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DO JORNAL ESTADO DE S. PAULO

 

A advogada, professora universitária e deputada estadual do PSL Janaína Conceição Paschoal, eleita com mais de dois milhões de votos, disse ao Estado, em entrevista na última segunda, 21, que o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, “tem todo o direito à defesa, a entrar com todas as medidas, mas me parece complicado ver uma reação parecida com a que foi a do Aécio (Neves), e com a que é a do Lula até hoje”.

Disse, ainda, que “foi um erro” o senador ter concordado com o pedido ao Supremo Tribunal Federal para que suspendesse a investigação, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, concedido em liminar do ministro Luiz Fux. “Foi um erro, porque ainda que não tenha nada errado, isso gerou uma situação, um sentimento, ‘poxa, por que ele não explica logo?’. E é um sentimento legítimo”, explicou. “O sigilo sobre a investigação não pode haver”, disse a deputada. “Vamos imaginar que haja alguma coisa errada com o senador. Se isso tivesse aparecido antes da eleição, ele provavelmente não teria sido eleito”.

A deputada também falou sobre o momentoso caso do filho do general da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente da República, promovido com o triplo do salário no Banco do Brasil, que já havia criticado de passagem em sua conta do Twitter. “Fiquei chocada”, disse na entrevista. “Não pela promoção em si, porque não é ilícito, mas porque é incompatível com o que a gente quer. Mostra mais permeabilidade do que deveria haver. Não deveria nem passar pela cabeça do general”.

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A parlamentar mais votada para o legislativo estadual contou ao Estado que viu “muita vaidade, muita disputa de poder” no processo de montagem do novo governo. “Assustador”, definiu. Sobre os deputados do PSL e de outros partidos da base do governo que foram recentemente à China, a deputada disse, sem especificar nomes, que “esse pessoal está com palhaçada”.

Janaína Conceição Paschoal tem 44 anos e também é professora do curso de Direito da Universidade de São Paulo, no momento licenciada. Acabou de passar uma temporada curta nos Estados Unidos, com a família, mas é avessa a informações sobre a vida pessoal. Entrou para a história, como se sabe, por ter sido um dos advogados que pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os outros dois foram Miguel Reale e Hélio Bicudo, este recentemente falecido. Bicudo foi um dos consultados quando a política partidária bateu à porta da advogada. “Não entre nesse mundo, não é para você”, disse a ela, segundo contou na sala de reuniões do escritório que divide com duas irmãs igualmente advogadas, na rua Pamplona, a algumas quadras da avenida Paulista.

“Eu ainda tenho dúvida se o mundo político partidário é para mim”, afirmou. Está a três semanas da posse na Assembleia Legislativa (94 deputados), e é uma das anunciadas candidatas à presidência. “Será muito difícil ganhar”, disse, apontando que irá disputar. Contou, mesmo assim, que no passado final de semana, o pai, de 65 anos, incomodado com as primeiras semanas do novo governo, perguntou a ela se não iria sair de PSL. A deputada foi consultar a legislação, o que continua fazendo.

Como é que a senhora está vendo o cenário político do momento?

Você sonhar um país, e ver esses acontecimentos todos. Sabe o que é jogarem um balde de água gelada em cima de você?

De que acontecimentos a sra. está falando?

Tudo. Investigação, denúncia, que pode ser, pode não ser, colegas viajando pra China, xingando eleitor pela internet. Eu acho isso tudo tão surreal, que me pergunto: será que eu ajudo mais dentro, ou se eu fico fora? Essa dúvida eu confesso que eu tenho.

Qual é problema com os que foram à China, ou parte deles?

É diferente ser um ativista e ser um parlamentar.

Para quem é o recado?

Para todos. Eu estou muito preocupada, porque estou observando muitas pessoas eleitas que não estão conseguindo fazer a transição entre o ativismo e o cargo, qualquer que seja ele. Quando você passa a ser um parlamentar, tem que estudar, tem que entender que uma fala sua pode ter uma repercussão, pode gerar uma situação.

A sra. já criticou, na rede social, um deputado que gravou vídeos agressivos…

Um deputado xingou as pessoas pela internet, porque foi criticado na viagem pra China. Você não pode esperar isso de um parlamentar. Isso não pode ocorrer.

O que é que não pode ocorrer?

Tenho a impressão de que ainda não perceberam a seriedade do que é exercer um cargo, a seriedade do momento que a gente está atravessando, a expectativa que o País colocou em cima dessas pessoas. Não foi uma eleição como outra qualquer. Foi uma eleição que veio depois de um sofrimento. E esse pessoal está com palhaçada. É muito grave. Eu não tenho como dizer que não estou preocupada.

Quem é esse pessoal que está com palhaçada?

Esse momento político é muito determinante para o País. Se esse pessoal que entrou, todos nós, não mostrar diferença, não mostrar o comprometimento com as coisas positivas, com o futuro do País, o resultado catastrófico que isso pode ter é muito grande.

A senhora tem feito a críticas a episódios como os da promoção do filho do general da reserva Hamilton Mourão, vice-presidente, no Banco do Brasil, triplicando o salário, e as complicações do senador Flávio Bolsonaro.

Eu acho que a gente não pode fazer acusações precipitadas contra ninguém. Tem que dar a chance para a pessoa se manifestar, e tudo o mais. Agora, eu não acho que a gente possa minorar as situações.

No caso do senador Flávio, o que é que a senhora está achando?

Ele já explicou a situação dos tais depósitos. É factível? É factível. Não é ilícito. É diferente. Tanto é que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicou uma movimentação atípica, não necessariamente ilícita. Por que dividiu (os depósitos)? Pra não chamar a atenção? Na medida em que ele vem e explica que foi uma negociação – acredito que demonstrará isso para o Ministério Público – eu estou imaginando, porque não vi, que isso tenha sido uma coisa isolada, naquele mês. Não obstante não seja uma coisa tão típica, em termos de transferência.

A senhora criticou o ministro Luiz Fux, do Supremo, por ter dado a liminar em que o senador pedia a suspensão da investigação.

A decisão do ministro está errada, juridicamente errada.

Por quê?

Porque eles, Supremo, acabaram de decidir que se não fosse fato ocorrido no curso do mandato, e inerente ao mandato, não ficaria com foro privilegiado. Para mim é absolutamente límpido que não é caso para análise do Supremo. Se não é, o ministro não poderia ter dado essa liminar. Se o advogado orientou corretamente, ou não, é outra história.

Advogado à parte, o que a sra. achou do próprio senador concordar e defender o pedido?

Foi um erro. Porque ainda que não tenha nada errado, isso gerou uma situação, um sentimento, “poxa, mas por que não explica logo?”. E é um sentimento legítimo.

O que é que está lhe incomodando especificamente no caso do senador Flávio Bolsonaro? Onde é que ele não está fazendo diferente do que deveria fazer, na sua avaliação?

Ele tem todo o direito à defesa, a entrar com todas as medidas, mas me parece complicado ver uma reação parecida com a que a foi a do Aécio (Neves), com a que é a do Lula até hoje. Com isso eu não estou dizendo que as autoridades sempre tenham razão. Mas eu não endeuso ninguém. “É só porque eu sou filho do presidente.” Não é só, pô. Teve lá um apontamento. Talvez a divulgação seja até excessiva, vamos dizer assim, mas houve um apontamento.

O que é que a senhora quer saber, então?

Se tem fundamento ou não tem fundamento. Por isso é que eu decidi me manifestar. Tem que investigar. O sigilo sobre a investigação não pode haver. Vamos imaginar que haja alguma coisa errada com o senador. Se isso tivesse aparecido antes da eleição, ele provavelmente não teria sido eleito.

A sra. disse que também devem ser investigados deputados de outros partidos.

Tem também o deputado do PT, que vai ser presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). E a gente não sabe o que tem lá. É um direito da população ter acesso a isso. A minha abordagem é: vamos pegar todo mundo. Se pegar todo mundo, vamos fechar e começar de novo.

A diferença, no caso do senador Flávio Bolsonaro, é que ele é filho do presidente.

Não estou antecipando culpa de ninguém. Mas eu não gosto deste tom: “É um absurdo”, “Não vou falar”, “Só vou falar pra autoridade”. Isso relembra o passado. Para mim foi uma coisa muito triste. Quando eu era pequena tinha a história de um vereador que pedia dinheiro pros funcionários. Na minha cabeça isso era um negócio do passado. Essa fala do vice-presidente, essa semana, “temos que ver até onde é corrupção, e até onde é Rachid, rachadinha”. A rachadinha é crime! Será que ele falou isso mesmo?

A senhora também se manifestou no episódio em que o filho do vice-presidente, general Hamilton Mourão, foi beneficiado com uma promoção no Banco do Brasil, que triplicou o salário.

Fiquei chocada. Não pela promoção em si, porque não é ilícito, mas porque é incompatível com o que a gente quer. Mostra mais permeabilidade do que deveria haver. Não deveria nem passar pela cabeça do general.

Mas promovido ele está, que se saiba, e ficou por isso mesmo.

Entraram com uma ação na justiça. Como não é nepotismo, juridicamente falando, O que é que a gente faz? Não tem muito o que fazer, além de protestar.

E qual é a sua preocupação?

O meu temor é que se começar a ter episódios de muita permissividade, sejam episódios que se caracterizem como algo ilícito, ou episódios que tragam uma decepção, a gente vai perder força. Não só para fazer o que é necessário, em termos de melhoras para o País, mas também para eventualmente combater pessoas e práticas que precisam ser combatidas.

Explique melhor.

Na minha cabeça a gente estava entrando com um grupo que podia ter as brigas idológicas, as divergências, mas um grupo que num determinado núcleo duro estava alinhado. E aí vem esses sinais. E, sem fazer juízo de antecipação de culpa, esses sinais me preocupam.

No caso do filho do general Mourão não caberia ao presidente Jair Bolsonaro uma manifestação pública a respeito?

Eu não sei como é que funcionou isso na cabeça dele. Eu acho que ele parou, refletiu, e decidiu não dar uma de capitão, como a gente diz, e dizer “Olha, o menino não vai ficar no cargo”. Ele preferiu não falar nada.

O presidente deveria ter se manifestado publicamente – contra ou a favor do general?

Eu não qual seria o impacto, publicamente, de ele passar um sabão no vice. Talvez tivesse sido melhor chamar o vice e pedir para voltar à situação anterior. Mas tinha que chamar, e dizer: “Olha, tem que mudar isso aí, não tem jeito”. Teria sido melhor se o presidente tivesse se posicionado nessa situação.

No dia 1.º de janeiro, dia da posse, a senhora escreveu em seu Twitter desejando um bom governo e vida longa ao presidente. E também: “desejo muita lealdade por parte dos membros da sua equipe”. Por que esse preocupação com a lealdade da equipe num momento em que o governo mal estava começando?

Muita vaidade, muita disputa de poder. Eu vivi um pouco aquilo ali (durante a montagem do governo). É assustador. Se ele não tiver esse grupo leal, não a ele, mas aos princípios que fizeram toda essa mudança, leal ao trabalho de equipe, nós estamos perdidos. Isso me preocupa muito. Muito.

Por quê?

Nas conversas com a equipe, as pessoas me trataram muito bem. O que era presidente do partido e agora é ministro (Gustavo Bebianno, secretário-geral da Presidência), com o qual eu tive um excelente trato, ele e o deputado Julian (Lemos, do PSL-PB) me perguntavam muito assim: “Você é fiel ao Jair Bolsonaro? Ele é o seu líder?” Eu disse pra eles: “Vocês querem que eu minta?” Por que uma pergunta dessas para uma pessoa que acabou de conhecer a outra?

O que a senhora respondeu?

Que eu sou fiel ao meu país, acho que ele gosta do meu país, vejo nele hoje a pessoa que tem condição de fazer frente ao PT. Então eu sou fiel a essa ideia, a este plano, e estou disposta a trabalhar com ele para isso. Mas eu quero que fique claro que eu sou fiel ao País.

E como eles reagiram à sua resposta?

Disseram que achavam que eu era uma pessoa muito boa. A maneira que eles tinham de me dizer que eu não servia muito era me elogiando, e eu não sentia que era sincero. “Você é uma pessoa muito boa, muito idealista…”

Qual tem sido a reação às críticas que a sra. já tem feito?

O que eu recebo de alguns eleitores é: “Você não está apoiando suficientemente o governo, você nunca elogia”. Mentira. Eu elogiei várias coisas. Talvez eu seja uma pessoa insuportável. Mas a nossa ajuda é para fazer a pessoa ficar melhor. Eu vejo que esse é o meu papel. É assim que eu colaboro com o meu país. Mas o brasileiro – não só o povo do Bolsonaro, mas o povo do PT – tem na cabeça que ou você fecha com tudo, ou você é inimigo. Isso é atrasado.

A sra. já pressente que pode virar um problema para o governo, no curto, médio prazo?

Esse fim de semana meu pai me chamou e me perguntou: “Filha, você vai se desfiliar?” Eu pensei: “Será que é uma pergunta, ou uma ordem?” Eu falei: “Por que pai?” Ele disse: “Por causa dessas coisas todas”. Eu respondi, depois de conferir a legislação: “Pai, a questão é a seguinte: se eu me desfilio eu perco o mandato”.

A sra. não pode sair e ficar sem mandato?

Não mais. A jurisprudência mudou. Mas eu ainda estou pesquisando.

Isso pouco antes de tomar posse, porque não está gostando do filme.

Mas quem é que está gostando? Eu imaginava ter embates de ideias. Então, por exemplo, se o presidente saísse com uma ideia, qualquer coisa contra os casais homossexuais, eu já estava preparada pra combater. Se o presidente tivesse uma ideia de colocar mais ministros no Supremo, e eu falei pra ele que não podia, eu já estava preparada. Mas eu não imaginava esse tipo de problema no núcleo duro.

Que tipo de problema?

Possíveis ilicitudes. Não estava no meu radar. Eu estou rezando para que esses documentos (do caso Flávio) venham, para que eles mostrem que está tudo correto. Tem gente que diz que é uma guerra, que não pode criticar, que não pode nos enfraquecer. Mas isso é PT. Já mostrei que não vou deixar de fazer críticas por uma fidelidade pessoal ao presidente. Esse governo foi eleito por causa de um núcleo duro de valores, e não de um núcleo duro e pessoas. A população votou em valores.

 

“Inolvidable”, Tito Rodriguez: lapidada joia do bolero pela música cubana de outros tempos, para amenizar a segunda-feira de leitores e ouvintes do Bahia em Pauta, na última semana deste trágico janeiro de 2o19.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares) 

Por G1 Minas — Belo Horizonte

Repórteres mostram dificuldades do resgate na área coberta por lama

Autoridades confirmaram neste domingo (27) a morte de 58 pessoas no rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. O balanço divulgado no começo da noite apontava ainda 305 desaparecidos, entre moradores e funcionários da Vale.

terceiro dia de buscas, bombeiros e Defesa Civil informaram que continuariam o trabalho mesmo depois de 20h, já que um segundo ônibus soterrado foi localizado perto da área administrativa da Vale.

O tenente coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil de Minas Gerais, disse em entrevista coletiva que o número de mortos deve aumentar, já que há corpos dentro do ônibus, mas a quantidade ainda não tinha sido confirmada.

Também na noite deste domingo, o Governo de Minas suspendeu o recebimento de donativos, informando que o material já é suficiente para o socorro das pessoas afetadas.

Buscas suspensas

À tarde, as buscas foram retomadas após terem sido temporariamente interrompidas pelo risco de rompimento de uma outra barragem na região. A interrupção ocorreu depois que uma sirene de segurança foi acionada por volta das 5h30.

De acordo com a Vale, foi verificado um aumento dos níveis de água nos instrumentos que monitoram a barragem 6. Como medida preventiva, os moradores da região chegaram a ser deslocados para os pontos de encontro determinados previamente no Plano de Emergência. Cerca de 3 mil pessoas foram orientadas a deixar suas casas.

Por volta das 15h, a Defesa Civil informou que o risco de novo rompimento diminuiu. Moradores que tinham sido desalojados foram autorizados a retornarem para suas residências.

 
Sirenes anunciam novo risco de rompimento de barragem em Brumadinho

Sirenes anunciam novo risco de rompimento de barragem em Brumadinho

Um morador da parte baixa de Brumadinho disse em entrevista ao vivo à GloboNews que se assustou com o alarme e que, inicialmente, não sabia do que se tratava exatamente. Segundo ele, os vizinhos começaram a ligar uns para os outros para entender o que estava acontecendo e foram para a parte alta da cidade só depois que a Polícia Militar confirmou que todos deveriam deixar suas casas.

“Larguei a casa, peguei só uns suprimentos e documentos e fui embora. Não teve nenhum treinamento para saber se podíamos pegar mais coisas”, disse. Veja relatos de moradores.

 

Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP

Casal com familiares desaparecidos observa a área inundada após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. — Foto: André Penner/AP

Dinheiro bloqueado

A Justiça já bloqueou R$ 11 bilhões da Vale. Os bloqueios têm objetivo de garantir recursos para reparar os danos causados, indenizar as pessoas atingidas pela tragédia e custear despesas ambientais.

Veja as decisões de bloqueios de recursos da Vale:

Além disso, a companhia recebeu duas multas. Uma, de R$ 250 milhões, aplicada pelo Ibama, e outra, de R$ 99 milhões, aplicada pelo governo do estado.

 

O que se sabe até agora:

 

Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1 Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1

Caminho da lama: veja por onde passaram os rejeitos da barragem rompida em Brumadinho (MG) — Foto: Betta Jaworski/G1

  • Há ao menos 58 mortos, segundo os bombeiros; entre eles, 19 foram identificados (veja lista).
  • 192 sobreviventes foram resgatados.
  • De acordo com a Defesa Civil, 305 pessoas estão desaparecidas – entre moradores locais e funcionários da Vale. No sábado, a Vale divulgou uma lista com nomes de pessoas que não foram encontradas (veja);
  • Familiares de desaparecidos buscaram informações no IML de BH. Uma força-tarefa foi formada, mas a identificação dos corpos é difícil;
  • Dezesseis corpos foram identificados – veja aqui a lista;
  • Bombeiros divulgaram lista de 183 nomes de pessoas que foram achadas vivas (veja);
  • A Vale já teve três bloqueios de recursos, de R$ 1 bilhão, R$ 5 bilhões e R$ 5 bilhões (veja) e recebeu multas no total de R$ 350 milhões;
  • As Polícias Federal e Civil abriram inquéritos sobre o rompimento (veja);
  • O presidente Jair Bolsonaro, ministros, o governador Romeu Zema e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge sobrevoaram a área e prometeram ações de investigação, punição e prevenção;
  • A ONU emitiu nota de pesar e ofereceu ajuda nos esforços de busca.

Empresa foi multada em 250 milhões de reais por Ibama e teve 11 bilhões de reais bloqueados

 Bombeiros fazem busca entre os escombros deixados pela lama em Brumadinho. A.LACERDA (EFE) / VÍDEO: REUTERS-QUALITY
Brumadinho / São Paulo

 

Foi difícil para Minas Gerais superar a dor das 19 mortes em Mariana, região metropolitana de Belo Horizonte, quando a barragem se rompeu e a lama de dejetos devastou o local, comprometendo o ecossistema da região até os dias de hoje. Passados três anos, o sentimento de traição volta à baila no Brasil, em especial entre os mineiros. A Vale, mineradora fundada nos anos 1940 e que faturou quase 34 bilhões de dólares em 2017, foi capaz de permitir que uma tragédia ainda maior que a de novembro de 2015 acontecesse em Brumadinho, com o rompimento da barragem da Mina do Feijão. Já são 37 mortes confirmadas. O número certamente irá subir, com a notícia de que a lama de rejeitos da mineradora alcançou um raio considerável. “Certamente há um culpado [pela tragédia de Brumadinho], ou mais de um culpado e o Ministério Público precisa trabalhar de forma adequada, sem espetacularização, na busca dos responsáveis pela tragédia”, disse a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que esteve em Brumadinho neste sábado.

Mais direto, o ministro da Advocacia Geral da União, André Mendonça, colocou no colo da Vale o peso da tragédia. “ Há uma responsabilidade pelo que aconteceu. A responsável por isso, pelo risco do próprio negócio, é a Vale do Rio Doce”, disse Mendonça. O prefeito de Brumadinho, Avimar Barcellos, foi na mesma linha. Para ele, a responsabilidade pelo colapso em sua cidade é da Vale, assim como do Estado, responsável pelo licenciamento das barragens. “A Vale nunca fez nada para nós. Nem a Vale e nem o Estado”, comentou o prefeito, para quem é esperado que a mineradora seja cobrada à altura.

Mendonça, da AGU, disse esperar o levantamento dos órgãos técnicos que vão verificar a extensão dos danos para saber como serão adotadas as medidas de responsabilidade “civil, administrativa e até mesmo criminal”, completou o ministro. Por ora, a Justiça estadual acolheu o pedido do governo de Minas Gerais e do Ministério Público do Estado de bloquear 11 bilhões de reais da mineradora.

Mas para além do papel da mineradora, surgem dúvidas, ainda, sobre o papel dos órgãos ambientais  que concederam licenciamento para que a barragem da mina do Feijão funcionasse normalmente com vistas a participar de um plano de expansão do complexo de Paraupeba, que inclui outras barragens além da do Córrego do Feijão. Em dezembro de 2018, a companhia logrou aprovar o projeto na Câmara de Atividades Minerárias do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) por 8 votos a 1, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo. Houve, ainda, uma flexibilização da licença, que deveria ser grau 6 – cuja concessão de licença acontece em três etapas – para grau 4, que exige uma só etapa. “A responsabilidade [pela tragédia em Brumadinho] é compartilhada”, opina Maria Teresa Corujo, única a votar contra a ampliação do complexo, em entrevista a agência Pública. Representante do Comitê de Bacias Hidrográficas, Corujo diz que cabe ao Estado licenciar e fiscalizar empresas.

“Nós estamos em uma situação catastrófica porque temos um estado (Minas Gerais), qualquer que seja o governo, que dá pareceres a favor de conceder licenças para projetos minerários com barragens, mas diz que não tem responsabilidade sobre o que o empreendedor apresenta nos estudos, sobre a tecnologia, e sobre as barragens”, diz ela. Outras instâncias, como o Departamento nacional de Produção Mineral, deveriam fazer o papel de fiscalizar as barragens, mas não tem funcionários suficientes, segundo Corujo. “E nós temos barragens sendo licenciadas e ampliações a rodo. Ninguém querendo pagar o papel do que aconteceu”, completa.

O Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse que todos os alvarás e licenças relativas a Brumadinho estavam em ordem. Depois desta tragédia, porém, admitiu que procedimentos precisarão ser revistos. O general Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, seguiu a mesma linha. “É urgente que as barragens no Brasil inteiro que ofereçam maior risco sejam submetidas a uma nova vistoria”. Ele não deu prazo para isso. Heleno também falou em “mudar” o protocolo do licenciamento de barragens: “Algo está falhando”.

Segundo a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF, há mais de três anos especialistas alertavam para o grave risco existente em inúmeras barragens do país, tanto em virtude da falta de gestão adequada quanto também de fiscalização eficiente.

Enquanto se estabelece um campo de batalha para apontar culpados, familiares encararam a dor infindável de buscar seus entes desaparecidos ao longo do sábado. Além de funcionários diretos e terceirizados que se encontravam no local na hora que a barragem rompeu, pessoas que viviam no entorno também foram atingidas. Muitos familiares reclamavam do descaso da Vale e do desencontro de informações no local. “O mais angustiante é não ter notícia do meu marido seja ela qual for”, lamentava Lucilene Ferreira na Estação Conhecimento, um espaço da Vale, usado para receber familiares e amigos de pessoas que estão desaparecidas. Ferreira encontrou o nome do companheiro Emerson José Augusto da Silva, que trabalhava como terceirizado da mineradora, em uma lista de pessoas que a empresa não conseguiu fazer contato. Ela reclamava, no entanto, por mais informações: “O que significa isso? Ele ainda pode ser encontrado?”

O sentimento dela era compartilhado por dezenas de pessoas que também acudiram ao local em busca de novidades, mas saíam sem respostas concretas e muitas em prantos. Algumas não achavam o nome do parente em parte alguma. Mariana Dias da Conceição, 28 anos, veio de Barbacena, a 180 km de distância, atrás de informações do irmão, que trabalhava na mina como auxiliar de segurança no momento do rompimento da barragem. Para o seu desespero, no início da tarde, ela continuava esperando por uma mínima novidade. Conceição chegou a ser atendida por uma psicóloga voluntária que trabalhava na Estação Conhecimento.

Carine não conseguia notícias da irmã Camila Aparecida da Fonseca Silva, de 16 anos. A jovem trabalha na pousada Nova Instância, em Brumadinho, onde 35 pessoas são dadas como desaparecidas pelos bombeiros. O estabelecimento é um dos mais luxuosos da região e o preferido dos artistas que visitam o museu de Inhotim. “Como ela não era funcionária da Vale eles não estão preocupados. Tem chances de ter alguém lá. Se eles não querem ir lá que libere a família, a gente vai procurar até encontrar”, dizia Carine consternada. “Era o primeiro emprego dela, não tinha nem um mês, e acontece uma coisa dessas”, lamentava a irmã.

Ao longo do dia, era grande o número de voluntários que tentavam ajudar os parentes e amigos de vítimas, muitos em choque com a situação. Havia também guichês onde as famílias podiam conferir as listas de pessoas encontradas e desaparecidas e, também, fornecer dados. As buscas foram interrompidas no final do dia, e serão retomadas a partir das 4 da manhã deste domingo.

O acidente ganhou destaque no mundo todo, e atraiu a solidariedade do premiê israelense Benjamin Netanyahu, que telefonou para o presidente Jair Bolsonaro. “Ofereci ajuda de Israel para a assistência na busca de sobreviventes”, escreveu o premiê no Twitter. Segundo o presidente Bolsonaro, Israel vai emprestar tecnologia avançada para colaborar na busca de desaparecidos.

jan
28
Posted on 28-01-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-01-2019



 

Pater, no jornal (ES)

 

jan
28
Posted on 28-01-2019
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DO BLOG O ANTAGONISTA

Probabilidade de lama chegar ao São Francisco é reduzida

 

Gustavo Henrique Canuto, ministro do Desenvolvimento Regional, afirmou neste domingo que a probabilidade de a lama de Brumadinho alcançar o rio São Francisco é reduzida.

Técnicos do governo avaliam que a velocidade de deslizamento está em 1km/h.

Diz a Folha:

“A expectativa é que os rejeitos cheguem ao reservatório da usina hidrelétrica de Retiro Baixo entre os dias 2 e 7 de fevereiro.

A chegada à represa, segundo o ministro, deve amortecer o escoamento da lama.”

 DO JORNAL DO BRASIL

Foram normais os resultados da avaliação clínica pré-operatória, exames laboratoriais e de imagem feitos pelo presidente Jair Bolsonaro na tarde de onteme (27), segundo boletim médico divulgado  pelo Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde está internado.

A cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal está confirmada para esta segunda-feira, 28. No procedimento, ocorrerá a retirada da bolsa de colostomia, que o presidente passou a usar desde setembro do ano passado após ter sofrido uma facada.

Macaque in the trees
Presidente Jair Bolsonaro passará por cirurgia nesta segunda-feira (28) para retirada de bolsa de colostomia (Foto: Reprodução/Twitter de Jair Bolsonaro)

Bolsonaro foi esfaqueado em um ato de campanha, em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro. A facada atingiu o intestino e o então candidato foi submetido a duas cirurgias, uma na Santa Casa de Juiz de Fora e outra no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A bolsa de colostomia utilizada por ele por cerca de quatro meses funciona como um intestino externo e possibilita a recuperação do intestino grosso e delgado.

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