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Do  Jornal do Brasil

A advogada Damares Alves assumirá o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. O nome foi anunciado hoje (6) pelo ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, confirmado para a Casa Civil. Assessora do senador Magno Malta (PR-ES), Damares comandará a pasta que será criada no governo de Jair Bolsonaro, a partir de janeiro.

O novo ministério também vai agregar ainda Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável pela demarcação de terras indígenas e políticas voltadas para esses povos.

Com este anúncio, a equipe ministerial já conta com 21 ministros. Segundo Onyx Lorenzoni, o presidente eleito continua refletindo sobre a escolha para o Ministério do Meio Ambiente, a última pasta a ter o titular definido.

>> Damares Alves é a segunda mulher anunciada para compor governo Bolsonaro

Apoiada por setores evangélicos, Damares Alves, que também é pastora, afirmou que terá como prioridade as políticas públicas para mulheres. Segunda ela, o objetivo é avançar nas metas que ainda não foram alcançadas e propôs um pacto nacional pela infância.

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Damares Alves (Foto: Futura Press)

“A pasta é muito grande, muito ampla e agora a gente está trazendo para a pasta a Funai. Nós vamos trazer para o protagonismo políticas públicas que ainda não chegaram até às mulheres, e às mulheres que ainda não foram alcançadas pelas políticas públicas.”

De acordo com Damares Alves, a prioridade será para a “mulher ribeirinha, a mulher pescadora, a mulher catadora de siri, a quebradora de coco”. “Essas mulheres que estão anônimas e invisíveis, elas virão para o protagonismo nessa pasta. Na questão da infância, vamos dar uma atenção especial, porque está vindo para a pasta também a Secretaria da Infância, e o objetivo é propor para a Nação um grande impacto pela infância, um pacto de verdade pela infância”, disse.

Funai

A futura ministra negou que dificuldades e controvérsias envolvendo a Funai serão problemas. “Funai não é problema neste governo, índio não é problema. O presidente só estava esperando o melhor lugar para colocar a Funai. E nós entendemos que é o Ministério dos Direitos Humanos, porque índio é gente, e índio precisa ser visto de uma forma como um todo. Índio não é só terra, índio também é gente”, afirmou.

Pela manhã, indígenas de diversas etnias, vinculados à Articulação de Povos Indígenas do Brasil (Apib), estiveram no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e protestaram contra a desvinculação da Funai do Ministério da Justiça.

Os indígenas entregaram uma carta a integrantes do governo de transição. Dois representantes do grupo se reuniram com integrantes do futuro governo. Segundo os indígenas, a manutenção da autarquia na pasta da Justiça daria mais segurança na defesa de seus direitos.

Do Jornal do Brasil

 

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou o deputado federal Lúcio Vieira Lima, o ex- ministro Geddel Vieira Lima, a mãe dos dois políticos, Marluce Vieira Lima e outras cinco pessoas pelo crime de peculato. O grupo é acusado de se apropriar de recursos públicos destinados ao pagamento de salários de secretários lotados no gabinete do parlamentar. A prática criminosa foi apurada em inquérito instaurado em decorrência de outra investigação: a referente aos R$ 51 milhões encontrados em setembro do ano passado em um apartamento da família, em Salvador. Ainda em 2017, os irmãos foram denunciados por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Na época, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou como origem do dinheiro práticas criminosas como corrupção e peculato.

Na denúncia protocolada nesta quarta-feira (5), Raquel Dodge destaca que, conforme ficou comprovado, a origem do dinheiro apreendido era de crimes antecedentes distribuídos em três grupos, sendo dois ligados a práticas de corrupção e que são objeto de apuração no âmbito das Operações Lava Jato e Cui Bono. O terceiro grupo é referente a peculato, decorrente da apropriação, por parte da família Vieira Lima de até 80% dos vencimentos destinados aos secretários parlamentares Job Ribeiro Brandão, Valério Sampaio Sousa Júnior, Cláudia Ribeiro Santana, Milene Pena e Paulo Cezar Batista. Investigada em inquérito próprio, a apropriação dos salários foi comprovada por provas documentais e testemunhais, como frisou a procuradora-geral na denúncia.

As investigações revelaram a existência de “funcionários fantasmas” no gabinete de Lúcio Vieira Lima bem como a relação criminosa estabelecida a partir de indicações para cargos em comissão pelo parlamentar. De acordo com as provas coletadas ficou claro que o assessores atuavam para suprir interesses domésticos, pessoais e de negócios da família Vieira Lima. Entre as atividades desenvolvidas pelos assessores a denúncia cita serviços de contabilidade, motorista e até de cuidador. “Outros funcionários moravam em cidades distantes de Salvador e de Brasília e, confessadamente, nunca exerceram qualquer função relacionada à Câmara dos Deputados, órgão que por anos os remunerou”, pontua a PGR em um dos trechos da denúncia.

Ao detalhar o crime de peculato, Raquel Dodge afirma que, apenas no caso de Job Ribeiro Brandão , foram desviados R$4,3 milhões ao longo de 27 anos, período em que, mesmo ocupando o cargo de secretário parlamentar, desenvolveu atividades privadas. A primeira nomeação para a função pública aconteceu em 1989, quando o parlamentar era Afrísio Vieira Lima, o pai de Lúcio e Geddel, que também indicaram o empregado da família para o quadro de servidores comissionados da Câmara dos Deputados. Ele só foi exonerado em outubro de 2017, depois que as suspeitas de peculato se tornaram públicas.

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Geddel Vieira Lima (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

A informação de que parte do salário era apropriada pelos parlamentares foi confirmada em depoimento por Job Brandão que também confirmou jamais ter exercido as funções típicas de assessor parlamentar. “Job tomou posse por procuração e nunca trabalhou nos gabinetes de Lúcio e de Geddel, em Brasília. Nunca trabalhou em sedes de partidos, nem em escritórios de apoio parlamentar no estado de origem (…) Não se dirigia nem interagia com o eleitorado ou lideranças políticas. Nunca teve sua jornada de trabalho ou frequência aferida ou informada à Câmara dos Deputados”, enfatizou a denúncia. Além das informações fornecidas pelo próprio Job, outras testemunhas ouvidas pelos investigadores confirmaram que o assessor parlamentar prestava serviços domésticos e ajudava a gerenciar os negócios da família vieira Lima.

A cerca de Job Brandão, a PGR esclarece que não ofereceu denúncia quanto ao crime de peculato porque o assessor colaborou durante as investigações revelando aspectos do esquema, até então desconhecidos pelo MPF.

Outros funcionários fantasmas – Na denúncia, a PGR detalha ainda que além de Job Brandão, Valério Sampaio Sousa Júnior e Cláudia Ribeiro Santana também foram nomeados como secretários parlamentares sem ter prestado nenhum serviço à Câmara dos Deputados. No caso de Valério Júnior, a prática criminosa começou em 2010 e só terminou em 2017. No período, o prejuízo aos cofres públicos, segundo a denúncia, foi de R$ 646,7 mil. As investigações revelaram que entre 2010 e 2015, Valério Júnior morava e estudava em Vitória da Conquista (BA).

No caso de Cláudia Ribeiro, a Câmara dos Deputados gastou R$ 90,8 mil em salários, embora ela nunca tenha prestado serviço público. Residente em Teixeira de Freitas (BA), Claúdia – ao ser interrogada – não soube sequer dizer onde ficam os escritórios de representação do deputado Lúcio Vieira Lima. A denúncia relata, ainda, desvios de recursos públicos decorrentes das nomeações de Milene Pena Miranda (R$ 26 mil) e Paulo Cezar Batista (183,8 mil). Somados, os valores desviados no caso das nomeações indevidas ultrapassam R$ 5,2 milhões.

Pedidos – Na denúncia, Raquel Dodge pediu que os envolvidos respondam por peculato com pena acrescida pela quantidade de vezes em que o crime foi praticado. Apenas Lúcio praticou o crime de peculato 520 vezes. Também requereu que os envolvidos sejam obrigados a ressarcir os cofres públicos por danos materiais e que o valor a ser pago seja corrigido monetariamente desde a data do recebimento indevido e que paguem indenização por danos morais em montante equivalente ao dobro do total desviado. Raquel Dodge pediu ainda que seja decretada a perda da função pública dos acusados que ocupam cargo ou emprego público ou mandato eletivo. A denúncia será analisada pelo relator do caso no STF, o ministro Alexandre de Moraes.

“Presente de Natal”, João Gilberto: O Papai Bossa Nova, origina e desconcertante nesta gravação de um tema natalino. Feliz Natal ouvintes e leitores do Bahia em Pauta .

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo Soares)

 

MBL Movimento Brasil Livre
Kim Kataguiri, Arthur do Val e Fernando Holiday, lideranças do MBL, neste ano após as eleições. Karime Xavier Folhapress
  

O Movimento Brasil Livre (MBL) se prepara para a sua segunda metamorfose. Começou no final de 2014 como um grupo que se dizia apartidário e anticorrupção para pedir o impeachment de Dilma Rousseff e defender o liberalismo econômico. Missão cumprida. Depois, passou a se associar a partidos de centro-direita, como o DEM, para eleger algumas de suas lideranças para legislativos municipais nas eleições de 2016, ao mesmo tempo que se expandia nas redes e se colocava como tropa de choque de pautas conservadoras. Agora, após eleger com grandes votações alguns de seus principais líderes, desenha a sua estratégia para continuar a ser influente no Brasil do governo ultradireitista Jair Bolsonaro, a cuja candidatura só aderiu por completo no segundo turno. Para isso acaba de lançar seu braço estudantil, que competirá com a tradicional e à esquerda União Nacional dos Estudantes (UNE), assim como estuda maneiras de transformar a sigla em um partido político formal, conforme explicou Pedro D´Eyrot ao EL PAÍS.

Há quase quatro anos, o EL PAÍS descrevia o MBL como um grupo de jovens que poderia ser facilmente confundido com uma banda de indie-rock. Na época, seus integrantes não tinham respostas para pautas como redução da maioridade penal ou aborto. Muito menos ouvia-se falar do Escola sem Partido. O tempo passou, novos membros chegaram e muitos deles passaram a usar terno e gravata conforme se filiavam a partidos e concorriam a eleições. Pautas conservadoras no campo dos costumes também foram abraçadas —a aparência descolada e o perfil de algumas de suas lideranças poderiam sugerir o contrário— ao mesmo tempo em que criavam um ecossistema de páginas e perfis na Internet que não raramente lançam mão de notícias distorcidas, fake news e difamação contra figuras públicas e jornalistas. Nem por isso se afastaram de um público mais jovem de direita que busca participação e representatividade. Nas últimas eleições, lideranças como Kim Kataguiri, deputado federal eleito por São Paulo, e Arthur do Val, deputado estadual eleito em São Paulo, estiveram entre os mais votados.

Com todo esse caminho trilhado e bagagem acumulada, acabam de lançar o chamado MBL Estudantil, que pretende estar presente tanto nas escolas como nas universidades, pautado pelos mesmos princípios do movimento: “A defesa da liberdade econômica e dos valores culturais do ocidente como a democracia, a filosofia grega e a moral judaico-cristã”, explica D’Eyrot, uma das lideranças do grupo desde o seu início.

Jovens de todas as idades poderão encontrar no website do grupo cartilhas, vídeos e outros materiais que serão produzidos especialmente para eles, “a fim de formar um exército de estudantes com pensamento liberal-conservador para que possam disseminar esse conteúdo em sala e fazer oposição a qualquer discurso da esquerda no ambiente estudantil”, afirma D’Eyrot. Também poderão encontrar e formar núcleos dentro de suas instituições de ensino. Contudo, a formação de núcleos estará restrita para alunos a partir do quinto ano do ensino fundamental 2 até universitários.

A decisão de lançar a nova vertente do grupo vem num momento de avanço do projeto do Escola sem Partido na Câmara dos Deputados. O projeto, apoiado pelo MBL, é defendido como uma forma de frear a doutrinação dentro da sala de aula, mas críticos o enxergam como uma tentativa de censurar e perseguir a professores. Como o MBL Estudantil vai se posicionar com relação ao projeto e dialogar com os professores? “Um não anula o outro”, argumenta D’Eyrot, para quem o projeto que tramita na Câmara “mostrará aos estudantes que eles têm o direito de receber um educação livre de vieses, que seus professores não podem utilizar os espaços acadêmicos para disseminar suas ideologias”. Nesse sentido, explica, o MBL Estudantil pretende “promover uma conscientização” dos alunos. Se “os professores insistirem em levar suas ideologias para as salas, terão de debater com os alunos, que estarão capacitados para refutar suas ideias e prontos para impedir que os demais sejam doutrinados em sala de aula”, argumenta.

Os membros do MBL posam para o EL PAÍS em dezembro de 2014, logo após o surgimento do grupo.
Os membros do MBL posam para o EL PAÍS em dezembro de 2014, logo após o surgimento do grupo. Victor Moriyama
 O braço estudantil foi lançado durante o 4º Congresso Nacional do MBL, realizado em São Paulo nos dias 23 e 24 de novembro. Ainda não está claro se vai participar de eleições na União Nacional dos Estudantes (UNE) ou na União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), conforme chegou a admitir Renan Santos ao Buzzfeed: “Vamos concorrer para encerrar a UNE, abrir as contas da UNE, mostrar tudo e fechar a entidade. E, se estudantes quiserem organizar uma coisa nova, que criem após assembleia realmente democrática. E nós nem disputaremos. Eles começam algo do zero e nós saímos”. D’Eyrot desconversa. Diz que não é a prioridade, mas que “pode acontecer”. Em outro momento, diz que a questão ainda está em discussão e que o MBL não acredita “em uma representatividade universal dos estudantes como a UNE se propõe”. E acrescenta: “Em especial, não acreditamos que este tipo de entidade deva ser financiada com rios de dinheiro público e que, ao invés de representar os estudantes, se preste exclusivamente a fazer militância de esquerda. Se pudermos acabar com a UNE, ótimo”.

Por enquanto, a ideia é que seja um modelo “o mais abrangente possível”. A decisão de lançá-lo veio a partir da constatação de que “os estudantes não se sentem representados por ninguém”. A referência é a UNE, principal e mais antiga entidade estudantil brasileira, lançada em 1938 para representar os alunos do ensino superior. Vinculada historicamente a partidos de esquerda, foi responsável por lançar alguns de seus principais quadros na política, como o deputado federal Orlando Silva (PCdoB) e os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e José Serra (PSDB-SP) —este último presidia a organização em 1964, na ocasião do golpe militar, e acabou exilado junto com outros estudantes.

“Alguém sabe dizer alguma conquista [da UNE]? Nenhum estado atingir as metas do IDEB? Queda atrás de queda do Brasil em rankings internacionais?”, questiona D’Eyrot, que cita índices relativos ao ensino básico. “Nas redes sociais, milhares de estudantes pedem todos os dias a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as contas UNE, não foi necessário muito esforço para ver o desejo dos estudantes de um movimento que faça a voz deles serem verdadeiramente ecoadas”.

Na manhã do último dia 23, a fila para participar do primeiro dia do 4º Congresso Nacional do MBL, numa casa noturna da avenida Francisco Matarazzo, estava repleta de jovens aos quais o grupo pretende atrair para suas fileiras. Com ingressos esgotados, o evento proporcionou o chamado MBL Experience. O EL PAÍS não foi autorizado a estar no evento sob a justificativa de que as credenciais de imprensa haviam se esgotado, mas o Buzzfeed descreveu a novidade como uma espécie de curso de formação misturado com entretenimento em que se passou táticas e comunicação e de organização de manifestações, além de diretrizes sobre como esses jovens deveriam se portar para ganhar voz no mundo político. Em determinado momento, conta o Buzzfeed, D’Eyrot reivindicou diante de uma plateia de quase 1.000 pessoas o legado da contracultura e da rebeldia de décadas atrás. “Nós somos os punk rockers, nós somos os subversivos de hoje. Quando falamos da biologia, que existe homem e mulher, e não 50 gêneros, estamos sendo subversivos”, defendeu.

“O MBL Experience faz parte de todo o universo MBL, não somente ao MBL Estudantil”, explica D’Eyrot ao EL PAÍS. “Porém, como percebemos que o público mais jovem curtiu o estilo, a partir do próximo ano, nossos congressos estaduais levarão o MBL Experience por todo o Brasil (assim como diversos outros eventos que estamos organizando) com atividades para os estudantes”, acrescenta.

O MBL também pretende se transformar em um partido, ainda que as fórmulas para se chegar a isso ainda não estejam definidas. Uma opção é fundar um partido do zero, o que exigiria um longo caminho a percorrer para cumprir as exigências da Justiça Eleitoral. O mais viável, segundo adiantou algumas de suas lideranças para a Folha de S. Paulo, seria adotar alguma legenda que não tenha passado na cláusula de desempenho. “Estamos amadurecendo e analisando as propostas e alternativas”, explica D’Eyrot. A ideia é antiga, mas parece ter ganhado novo impulso após uma viagem do núcleo duro do grupo a um sítio em Jundiaí, onde, conforme relatou a Folha, ficaram offline para repensar as estratégias e rumos pós-eleições. D’Eyrot disse que o encontro foi produtivo, mas prefere não dar mais detalhes por agora. “Há vantagens e desvantagens em se ter um partido. Estamos amadurecendo e analisando as propostas e alternativas”.

Publicamente o MBL promete manter sua independência do governo Bolsonaro, a cuja candidatura só aderiu completamente a partir do segundo turno. Antes disso, o movimento tentou alavancar o então prefeito João Doria, que queria a presidência mas acabou se elegendo para o governo do Estado. Depois, defendeu abertamente a pré-candidatura de Flavio Rocha (PRB), dono da Riachuelo. Não vingou. Com o bolsonarismo vitorioso, diz apoiar a agenda de reformas de futuro ministro da Economia Paulo Guedes, um dos convidados do 4º Congresso Nacional, ao mesmo tempo que alguns de seus membros dizem não concordar integralmente com o presidente eleito.

 

BRASÍLIA – Preterido pelo governo de Jair Bolsonaro, o senador Magno Malta (PR-ES) tentou minimizar nesta quarta-feira, 5, qualquer sentimento de frustração. Ao voltar para o Senado, após o futuro governo escolher quase todos seus ministros, Malta disse que o compromisso dele com o presidente eleito se encerrou no dia 28 de outubro, data do segundo turno das eleições 2018.

“Meu compromisso com o Bolsonaro foi até dia 28, às 19h30. Nós tínhamos um projeto de tirar o Brasil do viés ideológico e nosso compromisso acabou no dia 28. Bolsonaro não tem nenhum compromisso comigo”, afirmou ao deixar o Plenário do Senado, após o encerramento da sessão.

Magno não quis parar para responder as perguntas da imprensa sobre o assunto, caminhou em direção ao gabinete pessoal enquanto era questionado e, por isso, falou por apenas três minutos, aproximadamente. Gesticulando bastante, ele negou qualquer tipo de arrependimento.

“De jeito nenhum (me arrependo de ter me dedicado). Continuo lutando por ele, defendendo ele, acredito nele, acredito no caráter dele. É o homem para o Brasil. Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo”, afirmou. “Não sou homem de frustração. Sou homem de luta e luto por aquilo que acredito. Eu sou homem que depende de Deus, acredito nas coisas de Deus. Deus levantou Bolsonaro e pronto”, resumiu.

O senador também ouviu perguntas sobre a declaração de Bolsonaro, que, mais cedo, justificou dizendo que ministério para Magno Malta, no momento, “não era adequado”. “Aí você tem que perguntar pra ele. Não interpretei (essa resposta de Bolsonaro). Ele é o presidente. Como eu montei meu gabinete, ele tem que montar o dele”, afirmou antes de tentar jogar a interpretação para o repórter que o questionou. “Se você não está entendendo, você tem que procurar, deduzir. Não sou eu que vou responder pra você. Entendo que ele é o presidente, mas quem tem que montar o gabinete dele é ele”, complementou.

O senador do PR ainda negou que tenha indicado sua assessora parlamentar e pastora evangélica Damares Alves para o comando do ministério dos Direitos Humanos, mas a classificou como uma “mulher completa”. “Ela foi convidada por competência própria. Não foi indicada por mim. Damares é uma mulher repleta, completa, conhece as questões dos índios, das crianças, de drogas, de automutilação. Todas as bandeiras que eu defendo, ela sabe muito. Não fui eu que indiquei e ela é preparada para tal”, disse.

Por fim, Magno Malta foi questionado sobre qual avaliação o eleitorado faria da sua ausência no governo. “Isso é normal. Eu cruzei o Brasil inteiro levando a mensagem juntamente com ele. As pessoas me conheceram, as pessoas sabem, mas as coisas não são assim. As coisas não dependem de mim, dependem de Deus”, disse.

DO BLOG O ANTAGONISTA

Cônsul da França responde a Alexandre Garcia

 

O cônsul da França em São Paulo, Brieuc Pont, não gostou da observação de Alexandre Garcia sobre os distúrbios em Paris causados pelos “coletes amarelos”.

No Twitter, Garcia comparou o general nazista Dietrich Von Choltitz, que comandou a ocupação de Paris, ao presidente Emmanuel Macron.

”Incrível admitir que Von Choltitz defendeu Paris mais que Macron, mesmo sob ameaça de ser fuzilado por Hitler”, comparou Garcia.

Brieuc respondeu também pelo Twitter:

 

O

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Posted on 06-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-12-2018



 

 J. Bosco, no jornal

 

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06

Em um evento que discute a prevenção da violência doméstica contra a mulher realizado no Conselho Nacional do Ministério Público nesta quarta-feira, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, cobrou o esclarecimento do assassinato da vereadora Marielle Franco, que, segundo ela, foi uma importante ativista e defensora dos direitos humanos no Rio de Janeiro.

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vereadora Marielle Franco (Foto: reprodução)

“(Marielle Franco) Emprestou a sua voz em favor de populações mais excluídas e seu assassinato é uma expressão da violência contra a mulher e contra a mulher negra que quer ocupar espaço de poder no nosso País e, portanto, necessita ser o quanto antes esclarecido”, disse Raquel Dodge, que foi aplaudida na sequência.

Defensora dos direitos de moradores de favelas, negros, mulheres e da população LGBT, Marielle levou quatro tiros na cabeça dentro de seu carro na noite de 14 de março. Ela e seu motorista saíam de um evento no Estácio, região central do Rio, quando foram executados. Foi noticiado que as câmeras de segurança da prefeitura do ponto exato onde ocorreu o crime haviam sido desligadas, mas não houve maiores esclarecimentos.

Investigação

No final de novembro, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que não há garantias de que o assassinato da vereadora e de seu motorista conseguirá ser elucidado ainda este ano. Segundo Jungmann, “existiria uma grande articulação envolvendo agentes públicos, milicianos e políticos” atuando para impedir a resolução do caso. “Eu diria que (o envolvimento deles no crime) é mais do que uma certeza”, insistiu.

À época, Jungmann declarou que a Polícia Federal (PF) passou a atuar mais diretamente no caso no início de novembro, apesar de ter se oferecido para ajudar nas investigações no dia seguinte ao assassinato, em março – o que foi descartado pelo governo do Estado.

“A Polícia Federal – que nós oferecemos mais de uma vez que ela viesse para cá – é uma das melhores polícias investigativas do mundo, e eu acredito que ela vai, sim, avançar. Vai avançar esclarecendo o complô dos poderosos, dos podres poderes, que eu tenho certeza que é fundamental acabar com eles para o bem da sociedade do Rio de Janeiro”, afirmou Jungmann.

Apesar de admitir que o caso talvez ainda demore, Jungmann assegurou que o mesmo será elucidado. “Nós vamos chegar em quem for. A Polícia Federal tem distanciamento suficiente, e é fundamental para poder avançar nesse processo de faxina do Rio de Janeiro, e é disso que se trata.”

No início de novembro, o ex-juiz federal Sérgio Moro afirmou que, assumindo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública do Governo Bolsonaro (PSL), vai ver “o que é possível fazer” no caso do assassinato da vereadora e do motorista.

“Não desconheço o problema que envolve o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do senhor Anderson Gomes, acho que é um crime que tem que ser solucionado. Assumindo o Ministério, pretendo me inteirar melhor dessas questões e ver o que é possível fazer no âmbito do Ministério”, declarou Moro na ocasião.

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