaro no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, o Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que os responsáveis pelo acidente na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, que pode ter deixado centenas de mortos, terão uma punição exemplar.

“Quero frisar que os envolvidos nessa tragédia serão punidos exemplarmente. Todas as medidas judiciais já foram tomadas e recursos na casa dos bilhões bloqueados, de forma que a punição seja a mais rigorosa possível”, destacou Zema. “Aquilo que a lei prevê, será feito”, acrescentou.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro é recebido em Minas (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Zema também disse que a legislação terá que ser revista para evitar novas tragédias. “Essa barragem que rompeu estava inativa há anos que não recebia mais nenhum tipo de material. Então nós estamos vendo que aqui em Minas os mortos estão ressuscitando, o que é muito preocupante. Vai ser necessário rever protocolos por que não podemos ficar sujeitos que esse tipo de coisa ocorra novamente”, ironizou o governador Mineiro.

Por fim, Zema afirmou que tanto os critérios federais como os estaduais serão revistos para que isso não aconteça mais. Mas ele garantiu que, apesar disso, a legislação atual já é bem dura. “A legislação ambiental de Minas, assim como a nacional, é uma das mais rigorosas. É prematuro fazer qualquer diagnóstico da tragédia de ontem, mas a princípio todos os alvarás e licenças estavam em dia, mas uma mina desativada há quatro anos se rompeu”, concluiu.

Maria Bonita, retratada por Benjamin Abrahão.

 
Maria Bonita, retratada por Benjamin Abrahão.
São Paulo

 

Maria Gomes de Oliveira (1911-1938) morreu sem sequer suspeitar que passaria à história como Maria Bonita, a Maria do capitão. A alcunha teria sido dada à companheira de Lampião pelos soldados que receberam a sua cabeça —decepada depois que a volante do tenente João Bezerra atacasse o acampamento do bando— e destacaram sua beleza. O telegrama enviado ao governo comunicando a morte do “maior bandido das Américas” e de seu grupo é o primeiro documento que registra o nome de Maria Bonita. Mais de 100 anos depois da sua morte, ela ganhou sua primeira biografia, Maria Bonita – sexo, violência e mulheres no cangaço (Objetiva), escrita pela jornalista Adriana Negreiros. O livro teve sua primeira reimpressão em dezembro e fechou 2018 na lista dos mais lidos do país.

Durante dois anos, Negreiros mergulhou na investigação de documentos históricos, na leitura de jornais da época e percorreu os sertões da Bahia e de Alagoas para preencher as lacunas da vida de Maria Bonita e das demais cangaceiras. Assim, se propôs a contar a história do cangaço de um ponto de vista feminino. “Minha família é de Mossoró (RN) e cresci escutando histórias de como a cidade resistiu à invasão dos cangaceiros, mas sempre contadas com os homens como protagonistas. Decidi contá-las tendo Maria Bonita e as demais mulheres como fio condutor.

Foi um ato político”, diz a autora.Não foi uma tarefa fácil. Apesar do vasto repertório de memória oral sobre o assunto, são escassos os documentos e os poucos objetos que sobreviveram ao tempo estão em mãos de colecionadores. Quando a polícia prendia um cangaceiro, conta Negreiros, destruía seus pertences ou roubava aqueles de maior valor. No caso das mulheres, encontrar rastros de suas vivências é ainda mais complicado. No empoeirado museu dedicado à Rainha do Cangaço, em Malhada do Caiçara (BA), onde ela nasceu, apenas um objeto pertenceu de fato a Maria Bonita: um banco de madeira, no qual ela teria passado tardes românticas namorando Lampião. 

As lendas perpetuadas pelo cordel e a fantasia em torno do cangaço foram outros obstáculos. Neles, Maria Bonita —ou Maria de Déa, como era conhecida no âmbito familiar— era uma cangaceira “arretada”, uma matadora que pegava em armas, uma guerreira, amazona do sertão, uma Joana D’Arc da caatinga. Essa fama chegou até os anos 1990, quando ela passaria a ser lembrada, com frequência, no Dia Internacional da Mulher. Poetas populares e memoralistas estabeleceram que sua data de nascimento seria uma predestinação: 8 de março de 1911. Só em 2011 o sociólogo Voldi Ribeiro encontrou o registro de nascimento da cangaceira, no qual consta a data de 17 de janeiro de 1910.

Mas Maria Bonita não era uma feminista. A imagem de mulheres fortes, matadoras de policiais, associada tanto a ela quanto às suas companheiras de bando é, segundo Negreiros, uma inverdade. “A tarefa de pegar em armas e matar a polícia era considerada uma tarefa muito importante para ser realizada por uma mulher. E, de forma geral, elas não estavam ali porque queriam. Eram raptadas quando crianças ou adolescentes. Se um cangaceiro gostasse de uma menina e a desejasse, ela não tinha opção, ou ia com ele ou seria morta, junto com a família”, explica. O caso mais extremo, retratado no livro, é o de Dadá, raptada e violentamente estuprada aos 12 anos por Corisco, com quem viveu até o fim da vida.

Maria Bonita, que hoje é ícone da liberação das mulheres e dá nome a diversos coletivos feministas, era, sim, uma “transgressora”, defende Negreiros. No sertão dos anos 1920, casada, infeliz com um marido mulherengo e sexualmente insatisfeita, ela se refugiava na casa dos pais e, em vez de chorar pelos cantos, ia dançar no forró do povoado. Há indícios de que teria um amante. Quando conheceu Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), não duvidou em fugir com ele, tornando-se a primeira mulher a unir-se ao cangaço e uma das poucas em fazê-lo de livre e espontânea vontade.

“De certa forma, Maria era bela, recatada e do lar. Dizer que ela era uma pioneira do feminismo é um exagero, porque não tinha um comportamento que se opusesse à dinâmica reinante na cultura do cangaço”, diz Negreiros. Uma cultura na qual abundavam, por exemplo, os estupros a meninas e mulheres nas cidades pelas quais o bando passava, com a conivência das cangaceiras.

“Não se tinha essa consciência de estupro como existe hoje, não gerava tanto choque. Eles tampouco contavam pra elas, não tinham que dar satisfação. Já se esperava que os homens agissem dessa maneira”, explica a autora. Maria Bonita só brigava com Lampião por ciúmes quando este passava semanas sem voltar ao acampamento. Segundo os relatos contidos no livro, ela “montava um barraco” e os cangaceiros comentavam: “A patroa está doida”.

Negreiros conclui que o papel que as mulheres tiveram no cangaço é o mesmo que tiveram historicamente em diferentes organizações sociais: a de criar uma situação confortável no ambiente doméstico para que os homens pudessem brilhar no espaço público. “Criaram uma espécie de refúgio do caçador. A estrutura da opressão era muito evidente também no cangaço”.

Códigos de conduta

No bando de Lampião, só se esperava fidelidade por parte das mulheres. “O código de conduta era muito rigoroso com elas. Se sequer manifestasse desejo por outro homem, era sumariamente executada. Os homens que ficavam com companheiras de outros cangaceiros, no entanto, permaneciam no bando”, relata Negreiros. O livro narra diferentes histórias de cangaceiras executadas por esse motivo, muitas denunciadas pelas próprias companheiras.

Apesar de viverem em condições extremas, sempre levantando e montando acampamentos, muitas vezes passando fome e sede durante dias, sob a constante ameaça policial, o conceito de sororidade ou simples solidariedade parecia ser inexistente entre as cangaceiras. “O único momento de empatia era quando davam à luz e se ajudavam entre elas”, comenta Negreiros. Os bebês eram pouco depois levados a alguma cidade e relegados ao cuidado de alguma família.

“Havia muita disputa, estimulada pelos próprios cangaceiros e as mulheres tinham um comportamento extremamente machista. Mas elas viviam muito isoladas, eram muito sofridas, então não dá para exigir delas essa perspectiva de gênero”, explica a autora.

As violências às quais as cangaceiras foram submetidas se perpetuaram depois da dissolução do bando. As poucas que sobreviveram e foram presas deram seu testemunho em entrevistas, relatando os estupros e outros aspectos da rotina no cangaço, mas foram desacreditadas. “Essa negligência sobre os relatos, o silenciamento dessas mulheres foi o que mais me chocou no processo de pesquisa para o livro”, diz Negreiros.

A jornalista e escritora conta que, ainda hoje, em plena era do #MeToo, quando viaja aos locais por onde o bando de Lampião passou ou mesmo nas redes sociais, ouve e lê coisas como: “Tudo isso é mentira. Lampião era um herói. Essas histórias de estupro e violência são inventadas”.    

Enquanto o maniqueísmo popular mantém como hegemônica a figura do “Robin Hood” do sertão, Maria do capitão transita entre o esquecimento e o lugar de uma Joana D’Arc do folclore nacional. Adriana Negreiros parece ficar em um meio termo, mas relembra no seu livro as palavras do interventor Agamenon Magalhães, no relatório da operação que culminou na morte do rei e da rainha do cangaço: “É pecado contra a pátria endeusar Maria Bonita”.

 
Michel Legrand no tapete vermelho do Festival de Cannes, em 2017 — Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters Michel Legrand no tapete vermelho do Festival de Cannes, em 2017 — Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters

Michel Legrand no tapete vermelho do Festival de Cannes, em 2017 — Foto: Jean-Paul Pelissier/Reuters

Michel Legrand, pianista, maestro e compositor francês, morreu aos 86 anos, anunciou seu empresário. Ele ganhou três prêmios no Oscar e cinco no Grammy.

Legrand venceu pela primeira vez o Oscar de canção original em 1969 com “The Windmills of Your Mind” do filme “Crown, o Magnífico”, com a qual ganhou ainda um Globo de Ouro.

Depois, venceu novamente com as trilhas sonoras de “Houve uma Vez um Verão” em 1972 e “Yentl” em 1984. Também fez as trilhas de “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964) e “Duas Garotas Românticas” (1967).

Legrand, que tinha shows marcados para Paris em abril, morreu durante a noite. A causa da morte não foi revelada.

 
Michel Legrand, maestro e compositor francês, morre aos 86 anos em Paris

Michel Legrand, maestro e compositor francês, morre aos 86 anos em Paris

Discografia de sucesso

Michel Jean Legrand nasceu no dia 24 de fevereiro de 1932, em Becon-les-Bruyeres, nos arredores de Paris, na França. O pai Raymond Legrand era um compositor e ator francês. A mãe Marcelle tinha família vinda da Armênia.

Entre 1942 e 1949, estudou piano no Conservatório de Paris. Em 1954, ganhou mais destaque como músico quando seu álbum “I Love Paris” vendeu mais de 8 milhões de cópias.

Lançou na sequência “Holiday in Rome” (1955) e “Michel Legrand Plays Cole Porter” (1957). Em Moscou, durante um festival, conheceu sua primeira esposa, a modelo Christine Bouchard, com quem teve três filhos.

Trilhas na Nouvelle Vague

Começou a trabalhar como arranjador nos anos 60, após convite de cineastas da Nouvelle vague francesa. Fez a trilha de sete filmes para Jean-Luc Godard e dez para Jacques Demy.

Durante sua carreira, também trabalhou com Dizzy Gillespie, Miles Davis, Orson Welles, Jean Cocteau, Frank Sinatra e Edith Piaf.

Em toda carreira, foi responsável pela composição de mais de 200 trilhas de filmes e de obras para televisão. Também gravou mais de 100 álbuns de gêneros como jazz e música clássica.

Nos anos 80 e 90, fez shows com seu trio de jazz e com uma big band. Nesta fase, tocou com nomes como Ray Charles, Diana Ross e Bjork. Nos anos 2000 e 2010, passou a se dedicar mais ao trabalho em estúdio, mas ainda fazendo alguns shows.

Ele deixa a esposa Macha Méril e três filhos.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

Vista aérea da região de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, onde se rompeu a barragem Mina do Feijão.

 Vista aérea da região de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, onde se rompeu a barragem Mina do Feijão. DOUGLAS MAGNO AFP
  

Miraí, em 2007, Macacos, em 2001, Mariana, em 2015. E agora Brumadinho. Os rompimentos de barragens em Minas Gerais remontam a 1986, quando foi registrado o primeiro acidente desse tipo, e as consequências são, historicamente, as mesmas: assoreamento de córregos e rios, cidades destruída pela lama e vítimas fatais. O Estado conta com cerca de 450 barragens e pelo menos 22 delas não têm garantia de estabilidade, de acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). A Mina Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, que rompeu nesta sexta-feira e deixou pelo menos mortos e mais de uma centena de desaparecidos, estava “devidamente licenciada” e não recebia rejeitos desde 2015, diz a Secretaria. “Isso só mostra que não temos noção do tamanho do risco que há em Minas Gerais. Cidades inteiras podem desaparecer de uma hora para outra”, afirma Guilherme Meneghin, promotor responsável pelo caso do desastre de Mariana.

“É uma tragédia anunciada. É a quarta ou quinta ruptura de barragem nos últimos anos com esse caráter tão calamitoso”, concorda Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão da Universidade Federal de Minas Gerais, que monitora a atividade econômica e seus impactos ambientais nas bacias hidrográficas. Um dos problemas apontados tanto pelo promotor quanto pelo professor é que as próprias licenças de estabilidade são conseguidas depois de uma auditoria contratada pelas próprias empresas. “É uma furada”, resume Polignano.Os especialistas ouvidos pelo EL PAÍS falam de uma “repetição de Mariana”, apesar das diferentes proporções —enquanto a barragem de Brumadinho armazenava uma tonelada de rejeitos, a de Mariana armazenava 50 toneladas—. A estrutura de ambas, no entanto, era similar:  eram barragens à montante, o modelo mais barato, construídas a partir da compactação de terra. Essas barragens começam com a construção de um dique e um tapete drenante, que serve para eliminar a água no interior da estrutura. “Se esse tipo de barragem não tiver um sistema de drenagem muito bom, a água vai filtrando, pouco a pouco”, explica Polignano. “Hoje nem estava chovendo na região, não houve nenhum fenômeno externo, a estrutura rompeu devido à sua própria fragilidade. Não havia segurança”, acrescenta.

O aumento desse tipo de barragem, ou alteamento, como é chamado, é feito com o próprio rejeito em direção à barragem. Tanto em Mariana como em Brumadinho, essas construções foram feitas acima de zonas de aglomeração humana, como cidades e povoados. “O licenciamento ambiental é ridículo no Brasil. Para as empresas, é economicamente favorável construir esse tipo de barragens, mas elas representam um risco. Se a lei proibisse a construção de barragens à montante acima de comunidades humanas, como fazem muitos países, teríamos menos desastres”, critica Meneghin.

Outro tipo comum é a barragem à jusante, considerada mais segura, apesar de ser mais cara. Esta também começa com a construção de um dique e do tapete drenante, mas o alteamento é feito para o lado externo da barragem e não usa o próprio rejeito. Normalmente, se usa argila e pedregulhos, retirados de outro ponto da mina, em vez de água, para evitar filtrações e eventuais rupturas. Há três anos, depois do maior desastre ambiental do país, organizações civis mineiras apresentaram à Assembleia Legislativa do Estado o Projeto de Lei de Iniciativa Popular “Mar de Lama Nunca Mais”, para exigir maior rigor no licenciamento de barragens e demandar que essas fossem construídas à jusante. O PL nunca foi votada. “É lamentável que mesmo depois de um crime ambiental do tamanho de Mariana não conseguimos mobilização política para fazer mudanças nesse sentido”, diz Polignano, um dos impulsores do PL.

Reparação

A lama decorrente da ruptura da barragem de Brumadinho destruiu o córrego do Feijão, afluente do rio Paraopeba, uma importante bacia hidrográfica do ponto de vista do abastecimento público. Os especialistas afirmam que a biodiversidade da região terá sequelas permanentes. “O rejeito de minério da Mina Feijão é parecido ao que atingiu o rio Doce e mata toda a fauna e flora aquática. A descontaminação é muito difícil. No rio Doce, por exemplo, a água não voltou a apresentar condições de uso”, explica Malu Ribeiro, coordenadora da ONG S.O.S. Mata Atlântica.

Mudanças na legislação que garantam a reparação ao meio ambiente e às vítimas é precisamente uma reivindicação de ambientalistas, promotores e cientistas. “Nesses casos, aplica-se o Código Civil, que prevê igualdade das partes, quando é claro que as empresas têm mais recursos que o cidadão cuja vida foi afetada. A Samarco [responsável por Mariana], por exemplo, recebeu mais de 60 multas e, até hoje, só pagou uma”, critica o promotor Guilherme Meneghin. “Esperamos que essa nova tragédia desencadeie novos procedimentos de reparação. Se não, só nos restará esperar a próxima tragédia”, conclui. 

jan
27
Posted on 27-01-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-01-2019



 

Luscar, no portal

 

Do Jornal do Brasil

O governo de Israel já tem preparado um avião para trazer suprimentos e equipamentos para ajudar as vítimas da barragem da Vale que rompeu em Brumadinho (MG) nesta sexta-feira, 25, informa a Globo News. Segundo a reportagem, a aeronave vai contar com equipe médica, detectores de ecos e sonares, usados em situações de desabamentos e rupturas grandes.

Além disso, a reportagem informou que Israel vai enviar também engenheiros, que vão avaliar outras barragens e identificar se novas rupturas na região podem vir a acontecer.

Segundo o governo de Israel, uma outra reunião deve ser feita com o governo brasileiro para acertar os detalhes do processo, inclusive a data que o avião deve chegar em território brasileiro.

“A tragédia não pode ser chamada de acidente”


O rompimento da barragem em Brumadinho não pode ser chamado de acidente porque houve diversos alertas sobre o problema nos últimos anos.

A afirmação é da Câmara de Meio Ambiente do Ministério Público Federal, ligada à PGR.

“Não parece adequado se falar em acidente para a catástrofe de Brumadinho, na medida em que a acepção dessa palavra pressupõe o elemento da imprevisibilidade de maneira alguma aqui presente”, afirmou, em nota.

“Infelizmente a legislação brasileira não foi aperfeiçoada no tema, os órgãos de fiscalização ambiental não receberam a devida valorização e estrutura e as sanções adequadas não foram aplicadas”, diz o texto.

Resultado de imagem para Bolsonaro no Fórum de Davos
Depois do discurso curto e badalado do Fórum Econômico na Suíça.
Resultado de imagem para Desastre na Barragem do Córrego do Feijão
…Presidente vai a área de desastre em Minas antes de se internar em hospital de SP.
ARTIGO DA SEMANA

Davos em seis minutos: poucas palavras, muitas ofertas e as querelas do Brasil

Vitor Hugo Soares

Nos seis minutos de seu discurso, na abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, 2019, que reúne magnatas e grupos mais ricos e poderosos do planeta, o capitão presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, decidiu – depois de costuras e ajustes, ao que se informa nos bastidores – seguir o pensamento do escritor Mario de Andrade, autor do referencial romance Macunaíma: “pior do que uma baioneta calada é uma baioneta falante”.
Nervoso e reticente sim, mas bateu com a cara no muro quem antecipava em relação ao novo mandatário, fala mal humorada, de cara amarrada e cacoetes mofados da direita militarista dos Anos 60/70. Ou os que esperavam o papo retórico, à moda e jeito precário de pensar e dizer as coisas dos “estocadores de vento”, de triste memória da esquerda  petista e assemelhados, durante quase 15 anos  de mando.

Bolsonaro, na Suíça desses dias estranhos no mundo, – Trump e Macron, presidentes dos Estados Unidos e da França, respectivamente, e a primeira-ministra do Reino Unido, Teresa May, nem puderam viajar, tais e tão grandes os pepinos que descascam em suas zonas de mando – gélido território de seu batismo de fogo internacional como chefe de Estado da mais importante nação da América do Sul, optou por inaugurar nova e surpreendente rota. E não se deu mal, basta verificar, com isenção, a repercussão na mídia nacional e internacional.

Há até um registro emblemático de bastidores, captado por ouvidos mais atentos de jornalistas envolvidos na cobertura do fórum. No mesmo dia do discurso, durante jantar estrelado em Davos, o presidente brasileiro observou que na mesa estavam sentados donos de 23 trilhões de dólares, e pensou alto, arrancando risos dos participantes: “o Brasil precisa apenas de 10% disso daí”.

Desce o pano rápido sobre o palco, diria Millôr, se vivo fosse. Há quem tenha aplaudido a objetividade e concisão. Há, também, os que condenam a economia de palavras. Entre as duas partes, o principal: o fato político e econômico decorrente do que disse o novo ocupante do Palácio do Planalto. Ainda é prematuro apontar resultados. Mas algo já se pode afirmar: não são desprezíveis ou inúteis – como alguns críticos apressados sugerem – o esforço e a aposta pesada do novo governo, no Fórum dos ricos de Davos.

Em exatos seis minutos e 26 segundos – sem contar o também curto tempo para responder perguntas dos organizadores  – destacou a determinação de abrir a economia, atrair investidores, fazer reformas essenciais e inadiáveis, reduzir o peso do Estado nas costas de quem produz, combater com inteligência e leis duras, a violência e o crime organizado, voltar a apostar no turismo, preservar o meio ambiente, e combater a corrupção que corrói o País. Deixou os detalhes a cargo dos superministros Paulo Guedes, da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça e Segurança. Viu ainda, na Suíça, os venezuelanos nas rua s apertando a corda no pescoço de Maduro, e assinou o apoio do Brasil ao governo interino de Guaidó.

Bolsonaro está de volta à base. Ainda com seqüelas da facada que recebeu durante um comício de campanha, em Juiz de Fora. Neste sábado, ele se recolhe a um hospital, em São Paulo, para exames preliminares. Na segunda-feira deve ser operado para retirar a bolsa de colostomia que carrega desde o atentado. Permanecerá no hospital, pelo menos, por uma semana. O resto são querelas do Brasil.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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