Olavo de Carvalho, em cena do documentário 'O Jardim das Aflições', pratica tiro esportivo.
Olavo de Carvalho, em cena do documentário ‘O Jardim das Aflições’, pratica tiro esportivo. Divulgação

 

O homem por trás da indicação de dois dos mais importantes ministros do governo Jair Bolsonaro não é militar nem político. Não lidera qualquer bancada de deputados na Câmara nem é porta-voz de uma frente parlamentar temática que apoie o capitão reformado do Exército, como a Evangélica ou a Agropecuária. Aos 71 anos, Olavo de Carvalho vive desde 2005 nos Estados Unidos, de onde ministra cursos de Filosofia que são transmitidas por vídeos na Internet. Até pouco tempo atrás era tratado como uma espécie de caricatura da extrema direita e do neoconservadorismo no Brasil, mas algo definitivamente mudou com a eleição de Bolsonaro para a presidência da República. Não só descobriu-se que Carvalho é o guru intelectual de alguns dos mais próximos assessores do presidente eleito, como ele mesmo foi o padrinho direto das nomeações de Ernesto Araújo para comandar o Ministério de Relações Exteriores e de Ricardo Vélez Rodríguez para o Ministério da Educação (MEC).

A chamada nova direita que chegou ao poder pelas mãos de Bolsonaro, que mistura a defesa do liberalismo econômico com o conservadorismo moral, tem no filósofo brasileiro Olavo de Carvalho uma clara referência intelectual. Tanto Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo Rio de Janeiro e filho do futuro presidente do Brasil, quanto seu irmão Eduardo já foram a Richmond, na Virgínia, e participaram de transmissões no YouTube ao lado dele. A lista de seguidores não para por aí: também estão entre os discípulos de Carvalho personagens como o blogueiro de direita Felipe Moura Brasil e a deputada federal eleita por São Paulo Joyce Hasselmann, do mesmo partido do presidente eleito.

“Muito embora não seja um acadêmico, o Olavo de Carvalho é um intelectual de influência considerável na opinião pública brasileira. E já exerce uma atividade intelectual há várias décadas, primeiro como articulista em grandes jornais e depois nas redes sociais, onde ele difunde o seu pensamento e encontra os seus aderentes”, explica Alvaro Bianchi, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Apesar de ressalvar que “há pouca verdade” na narrativa filosófica apresentada por Carvalho, Bianchi explica que ela se mostra persuasiva e eficaz por abordar “os medos e as inseguranças do homem comum perante as transformações do mundo contemporâneo.”

Além de filósofo, Olavo de Carvalho é escritor —são 18 livros, segundo seu perfil no Twitter—, conferencista e jornalista. Ele se apresenta como um intelectual (venerado por seu apoiadores como a mente que se rebelou contra um suposto monopólio do pensamento de esquerda na imprensa e na academia brasileira), mas construiu sua carreira sempre de costas para os círculos universitários (não tem, por exemplo, um título acadêmico formal e boa parte do seu trabalho concentra-se justamente em desqualificar a academia).

O desprezo parece ser recíproco nas faculdades brasileiras, onde a obra de Carvalho é praticamente ignorada ou tratada como algo sem valor científico. “Na minha geração e entre os meus colegas ninguém leu Olavo de Carvalho. [Ele] é absolutamente irrelevante do ponto de vista filosófico”, afirma José Arthur Giannoti, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) e membro fundador do Centro Brasileiro de Análise e Plenajemento (Cebrap). “Não tenho nenhum interesse em ler o Olavo de Carvalho, a não ser [para] explicar como é que a nova direita o tenha como um ídolo e que tanta gente no Brasil seja influenciado por ele”, acrescenta.

Olavo de Carvalho na Virgínia (EUA), em cena de 'O jardim das aflições'.
Olavo de Carvalho na Virgínia (EUA), em cena de ‘O jardim das aflições’. Reprodução
 A imagem de outsider entre a intelectualidade brasileira só é reforçada pelo seu passado pouco ortodoxo. Na década de 80 deu cursos de astrologia e, por aqueles tempos, chegou a fazer parte de uma confraria mística muçulmana (tariqa). Hoje denuncia em vídeos o que considera o perigo da islamização do Ocidente e o abandono de valores judaico-cristãos.

O sucesso que Olavo de Carvalho atingiu na nova direita brasileira, ao ponto de converter-se num fenômeno editorial e alcançar o status de um verdadeiro guru, se deve principalmente à sua militância online ao longo dos últimos anos. Ele mantém um perfil no Facebook que conta com mais de 543.000 seguidores. Para além disso, disponibiliza em sua web oficial um seminário de filosofia —”o único que pode ajudar você a praticar a filosofia em vez de apenas repetir o que outras pessoas, ilustres o quanto se queira, disseram a respeito dela”— com videoaulas e cuja mensalidade custa 60 reais.

Os temas dos vídeos publicados por Carvalho na Internet são vários. Já definiu o ex-presidente Lula como “líder supremo do comunismo latino-americano”; considera o Foro de São Paulo, fórum criado nos anos 90 que reúne partidos de esquerda da América Latina, “a maior organização política que já existiu no continente”; classificou o fascismo de “variante do movimento socialistas” e afirmou que “ideologia de gênero, abortismo e gayzismo” são parte de uma “revolução cultural” coordenada por esquerdistas.

Nas publicações, não raro as suas análises se misturam com teorias conspiratórias de procedência duvidosa —ou em alguns casos comprovadamente falsas. Em um texto de novembro de 2008 intitulado Milagres da fé obâmica, por exemplo, Olavo de Carvalho descreve Barack Obama, então o presidenciável democrata prestes a arrematar a Casa Branca, como um político “apoiado entusiasticamente pela Al-Qaeda, pelo Hamas, pela Organização de Libertação Palestina, pelo presidente iraniano [Mahmoud] Ahmadinejad, por Muammar Khadafi, por Fidel Castro, por Hugo Chávez e por todas as forças anti-americanas, pró-comunistas e pró-terroristas do mundo, sem nenhuma exceção visível.”

Num episódio mais recente, já na última campanha presidencial brasileira, Carvalho publicou em suas redes sociais uma mensagem na qual afirmava que Fernando Haddad, candidato do PT que acabou derrotado, fez em um livro apologia à prática do incesto. O conteúdo da postagem, posteriormente apagada por Carvalho, foi considerado mentiroso por sites de checagem de informações no Brasil.

Para Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e organizadora do livro Ódio como política (editora Boitempo), assim como ocorreu no caso de Bolsonaro, a força de Olavo de Carvalho no movimento neoconservador brasileiro só pode ser entendido a partir do fenômeno das redes sociais. “[Ele] é a típica pessoa que soube se capitalizar com base nesse novo formato de se comunicar: fácil, rápido, polêmico e combativo”, afirma. “Ele sabe se comunicar com base em frases polêmicas, conteúdos curtos, mensagens fáceis e ataques. É a forma comunicativa do best seller, daquele palestrante que tem um conteúdo muito simples e mastigado. Uma coisa fácil, polêmica e que faz sucesso.”

Guerra cultural

Se em seus textos e vídeos Olavo de Carvalho mostra-se como alguém que transita com naturalidade entre diversos temas filosóficos e da atualidade, um assunto parece merecer sua atenção especial. Trata-se da ideia de “marxismo cultural”, teoria conspiratória difundida em diversos círculos de extrema direita ao redor do mundo. Basicamente, ela se apropria de textos do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci para atacar uma suposta infiltração do pensamento comunista em diversas instituições culturais —de escolas e universidades à própria imprensa— com o fim de destruir valores civilizatórios.

Carvalho trata de adaptar essa teoria ao contexto brasileiro. Há gravações na Internet nas quais ele diz que essa ação coordenada de avanço da esquerda sobre as instituições brasileiras ocorreu a partir do golpe militar de 1964. “Na estratégia do [Antonio] Gramsci [filósofo marxista italiano] a maior parte da militância envolvida não saía pregando ideias comunistas. Ao contrário, [ela] atacava pontos específicos que representavam pilares da civilização, como a própria ideia de família, moral sexual e as bases do direito penal e civil”, diz Carvalho em um dos seus vídeos. “Gradativamente eles [comunistas] foram ocupando todos os espaços. Para se fazer uma ideia de como levaram isso a sério, no tempo do governo militar a esquerda já dominava a imprensa brasileira inteira. Você não tinha um jornal cujo diretor de redação não fosse comunista”, conclui. A teoria propagada por Carvalho pode ter pouco ou nenhum amparo entre historiadores e especialistas, mas encontra solo fértil no neoconservadorismo brasileiro.

De acordo com Bianchi, da Unicamp, Carvalho “reciclou” para o contexto brasileiro “de modo bastante eficaz” um assunto que começou a ser discutido nos Estados Unidos na década de 70. “A ideia de um marxismo cultural que estaria ameaçando os valores e as tradições intelectuais das nossas sociedades é um tema recorrente no debate político norte-americano já há bastante tempo”, diz o professor. Para Bianchi, que estuda justamente a obra de Gramsci, não há dúvidas de que as teses apresentadas por Carvalho nessa área são teorias conspiratórias. “Ele [Olavo de Carvalho] atribui um peso ao marxismo nas universidades brasileiras que simplesmente não existe”, pontua.

A ascensão de Bolsonaro tirou Olavo de Carvalho das sombras e o colocou como uma das figuras centrais para compreender o que pensam tanto o capitão reformado do Exército quanto algumas pessoas do seu círculo de confiança. Carvalho tem sido alvo de elogios do secretário de relações internacionais do partido do presidente eleito (PSL), Filipe Martins. “O imaginário do jornalista brasileiro médio não é capaz de abarcar um homem de pensamento, dedicado à vida interior e à construção de uma vida bem examinada, como Olavo de Carvalho”, publicou Martins recentemente no Twitter.

Para além disso, Carvalho já provou todo o alcance da sua influência sobre Bolsonaro. Na formação do novo governo, o filósofo conseguiu emplacar dois nomes na Esplanada dos Ministérios, justamente os de perfil mais ideológico. Ernesto Araújo, por exemplo, é um diplomata que, à frente das Relações Exteriores, promete combater o “alarmismo climático” e as “pautas abortistas e anticristãs em foros multilaterais”, segundo um artigo que ele publicou na semana passada no jornal Gazeta do Povo. Os dias em que Carvalho era retratado apenas como um excêntrico agitador de direita nas redes sociais, sem maiores consequências, ficaram para atrás.

“Revoir Paris”, Charle Trenet: canção maravilhosa para lembrar a cidade amada que encanta a todos no planeta, mas sofre ao ser depredada em dias de tumultos selvagens, violência cega e caos. Paris resistirá, linda e soberana mais uma vez. Como sempre.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

 

O presidente francês, Emmanuel Macron, dirigiu neste domingo uma reunião de emergência do Executivo, um dia após uma jornada de caos em toda a França e cenas de violência em Paris, em plena escalada do conflito com os “coletes amarelos”, que se tornou uma grave crise política.

Recém-chegado de Buenos Aires, onde participou da reunião de cúpula do G20, o presidente francês foi até o Arco do Triunfo, um dos lugares onde houve mais violência, para observar os estragos. Durante a visita, foi vaiado por alguns manifestantes.

Macaque in the trees
Presidente francês Emmanuel Macron aperta a mão de um bombeiro durante uma visita às ruas de Paris, após os confrontos durante os protestos contra o aumento dos preços do petróleo e do custo de vida (Foto: VAN DER HASSELT / AFP)

Em seguida, Macron dirigiu uma reunião de emergência com alguns de seus ministros, a fim de encontrar uma resposta para um movimento que parece fugir de qualquer controle.

– ‘Violência sem precedentes’ –

A violência em Paris foi de “uma gravidade sem precedentes”, lamentou neste domingo o chefe da polícia Michel Delpuech. Um total de 412 pessoas foram detidas, “um nível nunca alcançado nas últimas décadas”, assinalou Delpuech em entrevista coletiva, lamentando a “violência extrema e inédita” contra as forças de ordem, com “lançamento de martelos e bolas de aço”.

Cerca de 136 mil pessoas participaram do terceiro sábado de protestos organizados em toda a França pelos coletes amarelos, o que representa um aumento em relação ao número de manifestantes nos protestos da semana anterior, dos quais participaram 106 mil pessoas, segundo o governo francês.

Os distúrbios de ontem, de dimensão inédita em Paris, deixaram 133 feridos, entre eles 23 membros das forças de segurança. Incidentes também foram registrados no restante do território francês.

O Senado francês anunciou neste domingo que convocou para terça-feira os dois ministros da segurança para darem “explicações sobre os meios estabelecidos pelo Ministério do Interior” no sábado.

Macron acusou os manifestantes violentos de quererem apenas o “caos”. Seu ministro do Interior, Christophe Castaner, não descartou a possibilidade de decretar estado de emergência, para evitar um novo surto de violência no próximo fim de semana.

Segundo o presidente, os distúrbios “nada têm a ver com a expressão de descontentamento legítimo” dos “coletes amarelos”, um movimento social de franceses que, inicialmente, opunha-se ao aumento do preço dos combustíveis e, depois, expandiu-se para o problema do poder de compra, e que acusa o governo de Macron de tratá-los com desprezo e intransigência.

Após a violência deste sábado, algumas vozes do poder sugeriram que haverá mudanças, pelo menos na forma da ação governamental.

“Pecamos por estarmos muito distantes da realidade dos franceses”, declarou o novo líder do partido de Macron, LREM (A República em Marcha), Stephane Guerini.

Ontem à noite, Castaner reconheceu que o governo “se ateve a discutir a necessidade de se abandonar o petróleo”, já que a explosão da ira popular foi devido a um projeto de imposto sobre o combustível destinado a financiar a transição ecológica.

Mas a oposição e parte dos “coletes amarelos”, movimento sem estrutura nem líder claro, reclamam um forte gesto do governo, começando com uma moratória ou um congelamento do aumento dos impostos sobre os combustíveis.

À direita, o presidente do partido Republicanos, Laurent Wauquiez, reiterou seu apelo à organização de um referendo sobre a política ecológica e fiscal de Emmanuel Macron. Marine Le Pen (extrema direita) pediu para ser recebida por Macron com os outros líderes dos partidos políticos de oposição.

À esquerda, o líder dos socialistas, Olivier Faure, exigiu medidas voltadas para o poder de compra.

Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, pediu o restabelecimento do imposto sobre as grandes fortunas, enquanto aplaudiu “a rebelião cidadã” que “faz tremer o mundo do dinheiro”.

Diante das reivindicações, o governo anunciou medidas de auxílio (verificações de energia, bônus de conversão), mas descartou qualquer mudança de direção. Neste domingo, seu porta-voz, Benjamin Griveaux, reiterou esta posição, “porque o curso é o certo”.

Diante da dificuldade de canalizar para uma estrutura de negociação um movimento popular nascido fora de qualquer estrutura, Griveaux lembrou a disposição do governo em dialogar, assegurando que o Executivo “está pronto” para discutir com representantes dos coletes amarelos.

dez
03
Posted on 03-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-12-2018

Em entrevista à TV Brasil, Olavo de Carvalho negou que quis ocupar algum ministério de Jair Bolsonaro, mas disse que aceitaria ser embaixador “temporário”.

“O Bolsonaro, em discursos, duas vezes disse que me ofereceu dois ministérios, o da Educação ou da Cultura. Eu informei que não aceitaria nenhum. Então para não dizer que a minha má vontade é total eu disse que, em hipótese, eu aceitaria, a de embaixador nos Estados Unidos. Aceitaria por um motivo muito simples. A coisa que o Brasil mais precisa é dinheiro. E onde está o dinheiro? Está aqui. Então eu posso fazer algo útil para o Brasil. Vou lá e pego os US$ 267 bilhões que o Trump diz que tem para investir no Brasil. Mas isso não quer dizer que eu queira ser embaixador, nunca quis. Não quero mesmo. Acho um horror essa perspectiva. Seria um sacrifício. Se fosse, quero que seja temporário.”

A TV Brasil, por sua vez, quer apenas não ser extinta.

dez
03
Posted on 03-12-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-12-2018



 

 Sinovaldo, no jornal gaúcho

 

Do Jornal do Brasil

 

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) assistiu a vitória do Palmeiras em cima do  Vitória pela última rodada do Campeonato Brasileiro, na tarde deste domingo (2). 

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Presidente eleito, Jair Bolsonaro, comemora com jogadores do Palmeiras o título de campeão do Campeonato Brasileiro de 2018 após partida contra a equipe do Vitória, realizado na Arena Palmeiras, Zona Oeste de São Paulo, na tarde deste domingo (02). (Foto: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO)

O time alvi-verde venceu o time baiano por 3 a 2 e levantou a taça na Arena. Bolsonaro participou da entrega de medalhas e do troféu para os jogadores, o técnico Luiz Felipe Scolari e comissão técnica.

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Presidente eleito abraçou o capitão do Palmeiras, Bruno Henrique (Foto: reprodução )

Em sua conta no Twitter, o presidente parabenizou o clube pela conquista do campeonato Brasileiro. 

Protestos

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, após o término da partida entre Palmeiras e Vitória, entrou no campo com a camisa 10 do Palmeiras e acenou para a torcida. Foi chamado de “mito”, mas também ouviu as primeiras vaias. Parte da torcida ainda entoou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro jogador a ser cumprimentado pelo presidente eleito foi o zagueiro Edu Dracena. Bolsonaro entregou as medalhas de campeão brasileiro aos jogadores.

Nas imediações do estádio, alguns manifestantes protestavam contra a presença de Jair Bolsonaro no jogo do Palmeiras com cartazes. 

As mensagens diziam que o presidente eleito é “oportunista”, pois já postou  fotos com camisas de outros times cariocas como Botafogo, Vasco e Flamengo.

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