Opinião
Novo ano, Novos desafios
Michel e Marcela Temer recebem Bolsonaro, Mourão e suas mulheres na rampa do Palácio do Planalto, no dia 1º.
Michel e Marcela Temer recebem Bolsonaro, Mourão e suas mulheres na rampa do Palácio do Planalto, no dia 1º. Valter Campanato Agência Brasil

Ao iniciar o ano, as pessoas estão cheias de esperança, querendo o melhor para si e para o país. É também o que eu desejo para os leitores e para todos os brasileiros. Contudo, os desejos não substituem os fatos, e estes podem impedir que aqueles se realizem em 2019. Certamente, torço para que o Brasil encontre um rumo melhor. Mas um olhar realista se impõe.

Comecemos olhando para o mundo. Desde o fim da Guerra Fria e, especificamente, desde quando, no início da década de 1970, Henry Kissinger convenceu o então presidente Richard Nixon a visitar a China e a normalizar as relações com aquele país, vivemos um período de relativa tranquilidade no sistema internacional. O entendimento sino-americano visou de início isolar a União Soviética, rival da China no mundo comunista. À medida que aquela declinou, dissolvendo-se em 1991, o mundo assistiu à crescente complementaridade econômica entre a maior potência mundial, os Estados Unidos, e a potência em ascensão, a China.

Com a Pax Americana, coadjuvada pela China, os conflitos se tornaram localizados. A ambição que motivou a formação das Nações Unidas, a de colocar um ponto final nas grandes guerras mundiais, ficou ainda mais próxima da realidade com o colapso do mundo soviético, iniciado com a simbólica queda do muro de Berlim em 1989.

Sob a liderança de Deng Xiaoping, ao final dos anos 1970, os chineses compreenderam que seu país precisaria reformar-se e abrir-se ao mundo para prosperar. De Deng Xiaoping até o atual líder chinês Xi Jinping, todos sustentaram uma política externa orientada para evitar a chamada “armadilha de Tucídides”: a colisão e ao final a guerra entre a potência hegemônica e a emergente. As lideranças chinesas falavam de uma ascensão pacífica e de um “socialismo harmonioso”, juntando o regime de partido único e o estado socialista com a integração financeira e produtiva ao mundo capitalista. A China se abriu às multinacionais que quisessem disputar seu mercado ou exportar, desde que aceitassem as regras do poder. E mais: se tornou a maior detentora de papéis do Tesouro americano.

Há sinais, contudo, que a Pax global começa a ser ameaçada não propriamente pela guerra convencional ou atômica, permanecendo um cenário remoto, mas por uma crescente disputa pela liderança tecnológica, da qual a guerra comercial ora em fase de escaramuças é o aspecto mais visível. A disposição de Trump em desmantelar a ordem liberal vigente visa impedir que a China assuma a dianteira na corrida tecnológica nas áreas de inteligência artificial e computação quântica. Sob Xi Jinping os chineses já não escondem suas ambições na corrida tecnológica; mesmo no campo militar disputam o controle de parte do Pacífico. Mais do que na interferência online nos processos políticos dos Estados Unidos e da Europa, como os russos, a China aposta na sua capacidade no terreno tecnológico para o sucesso econômico e bélico. Ainda não conhecemos os desdobramentos dessa disputa, mas parece que a ordem liberal pós-guerra fria está ficando para trás, com riscos para a paz mundial.

O Brasil tem um novo governo. Fala-se muito de que o país, na esteira da onda conservadora no mundo, virou à direita. Será este o sinal enviado pelo eleitorado, que em sua maioria votou por repúdio ao PT, à falta de segurança pública e à podridão política, sem, entretanto, algum conteúdo ideológico definido? Se o novo Governo deslizar para a direita, será menos porque o eleitorado assim decidiu e mais porque os vencedores assim pensam. Pensam? Depende: na economia o Governo é liberal, nos costumes, reacionário e, quanto à visão do mundo, basicamente anacrônico, a julgar pelo que disseram alguns de seus membros. Dos militares, pouco ou nada se ouviu a respeito. Subscreverão as teses do futuro chanceler? Ou a norma de que sem objetivos e sem preparação, não há guerra a ser ganha?

Para concluir, diante do quadro internacional, quais devem ser os objetivos básicos de um país como o Brasil, grande, populoso, diverso e excêntrico, isto é, distante dos polos do conflito? Acelerar o crescimento da economia, em bases socioambientais sustentáveis, para dar melhores condições de vida ao povo, preservar o acervo de boas relações que o país construiu ao longo do tempo, afirmar (e praticar internamente) valores que nos são caros, a começar pela democracia. Para isso, por que tomar partido diante de um eventual choque de interesses entre a China e os Estados Unidos ou de quem quer que seja? Por que tomar partido nas disputas que dividem os Estados Unidos e a Europa? Melhor será, penso, cuidar de manter nossa influência na América do Sul, região a que pertencemos e, sem entrar em briga graúda, participar mais amplamente dos fluxos globais de comércio, informação, criatividade e desenvolvimento para obter a melhor inserção possível no mundo.

É no mínimo anacrônico pensar que a disputa por poder e influência no sistema internacional se dê entre gladiadores comunistas e capitalistas, cruzados da fé cristã contra cosmopolitas sem fé e sem pátria. A luta real é por mais ciência e tecnologia, para melhorar a qualidade dos empregos e da vida em sociedades que não devem nem podem mais se encerrar sobre si mesmas nem agarrar-se dogmaticamente a identidades étnicas, religiosas, etc. fechadas e excludentes. A ideologia que se insinua é tão distante dos interesses permanentes de um país como o Brasil quanto o foi a que ela pretende substituir.

Por isso espero que o novo Governo encontre rumos melhores do que os que, com estridência, apontam alguns de seus membros. À oposição cabe criticar impulsos ideológicos, alertar para os riscos de alinhamentos automáticos e contribuir para que os interesses reais do Brasil e de sua gente prevaleçam na definição e implementação das políticas, externa e interna.

Grande Alf, que saudade!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

jan
09
DO PORTAL TERRA BRASIL/ESTADÃO
Luci Ribeiro e Breno Pires
 
 
O presidente Jair Bolsonaro determinou nesta terça-feira, 8, que a Polícia Federal tome providências para “garantir, diretamente ou por meio de articulação” com outros órgãos, a segurança do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e de seus familiares.

De acordo com despacho publicado em edição extra do Diário Oficial da União, a decisão foi tomada “diante de informações sobre situações de risco decorrentes do exercício do cargo”.

Ex-juiz da Lava Jato, Moro tinha segurança especial quando atuava como magistrado em Curitiba. No início da Operação, em 2014, ele resistiu à escolta armada, mas aos poucos teve que readaptar sua rotina. Em 2016, a PF chegou a investigar ameaças feitas na internet que pregavam atos de violência contra Moro. Nos últimos anos, o então juiz vinha evitando restaurantes cheios e idas a shoppings, por exemplo.

Procurado na noite desta terça-feira, o Ministério da Justiça informou que não poderia dar informações por questões de segurança. A PF disse que não comentaria.

Confira a íntegra do despacho de Bolsonaro:

“Diante de informações sobre situações de risco decorrentes do exercício do cargo de titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública, determino à Polícia Federal providências no sentido de garantir, diretamente ou por meio de articulação com os órgãos de segurança pública dos entes federativos, a segurança pessoal do Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública e de seus familiares. Em 8 de janeiro de 2019.”

Renan diz a senador que vai tentar viabilizar candidatura ‘até o último dia’

 

Por Diego Amorim

Jayme Campos (DEM), ex-senador e ex-governador do Mato Grosso, estará de volta ao Senado na próxima legislatura.

Ele disse a O Antagonista que desembarcará amanhã em Brasília para começar as negociações sobre a eleição para a presidência da Casa. Mas adiantou que já foi procurado por Renan Calheiros, que garantiu a ele que tentará viabilizar a candidatura “até o último dia”.

“É uma candidatura legítima. Ele [Renan] tem seu valor, seus méritos, suas qualidades. Não tenho nada contra o Renan, contra a biografia do Renan. Cada um responda pelos seus atos.”

Campos afirmou que “o recado das urnas foi duro” contra os políticos, mas que a eleição no Senado depende “de articulação, de composição”.

Em 2017, somente a título de lembrança, Jayme Campos foi condenado pela Justiça Federal a restituir cerca de 352 mil reais aos cofres da União, devido a prejuízos causados quando foi prefeito de Várzea Grande, entre 1997 e 2002.

jan
09
Posted on 09-01-2019
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-01-2019



 

Jorge Braga , no jornal (GO)

 

DO JORNAL DO BRASIL

O filho do vice-presidente Hamilton Mourão, Antonio Hamilton Rossell Mourão, foi confirmado como assessor especial do presidente do Banco do Brasil. Na nova função, ele terá seu salário triplicado, chegando a R$ 36,3 mil por mês. Rossell Mourão é funcionário de carreira do banco há 18 anos. Há 11 anos ele atuava como assessor na área de agronegócio, função para a qual recebia R$ 12 mil mensais. O vice-presidente compareceu à posse de Rubem Novaes na segunda-feira (7) na sede do banco, em Brasília.

“Mérito”

Hamilton Mourão afirmou que o filho foi promovido por ter “mérito”. “(Meu filho) possui mérito e foi duramente perseguido anteriormente por ser meu filho”, afirmou. Rossell Mourão trabalhará em contato direto com o novo presidente da instituição. Apesar do tempo de casa, o salto na carreira foi visto com estranheza por pessoas de dentro do banco.

>> No Twitter, Mourão diz que filho presta ‘excelentes serviços’ no BB

Macaque in the trees
Hamilton Mourão (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O novo posto equivale a uma cadeira de um executivo no banco com um salário de cerca de R$ 36 mil. Na prática, seu salário triplicou. A renda do posto anterior gira entre R$ 12 mil e R$ 14 mil, dependendo da carga horária de seis ou oito horas. O novo vencimento do filho do vice-presidente da República será maior até mesmo do que o salário do pai, o segundo maior cargo do Executivo, que hoje é de R$ 27,8 mil.

STF

Segundo o professor Carlos Ary Sundfeld, que dá aulas de Direito Público na Fundação Getúlio Vargas (FGV), a indicação não se enquadra nos casos em que a Justiça considera nepotismo. Para isso, seria necessário que o funcionário tivesse sido nomeado pelo próprio parente para exercer cargo na mesma instituição pública. O critério é uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2008, sobre o assunto.

“O Banco do Brasil e a União federal não são a mesma pessoa jurídica, então, rigorosamente, pela súmula do Supremo, não há uma proibição”, explica Sundfeld. Ele diz, ainda, que seria necessário acompanhar o trabalho do filho do vice-presidente no dia-a-dia para saber se a nomeação foi injustificada. “No caso concreto aí, o vice-presidente não tem poder formal nenhum, não é ele que nomeia. Seria uma coisa muito indireta. De qualquer modo, não dá para ficar especulando sobre as razões que fazem o presidente do Banco do Brasil escolher um dos funcionários de carreira do banco para ser assessor.”

Nota

O Banco do Brasil confirmou a nomeação do filho do vice-presidente Hamilton Mourão, Antonio Hamilton Rossell Mourão O banco explica, em nota à imprensa, que o cargo é de “livre provimento da Presidência do BB e a nomeação atende aos critérios previstos em normas internas e no estatuto do Banco”.

Novaes afirmou, em nota, que o funcionário Antônio Hamilton possui “excelente formação e capacidade técnica”. “Antônio é de minha absoluta confiança e foi escolhido para minha assessoria, e nela continuará, em função de sua competência. O que é de se estranhar é que não tenha, no passado, alcançado postos mais destacados no Banco”, destacou o novo presidente do BB.

Antônio Hamilton, conforme informações do BB, é funcionário com 18 anos de casa e trabalhava há 11 anos como assessor na Diretoria de Agronegócios. Formado em Administração de Empresas, Rossell Mourão possui pós-graduações em Agronegócios e em Desenvolvimento Sustentável.

Do Jornal do Brasil

 

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, disse nesta terça-feira, 8, que as exonerações em sua pasta não possuem viés ideológico nem representam uma caça às bruxas, embora tenha admitido que militantes petistas devem deixar os cargos. “Quem é ativista de partido como o PT tem obrigação moral de se afastar da administração”, afirmou Santos Cruz, após reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto.

A Secretaria de Governo dispensou nesta terça-feira, 8, 18 funcionários, seguindo recomendação da Casa Civil para que os titulares de cada pasta exonerem servidores com cargos em comissão e façam um “pente-fino” nas nomeações. “Exoneração é normal. É uma questão de revisão de estrutura”, argumentou o ministro, que disse estar conversando com todos os servidores. “O critério (para permanência) é o da capacitação profissional”, insistiu. 

Macaque in the trees
Secretário nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Santos Cruz. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom | Agência Brasil )

Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, exonerou 320 funcionários e anunciou que faria uma espécie de chamada oral para saber como cada um dos ocupantes dos cargos chegou ao governo e quem foi o padrinho político da indicação. “Para não sair caçando bruxa, primeiro a gente exonera e depois a gente conversa”, afirmou Onyx, no último dia 2. “O governo é novo: ou afina com a gente ou troca de casa. Simples assim”, emendou ele, que falou em “despetizar” o Brasil.

A medida foi alvo de críticas internas e houve quem apontasse o risco de paralisia das ações de governo. “Na Saúde, é um pouco mais complicado. Às vezes você tira uma peça e gera desassistência na outra ponta”, disse, na ocasião, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

  • Arquivos

  • Janeiro 2019
    S T Q Q S S D
    « dez    
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    28293031