OPINIÃO
Protesto em Málaga contra a ascensão do partido de extrema-direita Vox
Protesto em Málaga contra a ascensão do partido de extrema-direita Vox Álvaro Cabrera EFE

 

Existe tamanha perplexidade com as redes sociais que sobre elas recaem as teorias mais extravagantes e contrapostas. Há quem as veja como o verdugo que acabará com a democracia tradicional tal qual a vivemos. E há quem chegue a concebê-las como o milagre que fará a democracia ressuscitar da crise de identidade em que hoje se encontra.

Quem observa esse novo fenômeno de comunicação mundial, através dos frutos que está conseguindo com a multiplicação de governos autoritários e até fascistas, acredita que as redes sociais representarão a morte da democracia tal como a conhecemos até agora.

Três episódios atuais poderiam condenar, com efeito, as redes como portadoras de governos autoritários e de extrema direita: Trump nos EUA, coração da maior democracia do mundo; Bolsonaro no Brasil, o coração econômico da América Latina; e agora o despertar na Andaluzia (Espanha) do Vox, um partido ultraconservador, até ontem insignificante, cujo repentino triunfo contribuiu para interromper quase 40 anos de domínio socialista naquela emblemática região, pátria de Felipe González.

Nesses três exemplos emblemáticos, as redes sociais tiveram mais força no triunfo eleitoral que os poderosos meios de comunicação do passado, dos grandes jornais às emissoras de rádio e televisão. E isso gerou alarme.

Existe também quem prefira ver o fenômeno das redes sob um prisma menos pessimista, como um instrumento que, se hoje aparece como inimigo da democracia, poderia, no final do caminho, apresentar duas importantes finalidades.

A primeira, embora possa parecer paradoxal, seria ter se transformado num instrumento com o qual estamos descobrindo que nossa democracia tradicional, que acreditávamos imune a todas as investidas fascistas e fundamentalistas, está doente.

As redes estariam revelando que um dos fundamentos da democracia, como a participação real e direta da sociedade e dos indivíduos na gestão do poder, fracassou. Os representantes políticos haviam se entrincheirado em seus castelos murados e revestidos de privilégios que ofendem a democracia. E se esquecido da praça onde se arrisca a vida.

As redes estariam sendo o alarme de que a sociedade da comunicação global já não aceita passivamente certo modo de encarnar a democracia. Não seriam as culpadas por seu desmoronamento, e sim as reveladoras de que as novas gerações já não reconhecem os antigos valores nos quais a democracia se fundamentava. Ou os consideram prostituídos.

Uma visão menos pessimista e até esperançosa das redes, uma vez desintoxicadas de seus excessos e pecados, de sua dificuldade de administrar esse novo modo de comunicação direta e global, chega até a imaginar que elas poderiam ajudar a ressuscitar a democracia.

Uma ressurreição que comportaria não só recuperar a essência libertária da democracia e purificá-la, mas também reinventá-la.

Sempre se disse que a democracia não é o melhor dos governos, mas que até agora não havia sido encontrado nada melhor para que os povos vivessem em liberdade e justiça. Se for assim, cabe sempre abrir novos horizontes dentro dela. Cabe purificá-la das suas escórias que a converteram em alvo de rejeição de milhões de eleitores no mundo.

Feliz paradoxo, poderiam as conturbadas e hoje ainda perigosas redes sociais serem chamadas a recriar uma democracia que realmente faça jus ao seu nome e às suas origens. Que encarne os desejos de uma nova Humanidade descontente com o presente e em busca, embora às vezes por caminhos distorcidos, de uma nova terra prometida. Uma democracia mais de todos, e não só do punhado de privilegiados que se servem dela como curinga para seus caprichos e interesses pessoais.

A democracia é essencialmente irradiação da liberdade pessoal e comunitária. A liberdade de expressão sempre foi seu fulcro como antídoto contra as tentações do poder absoluto.

As redes sociais poderiam estar convocadas a colaborar nessa batalha da liberdade de expressão como contraponto a um poder cada vez mais encastelado em querer governar à custa da opinião pública.

Se as redes sociais forem chamadas a obrigar o poder a atuar sob a luz do sol, e não escondido nos subterrâneos, já deveriam merecer nosso aplauso e até nosso agradecimento.

O que precisamos é estarmos alertas para que desse novo modo de vigilância do poder por parte da sociedade não se apropriem os poderosos, colocando-a a seu serviço, contra a própria democracia.

Nada, como diziam os romanos, é pior que a corrupção do melhor. E hoje as redes são o melhor e mais democrático que já foi criado contra a solidão e a comunicação total. O quarto poder, no qual antigamente nos arrogávamos os jornalistas, hoje está nas mãos de todos. Terrível e formidável ao mesmo tempo. Impensável até ontem. O novo pode nos iluminar ou ofuscar. A luz é o mais próximo da escuridão.

“Dezembros”, Fagner e Zeca Baleiro: “por dezembros atravesso oceanos e desertos, vendo a morte assim tão perto, minha vida em tuas mãos”. Maravilha de poesia, música e interpretação.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Contra Moro

 

Por Claudio Dantas

Ao pedir vista do novo habeas corpus de Lula, Gilmar Mendes dá tempo para que o corregedor Humberto Martins faça seu show no CNJ contra Sergio Moro.

O corregedor nacional de Justiça insiste em levar a termo, no próximo dia 11, os processos administrativos abertos contra o ex-juiz Sergio Moro, mesmo após a exoneração do magistrado.

As ações perderam objeto, mas isso não interessa. “Temos várias interpretações”, disse Martins a O Antagonista dias atrás.

O próprio pedido de suspeição de Moro em habeas corpus – que estava em julgamento na Segundona – é uma aberração jurídica.

Mas serve ao ativismo de Cristiano Zanin, que novamente colocou a “carroça na frente dos bois” e teve de apelar para o adiamento no início da sessão.

O CNJ será um palanque para tentar constranger e desgastar o futuro ministro da Justiça.

Numa das frentes de investigação da PF de Moro, estão os repasses suspeitos da Fecomércio/RJ de Orlando Diniz. Mas, claro, isso não tem nada a ver com o STF e o CNJ.

dez
05
Posted on 05-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-12-2018

Do  Jornal do Brasil

 

O advogado Cristiano Caiado de Acioli, de 39 anos, foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília após ter dito ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), sentir vergonha do STF, durante um voo de São Paulo para Brasília.

Segundo a assessoria da PF, Acioli foi ouvido por um delegado e liberado em seguida, sem acusação formal contra ele.

No vídeo que circula em redes sociais, o advogado, sentado na primeira fila do avião, chama por Lewandowski, que mexia no celular na mesma fileira, e diz: “Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando vejo vocês”.

Incomodado, o ministro pergunta ao passageiro: “vem cá, você quer ser preso?”. Em seguida, Lewandowski manda chamar a Polícia Federal. O advogado retruca: “Eu não posso me expressar? Chama a Polícia Federal, então”.

Um agente da PF chegou a ir até a aeronave, mas após o advogado se comprometer a manter a calma, o voo seguiu seu curso. Após pousar em Brasília, entretanto, o advogado foi abordado próximo à esteira de bagagens e encaminhado a prestar depoimento.

A Agência Brasil entrou em contato com o gabinete de Lewandowski no STF, que disse que não se manifestará sobre o episódio. Ao chegar ao tribunal nesta terça-feira (4) para a sessão da Segunda Turma da Corte, o ministro também não falou com jornalistas.

DO PORTAL TERRA BRASIL
Mariana Haubert
 

Em discurso durante homenagem que recebeu de entidades do setor do biodiesel nesta terça-feira, 4, em Brasília, o presidente Michel Temer afirmou estar “surpreendido agradavelmente” com as homenagens que tem recebido porque em fim de governo, ninguém mais o tem procurado.

“Quando o governo começa a acabar, ninguém mais te procura. A história do café frio é verdade. Mas as pessoas se surpreendem porque na minha sala ainda tem café quente e servem água”, afirmou.

“Uma coisa é ser conhecido e outra coisa é, depois de ser conhecido, ser reconhecido”, disse. O presidente afirmou ainda que seu governo não foi fácil porque enfrentou uma oposição implacável e que a tentativa de derrubar seu governo foi “cruel, feroz”.

Temer disse ainda se “regozijar” ao ser chamado de “presidente reformista” e que seu governo colocou o Brasil no século 21. Ele lembrou ainda da aprovação da proposta de emenda à Constituição que estabeleceu um teto para os gastos públicos no País e ressaltou que a negociação com o Congresso não foi fácil. “Se quer um sistema democrático, tem que fazer do Parlamento o seu parceiro. … Não foi fácil conseguir uma emenda constitucional para gastar menos. Eu, como governante, gostaria de gastar mais, mas me restringi”, disse.

Temer foi homenageado durante um jantar organizado pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e pela Frente Parlamentar Mista do Biodiesel pelo reconhecimento dos avanços nas políticas de biocombustíveis durante sua gestão.

dez
05
Posted on 05-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-12-2018



 

Amarildo, na (ES)

 

Do  Jornal do Brasil

 

Em despacho de ontem (3), o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer liberar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conceder entrevistas a veículos de comunicação. Na decisão, afirmou que a proibição para Lula dar entrevistas não tem mais validade, e por isso o político estaria livre para falar com jornalistas.

O ministro encaminhou ao presidente do STF, ministro Dias Toffoli, duas petições para que o Supremo abra caminho para a realização de entrevistas.

Macaque in the trees
Ex-presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

Lewandowski quer que seja cumprida a liminar (decisão provisória) concedida por ele em 28 de setembro autorizando Lula a conceder entrevistas à jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, e ao jornalista Florestan Fernandes. Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou nota afirmando que não recorreria da decisão, em respeito à liberdade de imprensa.

No entanto, o ministro Luiz Fux acolheu um pedido do Partido Novo e suspendeu a liminar do colega, alegando que, ao falar com a imprensa, o ex-presidente poderia confundir o eleitor e causar “desinformação” às vésperas do primeiro turno das eleições.

Numa disputa de liminares, Lewandowski, em seguida, proferiu nova decisão, reafirmando a autorização para que Lula falasse com jornalistas. Toffoli, porém, interveio, e fez prevalecer o entendimento de Fux até que o caso fosse apreciado em plenário, o que nunca ocorreu.

Na decisão de ontem (3), Lewandowski diz que a argumentação que impedia a entrevista “foi esvaziada” após a realização da eleição para presidente. “Portanto, não há mais o suposto risco de interferência no pleito, pelo que cumpre restaurar, sem mais delongas, a ordem constitucional e o regime democrático que prestigia a liberdade de expressão e de imprensa”, afirmou.

O ministro quer que Toffoli considere prejudicada a decisão que impedia a entrevista de Lula, passando a valer assim a liminar que autoriza o acesso de jornalistas ao ex-presidente.

Desde 7 de abril, Lula cumpre, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, pena de 12 anos e um mês de prisão, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

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