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FHC aos 87: inquieto com chegada de Bolsonaro ao poder…
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…e com Lula preso em Curitiba.

ARTIGO DA SEMANA
 

Inquietações de FHC: Tucanos baleados, Lula preso, Bolsonaro no poder

 

Vitor Hugo Soares

 

Anda inquieto, fala pelos cotovelos e se movimenta muito, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mesmo com peso nas costas (87 anos da idade e outros tantos da biografia política e intelectual a preservar), o FHC destes dias, de quase fim de 2018, parece um maratonista da São Silvestre. Voa, caminha e conversa sem parar: no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos, na Europa. 

Em São Paulo, sua taba original de fundador e cacique honorário do PSDB, além de acadêmico pensador da política, ele revela em entrevistas nas rádios, TVs, blogs e jornais, um dos motivos principais de seu desconforto: o baque demolidor sofrido por seu partido nas recentes eleições. Depois de contar todos os atingidos e constatar a legião de tucanos feridos gravemente. A começar por Geraldo Alckmin, abatido ainda no primeiro turno das presidenciais.

João Dória, eleito governador de São Paulo – ajudado pelo vendaval bolsonarista   – poderia até representar, em parte, um triunfo de honra em meio ao desastre quase geral do partido de FHC. Mas Dória já se sabe: político e gestor de refinada formação européia, liberal até o tutano e anti petista ferrenho, de tucano quase não tem nada. Principalmente depois da áspera campanha que o fez mandatário paulista – contra a vontade de muitos do seu partido, a começar por Alckmin.

Em Buenos Aires, entrevistado pelo diário Clarim, o ex-presidente revela outro motivo de sua inquietação: o futuro turvo que parece rondar seu ex-colega presidente e velho amigo, Luís Inácio Lula da Silva. Condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, preso na sede da PF, em Curitiba, passou por novo (e pesado) interrogatório sobre o sítio de Atibaia, esta semana, em processo da Lava Jato (sob comando da juíza Gabriela Hardt, severa substituta do juiz Sérgio Moro.

“Não gosto de ver Lula preso. É ruim para ele e para o País. Não fico feliz em ver um ex- presidente preso, mas respeito a lei”, disse ao Clarim. Ainda assim, os dias que aguardam Lula não parecem animadores.

Mesmo filho de ex-general, FHC mostra-se ainda mais inquieto e desconfortável com a vitória do capitão da reserva do Exército, Jair  Bolsonaro, eleito presidente da República. Fato que representa – entre outras mudanças impensáveis, até pouco tempo – uma brusca e radical ruptura do “jogo de compadres” (expressão do falecido Leonel Brizola), de décadas de trocas de comando no poder, do PSDB x PT  e seus aliados.

No diário El Pais, da Espanha, em entrevista exclusiva, esta semana, o ex-presidente acusa a pancada em algumas respostas aos jornalistas Carla Jimenez e Xosé Hermida, na conversa sobre “o tsunami político que tomou o Brasil, destruiu lideranças tradicionais e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se inclui entre elas”.  

O estado de espírito de FHC flutua. Afirma e se contradiz (como é próprio dos tucanos) em vários trechos da longa conversa. “Torço pelo Brasil, eu espero que acertem… Mas o que vou fazer? O que é que vamos fazer como oposição? O PT foi contra tudo no meu governo, foi contra aumento de salário de professor… Talvez seja antiquado. Mas a esta altura da vida para mim pessoalmente tanto faz como tanto fez, vou manter minha visão”, diz ao encerrar a entrevista. Tem mais, mas para concluir, repito apenas o irônico francês: “Amaldiçoado seja aquele que pensar mal destas coisas”.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Renato e Seus Blue Caps! Boa festa!

BOM SÁBADO!!!

(Gilson Nogueira)

 

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Velhos Tempos
Renato e Seus Blue Caps

Velhos tempos, velhas amizades
Velhos tempos que me dão saudades
De crianças nos quintais
Namorados nos jardins
Entre flores naturais
E promessas de amor sem fim

Velhos tempos, velhas amizades
Velhos tempos que me dão saudades
De canções sentimentais
Do perfume de jasmim
De rolinhas e pardais
Flutuando em paz sobre mim

Tudo mudou em pouco tempo
E o tempo se foi
Nem o amor é mais o mesmo, eu sei
Que o amor também se foi
Sinto-me velho de repente
Desaprendi a viver

Velhos tempos, velhas amizades
Velhos tempos que me dão saudades
De canções sentimentais
Do perfume de jasmim
De rolinhas e pardais
Flutuando em paz sobre mim

Velhos tempos, velhas amizades
Velhos tempos que me dão saudades
Da manchete no jornal
Que não era tão ruim
Sempre o bem vencia o mal
Hoje já não é mais assim

Tudo mudou em pouco tempo
E o tempo se foi
Nem o amor é mais o mesmo, eu sei
Que o amor também se foi
Sinto-me velho de repente
Desaprendi a viver

Velhos tempos, velhas amizades
Velhos tempos que me dão

Brasília
O juiz Moro, no dia 7, em Brasília.
O juiz Moro, no dia 7, em Brasília. ADRIANO MACHADO REUTERS

 

A partir da próxima segunda-feira, Sergio Moro, o juiz símbolo da operação Lava Jato, deixará a magistratura. Ele entregou nesta sexta seu pedido de exoneração ao desembargador Thompson Flores, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. A partir de janeiro, Moro será ministro da Justiça e Segurança Pública no Governo do ultradireitista Jair Bolsonaro (PSL). A exoneração de Moro foi assinada pelo desembargador horas depois de entregue.

O futuro ministro estava afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba desde o início deste mês, quando aceitou o convite do presidente eleito para ingressar em seu Governo. Em princípio, ele gozaria de férias até janeiro e só depois pediria seu desligamento do cargo, que ocupa há 22 anos.

Mesmo estando em período de férias, Moro participou das reuniões da equipe de transição de Bolsonaro, em Brasília, na semana passada. Como não estava desligado de sua função, recebeu críticas por estar atuando concomitantemente em dois poderes, Executivo e Judiciário. “Houve quem reclamasse que eu, mesmo em férias, afastado da jurisdição e sem assumir cargo Executivo, não poderia sequer participar do planejamento de ações do futuro governo”, afirmou Moro. Ele chamou essas queixas de “controvérsias artificiais”.

Na justificativa de seu pedido de exoneração, o ainda juiz justificou que não havia solicitado a demissão porque gostaria de manter a “cobertura previdenciária” de seus familiares até que pudesse assumir o ministério. Na prática, ele queria que seus dependentes recebessem pensão caso ele viesse a sofrer algum acidente ou morrer antes de assumir o ministério. No documento, ele cita que é alvo de ameaças.

Em 22 anos de carreira, Moro se destacou no combate a crimes financeiros. Primeiro, entre 2003 e 2007 quando tocou o caso Banestado. Depois, a partir de 2013, quando foi o responsável por julgar as ações em primeira instância da operação Lava Jato. Era a assinatura dele que constava das condenações de uma série de políticos, doleiros e empreiteiros envolvidos no esquema de desvio de recursos públicos.

Entre as estrelas retiradas do cenário político por Moro estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) e o ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB). Todos condenados por ele nos últimos anos. Foi por conta de uma decisão do juiz que Lula foi impedido de concorrer à presidência da República neste ano contra Bolsonaro.

No Ministério da Justiça, caberá a Moro debelar as suspeitas de que ele teve uma atuação política enquanto era juiz. Nos últimos dias, ele começou a fazer um rascunho da equipe que o assessorará na pasta. Entre os cotados para ocuparem cargos especiais estão três delegados que atuaram na Lava Jato: Érika Marena, Luciano Flores e Igor de Paula.

Com a saída de Moro da Justiça Federal, a magistrada Gabriela Hardt, que é a substituta dele, assume interinamente suas funções. Nas próximas semanas, deve ser aberto um concurso interno de remoção para a 13ª Vara Federal. Apenas os magistrados que atuam na 4ª região (nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) participam da disputa. Só depois da análise dos documentos dos inscritos é que o novo titular será definido. Pra definir o responsável, primeiro leva-se em conta o tempo no cargo de juiz federal. Depois, a antiguidade no exercício no cargo de juiz substituto na 4ª Região. Por último, o critério de classificação no concurso público.

nov
17
Posted on 17-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-11-2018

Do Jornal do Brasil

 

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), encerrou intempestivamente uma entrevista coletiva no 1º Distrito Naval, no Rio. O militar da reserva estava sendo perguntado sobre a continuidade dos atendimentos de saúde no Programa Mais Médicos, já que cerca de 8,3 mil profissionais podem deixar o País com decisão de Cuba de interromper a parceria. Bolsonaro respondeu apenas uma pergunta após ser questionado sobre o Mais Médicos – não comentou, por exemplo, a indicação do economista Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central (BC).

O presidente eleito voltou a criticar os termos do acordo com Cuba no Mais Médicos, que prevê o repasse direto ao governo caribenho de 70% dos salários dos profissionais de saúde. Repetiu que a situação dos profissionais de saúde cubanos é “praticamente de escravidão” e questionou a qualidade dos serviços prestados.

“Nunca vi uma autoridade no Brasil dizer que foi atendido por um médico cubano. Será que devemos destinar aos mais pobres profissionais, entre aspas, sem qualquer garantia de que eles sejam realmente razoáveis, no mínimo? Isso é injusto, é desumano”, disse Bolsonaro.

O presidente eleito defendeu o exame presencial de validação do diploma dos médicos incluídos no programa. “O que temos ouvido, em muitos relatos, são verdadeiras barbaridades. Não queremos isso para ninguém no Brasil, muito menos para os mais pobres. Queremos o salário integral (dos médicos cubanos) e o direito (deles) de trazer a família para cá. Isso é pedir muito? Isso está em nossas leis, que estão sendo desrespeitadas”, resumiu Bolsonaro antes de encerrar a entrevista, que durou menos de cinco minutos.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: José Lucena/AE)

O futuro presidente do Brasil também prometeu asilo político para todos os médicos cubanos que pedirem. “Há quatro anos e pouco, quando foi discutida a Medida Provisória (que criou o Mais Médicos), o governo da senhora Dilma (Rousseff) disse, em alto e bom som, que qualquer cubano que, por ventura, pedisse asilo, seria deportado. Se eu for presidente, o cubano que pedir asilo aqui, (que) se justifica pela ditadura da ilha, terá o asilo concedido da minha parte”, afirmou.

 

“O partido sai da condição de nanico para assumir o papel de gigante no Congresso”

O deputado federal Luciano Bivar foi reconduzido à presidência do PSL, partido de Jair Bolsonaro.

Fernando Francischini, eleito deputado estadual no Paraná, será o secretário-geral da sigla. Ele disse, em nota:

“Com o maior tempo de televisão e com fundo partidário que aproxima-se da cifra de R$ 1 bilhão, o partido sai da condição de nanico para assumir o papel de gigante no Congresso Nacional.”

nov
17
Posted on 17-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-11-2018
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Aroeira, no jornal O Dia (RJ)

Pablo Ximénez de Sandoval
Pablo Ximénez de Sandoval Corresponsal en California
Paradise (Califórnia)

 

Há uma lista em Paradise que não é de mortos, mas de desaparecidos. Pessoas cujas famílias não os veem desde a quinta-feira da semana passada. Os dias passam e essa lista não diminui, e o trabalho se torna mais macabro para centenas de soldados e voluntários de antropologia forense que chegaram a esta localidade da Califórnia para tentar encontrar vítimas do incêndio mais letal e destrutivo na história do Estado. Eles são praticamente os únicos que andam por esta cidade, entre destroços, cinzas e uma fumaça branca sufocante, como uma névoa tóxica permanente.

 

A lista tinha 130 nomes na manhã desta quinta-feira. Quando o xerife do condado, Kory Honea, deu esse número, avisou que a informação muda a cada hora e não poderia garantir que fosse a definitiva. À tarde, a lista se multiplicou e chegou a 631 pessoas. O xerife explicou que tinham mais recursos à disposição, de modo que puderam rever as ligações e os avisos das buscas de famílias nas primeiras horas do incêndio. “Quero que vocês entendam que o caos com o qual estávamos lidando foi extraordinário”, pediu Honea.

As cifras de mortos mudam da mesma maneira. Na quarta-feira, essas equipes encontraram mais oito corpos, elevando o número oficial de mortos para 56. Nesta quinta-feira, mais sete, até um total de 63. Tudo é provisório. O recorde anterior de mortes em um incêndio era de 29 e ocorreu em 1933, no centro de Los Angeles. Quase todos foram encontrados dentro do que tinha sido suas casas em Paradise. O incêndio começou às 6h29 da quinta-feira da semana passada e antes do meio-dia tinha se propagado pela cidade inteira. No total, 80% de Paradise, uma cidade de 26.000 habitantes, desapareceu. O último número oficial: mais de 9.700 casas destruídas, 11.862 estruturas no total.

Pela manhã, membros da Guarda Nacional enviados para Paradise se organizam em grupos no posto de comando, localizado no Tall Pines Entertainment Center, uma pista de boliche no centro desta cidade turística que sobreviveu milagrosamente ao fogo. Não há ponto de comparação para descrever o estado de Paradise. Um bombardeio? Um acidente nuclear? Em Paradise não há mais casas, apenas pilhas de escombros, uma após a outra, por quilômetros. Esqueletos de carros nas sarjetas, como se tivesse sido um front de guerra. Tudo envolto em fumaça branca tão densa que o sol é apenas um ponto vermelho no céu. O fogo pulou por capricho algumas casas. Talvez uma em cada dez, de repente, aparece imaculada no meio da destruição. Ao lado de um McDonald’s irreconhecível estão os arcos de entrada, sem danos. Ao lado das cinzas de um restaurante chamado Mamma Celeste, os toldos do terraço não queimaram.

As equipes de resgate se organizam em grupos de até oito pessoas que trafegam em vans por esta paisagem. É uma “busca direcionada”, explicou o vice-xerife do local, Steve Collins, no centro de comando na quarta-feira. Eles só vão a endereços onde as pessoas da lista de desaparecidos moravam. Quando chegam, começam a levantar as peças de metal e pedra, uma a uma, do que antes era uma casa. E também olham em volta, talvez essa pessoa tenha saído de casa e lá o fogo a pegou. De repente, param. Alguém avisa o agente do xerife que os acompanha, que por sua vez avisa um dos peritos forenses para verificar se aqueles restos eram de uma pessoa. De alguns dos corpos só sobraram cinzas. Foram identificados 47 dos 56. Para os demais será preciso fazer testes de DNA, e o xerife não garante que a identidade de alguns seja conhecida com total certeza, dado seu estado.

“Vamos continuar procurando porque há pessoas que dependem de nós para encontrar seus parentes”, diz o sargento Collins. “É muito importante que, se encontrarem seus familiares, nos avisem, para que não percamos recursos na busca.” As autoridades planejavam tornar pública a lista de pessoas desaparecidas nesta quinta-feira para garantir que não estão procurando alguém em vão. “Se alguém estiver na lista, avisem-nos”, pediu o xerife Kory Honea. O sargento Collins diz que só sabe de um sobrevivente da lista, uma pessoa que ficou em casa e sobreviveu ao incêndio.

Acessos bloqueados

Além disso, a cada dia que passa, o acesso a Paradise permanece bloqueado. Os acessos a toda a cidade e seus distritos foram cortados. Mais de 52.000 pessoas permanecem fora de suas casas e apenas 1.385 foram acolhidas em abrigos na área. Enquanto houver restos humanos para procurar, e como medida para evitar furtos, uma semana depois de escapar do fogo ninguém pode voltar para ver se algum pedaço de sua vida foi salvo. Não é apenas a área do incêndio, “é a quantidade de casas” que é preciso controlar. A área do desastre é tão grande, com tantas casas, que é impossível garantir a ordem se deixarem as pessoas regressarem. Apenas militares, policiais, bombeiros e jornalistas transitam pelas ruas de Paradise.

“A magnitude e o caos deste evento são assombrosos”, diz o sargento Collins, quando os jornalistas tentam obter respostas específicas. “Ainda estamos nos perguntando coisas. Nunca tínhamos visto nada assim antes. Ainda estamos tentando entender isto.”

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