Do jornal O Globo. Reproduzido do espaço da autora teatral Aninha Franco no Facebook
  

Gurus, charlatões e curandeiros

Fernando Gabeira

Volto de Goiás, onde revisitei o centro de João de Deus, em Abadiânia, e o sítio de Sri Prem Baba, em Alto Paraíso. Duas cidadelas espirituais, atingidas em níveis diferentes por um dos tradicionais adversários do espírito: a carne.

Na década dos 80, visitei o ashram de Rajneesh em Poona, na Índia. Faz anos, portanto, que me interesso pelo tema. Não tenho uma opinião formada, como os autores Joel Kramer e Diana Alstad, que escreveram o livro “The Guru Papers”, cujo subtítulo é: “máscaras de um poder autoritário”.

Eles afirmam que a relação entre guru e discípulos é uma espécie de deslocamento das estruturas sociais autoritárias para o âmbito das relações pessoais. Há algo, no entanto, que minha experiência individual leva a uma concordância com eles: religiões milenares não conseguiram alterar a fragilidade da natureza humana.

Mas isso não é uma grande novidade. O avanço da ciência e da tecnologia também não significou necessariamente um avanço ético.

Kramer e Alstad tratam mais de gurus de origem oriental. No capítulo em que descrevem seu poder sexual sobre os discípulos, destacam duas condições que o favorecem: o celibato e a promiscuidade, no fundo uma ausência de vínculos que deixa o discípulo mais vulnerável.

Alguns gurus de origem oriental vêm de sociedades mais rígidas. No Ocidente, tentam aplicar algumas de suas técnicas e rituais sob o argumento da liberação de impulsos reprimidos.

Em muitos casos, a relação com a discípula é vista como uma espécie de uma graça que a distingue dos outros. Mas há também a tentação de formar haréns com as escolhidas.

No caso de Sri Prem Baba, esses elementos não estão presentes. Mesmo porque, apesar de formado na Índia, ele é brasileiro, oriundo de uma sociedade mais liberal.

Ainda assim, ao me referir de passagem ao caso que teve com uma discípula, afirmei que era relativamente consensual. Isso porque o poder do guru é muito grande. Ao seguir um guru, somos convidados a nos render. Como lembram os autores, paixão significa abandono, deixar rolar: render-se, de uma certa forma, é um caminho para a paixão.

O caso de João de Deus é diferente. Ele é famoso por curar. Quando o entrevistei, percebi alguns traços do rude garimpeiro e uma certa ignorância sobre as forças ou entidades que lhe comunicavam o poder de curar.

Muito possivelmente, a relação entre um paciente e o curandeiro não tem as características de rendição emocional entre guru e discípulo.

Ora é uma necessidade de sobrevivência, ora a superação de um doença que impossibilita a vida plena, ou mesmo uma tentativa de contornar a condenação à morte pela medicina tradicional.

Ironicamente, no caminho para Abadiânia, soube que na cidade próxima, Alexânia, um padre foi condenado por abuso sexual. O mesmo aconteceu em Anápolis, onde João de Deus mora.

O mais irônico ainda é constatar que a concentração de poder nas mãos do guru ou do curandeiro os deixa espetacularmente fragilizados diante da vida.

No mundo político, as delações premiadas são validadas por provas. No universo espiritual, entretanto, basta a palavra do outro para desfechar uma onda de condenação. E isso vale inclusive para os campos onde o poder masculino se impõe: basta ver a comoção que o movimento feminista provocou no universo das artes nos EUA.

As religiões podem melhorar nossa vida porque ajudam a carregar o fardo da mortalidade. Mas os seres humanos, pelo menos foi meu aprendizado de vida, continuam frágeis e limitados como sempre foram.

Por isso, com o olhar de hoje, vejo como charlatanismo a proposta de Che Guevara de criar um novo homem. Na verdade, somos e seremos muito menos importantes do que julgamos ser. Creio que morreria de tédio num mundo perfeito. Por isso, dispenso a crença na vida eterna e procuro me ajeitar com minha condição de simples mortal.

O roteiro da minha viagem era o cinturão espiritual em torno de Brasília, uma espécie de contraponto à permissividade do universo político, onde a carne não chega ser um adversário considerável, no máximo uma distração na longa ordem do dia.

“Nova Ilusão”, Paulinho da Viola: toda poesia de um samba e doçura de uma voz para encher de ritmo e beleza a terça-feira musical no Bahia em Pauta. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

dez
18

Do Jornal do Brasil

 

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, anunciou nesta segunda-feira, 17, que a subprocuradora-Geral da República Maria Hilda Marsiaj Pinto vai chefiar a Secretaria Nacional de Justiça (SNJ). A declaração foi feita em Brasília no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), local onde trabalha a equipe de transição do governo.

“Faltava a indicação do cargo de secretário nacional de Justiça. Eu acabei convidando para esse cargo a subprocuradora-geral da República Maria Hilda Marsiaj. Ela acabou aceitando. Ela, infelizmente, pela situação da carreira vai ter de ser afastada do Ministério Público. Mas ela se dispôs a fazê-lo. Uma pessoa absolutamente preparada e vem a somar na equipe que já foi formada”, afirmou Moro.

O ministro do novo governo disse que a SNJ é “extremamente importante dentro da estrutura do Ministério”. “No âmbito da secretaria estão lá órgãos como, por exemplo, o Departamento de Recuperação de Ativos. Está a área de imigrações do Ministério da Justiça. Hoje, esse é um tema importante pelo cenário principalmente do êxodo na Venezuela”, disse.

Na secretaria, há também o departamento de políticas do judiciário, que orienta o presidente nas nomeações de tribunais federais e dos tribunais superiores. “A ideia aí é sempre buscar juízes, magistrados que sejam independentes e íntegros e que tenham também uma história profissional consistente com a política do governo, magistrados que sejam independentes e íntegros, mas duros contra o crime”, afirmou.

A SNJ ainda vai coordenar o registro sindical “com a expectativa de reduzir problemas de corrupção nessa área que têm sido verificados nos últimos anos”, conforme explicou Moro.

Macaque in the trees
Sérgio Moro (Foto: Governo de transição)

O futuro ministro afirmou ainda que os órgãos de controle atuarão de maneira transparente e que a sua equipe indicada são “pessoas que tem o rol histórico de independência”.

“Os órgãos de controle, por exemplo, a Polícia Federal vai ter liberdade e autonomia para desenvolver seu trabalho, não é o ministro que vai ficar direcionando a atuação da PF”, declarou. “O máximo que eu farei é no sentido de afirmar essa necessidade de focar nesse tipo de criminalidade mais grave, o crime organizado e corrupção principalmente.”

“Esses órgãos tem de ser absolutamente independentes, coisa que nem sempre foram no passado”, disse o ex-juiz da Lava Jato.

 DO UOL
 
Divulgação
Jesuíta Barbosa em cena de “O Grande Circo Místico” Imagem: Divulgação

Lello Lopes e Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

Não vai ser dessa vez que o Brasil vai ganhar um Oscar de melhor filme estrangeiro. 

Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na disputa por uma indicação ao Oscar 2019, o filme “O Grande Circo Místico” ficou de fora da pré-lista divulgada nesta segunda-feira (17) e não concorrerá à estatueta. A cerimônia será realizada no dia 24 de fevereiro de 2019.

O longa de Cacá Diegues foi escolhido entre 22 filmes brasileiros para tentar uma indicação a melhor filme estrangeiro, mas não superou a primeira barreira imposta pela Academia que entrega o Oscar. Os cinco finalistas da categoria serão divulgados no dia 22 de janeiro de 2019.

Gareth Cattermole/Getty Images
 O cineasta brasileiro Cacá Diegues Imagem: Gareth Cattermole/Getty Images

Após ser escolhido pela Academia Brasileira, Cacá Diegues conversou com o UOL e celebrou a escolha, mas minimizou o peso de uma eventual indicação.

“Nem Cannes e nem Oscar podem ser juízes sobre a qualidade dos nossos filmes. Acho que terá uma repercussão entre o público muito boa. Isso que é o importante para mim”, afirmou. “Não é porque ganhou o Oscar que quer dizer que é o melhor do mundo. De qualquer maneira, ele repercute, expõe o cinema brasileiro no mundo inteiro”, completou.

O Brasil não consegue uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro desde 1999, com “Central do Brasil”. O país também disputou a estatueta com “O Pagador de Promessas” (1963), “O Quatrilho” (1996) e “O Que é Isso Companheiro?” (1998). Na última edição, “Bingo: O Rei das Manhãs” foi o escolhido pelo país, mas não conseguiu ser entra na pré-lista. A última vez que um filme nacional quebrou essa barreira foi em 2008, com “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias”.

Fora da disputa de filme estrangeiro, o Brasil ainda pode emplacar representantes em outras categorias. A maior chance, no momento, é a de “Tito e os Pássaros” como longa de animação. Essa foi a categoria que viu pela última vez um filme brasileiro no Oscar, com “O Menino e o Mundo”. 

Em 2018, o diretor brasileiro Carlos Saldanha também teve um filme indicado a melhor animação, mas “Touro Ferdinando” foi uma produção estrangeira. Foi o mesmo caso do produtor Rodrigo Teixeira, que participou da produção estrangeira “Me Chame pelo Seu Nome”, indicada a quatro Oscar.

As nove produções que seguem na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro:

“Pássaros de Verão” (Colômbia)

“Culpa” (Dinamarca)

“Never Look Away” (Alemanha)

“Assunto de Família” (Japão)

“Ayka” (Cazaquistão)

“Cafarnaum” (Líbano)

“Roma” (México)

“Guerra Fria” (Polônia)

“Em Chamas” (Coreia do Sul)

dez
18
Posted on 18-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-12-2018


 

Clayton, no jornal

 

dez
18
Posted on 18-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-12-2018

FHC quer ‘ver’ governo Bolsonaro para depois julgar

 

Fernando Henrique Cardoso disse hoje que uma das suas preocupações em relação ao governo de Jair Bolsonaro é se o presidente eleito terá capacidade de criar um “novo ciclo” no Brasil.

O tucano participou de um evento com jovens em São Paulo, no qual, segundo O Globo, “expôs a inquietação”.

“O ciclo atual está morrendo. Não sei se ele [Bolsonaro] vai ser capaz de criar outro. Não estou dizendo que ele não vai ser capaz. Eu não sei. Vamos esperar.”

FHC também evitou comentar projetos do próximo governo: “Eu quero ver primeiro para depois julgar”.

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