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Brumadinho
Rompimento de barragem em Brumadinho

 O tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, concede entrevista em Brumadinho. Reprodução TV Globo

Desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), o tenente Pedro Aihara se tornou o rosto conhecido do trabalho árduo de centenas de bombeiros que têm corrido contra o tempo para localizar as vítimas e desaparecidos da tragédia. Porta-voz da corporação desde o primeiro dia da tragédia, tem sido entrevistado repetidamente pelas dezenas de jornalistas que acompanham os desdobramento do desastre na mina administrada pela Vale. Sua desenvoltura e serenidade para lidar com as perguntas têm surpreendido o Brasil inteiro, até por conta de sua pouca idade. Ele tem 26 anos e já participou do resgate na mina do Fundão, em Mariana (MG). Mesmo preparado, ele segue sendo humano. O tenente se emocionou na manhã desta segunda-feira ao falar sobre a incansável busca pelos desaparecidos. “A maior dificuldade é ter de lidar com a angústia. Podem ter certeza de que estamos trabalhando como se essas pessoas fossem nossas mães e nossos pais”, disse com os olhos marejados no início da manhã.

Aihara, que tem dormido de três a quatro horas por dia desde a tragédia, ressalta em todos os seus anúncios que o trabalho tem sido feito da maneira mais ágil possível, mas que ele demanda muitas particularidades, já que se trata de uma “operação de guerra”. “A gente entende que os familiares das vítimas estejam numa situação em que buscam muita informação, mas temos que entender que essa atuação é muito delicada, estamos falando de milhões de rejeitos de minério de ferro, trabalhamos com uma barragem. E, dentro da área quente, trabalhamos com material orgânico envolvendo animais, plantas e pessoas. É preciso fazer um trabalho muito criterioso”, diz. “Um trabalho rápido, por mais que a gente se esforce, não é possível de ser feito na agilidade que as famílias querem”, lamenta. A buscas, explica ele, se estendem por uma área de 10km de distância e milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Aihara não tem se esquivado das perguntas da imprensa nem do questionamento mais doloroso feito repetidamente nas coletivas sobre a possibilidade de encontrar sobreviventes. Segundo o tenente, pela característica da lama, será muito difícil que alguém que foi arrastado pelos rejeitos da barragem da Vale tenha sobrevivido. O relógio tampouco ajuda. Com o passar dos dias, as chances de encontrar sobreviventes é ainda menor, mas não está descartada. Os bombeiros trabalham também em áreas limítrofes para tentar encontrar alguém que possa ter conseguido fugir. “A tragédia envolve lama, que é um tipo de material que ocupa muito espaço, é diferente de quando a gente tem algum tipo de desabamento, em que há bolsões de ar e é provável encontrar sobreviventes… Mas ainda trabalhamos com todas as possibilidades”, ponderou na manhã desta segunda.

A possibilidade de as buscas se estenderem por meses dependerá de como será o trabalho de recuperação de corpos, na avaliação do tenente. “É um trabalho extremamente pontual. É preciso ter cuidado para o material de animas não ser confundido com a de humanos. Pela quantidade de rejeitos, irá durar semanas”.

Atualmente, 280 bombeiros trabalham na operação da tragédia de Brumadinho. Cerca de 14 aeronaves, fornecidas pela própria corporação, Polícia Militar, Polícia Civil, Força Aérea Brasileira e o Governo do Rio de Janeiro, estão em uso para auxiliar as equipes. Alguns bombeiros vieram de outros estados, como São Paulo, Rio, Espírito Santo, Alagoas e Goiás. O número de integrantes de Minas Gerais chega a 130.

Assim como o tenente Aihara, muitos deles trabalharam há três anos na tragédia de Mariana, quando a barragem de Fundão se rompeu, matando 19 pessoas e deixando um mar de lama pelo Rio Doce. O episódio deu a eles mais experiência nesse tipo de resgate, mas lidar psicologicamente com tamanha perda de pessoas é ainda um grande desafio. Segundo Aihara, as equipes que estão trabalhando nos resgates estão passando por atendimento psicológico.

Trabalhando incansavelmente em um resgate perigoso que envolve lama e uma área de risco, os esforços dos bombeiros são reconhecidos por muitos moradores e familiares de desaparecidos que assistem dos bairros e estradas o sobe e desce constante de helicópteros. A missão dos bombeiros mineiros, no entanto, não tem sido valorizada adequadamente pelo Estado de Minas Gerais, que vive uma crise fiscal. Atualmente os salários dos bombeiros estão sendo parcelados e a quitação integral do 13º salário de 2018 está atrasada, e sem perspectiva de ser recebido em curto prazo.

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J. Bosco, no jornal

 

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Do  Jornal do Brasil

Uma campanha publicitária da empresa de cosméticos Jendayi Cosméticos divulgada domingo (27) em suas redes sociais está gerando polêmica e protestos na internet. Com o nome “Brumadinho CLAMA”, a campanha traz um ensaio fotográfico com três modelos lambuzados de lama e afirma que seu objetivo é “mostrar que existe uma marca de cosméticos que se preocupa com a beleza… a beleza da vida” – palavras publicadas pela empresa.

Ainda de acordo com a descrição da campanha inspirada no desastre de Brumadinho, “Nossos cosméticos embelezam os cabelos, mas nossas atitudes podem deixar um sorriso, um olhar, uma família, um sonho mais iluminado e bonito”.

Na última sexta-feira a cidade de Brumadinho (MG) foi inundada de rejeitos em função do rompimento da Barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, deixando pelo menos 60 pessoas mortas e 292 desaparecidas.

Nas fotos, os modelos convidados interpretam as vítimas (por vezes em poses sensuais) do desastre, no que chamaram de “ensaio-protesto”, realizado pelo fotógrafo Jorge Beirigo.

Após as repercussões nas redes sociais e na mídia a empresa divulgou uma primeira nota de esclarecimento, na qual explicou que “além das frases de apoio” contidas na campanha, farão “uma doação (inicial) de ração para animais na cidade”. E disseram que a equipe da empresa estará presente em Brumadinho, para saber “do que as vítimas realmente precisam”, reafirmando que o objetivo da empresa “é ajudar”. 

A repercussão da primeira nota também foi alvo de críticas nas redes sociais da empresa. Posteriormente a empresa publicou uma segunda nota de esclarecimento, aonde pediu desculpas e afirmaram que a intenção era “protestar e jamais se aproveitar da situação”.

Número de mortos em Brumadinho (MG) já passa de 60, dizem bombeiros

A Defesa Civil de Minas Gerais informou, na noite desta segunda-feira (28), que há 65 mortos e 279 desaparecidos após tragédia provocada pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Neste quarto dia de buscas – que teve reforço de militares enviados pelo governo israelense –, nenhuma vítima foi encontrada com vida, segundo o corpo de bombeiros.

Números da tragédia

A barragem de rejeitos, que ficava na mina do Córrego do Feijão, se rompeu na sexta-feira (25). A lama varreu a comunidade local e parte do centro administrativo da empresa. Entre as vítimas, estão moradores e funcionários da Vale.

As equipes lideradas pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais adotam diferentes estratégias para localizar sobreviventes e vítimas. Aos poucos, a lama fica mais sedimentada – ou seja, menos fofa. Por isso, as equipes precisaram tomar cuidados para não colocar em risco os possíveis sobreviventes ou os próprios bombeiros.

As buscas estão sendo feitas por 120 bombeiros de Minas Gerais e 160 enviados de São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Espírito Santo e Goiás. Há outros 33 integrantes da Força Aérea Brasileira e 60 do Exército. Helicópteros são utilizados para resgatar os corpos.

A tropa da ajuda oferecida por Israel se concentrou no vale de lama perto do local em que a barragem estourou. Um dos equipamentos israelenses é capaz de encontrar pessoas com vida a 30 metros de profundidade. Apesar de a lama dificultar a sobrevivência, os bombeiros não descartam a possibilidade encontrar pessoas com vida.

Nesta segunda, os primeiros corpos começaram a ser enterrados. No cemitério Parque das Rosas, desde que a tragédia ocorreu 98 covas foram abertas, de acordo com funcionários. Trabalhadores da prefeitura foram deslocados de outros setores para ajudar no local, que, normalmente, conta com dois coveiros.

Além disso, a Vale anunciou a doação imediata de R$ 100 mil a cada família das vítimas da tragédia. A empresa também informou que deve manter a compensação financeira para o município, que não deve perder arrecadação.

 
Vale anuncia apoio às famílias das vítimas e ao município de Brumadinho

Vale anuncia apoio às famílias das vítimas e ao município de Brumadinho

 

Buscas por vítimas em Brumadinho após rompimento de barragem seguem nesta segunda-feira (28) — Foto: AP Photo/Leo Correa Buscas por vítimas em Brumadinho após rompimento de barragem seguem nesta segunda-feira (28) — Foto: AP Photo/Leo Correa

Buscas por vítimas em Brumadinho após rompimento de barragem seguem nesta segunda-feira (28) — Foto: AP Photo/Leo Correa

Buscas

“É um trabalho de formiguinha, são áreas gigantescas”, diz o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, sobre as buscas.

Há pontos em que a profundidade da lama chega a 15 metros.

Os socorristas usam cajados para perfurar o solo em busca de corpos, sobreviventes ou veículos que possam estar soterrados. O trabalho é cansativo. Como a lama está fofa, os pés afundam. Alguns bombeiros usam roupas de mergulho.

 
Bombeiros usam cajados para perfumar a lama em busca de corpos ou sobreviventes — Foto: Reprodução/GloboNews Bombeiros usam cajados para perfumar a lama em busca de corpos ou sobreviventes — Foto: Reprodução/GloboNews

Bombeiros usam cajados para perfumar a lama em busca de corpos ou sobreviventes — Foto: Reprodução/GloboNews

Aihara afirmou que o refeitório – onde estavam trabalhadores da Vale no momento do rompimento da barragem – provavelmente foi arrastado pela lama e pode ter ido parar a “até quilômetros à frente”.

Os bombeiros ainda não começaram as buscas na área em que ficava o refeitório porque estão priorizando locais onde há menos lama – e, por isso, as chances de encontrar sobreviventes são maiores.

Segundo o porta-voz dos bombeiros, no sábado (26) foi determinado o local onde ficava uma pousada em Brumadinho. A pousada foi varrida de seu ponto original, onde agora “só tem lama”. Estima-se que, lá, havia 35 pessoas.

O coronel que lidera as tropas israelenses que ajudam nos trabalhos, Golan Vach, afirmou que a prioridade é encontrar pessoas com vida. Ele explicou que sonares serão usados para tentar localizar vítimas. “Vamos trabalhar usando radares e com as próprias mãos”, disse.

 

Corpo é retirado de helicóptero em Brumadinho (MG) — Foto: Washington Alves/Reuters Corpo é retirado de helicóptero em Brumadinho (MG) — Foto: Washington Alves/Reuters

Corpo é retirado de helicóptero em Brumadinho (MG) — Foto: Washington Alves/Reuters

Em entrevista na manhã desta segunda, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que o apoio dos militares de Israel vai “aumentar muito a chance de encontrar novos sobreviventes” e dar mais “agilidade para encontrar vítimas”.

O governador disse que a preocupação é achar os sobreviventes e vítimas e que “donativos não tem feito diferença para melhor”.

A Vale informou que cerca de 50 pessoas estão trabalhando no resgate da fauna local às margens do Rio Paraopeba. Já foram resgatados 26 animais domésticos.

A Juíza Perla Saliba Brito determinou que a empresa comece imediatamente a cuidar do resgate de animais atingidos pela tragédia.

 

Imagem aérea mostra destruição em Brumadinho após rompimento de uma barragem da mineradora Vale — Foto: Reprodução/TV Globo Imagem aérea mostra destruição em Brumadinho após rompimento de uma barragem da mineradora Vale — Foto: Reprodução/TV Globo

Imagem aérea mostra destruição em Brumadinho após rompimento de uma barragem da mineradora Vale — Foto: Reprodução/TV Globo

Ajuda oferecida por Israel

 
 
Militares israelenses se juntam às equipes de resgate em Brumadinho

Militares israelenses se juntam às equipes de resgate em Brumadinho

 

Um avião com 136 militares e 16 toneladas de equipamentos enviados por Israel chegou ao aeroporto de Confins na noite de domingo. Na equipe israelense há médicos, engenheiros, bombeiros especialistas em busca e resgate e integrantes da unidade de missões submarinas da marinha local.

Além de detectar sinal de celulares soterrados, os equipamentos trazidos por eles usam sonares capazes de identificar um corpo humano na lama, por exemplo.

“São atuações coordenadas”, descreveu Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

“A questão da leitura pelos radares, pela questão dos celulares, ela funciona em paralelo com as ações que estão sendo executadas em buscas. É interessante abordar que, neste momento, a gente faz uso de uma série de recursos tecnológicos: sobrevoo por drones, câmeras termais, referenciamento geográfico, outros equipamentos que a gente consegue rastrear com uso de tecnologia, [como] últimas localizações disponíveis. Então, é mais um recurso tecnológico que soma aos esforços que já estão presentes.”

A região atingida pela lama foi dividida em setores: os israelenses atuam com os militares brasileiros na área onde ficavam os prédios administrativos e o refeitório da lama. A área depois da linha férrea, que foi levada pelos rejeitos, fica só com as equipes brasileiras.

Não existe previsão de quanto tempo os militares de Israel vão ficar no Brasil.

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DO JORNAL ESTADO DE S. PAULO

 

A advogada, professora universitária e deputada estadual do PSL Janaína Conceição Paschoal, eleita com mais de dois milhões de votos, disse ao Estado, em entrevista na última segunda, 21, que o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, “tem todo o direito à defesa, a entrar com todas as medidas, mas me parece complicado ver uma reação parecida com a que foi a do Aécio (Neves), e com a que é a do Lula até hoje”.

Disse, ainda, que “foi um erro” o senador ter concordado com o pedido ao Supremo Tribunal Federal para que suspendesse a investigação, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, concedido em liminar do ministro Luiz Fux. “Foi um erro, porque ainda que não tenha nada errado, isso gerou uma situação, um sentimento, ‘poxa, por que ele não explica logo?’. E é um sentimento legítimo”, explicou. “O sigilo sobre a investigação não pode haver”, disse a deputada. “Vamos imaginar que haja alguma coisa errada com o senador. Se isso tivesse aparecido antes da eleição, ele provavelmente não teria sido eleito”.

A deputada também falou sobre o momentoso caso do filho do general da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente da República, promovido com o triplo do salário no Banco do Brasil, que já havia criticado de passagem em sua conta do Twitter. “Fiquei chocada”, disse na entrevista. “Não pela promoção em si, porque não é ilícito, mas porque é incompatível com o que a gente quer. Mostra mais permeabilidade do que deveria haver. Não deveria nem passar pela cabeça do general”.

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A parlamentar mais votada para o legislativo estadual contou ao Estado que viu “muita vaidade, muita disputa de poder” no processo de montagem do novo governo. “Assustador”, definiu. Sobre os deputados do PSL e de outros partidos da base do governo que foram recentemente à China, a deputada disse, sem especificar nomes, que “esse pessoal está com palhaçada”.

Janaína Conceição Paschoal tem 44 anos e também é professora do curso de Direito da Universidade de São Paulo, no momento licenciada. Acabou de passar uma temporada curta nos Estados Unidos, com a família, mas é avessa a informações sobre a vida pessoal. Entrou para a história, como se sabe, por ter sido um dos advogados que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os outros dois foram Miguel Reale e Hélio Bicudo, este recentemente falecido. Bicudo foi um dos consultados quando a política partidária bateu à porta da advogada. “Não entre nesse mundo, não é para você”, disse a ela, segundo contou na sala de reuniões do escritório que divide com duas irmãs igualmente advogadas, na rua Pamplona, a algumas quadras da avenida Paulista.

“Eu ainda tenho dúvida se o mundo político partidário é para mim”, afirmou. Está a três semanas da posse na Assembleia Legislativa (94 deputados), e é uma das anunciadas candidatas à presidência. “Será muito difícil ganhar”, disse, apontando que irá disputar. Contou, mesmo assim, que no passado final de semana, o pai, de 65 anos, incomodado com as primeiras semanas do novo governo, perguntou a ela se não iria sair de PSL. A deputada foi consultar a legislação, o que continua fazendo.

Como é que a senhora está vendo o cenário político do momento?

Você sonhar um país, e ver esses acontecimentos todos. Sabe o que é jogarem um balde de água gelada em cima de você?

De que acontecimentos a sra. está falando?

Tudo. Investigação, denúncia, que pode ser, pode não ser, colegas viajando pra China, xingando eleitor pela internet. Eu acho isso tudo tão surreal, que me pergunto: será que eu ajudo mais dentro, ou se eu fico fora? Essa dúvida eu confesso que eu tenho.

Qual é problema com os que foram à China, ou parte deles?

É diferente ser um ativista e ser um parlamentar.

Para quem é o recado?

Para todos. Eu estou muito preocupada, porque estou observando muitas pessoas eleitas que não estão conseguindo fazer a transição entre o ativismo e o cargo, qualquer que seja ele. Quando você passa a ser um parlamentar, tem que estudar, tem que entender que uma fala sua pode ter uma repercussão, pode gerar uma situação.

A sra. já criticou, na rede social, um deputado que gravou vídeos agressivos…

Um deputado xingou as pessoas pela internet, porque foi criticado na viagem pra China. Você não pode esperar isso de um parlamentar. Isso não pode ocorrer.

O que é que não pode ocorrer?

Tenho a impressão de que ainda não perceberam a seriedade do que é exercer um cargo, a seriedade do momento que a gente está atravessando, a expectativa que o País colocou em cima dessas pessoas. Não foi uma eleição como outra qualquer. Foi uma eleição que veio depois de um sofrimento. E esse pessoal está com palhaçada. É muito grave. Eu não tenho como dizer que não estou preocupada.

Quem é esse pessoal que está com palhaçada?

Esse momento político é muito determinante para o País. Se esse pessoal que entrou, todos nós, não mostrar diferença, não mostrar o comprometimento com as coisas positivas, com o futuro do País, o resultado catastrófico que isso pode ter é muito grande.

A senhora tem feito a críticas a episódios como os da promoção do filho do general da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente, no Banco do Brasil, triplicando o salário, e as complicações do senador Flávio Bolsonaro.

Eu acho que a gente não pode fazer acusações precipitadas contra ninguém. Tem que dar a chance para a pessoa se manifestar, e tudo o mais. Agora, eu não acho que a gente possa minorar as situações.

No caso do senador Flávio, o que é que a senhora está achando?

Ele já explicou a situação dos tais depósitos. É factível? É factível. Não é ilícito. É diferente. Tanto é que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou uma movimentação atípica, não necessariamente ilícita. Por que dividiu (os depósitos)? Pra não chamar a atenção? Na medida em que ele vem e explica que foi uma negociação – acredito que demonstrará isso para o Ministério Público – eu estou imaginando, porque não vi, que isso tenha sido uma coisa isolada, naquele mês. Não obstante não seja uma coisa tão típica, em termos de transferência.

A senhora criticou o ministro Luiz Fux, do Supremo, por ter dado a liminar em que o senador pedia a suspensão da investigação.

A decisão do ministro está errada, juridicamente errada.

Por quê?

Porque eles, Supremo, acabaram de decidir que se não fosse fato ocorrido no curso do mandato, e inerente ao mandato, não ficaria com foro privilegiado. Para mim é absolutamente límpido que não é caso para análise do Supremo. Se não é, o ministro não poderia ter dado essa liminar. Se o advogado orientou corretamente, ou não, é outra história.

Advogado à parte, o que a sra. achou do próprio senador concordar e defender o pedido?

Foi um erro. Porque ainda que não tenha nada errado, isso gerou uma situação, um sentimento, “poxa, mas por que não explica logo?”. E é um sentimento legítimo.

O que é que está lhe incomodando especificamente no caso do senador Flávio Bolsonaro? Onde é que ele não está fazendo diferente do que deveria fazer, na sua avaliação?

Ele tem todo o direito à defesa, a entrar com todas as medidas, mas me parece complicado ver uma reação parecida com a que a foi a do Aécio (Neves), com a que é a do Lula até hoje. Com isso eu não estou dizendo que as autoridades sempre tenham razão. Mas eu não endeuso ninguém. “É só porque eu sou filho do presidente.” Não é só, pô. Teve lá um apontamento. Talvez a divulgação seja até excessiva, vamos dizer assim, mas houve um apontamento.

O que é que a senhora quer saber, então?

Se tem fundamento ou não tem fundamento. Por isso é que eu decidi me manifestar. Tem que investigar. O sigilo sobre a investigação não pode haver. Vamos imaginar que haja alguma coisa errada com o senador. Se isso tivesse aparecido antes da eleição, ele provavelmente não teria sido eleito.

A sra. disse que também devem ser investigados deputados de outros partidos.

Tem também o deputado do PT, que vai ser presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). E a gente não sabe o que tem lá. É um direito da população ter acesso a isso. A minha abordagem é: vamos pegar todo mundo. Se pegar todo mundo, vamos fechar e começar de novo.

A diferença, no caso do senador Flávio Bolsonaro, é que ele é filho do presidente.

Não estou antecipando culpa de ninguém. Mas eu não gosto deste tom: “É um absurdo”, “Não vou falar”, “Só vou falar pra autoridade”. Isso relembra o passado. Para mim foi uma coisa muito triste. Quando eu era pequena tinha a história de um vereador que pedia dinheiro pros funcionários. Na minha cabeça isso era um negócio do passado. Essa fala do vice-presidente, essa semana, “temos que ver até onde é corrupção, e até onde é Rachid, rachadinha”. A rachadinha é crime! Será que ele falou isso mesmo?

A senhora também se manifestou no episódio em que o filho do vice-presidente, general Hamilton Mourão, foi beneficiado com uma promoção no Banco do Brasil, que triplicou o salário.

Fiquei chocada. Não pela promoção em si, porque não é ilícito, mas porque é incompatível com o que a gente quer. Mostra mais permeabilidade do que deveria haver. Não deveria nem passar pela cabeça do general.

Mas promovido ele está, que se saiba, e ficou por isso mesmo.

Entraram com uma ação na justiça. Como não é nepotismo, juridicamente falando, O que é que a gente faz? Não tem muito o que fazer, além de protestar.

E qual é a sua preocupação?

O meu temor é que se começar a ter episódios de muita permissividade, sejam episódios que se caracterizem como algo ilícito, ou episódios que tragam uma decepção, a gente vai perder força. Não só para fazer o que é necessário, em termos de melhoras para o País, mas também para eventualmente combater pessoas e práticas que precisam ser combatidas.

Explique melhor.

Na minha cabeça a gente estava entrando com um grupo que podia ter as brigas idológicas, as divergências, mas um grupo que num determinado núcleo duro estava alinhado. E aí vem esses sinais. E, sem fazer juízo de antecipação de culpa, esses sinais me preocupam.

No caso do filho do general Mourão não caberia ao presidente Jair Bolsonaro uma manifestação pública a respeito?

Eu não sei como é que funcionou isso na cabeça dele. Eu acho que ele parou, refletiu, e decidiu não dar uma de capitão, como a gente diz, e dizer “Olha, o menino não vai ficar no cargo”. Ele preferiu não falar nada.

O presidente deveria ter se manifestado publicamente – contra ou a favor do general?

Eu não qual seria o impacto, publicamente, de ele passar um sabão no vice. Talvez tivesse sido melhor chamar o vice e pedir para voltar à situação anterior. Mas tinha que chamar, e dizer: “Olha, tem que mudar isso aí, não tem jeito”. Teria sido melhor se o presidente tivesse se posicionado nessa situação.

No dia 1.º de janeiro, dia da posse, a senhora escreveu em seu Twitter desejando um bom governo e vida longa ao presidente. E também: “desejo muita lealdade por parte dos membros da sua equipe”. Por que esse preocupação com a lealdade da equipe num momento em que o governo mal estava começando?

Muita vaidade, muita disputa de poder. Eu vivi um pouco aquilo ali (durante a montagem do governo). É assustador. Se ele não tiver esse grupo leal, não a ele, mas aos princípios que fizeram toda essa mudança, leal ao trabalho de equipe, nós estamos perdidos. Isso me preocupa muito. Muito.

Por quê?

Nas conversas com a equipe, as pessoas me trataram muito bem. O que era presidente do partido e agora é ministro (Gustavo Bebianno, secretário-geral da Presidência), com o qual eu tive um excelente trato, ele e o deputado Julian (Lemos, do PSL-PB) me perguntavam muito assim: “Você é fiel ao Jair Bolsonaro? Ele é o seu líder?” Eu disse pra eles: “Vocês querem que eu minta?” Por que uma pergunta dessas para uma pessoa que acabou de conhecer a outra?

O que a senhora respondeu?

Que eu sou fiel ao meu país, acho que ele gosta do meu país, vejo nele hoje a pessoa que tem condição de fazer frente ao PT. Então eu sou fiel a essa ideia, a este plano, e estou disposta a trabalhar com ele para isso. Mas eu quero que fique claro que eu sou fiel ao País.

E como eles reagiram à sua resposta?

Disseram que achavam que eu era uma pessoa muito boa. A maneira que eles tinham de me dizer que eu não servia muito era me elogiando, e eu não sentia que era sincero. “Você é uma pessoa muito boa, muito idealista…”

Qual tem sido a reação às críticas que a sra. já tem feito?

O que eu recebo de alguns eleitores é: “Você não está apoiando suficientemente o governo, você nunca elogia”. Mentira. Eu elogiei várias coisas. Talvez eu seja uma pessoa insuportável. Mas a nossa ajuda é para fazer a pessoa ficar melhor. Eu vejo que esse é o meu papel. É assim que eu colaboro com o meu país. Mas o brasileiro – não só o povo do Bolsonaro, mas o povo do PT – tem na cabeça que ou você fecha com tudo, ou você é inimigo. Isso é atrasado.

A sra. já pressente que pode virar um problema para o governo, no curto, médio prazo?

Esse fim de semana meu pai me chamou e me perguntou: “Filha, você vai se desfiliar?” Eu pensei: “Será que é uma pergunta, ou uma ordem?” Eu falei: “Por que pai?” Ele disse: “Por causa dessas coisas todas”. Eu respondi, depois de conferir a legislação: “Pai, a questão é a seguinte: se eu me desfilio eu perco o mandato”.

A sra. não pode sair e ficar sem mandato?

Não mais. A jurisprudência mudou. Mas eu ainda estou pesquisando.

Isso pouco antes de tomar posse, porque não está gostando do filme.

Mas quem é que está gostando? Eu imaginava ter embates de ideias. Então, por exemplo, se o presidente saísse com uma ideia, qualquer coisa contra os casais homossexuais, eu já estava preparada pra combater. Se o presidente tivesse uma ideia de colocar mais ministros no Supremo, e eu falei pra ele que não podia, eu já estava preparada. Mas eu não imaginava esse tipo de problema no núcleo duro.

Que tipo de problema?

Possíveis ilicitudes. Não estava no meu radar. Eu estou rezando para que esses documentos (do caso Flávio) venham, para que eles mostrem que está tudo correto. Tem gente que diz que é uma guerra, que não pode criticar, que não pode nos enfraquecer. Mas isso é PT. Já mostrei que não vou deixar de fazer críticas por uma fidelidade pessoal ao presidente. Esse governo foi eleito por causa de um núcleo duro de valores, e não de um núcleo duro e pessoas. A população votou em valores.

 

“Inolvidable”, Tito Rodriguez: lapidada joia do bolero pela música cubana de outros tempos, para amenizar a segunda-feira de leitores e ouvintes do Bahia em Pauta, na última semana deste trágico janeiro de 2o19.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

Por G1 Minas — Belo Horizonte

Repórteres mostram dificuldades do resgate na área coberta por lama

Autoridades confirmaram neste domingo (27) a morte de 58 pessoas no rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. O balanço divulgado no começo da noite apontava ainda 305 desaparecidos, entre moradores e funcionários da Vale.

terceiro dia de buscas, bombeiros e Defesa Civil informaram que continuariam o trabalho mesmo depois de 20h, já que um segundo ônibus soterrado foi localizado perto da área administrativa da Vale.

O tenente coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil de Minas Gerais, disse em entrevista coletiva que o número de mortos deve aumentar, já que há corpos dentro do ônibus, mas a quantidade ainda não tinha sido confirmada.

Também na noite deste domingo, o Governo de Minas suspendeu o recebimento de donativos, informando que o material já é suficiente para o socorro das pessoas afetadas.

Buscas suspensas

À tarde, as buscas foram retomadas após terem sido temporariamente interrompidas pelo risco de rompimento de uma outra barragem na região. A interrupção ocorreu depois que uma sirene de segurança foi acionada por volta das 5h30.

De acordo com a Vale, foi verificado um aumento dos níveis de água nos instrumentos que monitoram a barragem 6. Como medida preventiva, os moradores da região chegaram a ser deslocados para os pontos de encontro determinados previamente no Plano de Emergência. Cerca de 3 mil pessoas foram orientadas a deixar suas casas.

Por volta das 15h, a Defesa Civil informou que o risco de novo rompimento diminuiu. Moradores que tinham sido desalojados foram autorizados a retornarem para suas residências.

 
Sirenes anunciam novo risco de rompimento de barragem em Brumadinho

Sirenes anunciam novo risco de rompimento de barragem em Brumadinho

Um morador da parte baixa de Brumadinho disse em entrevista ao vivo à GloboNews que se assustou com o alarme e que, inicialmente, não sabia do que se tratava exatamente. Segundo ele, os vizinhos começaram a ligar uns para os outros para entender o que estava acontecendo e foram para a parte alta da cidade só depois que a Polícia Militar confirmou que todos deveriam deixar suas casas.

“Larguei a casa, peguei só uns suprimentos e documentos e fui embora. Não teve nenhum treinamento para saber se podíamos pegar mais coisas”, disse. Veja relatos de moradores.

 

Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP

Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP

Dinheiro bloqueado

A Justiça já bloqueou R$ 11 bilhões da Vale. Os bloqueios têm objetivo de garantir recursos para reparar os danos causados, indenizar as pessoas atingidas pela tragédia e custear despesas ambientais.

Veja as decisões de bloqueios de recursos da Vale:

Além disso, a companhia recebeu duas multas. Uma, de R$ 250 milhões, aplicada pelo Ibama, e outra, de R$ 99 milhões, aplicada pelo governo do estado.

 

O que se sabe até agora:

 

Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1 Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1

Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1

  • Há ao menos 58 mortos, segundo os bombeiros; entre eles, 19 foram identificados (veja lista).
  • 192 sobreviventes foram resgatados.
  • De acordo com a Defesa Civil, 305 pessoas estão desaparecidas – entre moradores locais e funcionários da Vale. No sábado, a Vale divulgou uma lista com nomes de pessoas que não foram encontradas (veja);
  • Familiares de desaparecidos buscaram informações no IML de BH. Uma força-tarefa foi formada, mas a identificação dos corpos é difícil;
  • Dezesseis corpos foram identificados – veja aqui a lista;
  • Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas (veja);
  • A Vale já teve três bloqueios de recursos, de R$ 1 bilhão, R$ 5 bilhões e R$ 5 bilhões (veja) e recebeu multas no total de R$ 350 milhões;
  • As Polícias Federal e Civil abriram inquéritos sobre o rompimento (veja);
  • O presidente Jair Bolsonaro, ministros, o governador Romeu Zema e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge sobrevoaram a área e prometeram ações de investigação, punição e prevenção;
  • A ONU emitiu nota de pesar e ofereceu ajuda nos esforços de busca.

Empresa foi multada em 250 milhões de reais por Ibama e teve 11 bilhões de reais bloqueados

 Bombeiros fazem busca entre os escombros deixados pela lama em Brumadinho. A.LACERDA (EFE) / VÍDEO: REUTERS-QUALITY
Brumadinho / São Paulo

 

Foi difícil para Minas Gerais superar a dor das 19 mortes em Mariana, região metropolitana de Belo Horizonte, quando a barragem se rompeu e a lama de dejetos devastou o local, comprometendo o ecossistema da região até os dias de hoje. Passados três anos, o sentimento de traição volta à baila no Brasil, em especial entre os mineiros. A Vale, mineradora fundada nos anos 1940 e que faturou quase 34 bilhões de dólares em 2017, foi capaz de permitir que uma tragédia ainda maior que a de novembro de 2015 acontecesse em Brumadinho, com o rompimento da barragem da Mina do Feijão. Já são 37 mortes confirmadas. O número certamente irá subir, com a notícia de que a lama de rejeitos da mineradora alcançou um raio considerável. “Certamente há um culpado [pela tragédia de Brumadinho], ou mais de um culpado e o Ministério Público precisa trabalhar de forma adequada, sem espetacularização, na busca dos responsáveis pela tragédia”, disse a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que esteve em Brumadinho neste sábado.

Mais direto, o ministro da Advocacia Geral da União, André Mendonça, colocou no colo da Vale o peso da tragédia. “ Há uma responsabilidade pelo que aconteceu. A responsável por isso, pelo risco do próprio negócio, é a Vale do Rio Doce”, disse Mendonça. O prefeito de Brumadinho, Avimar Barcellos, foi na mesma linha. Para ele, a responsabilidade pelo colapso em sua cidade é da Vale, assim como do Estado, responsável pelo licenciamento das barragens. “A Vale nunca fez nada para nós. Nem a Vale e nem o Estado”, comentou o prefeito, para quem é esperado que a mineradora seja cobrada à altura.

Mendonça, da AGU, disse esperar o levantamento dos órgãos técnicos que vão verificar a extensão dos danos para saber como serão adotadas as medidas de responsabilidade “civil, administrativa e até mesmo criminal”, completou o ministro. Por ora, a Justiça estadual acolheu o pedido do governo de Minas Gerais e do Ministério Público do Estado de bloquear 11 bilhões de reais da mineradora.

Mas para além do papel da mineradora, surgem dúvidas, ainda, sobre o papel dos órgãos ambientais  que concederam licenciamento para que a barragem da mina do Feijão funcionasse normalmente com vistas a participar de um plano de expansão do complexo de Paraupeba, que inclui outras barragens além da do Córrego do Feijão. Em dezembro de 2018, a companhia logrou aprovar o projeto na Câmara de Atividades Minerárias do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) por 8 votos a 1, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo. Houve, ainda, uma flexibilização da licença, que deveria ser grau 6 – cuja concessão de licença acontece em três etapas – para grau 4, que exige uma só etapa. “A responsabilidade [pela tragédia em Brumadinho] é compartilhada”, opina Maria Teresa Corujo, única a votar contra a ampliação do complexo, em entrevista a agência Pública. Representante do Comitê de Bacias Hidrográficas, Corujo diz que cabe ao Estado licenciar e fiscalizar empresas.

“Nós estamos em uma situação catastrófica porque temos um estado (Minas Gerais), qualquer que seja o governo, que dá pareceres a favor de conceder licenças para projetos minerários com barragens, mas diz que não tem responsabilidade sobre o que o empreendedor apresenta nos estudos, sobre a tecnologia, e sobre as barragens”, diz ela. Outras instâncias, como o Departamento nacional de Produção Mineral, deveriam fazer o papel de fiscalizar as barragens, mas não tem funcionários suficientes, segundo Corujo. “E nós temos barragens sendo licenciadas e ampliações a rodo. Ninguém querendo pagar o papel do que aconteceu”, completa.

O Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que todos os alvarás e licenças relativas a Brumadinho estavam em ordem. Depois desta tragédia, porém, admitiu que procedimentos precisarão ser revistos. O general Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, seguiu a mesma linha. “É urgente que as barragens no Brasil inteiro que ofereçam maior risco sejam submetidas a uma nova vistoria”. Ele não deu prazo para isso. Heleno também falou em “mudar” o protocolo do licenciamento de barragens: “Algo está falhando”.

Segundo a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF, há mais de três anos especialistas alertavam para o grave risco existente em inúmeras barragens do país, tanto em virtude da falta de gestão adequada quanto também de fiscalização eficiente.

Enquanto se estabelece um campo de batalha para apontar culpados, familiares encararam a dor infindável de buscar seus entes desaparecidos ao longo do sábado. Além de funcionários diretos e terceirizados que se encontravam no local na hora que a barragem rompeu, pessoas que viviam no entorno também foram atingidas. Muitos familiares reclamavam do descaso da Vale e do desencontro de informações no local. “O mais angustiante é não ter notícia do meu marido seja ela qual for”, lamentava Lucilene Ferreira na Estação Conhecimento, um espaço da Vale, usado para receber familiares e amigos de pessoas que estão desaparecidas. Ferreira encontrou o nome do companheiro Emerson José Augusto da Silva, que trabalhava como terceirizado da mineradora, em uma lista de pessoas que a empresa não conseguiu fazer contato. Ela reclamava, no entanto, por mais informações: “O que significa isso? Ele ainda pode ser encontrado?”

O sentimento dela era compartilhado por dezenas de pessoas que também acudiram ao local em busca de novidades, mas saíam sem respostas concretas e muitas em prantos. Algumas não achavam o nome do parente em parte alguma. Mariana Dias da Conceição, 28 anos, veio de Barbacena, a 180 km de distância, atrás de informações do irmão, que trabalhava na mina como auxiliar de segurança no momento do rompimento da barragem. Para o seu desespero, no início da tarde, ela continuava esperando por uma mínima novidade. Conceição chegou a ser atendida por uma psicóloga voluntária que trabalhava na Estação Conhecimento.

Carine não conseguia notícias da irmã Camila Aparecida da Fonseca Silva, de 16 anos. A jovem trabalha na pousada Nova Instância, em Brumadinho, onde 35 pessoas são dadas como desaparecidas pelos bombeiros. O estabelecimento é um dos mais luxuosos da região e o preferido dos artistas que visitam o museu de Inhotim. “Como ela não era funcionária da Vale eles não estão preocupados. Tem chances de ter alguém lá. Se eles não querem ir lá que libere a família, a gente vai procurar até encontrar”, dizia Carine consternada. “Era o primeiro emprego dela, não tinha nem um mês, e acontece uma coisa dessas”, lamentava a irmã.

Ao longo do dia, era grande o número de voluntários que tentavam ajudar os parentes e amigos de vítimas, muitos em choque com a situação. Havia também guichês onde as famílias podiam conferir as listas de pessoas encontradas e desaparecidas e, também, fornecer dados. As buscas foram interrompidas no final do dia, e serão retomadas a partir das 4 da manhã deste domingo.

O acidente ganhou destaque no mundo todo, e atraiu a solidariedade do premiê israelense Benjamin Netanyahu, que telefonou para o presidente Jair Bolsonaro. “Ofereci ajuda de Israel para a assistência na busca de sobreviventes”, escreveu o premiê no Twitter. Segundo o presidente Bolsonaro, Israel vai emprestar tecnologia avançada para colaborar na busca de desaparecidos.

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Posted on 28-01-2019
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Pater, no jornal (ES)

 

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DO BLOG O ANTAGONISTA

Probabilidade de lama chegar ao São Francisco é reduzida

 

Gustavo Henrique Canuto, ministro do Desenvolvimento Regional, afirmou neste domingo que a probabilidade de a lama de Brumadinho alcançar o rio São Francisco é reduzida.

Técnicos do governo avaliam que a velocidade de deslizamento está em 1km/h.

Diz a Folha:

“A expectativa é que os rejeitos cheguem ao reservatório da usina hidrelétrica de Retiro Baixo entre os dias 2 e 7 de fevereiro.

A chegada à represa, segundo o ministro, deve amortecer o escoamento da lama.”

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