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Posted on 17-12-2018
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Elisa Martín Ortega
Woody Allen
O diretor de cinema Woody Allen. Getty Images

 

Woody Allen desapareceu. Condenado ao ostracismo depois das acusações de abuso por parte de sua filha adotiva Dylan Farrow, repudiado por muitos dos atores que trabalharam com ele e grande parte da opinião pública, o diretor caiu completamente em desgraça; parece que seu último filme sequer chegará a estrear e que é muito pouco provável que encontre meios de fazer outro. Haverá quem pense que nosso mundo assim é um pouco mais justo. Eu, talvez levada por minhas fraquezas, não consigo deixar de sentir que perdi alguma coisa. E gostaria de expressar isso que perdi em termos de gratidão.

Quando era adolescente, com frequência fantasiava com a ideia de escrever uma carta a Woody Allen. Mas meus parcos conhecimentos de inglês me dissuadiram várias vezes. Gostaria de dizer a ele algo tão simples, ou tão absurdo vindo de uma garota de dezesseis anos, como que meu alter ego: que tinha certeza de que nunca haveria ninguém no mundo que me compreendesse mais do que ele. Em minha vida de adolescente incompreendida, uma realidade da qual —estava convencida— só uma conversa com Woody Allen poderia me salvar, seus filmes se tornaram um talismã e uma obsessão. Quando os descobri comecei a afirmar, diante da hilaridade de todos os membros de minha família, que Woody Allen era o homem mais atraente que já vira, de uma beleza inigualável. Depois aquele amour fou assumiu a forma de uma profunda identificação. Fascinava-se o personagem neurótico atormentado com um maravilhoso senso de humor. Porque era capaz de rir do que acontecia comigo também, porque me oferecia um espelho para rir de mim mesma.

Não é fácil ser uma adolescente sempre envolvida em uma profunda angústia vital. Eu tendia a viver minhas obsessões como um sinal patológico que devia arrancar e desterrar de minha existência; como um fracasso, afinal, de mim mesma. Graças ao meu encontro com Woody Allen pude conferir a eles uma nova forma de dignidade. Talvez minhas frequentes visitas ao pronto-socorro, acometida de doenças imaginárias, acompanhadas muitas vezes de acusações de exagero e fingimento, ou os calafrios de angústia que às vezes percorriam meu corpo não fossem apenas a expressão de um dejeto humano, de uma inclinação doentia da qual deveria me despojar a qualquer custo. Acontece que havia alguém que tinha sido capaz de transformar essas mesmas mazelas em obra de arte. Aquilo me conferia uma esperança e uma forma de conexão comigo mesma cujo valor só consegui apreciar em toda sua magnitude com o passar do tempo.

Como um homem muito mais velho que eu, que morava do outro lado do Atlântico e a quem eu certamente nunca conheceria poderia retratar assim meus pensamentos mais inconfessáveis?

Me surpreendiam sobretudo os detalhes: como quando, em A era do rádio, o menino protagonista mergulha em um profundo pesadelo que o paralisa ao saber que as galáxias estão se separando muito rápido no Universo. Era prodigioso que aparecessem naqueles filmes detalhes íntimos da minha vida, aparentemente irrelevantes! Mas não são essas pequenezas que melhor nos definem? E como um homem muito mais velho do que eu, que morava do outro lado do Atlântico e a quem certamente nunca conheceria, podia retratar assim meus pensamentos mais inconfessáveis?

Certo dia de outubro, pouco tempo depois de chegar a Paris para estudar, com vinte anos; um dia em que estava imersa em uma crise hipocondríaca que me fazia acreditar realmente que aquelas eram minhas últimas horas de vida, saí para caminhar à beira do desespero, e encontrei por acaso um cinema em que exibiam um filme de Woody Allen que não tinha visto: Hannah e suas irmãs. Entrei e me vi diante de um personagem que teme sofrer um tumor cerebral, entra em pânico, e finalmente sai dando pulos de alegria do hospital quando dizem que não tem nada grave. Mas também com outro personagem que dá à mulher que quer seduzir um livro pedindo a ela que leia um poema específico, um poema de amor de e. e. cummings que termina dizendo: “ninguém, nem sequer a chuva / tem mãos tão pequenas”. Aqueles versos ficaram em mim e, muitos anos depois, quando meus filhos nasceram, enquanto escrevia meus próprios poemas, me acompanharam como uma verdade profunda e misteriosa. Nessa tarde sombria em Paris passei todo o filme entre o riso e o choro e, no fim, senti que Woody Allen tinha salvado minha vida. Sim, sei que parece uma afirmação excessiva, mas é o que acontece às vezes com as coisas do coração que parecem incompreensíveis. Aquela mistura de identificação humorística e poesia calou tão fundo em mim que não posso evitar, toda vez que vejo alguma cena de Hannah e suas irmãs, recordar com nostalgia que uma vez me salvou, que tornou minha existência um pouco mais suportável e mais bonita, pois se alguma coisa os momentos de angústia têm é que são pura intensidade que transborda: tudo que acontece fere nosso íntimo, como se não tivéssemos pele, seja em forma de sofrimento, seja de comoção.

Seguiram-se muitos outros filmes recheados de fantasia, como A outra, na qual uma escritora ouve através de um buraco em seu escritório a paciente de um psicanalista. O desejo de escutar, a transgressão, as palavras do outro que invadem com seus desejos sua própria mente: tudo isso girando em torno da maternidade frustrada, da criação literária e do passar do tempo. Mais uma vez Woody Allen era capaz de penetrar em minha intimidade de uma forma secreta e assombrosa.

Certa vez, ainda bem jovem, assisti uma entrevista dele na qual afirmava com ironia que ele era o fracasso da psicanálise. E pensei então que tinha de ir ao psicanalista, porque era exatamente desse tipo de fracasso que eu precisava. Não me curar, nem me entender melhor, nem ficar mais tranquila, mas fracassar daquela maneira indescritível na qual Woody Allen sempre fracassava, voltando sempre aos mesmos lugares e sendo capaz de iluminá-los cada vez de uma maneira diferente.

Em um mundo em que se valoriza o sucesso acima de tudo, entendi o poder sedutor do fracasso, a necessidade de viver na perda. Encontrei um senso de dignidade em minhas experiências mais estéreis, mais difíceis. Aprendi que é possível unir humor e melancolia; que, de fato, o humor é com frequência uma forma de melancolia. Tudo isso, ao que certamente se pode chegar de mil maneiras, tenho de agradecer a Woody Allen. Por isso, do meu presente de mulher feminista, profissional, mãe de dois filhos pequenos, faço um pedido, quase uma súplica, que acredito tão humilde quanto necessária: por favor, quero ver o último filme de Woody Allen. Espero que entendam.

Elisa Martín Ortega é professora de Literatura na Universidade Autônoma de Madri e escritora.

“Depois do Natal”, Nana Caymmi. E não precisa dizer mais nada. Só ouvir, imaginar e flutuar. Tudo de bom!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO Jornal do Brasil

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a saída dos médicos cubanos do programa ‘Mais Médicos’ em razão do que considerou um “preconceito” do presidente eleito Jair Bolsonaro, segundo carta aberta publicada neste domingo (16) em Cuba.

“Eu lamento que o preconceito do novo governo contra os cubanos tenha sido mais importante que a saúde dos brasileiros que moram em comunidades mais distantes e carentes”, disse Lula na carta publicada no jornal Juventud Rebelde.

Cuba decidiu pelo retorno de 8.300 profissionais que trabalhavam no Mais Médicos, através da Organização Panamericana da Saúde, depois que Bolsonaro anunciou que mudaria as condições de contrato, o que Havana considerou inaceitável.

Macaque in the trees
Lula lamenta saída de médicos cubanos ‘por preconceito’ (Foto: Reprodução)

Lançado em 2013 pela presidente Dilma Rousseff, o programa permitiu dar assistência à população das regiões mais pobres e rurais do Brasil, principalmente graças à chegada de profissionais cubanos, que ocupavam metade dos postos do programa.

No contrato, os médicos recebiam 30% do valor desembolsado pelo Brasil, enquanto o restante ia para o orçamento da ilha, que por sua vez conservava seus salários e postos de trabalho em Cuba.

Bolsonaro exigia que os profissionais recebessem o salário integral.

Mais de 6.000 médicos já retornaram à ilha, numa ponte aérea de vários dias, e as autoridades cubanas deram por encerradas as operações de evacuação.

Da prisão em Curitiba, Lula disse que “no Brasil, os médicos de Cuba foram onde não havia médicos brasileiros. Em muitas comunidades pobres, distantes, de indígenas, que jamais tinham sido assistidas por um profissional da saúde”.

“Por isso quero dizer ao povo de Cuba: tenham muito orgulho dos seus médicos e das suas escolas de medicina. Vocês conquistaram milhões de admiradores, milhões de pessoas gratas no Brasil”, acrescentou.

Bolsonaro rebate

Pelo Twitter, Jair Bolsonaro rebateu a declaração de Lula:

? @jairbolsonaro

Diferente do que diz o corrupto preso Lula sobre o novo governo ser preconceituoso por retirar médicos cubanos do país, foi Cuba que os retirou por recusar-se a pagar salário integral a eles… Oferecemos asilo aos que querem ficar. Informações estão chegando erradas na cadeia.

 

 
 João de Deus presoJoão de Deus, no dia 12, em Abadiânia, quando apareceu publicamente pela primeira vez após a veiculação das denúncias. Filipe Cardoso EFE
  • O médium João Teixeira de Faria, 76, conhecido como João de Deus, foi preso na tarde deste domingo no município de Abadiânia, em Goiás. Ele é acusado por mais de 300 mulheres de ter praticado crimes sexuais e era considerado foragido pelo Ministério Público de Goiás até então, já que o mandado de prisão preventiva fora expedido pela Justiça na sexta-feira e o prazo para que ele se entregasse expirou no sábado à tarde.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a negociação ocorreu entre o advogado do médium, Alberto Toron, e o delegado geral da Polícia Civil. João de Deus, que nega as acusações, se entregou na encruzilhada de uma estrada de terra no município de Abadiânia, a 90 quilômetros de Goiânia. Ainda de acordo com a Folha, o acusado chegou a passar mal antes de se entregar. Um vídeo gravado pela colunista do jornal, Monica Bergamo, mostra o momento em que ele afirma estar se entregando. “Me entrego à justiça divina e à Justiça da terra”, disse ele, antes de entrar em um veículo. Em nota, o Ministério Público de Goiás confirmou a prisão dele.

O caso a que o médium responde veio à tona na sexta-feira da semana retrasada, quando 10 mulheres afirmaram ao Programa do Bial, da TV Globo, terem sido vítimas de abuso sexual durante seus atendimentos. No mesmo final de semana, o Ministério Público começou a investigar o caso e criou uma força-tarefa para receber novas possíveis denúncias. Ao longo da semana, mais de 300 mulheres buscaram o MP de diferentes Estados se dizendo vítimas dele. As denúncias vieram de diferentes regiões do país e de ao menos seis países. “Os promotores e promotoras informam que os trabalhos da Força-Tarefa seguem normalmente nos próximos dias, no intuito de continuar realizando as oitivas das vítimas e produzir as denúncias a serem oferecidas”, afirmou a nota do MP de Goiás.

Do Jornal do Brasil

A Polícia Federal (PF) divulgou na tarde deste domingo  (16) retratos com as principais possibilidades de disfarce que poderiam ser usados pelo italiano Cesare Battisti, que tem mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Qualquer informação sobre o foragido pode ser fornecida pelo telefone (61) 2024-9180 ou pelo e-mail plantao.dat@dpf.gov.br. O anonimato é totalmente resguardado”, diz a PF.

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Possíveis disfarces que podem ser usados por Cesare Battisti (Foto: Polícia Federal)

Na sexta-feira (14), o presidente Michel Temer assinou a extradição de Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos nos anos 1970, quando integrava o grupo Proletariados Armados pelo Comunismo.

Ele chegou em 2004 ao Brasil, onde foi preso três anos depois. Battisti foi solto da Penitenciária da Papuda, em Brasília, em 9 de junho 2011, e voltou a ser preso em outubro do ano passado na cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, perto da fronteira do Brasil com a Bolívia. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele tentou sair do país ilegalmente com cerca de R$ 25 mil em moeda estrangeira. Após a prisão, Battisti teve a detenção substituída por medidas cautelares.

Ontem (15), o governo da Itália enviou carta a Temer agradecendo a decisão. “Senhor presidente, quero expressar meu mais sincero agradecimento pela decisão de Vossa Excelência sobre o caso do cidadão italiano Cesare Battisti, definitivamente condenado pela Justiça italiana por crimes gravíssimos e que até hoje se subtraiu à execução das relativas sentenças”, diz a mensagem, assinada pelo presidente italiano Sergio Mattarella.

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Posted on 17-12-2018
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 Lute, no jornal

 

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Posted on 17-12-2018
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‘Esquema rachid’ é comum nas casas legislativas

 

O “esquema rachid”, em que funcionários de gabinetes são instados a devolver uma parte do salário que recebem como contrapartida à própria contratação, é uma prática comum nas casas legislativas. Apenas no último ano, quatro parlamentares foram denunciados ao Supremo pela PGR sob essa suspeita.

Diz O Globo:

“Também foram denunciados pela PGR em casos semelhantes os deputados Adalberto Cavalcanti (Avante-PE) e Érika Kokay (PT-DF) e o senador Sérgio Petecão (PSD-AC). No caso de Adalberto, cuja denúncia foi apresentada ao STF em abril deste ano, a PGR aponta que ele e sua secretária parlamentar nomearam uma funcionária fantasma e desviaram cerca de R$ 100 mil do salário que esta deveria ter recebido, para bancar despesas deles próprios (…).

No caso de Érika Kokay, os fatos se referem ao período em que ela era deputada distrital na Câmara do DF. A ex-funcionária Vânia Gomes afirmou em depoimento que o chefe de gabinete da deputada lhe convidou para uma nova função, com acréscimo salarial, mas deixou claro que deveria haver devolução de parte da diferença salarial. A quebra do sigilo bancário confirmou repasses de ao menos R$ 13 mil da assessora para a conta de Érika Kokay”.

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