Aecio Neves operaçao Ross corrupçaoAécio Neves foi alvo da Operação Ross nesta terça-feira. Adriano Machado Reuters

No auge de sua carreira, ainda no último mandato como governador de Minas Gerais, o herdeiro do trono imaginário de estadista nacional deixado por Tancredo Neves era exaltado pela habilidade de ser notado sem ser mal falado. O jeito Aécio de fazer política se baseava na discrição tipicamente mineira e num estilo conciliador que o fez colecionar apoios até mesmo de prefeitos de oposição ao PSDB no Estado. Hoje, atordoado por mais uma denúncia de corrupção —dessa vez na esteira da Operação Ross, em que a Polícia Federal suspeita que ele tenha recebido quase 110 milhões de reais em propina do grupo J&F—, o cacique tucano contempla o fracasso de uma estratégia oposta à que marcou sua trajetória: não ser notado para não ser mal falado.

Até a eleição, 2018 conspirava a favor de Aécio Neves, que viveu 12 meses de alívio e euforia. Após ter sido arrastado para o olho do furacão nos escândalos da Odebrecht e JBS, flagrado pedindo 2 milhões de reais ao empresário Joesley Batista, no ano passado, ele superou obstáculos não só ao escapar da prisão, mas também ao se eleger deputado federal, mantendo, assim, o foro privilegiado. Sua primeira vitória veio em outubro de 2017, quando conseguiu reaver o mandato de senador que havia sido suspenso pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Dois meses depois, o ministro Marco Aurélio Mello, que tinha votado para que Aécio permanecesse em liberdade e com mandato na Primeira Turma, livrou a irmã do tucano, Andrea Neves, de prisão domiciliar, além de permitir que ela voltasse a se comunicar com outros investigados no processo da JBS. Já este ano, o senador comemoraria novos êxitos no STF. Em junho, foi a vez do ministro Gilmar Mendes arquivar o inquérito que apurava o envolvimento do ex-governador no escândalo de lavagem de dinheiro em Furnas. Com a candidatura a deputado lançada, em setembro, obteve mais duas decisões favoráveis no tribunal.

Primeiro, o acolhimento do pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para arquivar o inquérito que apurava a participação do senador no caso conhecido como “mensalão mineiro”. Depois, a ordem do novo presidente do Supremo, Antonio Dias Toffoli, de afastar novamente o promotor Eduardo Nepomuceno de investigações contra Aécio e aliados no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), menos de duas semanas depois de ele determinar a reabertura do inquérito sobre a construção do aeroporto de Cláudio, a 140 km de Belo Horizonte, em 2010, no terreno da família do então governador.

A sequência de boas notícias permitiu que Aécio ganhasse tempo e a tranquilidade necessária para tocar, de forma bastante discreta, a campanha eleitoral em Minas, juntando os cacos do pouco que havia sobrado de seu capital político pelo interior do Estado. Mas, logo depois de celebrar a vaga conquistada na Câmara dos Deputados, o que parecia se encaminhar para um ano de redenção se mostrou um choque de realidade diante das turbulências que o tucano deve ter de enfrentar em seu novo mandato em Brasília.

Passada a eleição, o depoimento de Waldir Rocha Pena, dono de uma rede de supermercados em BH, recolocou Aécio na rota dos escândalos do grupo J&S. O empresário afirmou à Receita Federal que ele recebia dinheiro de propina da JBS em caixas de sabão em pó. A defesa do senador alegou que “a total ausência de provas comprova o caráter mentiroso da afirmação” feita por Pena. Além dele, outros donos de supermercados foram ouvidos na última terça-feira, na sede da Polícia Federal em Belo Horizonte, sobre o esquema de emissão de notas frias supostamente capitaneado por Aécio Neves para financiamento da campanha eleitoral em 2014 e investigado pela Operação Ross.

Ainda em novembro, Dodge pediu ao STF a prorrogação do inquérito contra Aécio nas denúncias da Odebrecht. Na mesma semana, a PGR também conseguiu desarquivar a ação do caso Furnas e, três dias depois, o MP mineiro requisitou a devolução de 11 milhões de reais que teriam sido utilizados no período em que o tucano foi governador para custear mais de 1.000 voos pessoais, sendo 116 deles para o aeroporto de Cláudio. As batidas da PF em seu apartamento e no da irmã nesta terça foram autorizadas por Marco Aurélio Mello, que, em setembro de 2017, para justificar o voto a favor da liberdade de Aécio, exaltara a “carreira política elogiável” do senador. Dessa vez, o ministro voltou rechaçar o pedido de prisão domiciliar tanto para Aécio quanto para os demais investigados na Operação Ross, que tem seu primeiro grande desdobramento um ano depois de Mello solicitar a quebra de sigilo bancário dos irmãos Neves. Em pronunciamento no fim da tarde, Aécio disse que as delações de executivos da JBS “tentam transformar doações feitas a campanhas do PSDB, devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em algo ilícito”.

Fora os oito inquéritos que responde no STF, Aécio ainda tem de lidar com os cabos soltos em seu circuito político. Ele é visto entre lideranças tucanas, sobretudo pelo colega de Senado, Tasso Jereissati, que o sucedeu interinamente na presidência do PSDB, como o principal responsável pela derrocada do partido nas eleições. Enquanto articula apoio para Renan Calheiros (MDB), em retaliação a Tasso, na disputa pela presidência do Senado, o mineiro de 58 anos experimenta o fogo amigo de cardeais como Fernando Henrique Cardoso, que dizem abertamente que Aécio “precisa acertar suas contas com a Justiça” para evitar que escândalos de corrupção sigam respingando no partido.

Os números dão a dimensão do rebaixamento de seu status. Em 2014, ele teve 51 milhões de votos no segundo turno da eleição presidencial. Este ano, foram pouco mais de 100.000 votos para deputado, cargo imposto como exigência de Antonio Anastasia para concorrer a governador. Apenas Aécio venceu seu pleito, mas voltou a sofrer um duro revés em seu berço eleitoral. Anastasia foi atropelado nas urnas por Romeu Zema, do NOVO. O ex-governador também é um dos investigados na Operação Ross, suspeito de conceder benefícios fiscais à JBS a pedido do padrinho político. Outro ativo a que o aecismo se apegava acabou incorporado pela nova direita no Estado: o posto hegemônico do discurso anti-PT, agora exercido pela dobradinha “Bolsozema” após o futuro governador se atrelar à imagem de Bolsonaro para desbancar os favoritos na eleição. Isolado e investigado, Aécio amarga a ruína de só ser notado por ser mal falado.

“Piropo”, Adriana Varela: faixa magistral do álbum “Corazones perversos”, um dos discos mais completos e premiados da historia na discografia argentina. Merecidamente.  Prestem atenção no arranjo sensacional desta música.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Brasília
Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann exibem sua paz.
Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann exibem sua paz. Twitter Joice Hasselmann

A exaltação que tomou conta na última semana de parte da bancada do PSL, com exposição pública e histriônica de desavenças, foi passada em revista nesta quarta-feira, quando os 56 futuros parlamentares tiverem encontro com Jair Bolsonaro para tentar um consenso sobre as primeiras tarefas que terão de desempenhar diante do governo de seu correligionário e principal líder. Fenômeno eleitoral, o PSL é um marco na história dos partidos conservadores brasileiros. A sigla  teve uma ascensão meteórica, na cauda das redes sociais e da onda ultradireitista que elevou Bolsonaro ao poder, e agora prova, às pressas, o figurino governista, com dor e delícia que o traje implica.

Um dia antes do encontro, os deputados – um amálgama heterogêneo de militares da reserva, policiais, outsiders, descendente da família real brasileira, ex-nadador olímpico – tiveram uma espécie de aula com o economista Paulo Guedes, futuro ministro da Economia. Trataram da desburocratização da máquina pública e das reformas econômicas planejadas –algumas impopulares e que precisam, antes de mais nada, do voto do Congresso para avançar. “O ponto fundamental para ser trabalhado é a futura reforma da Previdência, mas não antecipou quais seriam os temas ou as bases do que seria levado para a votação no Congresso”, afirmou o deputado federal Major Olimpio Gomes.

Antes de a base parlamentar ter as primeiras aproximações com a profunda agenda liberal do czar da Economia, a conversa predominante era sobre a falta de entrosamento e a luta intestina que ganhava corpo no partido, que renderam uma puxada de orelha pública do ex-presidente do PSL, Gustavo Bebianno, um dos principais assessores de Bolsonaro e futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência, que deve ser repetida pelo próprio presidente eleito. Bebianno usou um ditado popular para frear os ânimos dos neófitos em Brasília: “Pato novo não mergulha fundo”. Ressaltou que os “marinheiros de primeira viagem” se depararão com uma cidade que tem um “ambiente inóspito” e que deveriam agir com cautela. “O partido tem de estar unido e esses novos deputados precisam ter consciência. A grande maioria foi eleita por conta do Jair Bolsonaro. Se não fosse a onda Bolsonaro, a grande maioria não teria sido eleita. Essa é que é a verdade”.

O principal foco de conflito se deu em torno da jornalista e deputada federal eleita Joice Hasselmann, que incendiou o grupo de WhatsApp dos futuros colegas ao criticar Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, e de demonstrar um racha no partido. Além disso, ela queria assumir um protagonismo que até então não tinha. Acostumada com as redes sociais – assim como a maioria dos eleitos pela sigla –, nas quais recebe mais elogios do que críticas, ela tem se apresentado como uma articuladora do presidente eleito no meio político, o que causou ciúmes entre parte dos parlamentares que já têm mandato.Joice disse que a articulação no Legislativo estava abaixo da “linha da miséria”, chamou Eduardo de “infantil” e que ele deveria “crescer”. Em reposta, Eduardo disse que a fama dela era de louca.

Nesta terça-feira, contudo, os dois litigantes posaram juntos para uma foto, compartilhada por ela em suas redes sociais na qual estão com sorrisos estampados nos rostos e fazendo o gesto de coração com as mãos. Ele com a direita, ela com a esquerda. Na legenda ela diz: “A paz pelo Brasil, pelo governo @jairmessiasbolsonaro e pela nossa bancada do @psl_nacional. Irmão são assim”.

A dúvida é se a trégua será capaz de dissolver o clima nada amistoso que se espalhou entre integrantes da bancada. “Estou com o nosso líder Eduardo. Espero que essa situação se resolva o quanto antes”, disse a deputada eleita Carla Zambelli ao EL PAÍS no fim de semana. “Qual grande partido não tem discussões. Elas são naturais. Na hora que for necessário, estaremos todos unidos”, ponderou o presidente da legenda e deputado federal reeleito, Luciano Bivar. Pensamento parecido com o do deputado eleito Luiz Philippe de Orleans e Bragança, herdeiro da extinta monarquia brasileira. “Os debates são salutares. Me espanta que outras legendas não tenham essas discussões internas”.

Esforço contra o isolamento

Enquanto os deputados do PSL não chegam a consensos, Bolsonaro escalou o deputado Delegado Waldir para iniciar as negociações com outras bancadas na Câmara e o senador eleito Major Olímpio, no Senado. Na Câmara, apenas um partido declarou-se como membro da base de Bolsonaro, o PR, um dos que mais tiveram investigados em escândalos de corrupção como a operação Lava Jato e o mensalão petista. No Senado, ainda não houve avanços notórios. “Como somos novatos no Senado, estamos sendo bem recebidos por todos, mas ainda não fechamos com ninguém formalmente na Casa”, ponderou Olímpio.

A principal dificuldade dos deputados do PSL é furar uma espécie de bloqueio que tem sido feito no qual a maior parte das legendas querem isolá-los juntamente com o PT. A ideia é evitar que os dois partidos que mais elegeram deputados (foram 56 petistas e 52 peesselistas) dominem a composição das principais comissões e da Mesa Diretora. “A bola ainda está rolando. É cedo para dizer quem serão nossos aliados”, amenizou Eduardo Bolsonaro

A profundidade do mergulho de cada um desses novatos será testada apenas em fevereiro, quando tentarão eleger um aliado de Bolsonaro para as presidências da Câmara e do Senado. Até lá, por mais que digam que estão em perfeita sintonia, conviverão com queixas externas e alfinetadas internas, como a que Orleans e Bragança deu em dois de seus colegas pelo Instagram. Ao fotografar Heitor Freire e Nelson Barbudo, dois futuros deputados, ele escreveu em seu Instagram: “Selfies e lives. Vou ter que me acostumar.”

dez
13
Posted on 13-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-12-2018

AGU e futuro ministro reúnem-se com caminhoneiros

 

Grace Mendonça, a advogada-geral da União, e Osmar Terra, o futuro ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro, participaram hoje de reunião com líderes de caminhoneiros, registra o G1.

A chefe da AGU disse que pediu a Luiz Fux para rever sua decisão sobre o frete rodoviário. Na semana passada, o ministro do STF vetou as multas a transportadores que não seguirem a tabela do frete, o que irritou os caminhoneiros.

Terra, por sua vez, afirmou que a categoria não quer oura greve como a de maio deste ano, que paralisou o país. “Está todo mundo querendo que as coisas se resolvam dentro da legalidade.”

dez
13
Posted on 13-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-12-2018

DO JORNAL DO BRASIL

O ex-ministro da Integração Nacional (Governo Lula) e da Fazenda (Governo Itamar Franco) Ciro Gomes (PDT) virou réu em queixa-crime apresentada pelo governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), por supostos crimes de calúnia e difamação. A queixa foi recebida pela juíza Simone de Faria Ferraz, da 16.ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, e é a terceira movida pelo tucano contra o ex-candidato à Presidência.

A defesa de Doria alega que o pedetista teria caluniado e difamado o tucano em diversas ocasiões, chamando-o de “farsante”, “despreparado” e “engomadinho”. O advogado Fernando José da Costa cita evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em maio de 2017 no qual Ciro teria dito que a fortuna de Doria veio de “lobby” e “tráfico de influência” e “dinheiro público dos governos do PSDB de São Paulo e Minas Gerais”.

Macaque in the trees
Ciro Gomes (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Durante a palestra, Ciro teria dito que “esses piqueniques de barão que ele (Doria) promove tudo é financiado por dinheiro público”, alegam os advogados de Doria.

Os advogados de Doria também citam fala do pedetista no qual ele afirma preferir “mil vezes um cara como Bolsonaro do que um farsante como Doria” durante evento do PDT em Brasília, no qual foi nomeado vice-presidente do partido.

A queixa-crime aceita pela Vara Criminal do Rio é a terceira apresentada por Doria contra Ciro Gomes em casos de suposta calúnia e difamação. As outras duas ações foram encaminhadas para varas criminais em São Paulo e Brasília.

Ao todo, o Ciro Gomes se tornou réu por dois delitos de calúnia e quatro de difamação. Ao aceitar a queixa-crime, a juíza Simone Ferraz afirma que os fatos apresentados nos autos conferem “a justa causa necessária para o recebimento da denúncia”. A magistrada concedeu dez dias à defesa de Ciro Gomes para apresentação de uma resposta por escrito.

Defesa

Segundo a assessoria de Ciro Gomes, a defesa ainda não foi notificada da decisão e somente irá comentar após notificação.

dez
13
Posted on 13-12-2018
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Clayton, no jornal

 

dez
13
Posted on 13-12-2018
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Do  Jornal do Brasil

Morreu nesta quarta-feira (12) o idoso, de 84 anos, que foi atingido no tórax e no abdômen durante o tiroteio na Igreja Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo, na última terça-feira (11). Com isso, o número de mortos no atentado sobe para cinco.

Um dia após um atirador matar cinco pessoas na Catedral de Campinas, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, reafirmou a posição do órgão contra a flexibilização do acesso à posse e ao porte de armas.

“O que aconteceu em São Paulo é extremamente preocupante e o Brasil precisa ter políticas públicas para o combate desse tipo de situação. Mas não vejo armar as pessoas como uma forma de minimizar problemas na área de segurança pública”, afirmou Lamachia em coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre as mortes, durante um evento que reúne governadores eleitos de todo o Brasil para discutir a violência no país.

Por volta das 13h desta terça-feira (11), um homem de 49 anos entrou na Catedral Metropolitana de Campinas, no interior paulista, e atirou contra oito pessoas que estavam rezando no local. Quatro pessoas morreram e as outras foram socorridas. Segundo a polícia, agentes entraram na igreja e dispararam contra o homem. Ele, então, teria caído no chão e se matado em seguida.

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Homem atira durante missa e mata pelo menos quatro e suicida em Campinas (Foto: ARI FERREIRA / AFP)

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