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Posted on 26-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-11-2018

Herdeiro da OAS se entrega à PF

César Mata Pires Filho, herdeiro da OAS, se entregou à Polícia Federal em Curitiba na madrugada desta segunda-feira, publica o Valor.

O pedido de prisão temporária foi feito pelo Ministério Público Federal.

Segundo a Lava Jato, Mata Pires está ligado diretamente ao esquema de corrupção nas obras de construção da Torre Pituba, sede da Petrobras em Salvador, que rendeu ao PT ao menos R$ 68 milhões em propina.

 

A força do insignificante

A força do insignificante
VINCENT WEST (Reuters)

Ainda era um estudante. Caminhava com um grupo de colegas a mais de dois mil metros nas montanhas dos Picos de Urbión, na província de Soria, na Espanha. De repente, uma névoa espessa nos envolveu e quase não conseguíamos nos ver. Sem falar, percebemos o perigo que corríamos. A noite estava caindo e não podíamos nos mover por medo de cair em um precipício. O frio começava a açoitar nossos corpos jovens. É nesses momentos que um pequeno detalhe pode ser tudo. De repente um colega mais arrojado conseguiu andar alguns metros e vislumbrou uma luz que parecia ser um fogo. Quase às cegas, nós o seguimos.

A coisa mais primitiva do mundo, a mais essencial, um fogo aceso dentro de uma minúscula cabana de um pastor de ovelhas iria nos salvar. O pastor, cujas mãos pareciam raízes, nos fez sentar junto ao fogo. Esquentou uma tigela de leite. Tirou um pedaço de pão duro de dentro de um saco. O banquete estava servido. Confortada nossa fome, aquecidos pelo fogo, esperamos, quase sem falar, que amanhecesse, que o nevoeiro se dissipasse e que pudéssemos voltar ao acampamento. Muitos anos se passaram. Nunca esqueci a sensação que tive ao constatar que o elemental, uma chama, uma tigela de leite quente e um pedaço de pão duro, podem, em sua insignificância, se tornar de repente um sonho de felicidade.

Vivemos  em uma sociedade em que o que importa é o grandioso. Os superlativos primam. Na política, na religião e na economia. Tudo é medido em trilhões e quintilhões. O que você escreve nas redes vale a pena se as curtidas abundam. Não importa se te leram, se o que você escreveu fez alguém pensar ou simplesmente sorrir. O que conta é o volume. Não há espaço para a essência.

O insignificante, o invisível, o que germina em silêncio, não tem lugar na mesa milionária do esbanjamento. Nada mais sem valor do que um grão de arroz ou de trigo perdido entre os dedos. Mas esse grão, junto com outros milhões, permite alimentar a humanidade. Poucas coisas são tão insignificantes e frágeis quanto uma lágrima. Unidas, resumem, no entanto, toda a dor e felicidade do mundo. O que nos faz estar vivos não é o que aparece, mas o invisível que se move dentro do nosso corpo, dos átomos às bactérias.

A história de cada um é um acúmulo de fragilidades. Ninguém nasce super-homem, sábio ou herói. A luta nos curte e fortalece. Entramos na vida insignificantes. Nada mais frágil do que um recém-nascido. Chora perdido em um mundo desconhecido e hostil. Aprende a andar caindo. O que nos fascina nele é a capacidade de superar sua fragilidade. Sorrimos quando o vemos sair correndo sem cair. Nos emociona quando pronuncia a primeira palavra vencendo a barreira que o introduz na sociedade do Homo Sapiens.

Toda a nossa vida é uma corrida de obstáculos. Dizemos às crianças, nos lugares de perigo, que se tomem pelas mãos. Juntos somos mais fortes. Multiplicando insignificâncias, cruzamos melhor as barreiras que a vida nos coloca.

Do insignificante nasceu o mais sublime do ser humano. Com um punhado de letras, que não chegam a 30 nas línguas latinas, o Homo Sapiens foi criando, ao longo dos séculos, seus monumentos literários. Foi a mão de uma mulher ou de um homem que gravou a primeira palavra em uma tabuleta de argila. Desde então o mundo não foi mais o mesmo.

Com a linguagem e a escrita, também criamos algo ao mesmo tempo tão pequeno e grandioso quanto as metáforas e os símbolos. Nas palavras, como na vida, o mais significativo geralmente é o que brilha menos. Às vezes, as palavras com menos sílabas são as mais carregadas de força simbólica. Nada mais expressivo do que um sim ou um não. Ou uma interrogação.

A sociedade de hoje se engana quando despreza o normal e corre em busca do surpreendente. Equivoca-se quando prostitui a força dos símbolos. As mãos juntas são, por exemplo, a maior expressão da convivência. A mão fechada, o punho, nos evoca presságios de guerra. Com a mão aberta, se abençoa. Para poder empunhar uma arma, precisamos fechá-la.

As coisas mais belas da natureza costumam ser flor de um dia. É esse gesto insignificante de piscar, frágil como um cristal, que revela que existimos. Neste Brasil agitado e perplexo, o mais significativo é que a roda do cotidiano funcione as 24 horas do dia para que todos possam comer, mobilizar-se, ter luz e água. E se divertir. Não são os grandes feitos o mais importante, mas esses 207 milhões de pessoas que vivem sua vida feita de tristezas e alegrias, sem claudicar.

Tudo isso porque a força de eros e da vida acaba sendo, como dizia Freud, mais poderosa do que a morte. A consciência das pessoas é mais saudável do que os seus deslizes. A verdade do que vivemos é maior do que todas as fake news que o poder tenta colocar sobre nossos ombros. O Brasil, apesar de todos os pesares, continua vivo e funcionando, à espera de dias melhores.

A minúscula cabana daquele pastor na montanha, com o fogo aceso e sua acolhida amistosa no meio de um nevoeiro que poderia ter sido mortal, me lembra ainda hoje que muito do que lutamos para conquistar não vale a sensação que produz a força do essencial e do inesperado.

“Aula de Matemática”, Tom Jobim. Bossa Nova na veia, para começar com música e letra geniais a última semana de novembro. Som na baixa, maestro, como diz Olívia, que passa estes dias no Rio, deliciando-se com a gente, as coisas e as paisagens da Cidade Maravilhosa, que  tanto inspiraram Tom.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Jair Bolsonaro pretende colocar o Brasil em um alinhamento firme com os Estados Unidos de Donald Trump, uma guinada sem precedentes na história recente das relações bilaterais. Um graduado membro da equipe de transição do presidente eleito, que tem acesso direto ao futuro ministro das Relações Exteriores, o trumpista e antiglobalista Ernesto Araújo, descreve a ambição: há a intenção de se apresentar como o principal aliado de Washington na América do Sul e servir, inclusive, de intermediador entre os países os vizinhos e a Casa Branca.

General fala com Bolsonaro na cerimônia de graduação de paraquedistas no Rio.
General fala com Bolsonaro na cerimônia de graduação de paraquedistas no Rio. FERNANDO SOUZA AFP

A aproximação, já sinalizada em trocas amistosas nas redes e telefonemas, tem seu primeiro encontro de peso nesta semana. Na quinta-feira, John Bolton, assessor da Casa Branca para a política externa e de segurança nacional, chega ao Rio de Janeiro para encontrar com Bolsonaro, dias depois de elogiar as afinidades de pensamento entre o mandatário eleito brasileiro e Trump.

Bolton faz uma breve parada no Rio a caminho da reunião do G20, na Argentina, no dia 30 –a equipe de transição ainda analisa se é viável e positivo enviar o futuro ministro Araújo para o encontro das principais forças globais. Ao menos outras três autoridades internacionais de peso que participarão do encontro em Buenos Aires também pediram reunião com Bolsonaro, mas ele, que prefere não sair do país ainda por motivos de saúde, alegou falta de tempo na sua agenda para não recebê-los. Quer se resguardar e mostrar para os norte-americanos que a preferência, agora e no Governo, sempre será deles.

O desejo por uma relação tão íntima com os Estados Unidos pode ser uma tradição na Colômbia, o país que mais recebe ajuda militar norte-americana na região, ou ter referências na Argentina, que nos anos 90 falava de uma “relação carnal” com Washington. Mas, para o Brasil, a segunda maior economia do hemisfério ocidental, com choque de interesses em matéria de comércio e indústria com a potência do norte, a guinada representa toda uma revolução. Não há nada do estilo desde o início da ditadura militar (1964-1985). Por mais que tenha tentado uma aproximação nos últimos dois anos, o frágil Governo Michel Temer jamais chegou nem perto de conseguir tamanha atenção da Casa Branca e marcou diferenças ao, por exemplo, rejeitar a ideia de qualquer intervenção militar na Venezuela. 

Já de olho em tantas mudanças, os países vizinhos se apressam em ter o primeiro contato com Bolsonaro e sua equipe, num cenário em que não faltam ruídos. Há dúvidas se o núcleo mais “trumpista” em torno do futuro chanceler e do filho de Bolsonaro, Eduardo, terá a maior preponderância ante vozes que se apresentam como mais moderadas e até críticas da retórica do eleito, como o vice Hamilton Mourão. Já estiveram em reuniões com a equipe de transição embaixadores do Chile e do Paraguai, além de representantes do Uruguai, Colômbia, Equador, Argentina e Peru. “Só Bolívia e Venezuela não demonstraram interesse em aproximação, até o momento”, afirma um membro do futuro governo. A lista dos interessados não causa surpresas. Exclui a Bolívia do esquerdista Evo Morales que, há 12 anos no poder, tem que agir com cautela por causa dos enormes interesses em jogo: o Brasil é o principal destino de exportação de gás boliviano. O outro é o Governo de Nicolás Maduro, em plena deriva autoritária.

O filho como interlocutor internacional

No desenho dessa interlocução externa, chama atenção o papel que Eduardo Bolsonaro chama para si. Além de ter convencido o pai a se converter ao liberalismo econômico com Paulo Guedes, foi o deputado federal mais votado da história do Brasil que começou a buscar contato com militantes e lideranças conservadoras nos costumes e liberais na economia pelo mundo mesmo antes da escolha do novo chanceler. Foi Eduardo quem fez os primeiros contatos com aliados e representantes do presidente americano, Donald Trump. Em agosto, esteve com Steve Bannon, um radical de direita, ex-assistente de Trump e líder do The Movement, grupo que promove populismo de direita e nacionalismo econômico pelo mundo.

Eduardo também negociou uma viagem a Washington para se encontrar com o vice-presidente Mike Pence e com o secretário de Estado, Mike Pompeo. Não obteve êxito e justificou que teria de ficar no Brasil para ajudar na transição governamental. E, como o presidente eleito ainda não pode se ausentar do país por conta de sua saúde — ele precisará passar por uma nova cirurgia para se recuperar da facada que levou em setembro — o filho espera fazer essa viagem até o fim do ano.

Em contrapartida, recebeu uma sinalização de que John Bolton estava disposto a se reunir com seu pai. O próximo fato que o o grupo sonha em comemorar é a presença de Trump na posse de Bolsonaro, em 1º de janeiro. Na equipe de transição dizem haver indicações positivas para a participação do norte-americano no evento – o que seria inédito. Um mandatário que teria confirmado presença é o ultradireitista Viktor Orbán, o xenófobo primeiro ministro da Hungria. Nesta semana, em uma ligação telefônica, ele disse a Bolsonaro que pretende “ser um grande parceiro do Brasil”.

Cúpula conservadora das Américas

Antes mesmo da posse, o primeiro teste para saber o tamanho da influência que a gestão Bolsonaro na região será em dia 8 de dezembro. Nessa data, ocorrerá a Cúpula Conservadora das Américas, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, promovida pelos Bolsonaro – a primeira chamada do evento, em julho, acabou cancelada. Entre os seus participantes estão um filósofo cubano exilado nos Estados Unidos, um senador paraguaio que foi sequestrado pela facção criminosa Exército do Povo Paraguaio, um militar colombiano que comandou a luta contra as Forçar Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Está ainda na lista o ex-candidato presidencial de extrema direita no Chile, José Antonio Kast, que surpreendeu ao ficar em quarto lugar na eleição deste ano. “O Brasil sempre teve influência na região. Talvez tenha algum reflexo nos outros países agora também”, ponderou o cientista político Ricardo Caldas, professor da Universidade de Brasília.

Tudo ainda está na zona de testes, para os especialistas. Enquanto Bolsonaro tenta imitar Trump em ao menos duas frentes – diminuir a influência econômica da China e intensificar o relacionamento com Israel, ao transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém – ainda pairam dúvidas sobre a execução das medidas até o fim. O mesmo vale para as sinalizações de que a gestão brasileira poderia enfraquecer o Mercosul e se retirar de alguns dos acordos internacionais. Leonardo Barreto, da consultoria Factual, acredita que o futuro governo irá se deparar com algumas barreiras como a impossibilidade de se desvencilhar da China ou do Mercosul, a dificuldade em manter relações com países árabes caso privilegie sempre Israel. “Sozinho o Brasil não se senta em muitas mesas”, alerta. Os primeiros meses de 2019 mostrarão a diferença do discurso para a prática.

Mandetta volta a defender avaliação periódica de médicos

Mesmo depois de Jair Bolsonaro rejeitar a ideia de exigir certificação dos médicos formados, o futuro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a defender a proposta, registra o Estadão.

O deputado negou, no entanto, que a certificação seria feita nos moldes do exame da OAB.

“Concordo com o presidente, se fosse para fazer uma prova de admissão nos moldes da OAB como condicionante para exercer profissão seria absurdo, porque olha quantos anos leva para formar um médico. Mas, para garantir que a sociedade vai ter profissional legal, terá que haver uma modernização na fórmula”, disse Mandetta neste domingo.

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Posted on 26-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-11-2018



 

Bruno Aziz, no jornal

 

Jornal do Brasil

 

O Campeonato Brasileiro tem um campeão indiscutível. Invicto há 22 jogos, dono do maior número de vitórias, time que mais marcou gols e que menos sofreu na competição, o Palmeiras bateu o Vasco por 1 a 0, neste domingo, em São Januário e chegou ao seu décimo título nacional. A festa no Rio, em São Paulo e Brasil afora é do Palmeiras.

A conquista deste domingo coroa uma campanha quase irrepreensível a partir da reta final do primeiro turno. Depois de um início titubeante sob o comando de Roger Machado – que deixou a equipe em julho, na sétima posição -, o clube paulista trouxe de volta o velho conhecido Luiz Felipe Scolari e não perdeu mais na competição.

Macaque in the trees
Deyverson comemora com o técnico Luiz Felipe Scolari após marcar o gol do Palmeiras (Foto: Wilton Junior/AE)

O título também demonstra mais uma vez que enquanto bons times vencem jogos, bons elencos ganham campeonatos. E o Palmeiras tem os dois. O décimo título nacional do clube se tornou realidade mesmo que Felipão tenha usado mais de duas dezenas de jogadores diferentes ao longo do Brasileirão. Ainda assim, diante do Vasco a equipe chegou a 22 partidas sem perder no torneio.

O jogo deste domingo, contudo, não foi uma exibição de encher os olhos. Contra os cariocas, o Palmeiras jogou como se estivesse administrando a vantagem na tabela do Brasileirão e não parecia ter pressa em vencer.

Com Felipe Melo e Bruno Henrique firmes à frente da área, a equipe fez um primeiro tempo sem sobressaltos na defesa e pouco inspirado no ataque. Dudu iniciou no lado direito e terminou na outra ponta. Lucas Lima, sem espaço para criação, estava pouco inspirado. Mais à frente, Willian se limitava a passes laterais e Borja era figura nula.

O que pareceu motivar o Palmeiras foram os dois gols do Flamengo sobre o Cruzeiro em Minas, resultado que levava a definição do campeonato para a última rodada. Coincidência ou não, na etapa final a equipe paulista resolveu avançar suas linhas e a ser mais incisivo na frente. Deyverson entrou na vaga de Gustavo Borja, Scarpa substituiu Lucas Lima e as chegadas até então esporádicas ao gol de Fernando Miguel passaram a ser mais comuns.

O gol que começou a sacramentar o título surgiu aos 27 minutos, e nasceu de uma jogada bem tramada do ataque palmeirense. Dudu lançou Willian pelo lado da área e o atacante tocou no meio para Deyverson, completamente livre, mandar para o gol.

A abertura do placar significou também o começo da festa do torcedor palmeirense que lotou seu espaço no São Januário – e também de alguns que se infiltraram em meio à torcida vascaína. Dentro de campo, fez ainda o Palmeiras retomar o cuidado defensivo visto no primeiro tempo. O time decidiu parar de ir ao ataque. E nem precisava mesmo. O título nacional, o décimo da história, já era do Palmeiras.

Agora, no próximo domingo, o time fará a festa ao lado da sua torcida, no Allianz Parque, contra o Vitória. No mesmo dia, o Vasco, com 42 pontos, enfrentará o Ceará como visitante.

FICHA TÉCNICA:

VASCO 0 X 1 PALMEIRAS

VASCO – Fernando Miguel; Luiz Gustavo, Werley, Leandro Castan e Henrique (Willian Maranhão); Desábato (Raul), Andrey, Pikachu, Thiago Galhardo e Kelvin (Marrony); Maxi López. Técnico: Alberto Valentim.

PALMEIRAS – Weverton; Mayke, Luan, Gustavo Gómez e Diogo Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique e Lucas Lima (Gustavo Scarpa); Dudu, Borja (Deyverson) e Willian (Jean). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

GOL – Deyverson, aos 27 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO – Rafael Traci (PR).

CARTÕES AMARELOS – Desábato, Leandro Castán, Andrey e Andrés Rios (no banco) (Vasco); Felipe Melo, Bruno Henrique, Gustavo Gomez, Deyverson e Jean (Palmeiras).

CARTÃO VERMELHO – Yago Picachu (Vasco).

RENDA – R$ 596.810,00.

PÚBLICO – 21.066 pagantes (21.966 presentes).

LOCAL – São Januário, no Rio.

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