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ARTIGO
 
 
 
PAULO SERGIO TOURINHO
Joaci Goes

 

Para a minha querida sobrinha Mariana, filha afetiva de Paulo Sérgio Tourinho.

O empresário Paulo Sérgio Freire de Carvalho Gonçalves Tourinho, falecido no último dia 15 de novembro, completaria hoje, 20 de dezembro, 82 anos. Ele presidia o grupo Aliança da Bahia, que administra, entre outras atividades, o Hospital Aliança, localizado na Avenida Juracy Magalhães Júnior, complexo que fundou em 1990, associado a um moderno Centro Médico. Este complexo médico-hospitalar representa um marco no processo evolutivo da qualidade da medicina em nossa terra.

Compreende-se porque os votos de pesar pelo passamento do maior filantropo da Bahia, homem discreto, inteligente, de temperamento singular e imprevisível, provieram dos mais diferentes naipes sociais, inclusive do Governador do Estado e do Prefeito da Capital. É verdade que as devidas homenagens a serem prestadas a este grande homem ainda estão para acontecer, sobretudo de iniciativa da Prefeitura de Salvador, do Governo do Estado, da Câmara de Vereadores e da Assembleia Legislativa, sem falar nas associações médicas das mais distintas categorias, até para operar como estímulo a que outros sigam o exemplo edificante de Paulo Sérgio Tourinho.

Ao longo de duas semanas, em 2008, estive internado no Hospital Aliança, vítima de uma septicemia aguda, provocada por uma bactéria que leva o artístico nome de Klebsiella, presente no trato intestinal dos humanos. Fui salvo pelos cuidados profissionais e pela boa estrutura do Hospital Aliança, tendo expressado meus agradecimentos através de comentário na Rádio Metrópole e em artigo nesta Tribuna da Bahia, dirigidos, sobretudo, aos discípulos de Hipócrates e Galeno, George Nogueira Carvalhal, Reine Chaves Fonseca, Nancy Silva e Luis Maia. Regozijei-me por haver, então, rejeitado conselhos para buscar assistência de melhor qualidade na boa medicina que, sem dúvida, de há muito se pratica no Estado de São Paulo, considerada a melhor da América Latina.

O complexo médico hospitalar do Aliança, peça revolucionária no desenvolvimento da infraestrutura hospitalar em nosso estado, resulta do espírito público, do perfeccionismo, da determinação e da pertinácia de Paulo Sérgio Tourinho. Parece que ele agiu com o intento de mudar o diagnóstico que da qualidade hospitalar em nosso estado, fez na década de 1970, o urologista Santos Pereira, em palestra no Rotary Clube, quando demonstrou que a Bahia possuía uma das piores infraestruturas, do gênero, no Brasil. A partir do Aliança, o mundo hospitalar baiano nunca mais parou de avançar, inspirando antigos e novos nosocômios na busca de aprimoramento. A boa qualidade da medicina que hoje aqui se pratica deve muito a esta histórica iniciativa do pranteado morto. Por causa dele, as companhias aéreas deixaram de ser, na maledicência popular, os médicos mais recomendáveis em momentos de crise.

Paulo Sérgio Tourinho, do casamento com Sônia Almeida, deixa os filhos Thereza e Paulo José. Thereza, graduada em psicologia, cuida dos filhos João e Luiza e dedica-se ao treinamento e comercialização de cavalos de salto; Paulo José, que tem os filhos Márcia e Ingrid, é administrador de empresas.
Com a implantação do complexo Aliança, Paulo Sérgio alcançou a verdadeira imortalidade, habilitando-se a ter inscrito sob sua estátua, que a Bahia deve edificar no Panteão de seus verdadeiros heróis, o famoso verso de Horácio: “Exegi monumentum aere perenius..” “Eu que construí um monumento mais duradouro do que o bronze..”.

E é aconselhável agirmos sem a demora que é comparsa do esquecimento. Até porque são poucos, no curso de uma geração, os que tanto fizeram, como Paulo Sérgio Tourinho, para merecer o devido reconhecimento dos coevos e da posteridade.

Joaci Góes