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O bichinho da sustentabilidade me pegou
Maria Aparecida Torneros
Em 2005, eu trabalhava na área de Comunicação da secretaria estadual de Meio Ambiente no Rio de Janeiro. O secretário era o arquiteto Luiz Paulo Conde. Este sugeriu que eu cursasse o MBA em gestão ambiental da escola politécnica da UFRJ, dirigido pelo Professor Haroldo de Mattos Lemos. Fiz o curso que durou um ano de 18 às 22 h, de segunda à sexta, incluindo viagens para trabalho em campo o que me levou ao Espírito Santo para visitar a Aracruz celulose por exemplo. Mas, participações em encontros nacionais como o Seminário sobre problemas de hidrologia, pude participar em João Pessoa de uma semana de discussões que ferviam naqueles dias, sobre a transposição do Rio São Francisco. Fomos ver de perto em outra ocasião, o sistema Guandu, de abastecimento de água do Rio de Janeiro e lembro das aulas sobre destino de resíduos, manipulação do lixo, além dos conceitos apavorantes sobre as pesquisas em torno do aquecimento global, de cunho científico inquestionável. Algumas vezes, dr. Conde me perguntava o que eu estava achando do curso. Minhas respostas eram sobre minhas depressões pessoais, a nível emocional, pois constatava diariamente o quanto o modelo consumista era auto destrutivo para o Planeta Terra. De cunho capitalista, baseado na exploração aparentemente inesgotável das riquezas naturais, esse modus vivendi capitalista mantido pela busca insana do lucro, queima de combustíveis fósseis, indústria automobilística, agronegócio alimentado pelo viés carnívoro, exploração desmedida de mares, um sem número de hábitos acumuladores por parte das Nações mais ricas em detrimento dos povos pobres, tudo isso me fazia repensar sobre os caminhos da humanidade naquele 2005.
Eu cursei e fiz monografia. Mas sabia que ia me aposentar em menos de dez anos e talvez não trabalhasse efetivamente com meio ambiente no meu dia-a-dia.
Entretanto, o bichinho da sustentabilidade me pegou. Em 2009, viajando pela Europa, fiquei deslumbrada ao ver os imensos ventiladores da energia eólica e os veículos movidos à eletricidade que iniciavam a busca humana por sobrevivência alternativa aos modelos depredadores  por nós excessivamente utilizados.
Na Verdade, pouco mudou. Acompanhei a Rio 92 como jornalista. Fui na Rio mais 20 como ativista. Torci pelo acordo de Paris com esperança. Nos dias atuais padeço de certa desesperança face aos dramas da emissão de dióxido de carbono de países como China e Estados Unidos, sendo que estes, na era Trump, sairam do acordo de Paris.
Para completar minhas reservas pessoais, observo que o Brasil, da era Bolsonaro, já não vai sediar a COP 25, o que parece cortar a trajetória de luta da brava gente brasileira que sonha com a sustentabilidade possível.
Ao que tudo indica, o nome do novo ministro da pasta do Meio Ambiente deverá se alinhar à ideologia do governo recém eleito que nega em tese os argumentos comprovados da necessidade de mudarmos o curso da estrada. Conter desmatamento e preservar áreas florestais é dever nacional. Empregar energias de fontes limpas é necessidade. Manter-se no acordo de Paris, é ato de consciência humanitária, afinal.
Nossas vidas humanas, animais, vegetaisvão nos agradecer nos séculos vindouros. Se diminuirmos lucros, valerá por salvarmos a natureza explendorosa e pudermos salvar gerações hoje imersas na miséria da desesperança de um futuro supra ideológico. Maior que a ultrapassada guerra entre esquerda e direita ou entre riqueza e pobreza, está o elo quase perdido entre manter a Terra viva ou acelerar seu trágico fim. Cida Torneros é jornalista e, escritora, mora no Rio de Janeiro, colaboradora da primeira hora do Bahia em Pauta

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