ARTIGO

Artigo publicado na Tribuna da Bahia em 24/01/19

Prioridades fundamentais

Joaci Goes

Sem a organização das contas públicas e a severa vigilância do cumprimento dos deveres de cidadania, nenhum país prospera. É para cuidar desses dois princípios que o Presidente Bolsonaro, como deixou bem claro, durante a campanha eleitoral, convidou os ministros Paulo Guedes e Sérgio Moro. Paralelamente à satisfação desses pressupostos basilares, importa definir o que é prioritário realizar, no plano da infraestrutura material e social, para que o Brasil seja uma nação moderna e próspera, em ambiente de paz, como é corrente no Primeiro Mundo.
Educação de qualidade, acessível a todos, sobretudo aos mais carentes, é a maior de todas as prioridades, sem a qual nenhum progresso será digno desse nome. Com metade da população brasileira sem acesso a saneamento básico, os serviços de saúde pública, para cem milhões de brasileiros serão como apanhar água em cesto. Estudo de campo realizado pelo Instituto Trata Brasil, através da pesquisadora Denise Kronemberger revela, de modo contundente, a relação linear entre saúde e acesso a saneamento básico, conclusão corroborada por pesquisa da Oxfam que aponta uma diferença de até vinte e cinco anos na longevidade dos que têm e dos que não têm acesso a saneamento básico, como ocorre entre as populações do bairro popular Tiradentes, na Região Metropolitana de São Paulo, e o bem assistido bairro de Higienópolis. A diferença de renda é ainda mais gritante.
Os recursos desviados para a corrupção e o financiamento de projetos em países bolivarianos, a fundo perdido, nos governos petistas, teriam sido suficientes para a redenção sanitária dessa metade desassistida da população nacional, vítima de verdadeiro crime de genocídio.
No plano da infraestrutura material, a maior de todas as prioridades é o aparelhamento de nosso sistema portuário de um modo que nos permita fazer do mar nossa principal via de transporte, em razão de peculiaridades que nos singularizam no contexto mundial.
O Brasil, com sete mil quilômetros, é o país que dispõe da maior extensão de costa num só oceano. Na estreita faixa de trezentos quilômetros do mar, terra adentro, concentram-se entre 75% e 80% da produção e do consumo nacionais, fato que ocorre desde o início de nossa colonização. Como caranguejo que vive de costas para o mar, seu habitat, o Brasil tem historicamente ignorado a vocação do mar como a via natural para o escoamento de nossa produção entre os diferentes pontos do território nacional. O resultado tem sido a equivocada opção pelo transporte terrestre, caro e exigente de uma estrutura rodoviária de qualidade que não temos sido capazes de atender, de que é o exemplo maior o péssimo estado permanente da BR101, o maior cemitério a céu aberto do Continente Americano, como temos reiteradamente denunciado. Transportamos em caminhão o que produzimos no Rio Grande do Sul para consumo no Pará e vice-versa, quando o racional seria transportarmos a produção, via marítima, deixando-a no porto mais próximo às áreas de consumo, atendidas, então, por transporte terrestre de curta distância, e reduzindo os custos de investimento na implantação e manutenção de um sistema viário caro e ineficaz.
Modernizar os portos brasileiros é requisito fundamental para a aceleração de nosso desenvolvimento. O melhor de nossos portos, o de Santos, é também o maior da América Latina. Especialistas no setor conferem a ele nota 7,61, o que significa dizer que deve ter como meta chegar à nota 10. O Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, recebeu nota 5,68. O de Paranaguá, no Paraná, cai para 4,18. O de Itajaí, em Santa Catarina, para 3,89. O de Vitória, no Espírito Santo, 3,73. O Porto do Rio de Janeiro, 3,64. O Porto do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, nota 3,47. O de Suape, em Pernambuco, 3,32. O de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, nota 3. O Porto do Pecém, no Ceará, nota 2,64. O Porto de Salvador, em nossa querida Bahia, pobres 2,49. O de Manaus, no Amazonas, nota 2,2.
Dados de 2016 apontam a Coréia do Sul como o 5º maior exportador do Mundo, com 510 bilhões de dólares. Hong Kong, antiga concessão inglesa, vem em 7º lugar, com 490 bilhões de dólares. A minúscula Singapura, em 13º posto, com 354 bilhões de dólares, enquanto o gigante Brasil aparece no 23º lugar com 190 bilhões. Tamanha é a qualidade dos portos desses pequenos gigantes que eles operam como entrepostos, importando o que necessitam países à sua volta, através de suas magníficas instalações portuárias.
É chegado o momento de darmos adeus ao atraso e caminharmos na direção do futuro, libertos das amarras do preconceito ideológico que têm tolhido nossas consideráveis possibilidades de progresso.
A aplaudida participação do Presidente Jair Bolsonaro no encontro mundial de Davos, na Suíça, é acontecimento para ser festejado pelos brasileiros de boa-fé.

Joaci Góes