Por Rodrigo Daniel Silva

 

O governador reeleito Rui Costa (PT) justificou, ontem, os projetos enviados para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). As propostas visam cortar cargos, extinguir estatais e aumentar a contribuição do servidor público de 12% para 14% para a Previdência da Bahia. Em entrevista coletiva, o chefe do Palácio de Ondina ressaltou que o estado tem uma das piores arrecadações tributárias do país e que estimativa é de um déficit de R$ 4 bilhões para Previdência neste ano e que pode chegar a R$ 8 bilhões em 2022. Rui Costa afirmou que, se as medidas não forem adotadas, haverá daqui a quatro anos um “colapso” na Previdência. “Não nos resta outra alternativa. Alguém poderia dizer ‘governador isso  acontecerá quando você acabar o governo, deixa ai’. Isso não faz parte da minha história de vida e do meu caráter. Não posso lavar as mãos por receio de algum desgaste”, ressaltou. “O que estamos fazendo agora são medidas também preventivas, assim como foi feito em 2014, para evitar as dificuldades que devem se apresentar nos próximos quatro anos. Segundo analistas, 2019 não será um ano de rápida retomada da economia e essa ação era urgente”, emendou.

O governador ressaltou que 10 estados já elevaram alíquota previdência e a maior parte para 14%. Segundo ele, a medida vai atingir os ativos e apenas os aposentados que ganham mais de R$ 5,6 mil. O chefe do Palácio de Ondina salientou, também, que estipulou um teto salarial de R$ 22, 4 mil (que é o salário do governador) para evitar que o reajuste do Supremo Tribunal Federal (STF) provoque aumento de gastos na máquina estadual.  Segundo ele, no estado, 2,5 mil pessoas ganham acima deste valor definido. Segundo o governo, as medidas vão gerar uma economia superior a R$ 400 milhões anuais

“[Com o projeto enviado para Assembleia], aperfeiçoamos a redação da Constituição estadual. Replicamos a Constituição federal. Não fizemos nenhuma criatividade. O que fiz foi copiar a Constituição federal e colocar na estadual. […] O objetivo é que as pessoas não tivessem o aumento que o STF teve. Se a gente não adota essas medidas, as pessoas poderiam ter R$ 6 mil, R$ 7 mil de aumento de uma vez só. Ninguém terá R$ 1 de redução, mas também ninguém se beneficiará do aumento do STF. Com isso, nem retira nem permite que tenha aumento salarial de R$ 6 mil, de 7 mil”, declarou. “Eu olho para o contracheque [de um servidor público] e não consigo entender tamanha criatividade que transforma um salário baixo em R$ 80 mil”, acrescentou.

Rui Costa afirmou que decidiu enviar uma proposta da AL-BA a fim de transformar a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) em superintendência por causa da “improdutividade”. “Temos quatro anos negociando com os funcionários para reestruturar a empresa. A Conder tem quase 70% do seu quadro aposentado. Boa parte tem acima dos 70 anos. Não tem como tocar uma empresa que, das 500 pessoas, 370 são aposentadas. Fica uma empresa improdutiva. Que não presta o serviço que o povo baiano precisa”, pontuou. O governador disse que pediu à Assembleia Legislativa autorização para negociar a Bahia Pesca, mas ainda não definiu qual será o destino da estatal. “[Pode ser] a venda pura e simples. Um projeto de PPP [Parceria Público Privada], concessão ou algum tipo de parceria para que, de fato, seja produtiva. [Quero que] onde tenha unidade da Bahia Pesca a gente possa produzir, gerar emprego e  renda para as pessoas”, ressaltou.

Rui Costa criticou, ainda, decisões judiciais que têm, segundo ele, afetado as contas estaduais. O petista citou, como exemplo, um concurso que ocorreu na década de 1990 no governo de Antonio Carlos Magalhães. O resultado, segundo o chefe do Executivo baiano, é que os concursados ingressaram na Justiça e “vão se aposentar sem nunca ter trabalhado”. “Sabe quanto é essa conta? R$ 260 milhões”, condenou. 

 
  Um novo caminho
 Vista do Congresso Nacional, em Brasília.
Vista do Congresso Nacional, em Brasília. UESLEI MARCELINO REUTERS

A última eleição foi um tsunami que varreu o sistema politico brasileiro. Terminou o ciclo político-eleitoral iniciado depois da Constituição de 1988. Ruiu graças ao modo pelo qual se formaram os partidos, o sistema de voto e o financiamento das campanhas. A vitória da candidatura Bolsonaro funcionou como um braço cego da História: acabou de quebrar o que já estava em decomposição. Há muitos cacos espalhados e há a necessidade de reconstrução. Ela será feita pelo próximo governo? É cedo para dizer.

O sistema político-partidário não ruiu sozinho. As fraturas são maiores. Antes, o óbvio: a Lava Jato mostrou as bases apodrecidas que sustentavam o poder, sacudiu a consciência do eleitorado. Qualquer tentativa de reconstruir o que desabou e de emergir algo novo passa pela autocrítica dos partidos, começando pelo PT, sem eximir o PMDB e tampouco o PSDB e os demais. Na sua maioria, os “partidos” são sopas de letras e não agremiações baseadas em objetivos e valores. Atiraram-se na captura do erário, com maior ou menor gula.

Visto em retrospectiva é compreensível que um sistema partidário sem atuação na base da sociedade desmonte com aplausos populares. Os mais pobres encontram nas igrejas evangélicas  e em muito menor proporção na igreja católica e em outras religiões –  recursos para se sentirem coesos e integrados. O povo tem a sensação de que os parlamentos e os partidos não atendem aos seus interesses. O eleitorado, contudo, não desistiu do voto e imaginou que talvez algo “novo”, inespecífico, poderia regenerar a vida pública.

Não foi só isso que levou à vitória o novo presidente. Basta conhecer mais de perto a vida dos mais pobres nas favelas e nas periferias carentes de quase tudo para perceber que pedaços importantes do território vivem sob o domínio do crime organizado,violência que não se limita a essas populações, pois alcança partes significativas da população urbana e rural.

Inútil imaginar outros motivos para a vitória “da direita”. Não foi uma direita ideológica que recebeu os votos. Estes foram dados mais como repulsa a um estado de coisas em geral e ao PT em particular. O governo foi parar em mãos mais conservadoras e mesmo de segmentos abertamente reacionários não pelas propostas ideológicas que fizeram, e sim pelo que eles simbolizaram: a ordem e a luta contra a corrupção. Não venceu uma ideologia, venceu o sentimento de que é preciso por ordem nas coisas, para estancar a violência e a corrupção e tentar retornar a algum tipo de coesão social e nacional.

Enganam-se os que pensam que o “fascismo” venceu. Enganam-se tanto quanto os que vêm o “comunismo” por todos os lados. Essa polarização marcou a pugna política em outra época de antes da Segunda Grande Guerra, ao fim da qual foi substituída pela polarização entre capitalismo liberal e socialismo.

Os problemas básicos do país continuarão a atazanar o povo e o novo governo. Este não será julgado nas próximas eleições por sua ideologia “direitista”, mas por sua capacidade, ou não, para retomar o crescimento, diminuir o desemprego, dar segurança à vida das pessoas, melhorar as escolas e hospitais e assim por diante.

Com isso não quero justificar a “direita” dizendo que se for capaz de bem governar vale a pena apoiá-la, mas também não posso endossar a “esquerda”, quando ela deixa de reconhecer seus erros, conclama a votar contra tudo que o novo governo propuser, sem considerar o que realmente conta: quais os efeitos para o bem-estar das pessoas, para o fortalecimento dos valores democráticos e para a prosperidade do país.

As mudanças pelas quais passamos, aqui e no mundo, são inúmeras e profundas. Pode-se mesmo falar em uma nova “era”, a da conectividade. Se houve quem escrevesse “cogito, ergo sum” (penso, logo existo), como fez Descartes, se depois houve quem dissesse que o importante é saber que “sinto, logo existo”, em nossa época, sem que essas duas afirmativas desapareçam, é preciso adicionar: “estou conectado, logo existo”. Vivemos a era da informática, das comunicações e da inteligência artificial que sustentam o processo produtivo e formam redes entre as pessoas.

As novas tecnologias permitem formas inovadoras de enfrentar os desafios coletivos, assim como acarretam alguns inconvenientes, como a dificuldade de gerar empregos, a propagação instantânea das fakenews, a formação de ondas de opinião que mais repetem um sentimento ocasional do que expressam um compromisso com políticas a serem sustentadas em longo prazo. Elas dependem de instituições, partidos, parlamentos e burocracias para serem efetivas.

As questões centrais da vida política não se resumem no mundo atual à luta entre esquerda e direita. No passado, o espectro político correspondia a situações de classe, interpretadas por ideologias claras, assumidas por partidos. Na sociedade contemporânea, com a facilidade de relacionamento e comunicação entre as pessoas, os valores e a palavra voltaram a ter peso para mobilizar politicamente. Isso abre brechas para um novo populismo e uma exacerbação do personalismo. O desafio está em recriar a democracia. O que chamo de um Centro Radical começa por uma mensagem que envolva os interesses e sentimentos das pessoas. E esta mensagem para ser contemporânea não deve estancar num palavreado “de direita”, nem “de esquerda”. Deve, a despeito das divergências de classe que persistem, buscar o interesse comum capaz de cimentar a sociedade. O pais não se unirá com o ódio e a intransigência cultural existentes em alguns setores do futuro governo.

Há espaço para propostas que juntem a modernidade ao realismo e, sem extremismos, abra um caminho para o que é novo na era atual. Este percurso deve incorporar a liberdade, especialmente a das pessoas participarem da deliberação dos assuntos públicos, e a igualdade de oportunidades que reduza a pobreza. E há de ver na solidariedade um valor. Só juntos poderemos mais.

“No puedo ser feliz”, Bola de Nieve: a voz e o piano inigualáveis de Ignacio Villa (Bola de Nieve) e a força interpretativa , de estilo único, de um bolero imortal. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

dez
04

Do Jornal do Brasil

 

General Etchegoyen diz haver novas ameaças a Bolsonaro

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, recomendou que o presidente eleito Jair Bolsonaro tenha “cautela” em toda a organização da sua segurança, inclusive em relação ao uso de carro aberto em sua posse.

Etchegoyen, depois de declarar que “até há 15 dias” novas ameaças foram feitas ao presidente eleito, e que elas continuam, disse que não está decidido se Bolsonaro irá ou não em carro aberto para o Palácio do Planalto. Segundo o ministro, “certamente, a segurança do presidente eleito, na nova administração exigirá cuidados mais intensos e mais precisos” e isso, na sua avaliação, “terá, como consequência”, o aumento do efetivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

“A segurança do presidente eleito exige mais cuidado? Certamente exige. Nós temos um presidente que sofreu um atentado, que vem sofrendo agressões frequentes, basta ver mídias sociais”, declarou Etchegoyen ao informar que a atual coordenação de segurança de Bolsonaro e a equipe de transição estão em contato com a equipe do Planalto, “negociando as condições” para o trabalho, no dia da posse. O ministro destacou, no entanto, que “a segurança sempre assessora” sugerindo as condições que consideram mais seguras, mas “a decisão será sempre do presidente da República”. Em seguida, sugeriu que “todas as medidas tomadas sejam presididas por cautela”.

Macaque in the trees
Sergio Etchegoyen (Foto: Agência Brasil)

Bolsonaro sofreu um atentado a faca no dia seis de setembro, em Juiz de Fora, que o tirou da campanha eleitoral e o general reiterou que novas ameaças têm sido feitas ao presidente eleito, sem detalhar que tipo de ameaças e quando elas foram feitas. Para Etchegoyen, a segurança do presidente eleito “exige mais cuidado” principalmente porque “nós temos um presidente que sofreu um atentado, sofre ameaças e vem sofrendo agressões frequentes, basta ver mídias sociais”.

As declarações do general Etchegoyen foram dadas após cerimônia de comemoração dos 80 anos do GSI. Nela, estava presente o sucessor de Etchegoyen, o general Augusto Heleno, elogiado pelo atual ministro. Após reconhecer que o presidente Michel Temer o ouve muito e não só a ele, mas a todos os seus principais assessores, o ministro destacou que esse é “um grande atributo”.

Depois de salientar que o general Heleno é “uma referência” para os militares, emendou: “Tenho certeza que presidente Bolsonaro terá o melhor assessor para todos os assuntos”. Questionado se recomendava que Bolsonaro ouvisse Heleno, respondeu: “Não me cabe recomendar nada para o presidente eleito, mas a forma como presidente Temer atuou, ouvindo a todos, foi muito bom e ajuda na governança”.

Etchegoyen declarou também que Jair Bolsonaro já tem um chefe da sua coordenação de segurança para o GSI nomeado, que é o general Luiz Fernando Baganha, que assume o cargo em janeiro, nome já revelado pelo jornal “o Estado de S. Paulo”. Essa coordenação, explicou, irá dar garantias, não só a Bolsonaro e à sua família, mas também ao vice-presidente, Hamilton Mourão, e seus filhos. “A segurança do presidente eleito, na nova administração, certamente exigirá cuidados”, ressaltou.

Ao falar das cautelas que precisam ser tomadas em relação a um presidente que já sofreu atentado, Etchegoyen listou que “são medidas objetivas de segurança e indiretas, como a circulação do entorno, os locais a visitar”. Lembrou ainda que, ao assumir determinados cargos, principalmente o de presidente da República, “se perde a liberdade”. Ele não quis comentar, por exemplo, a decisão de Bolsonaro de viajar do Rio para São Paulo, em voo comercial, para assistir ao jogo do Palmeira e entregar a taça, em campo, ao campeão brasileiro.

Sobre as atribuições da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que é subordinada ao GSI, o general Etchegoyen defendeu “continuidade” no trabalho que está sendo desenvolvido lá. “Defendo que seja mantida na maneira como está. A atual direção geral que assumiu nos últimos dois anos vem fazendo um belíssimo trabalho. Mas a decisão é do presidente eleito”, declarou o ministro. “Mas eu acho que a continuidade, pelo menos por mais um pequeno período que seja, consolidará os avanços particularmente na área de gestão que eles alcançaram”, comentou.

dez
04
Posted on 04-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-12-2018

Onyx diz que articulação política ficará com ele, não com general

 

Onyx Lorenzoni afirmou hoje que a Casa Civil, que ele chefiará a partir de janeiro, ficará com a missão de coordenar a articulação política do governo de Jair Bolsonaro com o Congresso, registra o Estadão.

Segundo ele, a Secretaria de Governo, que hoje faz esse meio de campo com os parlamentares, ficará responsável por assuntos federativos e pela interlocução com Estados e municípios.

Na gestão Michel Temer, a articulação política fica a cargo da Secretaria de Governo, para a qual foi indicado o general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

A nomeação do general gerou dúvidas se as conversas com o Congresso ficariam sob responsabilidade de Santos Cruz ou de Onyx.

O deputado federal gaúcho afirmou que Bolsonaro já “bateu o martelo” sobre esse desenho.

dez
04
Posted on 04-12-2018
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Do Jornal do Brasil

 

O croata  Luka Modric ganhou nesta segunda-feira (3) a Bola de Ouro, troféu de melhor do mundo da  Revista France Football. O meia do Real Madrid, vice-campeão do mundo pela Croácia, já havia vencido em setembro o prêmio de melhor jogador do ano da Fifa.

Em segundo lugar na premiação da France Football ficou Cristiano Ronaldo. O terceiro  colocado foi Antoine Griezmann.

Macaque in the trees
Luka Modric (Foto: AFP)

O quarto lugar coube a Kylian Mbappé , que também venceu o troféu Kopa, entregue ao melhor jogador até 21 anos.

O quinto colocado foi Lionel Messi.

O brasileiro Neymar Jr. ficou na 12ª posição.

Prêmio feminino

Pela primeira vez, a revista France Football premiou o futebol jogado por mulheres. E a norueguesa Ada Hegerberg,23 anos, foi a primeira vencedora da Bola de Ouro feminina da história. Ela é jogadora do Lyon,clube que ganhou em 2018 a Champions feminina e a Liga francesa.

A brasileira Marta, ganhadora do prêmio Fifa The Best de 2018, ficou em quarto lugar.

Messi e CR7

A condecoração do ano de Modric encerrou o domínio de Ronaldo e Messi nos últimos 10 anos, com cinco prêmios para cada. Foi a primeira vez desde 2007 que Messi ficou de fora do pódio da premiação da France Football, enquanto o craque brasileiro Neymar deixou o Top-10 pela primeira vez desde 2013.

A Bola de Ouro – “Ballon D’Or” em francês – é um prêmio  criado pela revista “France Football” em 1956  esteve vinculado à Fifa entre 2010 e 2015. Nas duas últimas duas edições, vencidas por Cristiano Ronaldo, voltou a ser independente.

Classificação final da Bola de Ouro 2018:

1. Luka Modric (Real Madrid/CRO)

2. Cristiano Ronaldo (Real Madrid/Juventus Turim/POR)

3. Antoine Griezmann (Atlético Madrid/FRA)

4. Kylian Mbappé (Paris SG/FRA)

5. Lionel Messi (Barcelona/ARG)

6. Mohamed Salah (Liverpool/EGI)

7. Raphaël Varane (Real Madrid/FRA)

8. Eden Hazard (Chelsea/BEL)

9. Kevin De Bruyne (Manchester City/BEL)

10. Harry Kane (Tottenham/ING)

11. N’Golo Kanté (Chelsea/FRA)

12. Neymar (Paris SG/BRA)

13. Luis Suarez (Barcelona/URU)

14. Thibaut Courtois (Chelsea/Real Madrid/BEL)

15. Paul Pogba (Manchester United/FRA)

16. Sergio Aguero (Manchester City/ARG)

17. Gareth Bale (Real Madrid/WAL) .

Karim Benzema (Real Madrid/FRA)

19. Roberto Firmino (Liverpool/BRA) .

 Sergio Ramos (Real Madrid/ESP) .

Ivan Rakitic (Barcelona/CRO)

22. Edinson Cavani (Paris SG/URU) .

Sadio Mané (Liverpool/SEN) .

Marcelo (Real Madrid/BRA)

25. Alisson Becker (AS Rome/Liverpool/BRA) .

Mario Mandzukic (Juventus Turim/CRO) .

Jan Oblak (Atlético Madrid/SVN)

28. Diego Godin (Atlético Madrid/URU)

29. Hugo Lloris (Tottenham/FRA) .

Isco (Real Madrid/ESP)

dez
04
Posted on 04-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-12-2018


 

Sinovaldo, no (RS)

 

Do G1

Por Marília Marques, G1 DF

Brasil, São Paulo, SP. 04/09/1990. Funcionários da prefeitura colocam em sacos plásticos cerca de 1.500 ossadas encontradas em uma vala do cemitério Dom Bosco em Perus, zona oeste da capital — Foto: Itamar Miranda/Estadão Conteúdo/Arquivo Brasil, São Paulo, SP. 04/09/1990. Funcionários da prefeitura colocam em sacos plásticos cerca de 1.500 ossadas encontradas em uma vala do cemitério Dom Bosco em Perus, zona oeste da capital — Foto: Itamar Miranda/Estadão Conteúdo/Arquivo

Brasil, São Paulo, SP. 04/09/1990. Funcionários da prefeitura colocam em sacos plásticos cerca de 1.500 ossadas encontradas em uma vala do cemitério Dom Bosco em Perus, zona oeste da capital — Foto: Itamar Miranda/Estadão Conteúdo/Arquivo

Os restos mortais do sindicalista Aluizio Palhano, sequestrado e morto em 1971 durante a Ditadura Militar, foram identificados 47 anos depois do seu desaparecimento. A confirmação veio a partir de um cruzamento genético e foi anunciada nesta segunda-feira (3) durante o I Encontro Nacional de Familiares de Desaparecidos Políticos, em Brasília.

 Ossada de desaparecido político durante a ditadura militar é identificada

Ossada de desaparecido político durante a ditadura militar é identificada

A ossada estava entre mais de mil restos mortais descobertos em 1990, na vala clandestina de Perus, no cemitério Dom Bosco, em São Paulo. Esta é a segunda confirmação obtida, desde 2014, pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos (Cemdp), do governo federal.

 

Aluizio Palhano, sindicalista desaparecido em São Paulo, durante ditadura militar, em 1971 — Foto: Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos /Reprodução Aluizio Palhano, sindicalista desaparecido em São Paulo, durante ditadura militar, em 1971 — Foto: Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos /Reprodução

Aluizio Palhano, sindicalista desaparecido em São Paulo, durante ditadura militar, em 1971 — Foto: Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos /Reprodução

A primeira ossada identificada foi a do paulista Dimas Antônio Casemiro, em fevereiro deste ano. A vala clandestina de Perus foi descoberta em 1990. As ossadas foram enviadas à Bósnia.

A equipe científica que chegou à identificação do restos mortais do sindicalista Aluizio Palhano foi coordenada pelo perito Samuel Ferreira. Ao G1, o pesquisador explicou que o perfil genético foi identificado por meio do cruzamento do DNA da filha do sindicalista com segmentos ósseos dele – um pedaço do fêmur e um dente.

“Examinando os restos mortais, pelas características físicas, soubemos dizer a estimativa da altura da pessoa, sexo, faixa etária e o tipo de lesão que ele teve”.

 

Equipe de peritos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos faz análise de material genético — Foto: Arquivo pessoal Equipe de peritos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos faz análise de material genético — Foto: Arquivo pessoal

Equipe de peritos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos faz análise de material genético — Foto: Arquivo pessoal

Com as informações coletadas com a família, as características foram comparadas com os restos mortais e, só então, veio a confirmação de que a ossada era de Palhano, que desapareceu aos 49 anos. “Todo o procedimento é extremamente cuidadoso e científico, sob princípios éticos, legais e humanitários”.

“A identificação prova, mais uma vez, o uso do cemitério de Perus para desaparecimento de corpos.”

Novas identificações

 

José Dalmo, que procura irmão desaparecido há 45 anos, colhe material genético para banco de dados — Foto: Marília Marques/G1 José Dalmo, que procura irmão desaparecido há 45 anos, colhe material genético para banco de dados — Foto: Marília Marques/G1

José Dalmo, que procura irmão desaparecido há 45 anos, colhe material genético para banco de dados — Foto: Marília Marques/G1

Durante a tarde desta segunda-feira, familiares de desaparecidos políticos coletaram amostras de material genético, em Brasília. O material vai compor o banco de dados da comissão e, depois, será levado para um laboratório em Haia, na Holanda.

O laboratório na Holanda é o mesmo que analisou as amostras enviadas para a Bósnia em 2014. Ele agora tem sede em Haia.

O resultado do procedimento vai servir para a identificação de mais de 40 desaparecidos políticos no Brasil. Ainda não há prazo para novos resultados.

A análise antropológica, de montagem dos restos mortais é feita na UNIFESP, em SP.

Atestados de óbito

 

Sala para coleta de material genético e entrega de atestados de óbito de desaparecidos durante a ditadura militar — Foto: Marília Marques/G1 Sala para coleta de material genético e entrega de atestados de óbito de desaparecidos durante a ditadura militar — Foto: Marília Marques/G1

Sala para coleta de material genético e entrega de atestados de óbito de desaparecidos durante a ditadura militar — Foto: Marília Marques/G1

Além do anúncio da identificação do sindicalista morto, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos começou a entregar os relatórios de morte anexados aos atestados de óbito de alguns desaparecidos políticos.

O primeiro documento, com detalhes das circunstâncias, foi entregue nesta segunda. Os demais serão distribuídos ao longo do encontro, até terça (4).

Os atestados de óbito foram entregues em 1995. No ano passado, uma resolução do Ministério dos Direitos Humanos abriu a possibilidade dos familiares reivindicarem uma retificação neste documento. Desde então, parentes de 60 vítimas da ditadura militar, em todo país, solicitaram a alteração.

Marcelo de Santa Cruz, é irmão de um dos mortos, o pernambucano Fernando Santa Cruz, desaparecido em 1974. Segundo ele, o irmão não era ligado à luta armada, mas era membro da Ação Popular Marxista-Lenista.

A família já tinha recebido o atestado de reconhecimento da morte do estudante, mas veio até Brasília para pedir mais detalhes da situação. “O atestado de reconhecimento de que ele foi morto pela repressão não é suficiente para nós”, afirma Marcelo.

“O importante é saber as circunstâncias em que ele foi morto, onde estão os restos mortais e que sejam apontados os executores.”

Veja linha do tempo desde a descoberta da vala clandestina em Perus:

  • 1990: Local é descoberto em 4 de setembro, e Prefeitura de São Paulo exuma mais de 1.000 sacos plásticos contendo as ossadas;
  • 1990: Trabalho de identificação é iniciado no departamento de Medicina Legal da Unicamp;
  • 1991: Duas ossadas são identificadas, uma delas é de Dênis Casemiro;
  • 1994: Análises são interrompidas;
  • 1998: Verifica-se a má conservação dos ossos, que ficaram armazenados em péssimo estado de conservação, empilhados em uma sala, com carteiras escolares em cima dos sacos, além de estarem molhados devido a uma inundação ocorrida no local;
  • 1999: Ministério Público Federal (MPF) interveio e, em setembro, foi instaurado na Procuradoria da República em São Paulo o Inquérito Civil Público nº 06/99, para apurar o lento andamento dos trabalhos na identificação das ossadas;
  • 2001: Com a intervenção do MPF, a Secretaria de Segurança Pública providenciou a transferência das ossadas da Unicamp para o Instituto Médico-Legal, para prosseguimento dos trabalhos sob a responsabilidade da Universidade de São Paulo (USP);
  • 2002: Ossadas são transferidas para o cemitério do Araçá;
  • 2005: Terceira ossada é identificada;
  • 2006: Trabalhos da USP são paralisados;
  • 2009: Paralisação levou ao ajuizamento de ação civil pública pelo MPF em São Paulo;
  • 2014: Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), da Unifesp, recebe as 1.047 caixas, e análise é assumida pelo Grupo de Trabalho Perus;
  • 2017: Mais da metade das caixas tiveram seu conteúdo limpo e analisado, e amostras de ossadas são enviadas para laboratório na Bósnia;
  • 2018: Ossada de Dimas Antônio Casemiro é identificada;
  • 2018: Ossada do sindicalista Aluizio Palhano é identificada;
  • 2018: Familiares de desaparecidos coletam amostras genéticas em Brasília.

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