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Luiz Brasil

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CRÔNICA

Eu e Luiz Brasil na noite do sertão

 

Janio Ferreira Soares

No final de novembro aconteceu por aqui o 10º Flipa (Festival Literário de Paulo Afonso), que desta vez ganhou a companhia do PA Jazz Festival, numa junção pra lá de perfeita. Durante dois dias o belíssimo Parque Belvedere, localizado em frente ao lago da barragem Delmiro Gouveia, foi cenário de palestras, lançamentos de livros e muita música a uma distância enorme da trilogia corno-cachaça-rapariga, que parece andar me perseguindo através de enormes paredões sonoros, provavelmente tentando me convencer a aceitar a batida da bateria de Riquelme no meu coração. Vai, pastor Safadão, vai!

Mas como eu dizia antes de tergiversar por versos onde Red Bull rima com uh!, uh!, pouco antes do sol sumir por trás dos tamarineiros sombreando o palco, passaram por lá músicos como Hamilton de Holanda, o saxofonista Derico, Flávio Venturini, o baixista Fernando Nunes, Davi Moraes, os guitarristas pauloafonsinos Luciano Magno e Igor Gnomo (um dos idealizadores do Jazz), além do ótimo espetáculo Eu Organizo o Movimento, no qual a atriz e bailarina Ana Paula Bouzas, ao som da guitarra de Luiz Brasil fraseando canções que vão de Tom Zé a David Bowie, usa seu corpo para sintetizar de uma forma bela e crua o que atualmente anda rolando neste nosso fragmentado País. Simbora.

Afora a alegria de observar o encanto do público pelo que assistia e a respectiva felicidade de artistas que talvez não esperassem ver aquilo que viam, um fato em particular me deixou bastante feliz, que foi poder reencontrar Luiz Brasil, um querido amigo com quem não cruzava desde que nos conhecemos numa Salvador ainda analogicamente linda, onde os encontros, quase nunca marcados, aconteciam simplesmente pelo apurado faro dos velhos vira-latas que pressentiam de longe o local das reuniões das matilhas.

Pois bem, depois de anos só de papo por e-mails, finalmente peguei Luiz no hotel, compramos umas garrafas de um vinho bem diferente do Capelinha que bebíamos com Octávio Américo e Helinho no Solar do Unhão e fomos para o meu sítio colocar o papo em dia. E entre goles e garfadas num macarrão de última hora feito por minha filha Luiza, lembramos boas histórias da época do Mar Revolto; do show Fina Estampa, de Caetano Veloso, com quem ele tocou por mais de 10 anos; das presepadas de Cássia Eller na excursão do Acústico MTV, disco que lhe deu um Grammy e um Prêmio Multishow; de sua quase participação num filme de Almodóvar…, mas aí chegou a hora da passagem de som e tivemos que voltar.

Mais tarde, enquanto Flávio Venturini terminava de cantar Céu de Santo Amaro e a lua cheia surgia sobre as comportas da barragem, ergui um brinde ao raro instante e peguei a estrada de volta pra casa sob um luar que, como dizia mestre Catulo, só neste velho sertão.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco

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