Bolsonaro ao lado do futuro chanceler Ernesto Araújo.
Bolsonaro ao lado do futuro chanceler Ernesto Araújo. Joédson Alves EFE

Assim que o diplomata Ernesto Araújo foi anunciado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro como futuro ministro das Relações Exteriores, começou a circular nas redes sociais o texto pelo qual ele ficou mais conhecido entre os servidores do Itamaraty. Intitulado Trump e o Ocidente, Araújo rende ao longo de 36 páginas loas ao mandatário dos Estados Unidos, a quem vê como uma espécie de cavaleiro cruzado pelo resgate da identidade do Ocidente no mundo moderno. Para o novo chanceler, Donald Trump não é o chefe da superpotência mundial que toma decisões desconexas, arbitrárias e caóticas. Longe disso: Araújo o vê mais como alguém que atua “na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais”.

Publicado no segundo semestre de 2017, o artigo, segundo um diplomata ouvido pelo portal UOL, gerou forte impacto nas filas do Itamaraty, um ministério marcado pela rígida hierarquia da carreira diplomática e por uma tradição de independência e de não alinhamento automático aos grandes blocos internacionais. Araújo se posicionou ali claramente como um trumpista, partidário da visão altamente nacionalista —e antiglobalista— que o presidente dos Estados Unidos encampa.

Com esse histórico, parece apenas natural que Araújo tenha apoiado abertamente Jair Bolsonaro, o político que desfruta do apelido de Trump tropical, apesar das diferenças que o separam. Em plena campanha presidencial, o novo chanceler começou a publicar um blog com fortes críticas ao PT (para ele o Partido Terrorista) e elogios a Bolsonaro. É nesse blog, por exemplo, em que ele comparou uma das manifestações pró-Bolsonaro em Brasília a campanha pelas Diretas Já e aos protestos de rua que levaram ao impeachment de ex-presidenta Dilma Rousseff. “O movimento popular por Bolsonaro não se nutre de ódio, mas de amor e de esperança…”, escreveu.

O agora chefe do departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos do Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Henrique Fraga Araújo passou na frente de outros diplomatas que estavam cotados para comandar a política externa brasileira no Governo Bolsonaro. Ao longo dos últimos dias circularam nomes de funcionários de carreira que eram considerados mais moderados, embora distantes do pensamento de alianças sul-sul que foram a digital dos Governos do PT no Itamaraty (e que Bolsonaro promete extirpar). O próprio vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, havia dito que um dos cotados era o atual secretário-executivo do ministério, Marcos Galvão.

Nesse sentido, a escolha de Araújo, de 51 anos, um pregador contra o “marxismo cultural”, não deixa de ser uma surpresa. Principalmente por mostrar que, ao invés de uma escolha menos polêmica, que evitaria ainda mais rusgas com parceiros cruciais como a China, principal parceiro comercial do Brasil, Bolsonaro optou por não abrir mão de alinhar o Brasil ao movimento global de ascensão da direita populista, em muitos lugares pela extrema direita, liderado por Trump. Um alinhamento que começou ainda antes de o capitão reformado do Exército ter sido eleito, quando seu filho, Eduardo Bolsonaro, visitou nos Estados Unidos o ex-estrategista do Republicano, Steve Bannon.

‘Interesse nacional’

O presidente eleito apresentou o novo chanceler em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira em Brasília. Em um rápido pronunciamento, Araújo defendeu que o País mantenha “relações excelentes” com todos os seus parceiros comerciais. “Antes de tudo [é preciso] garantir que este momento extraordinário que o Brasil está vivendo, com a eleição do presidente Bolsonaro, se traduza dentro do Itamaraty numa política efetiva, numa política em função do interesse nacional, de um Brasil atuante, feliz e próspero”.

No texto que publicou no ano passado, Araújo faz uma forte defesa do nacionalismo e apresenta Trump como um representante do que define como “anticosmopolitismo radical”. “Cada Estado tem o dever, e não só o direito, de trabalhar pelo seu povo, o Estado só se legitima se for nacional, enraizado numa comunidade, e cada pessoa se desenvolve como membro”, diz, ao comentar um dos discursos do presidente norte-americano.

De forma bastante erudita, Araújo traça um histórico da civilização ocidental, que ele afirma reunir “laços de cultura, fé e tradição que nos fazem quem somos”. Valores que estariam ameaçados pelo globalismo e por um abandono da própria identidade ocidental, que incluiria aí, entre outras coisas, a rejeição ao conceito do nacionalismo. “Somente um Deus poderia ainda salvar o Ocidente, um Deus operando pela nação —inclusive e talvez principalmente a nação americana”, conclui Araújo em seu texto.

“Ame”, Paulinho da Viola: “Ame, seja como for, sem medo de sofrer, pintou desilusão, não tenha medo não, que o tempo poderá lhe dizer, que tudo traz alguma dor e o bem de revelar, que a tal felicidade, sempre tão fugaz, a gente tem que conquistar”. Magnífico Paulinho!!!

BOM DIA, ÓTIMO FERIADO!!! VIVA A REPÚBLICA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento na tarde desta quarta-feira (14), na sede da Justiça Federal, em Curitiba. O interrogatório ocorreu no âmbito da Operação Lava Jato que investiga as reformas no sítio de Atibaia. As oitivas foram comandadas pela juíza substituta Gabriela Hardt. Lula começou a depor por volta das 15h e só terminou às 17h50. O ex-presidente deixou o local quase 10 minutos após o fim da audiência e foi levado de volta para a Superintendência da Polícia Federal (PF), onde está preso desde abril.

Lula ficou frente a frente pela primeira vez com a substituta do juiz Sérgio Moro, que tirou férias e anunciou sua demissão para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Ele disse não acreditar que Dona Marisa Letícia, que morreu em 2017, tenha pedido reformas no sítio de Atibaia, conforme afirmaram delatores da Odebrecht. Negou também ser o dono da propriedade, chamada por ele de “chácara”.

Era 13h30 quando o petista deixou a sede da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso e condenado desde o dia 7 de abril. Em uma viatura da PF com vidros pretos e sob forte escolta, foi levado à Justiça Federal. O depoimento começou logo após as 15 horas – o primeiro ouvido foi o pecuarista e amigo José Carlos Bumlai.

No depoimento, Lula diz que pensou em comprar o sítio, mas o dono não quis vender o local. O ex-presidente afirmou ainda que sua prisão seria um “prêmio” da Operação Lava Jato.

No início da audiência, a juíza Gabriela Hardt advertiu duramente o ex-presidente Lula. Interrompida por Lula, a magistrada não hesitou. “Sr ex-presidente. Esse é um interrogatório que se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema. Então, vamos começar de novo.”

Neste processo, a força-tarefa do Ministério Público Federal acusa Lula de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter sido contemplado pelas empreiteiras OAS e Odebrecht e também pelo amigo pecuarista José Carlos Bumlai com um valor total de R$ 1,02 milhão para obras de reforma e melhorias do sítio Santa Bárbara, no município de Atibaia, interior de São Paulo. Lula nega ser o dono do imóvel.

Preso desde 7 de abril, o ex-presidente pela primeira vez deixou a sala especial que ocupa na sede da Polícia Federal para se deslocar, sob forte escolta, até o gabinete de Gabriela Hardt, na Justiça Federal.

Assista na íntegra o depoimento do ex-presidente Lula:

Leia trecho do depoimento de Lula a Gabriela Hardt:

“O sr. sabe do que está sendo acusado?”, indagou a juíza, seguindo o rito dos interrogatórios a que são submetidos todos os réus.

“Não”, respondeu secamente o petista, para, em seguida, emendar que estava disposto a responder a toda e qualquer pergunta. “Eu sou dono do sítio ou não?”, ele protestou.

“Isso é o senhor que tem que responder e não eu”, ponderou Gabriela. “E eu não estou sendo interrogada nesse momento.”

“Quem tem que responder é quem acusou”, interrompeu Lula.

“Eu vou fazer as perguntas para que o caso seja esclarecido, para que eu possa sentenciar, ou algum colega possa sentenciá-lo “

Em um momento seguinte da audiência, Lula perguntou a juíza. “Quando eu posso falar, Dra?”

“O sr pode falar, o sr pode responder quando eu perguntar no começo”, disse Hardt.

“Mas pelo que eu sei é meu tempo de falar”, respondeu o ex-presidente.

“Não, é o tempo de responder às minhas perguntas. Eu não vou responder interrogatório nem questionamentos aqui, está claro?”, afirmou a magistrada.

“Está claro que eu não vou ser interrogada?”, insistiu Hardt.

“Eu não imaginei que fosse assim, Dra”, disse Lula.

“Eu também não”, afirmou Gabriela.

“Como eu sou vítima de uma mentira há muito tempo”, afirmou Lula

“Eu também não imaginava, então, vamos começar com as perguntas. Eu já fiz um resumo da acusação e vou fazer perguntas. O sr fica em silêncio ou o sr responde”, disse a juíza.

Macaque in the trees
Ex-presidente Lula (Foto: Reprodução)

Filho de testemunha-chave de esquema de corrupção da Odebrecht na Colômbia morre envenenado

 

A Procuradoria Geral da Colômbia anunciou a morte, por cianureto, do arquiteto Alejandro Pizano Ponce de León, filho de Jorge Enrique Pizano, testemunha-chave do processo que investiga esquema de corrupção da Odebrecht no país.

“Segundo o resultado da autópsia do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciência Forense, a causa da morte foi envenenamento com cianureto”, informou María Paulina Riveros, vice-procuradora.

Riveros explicou que o cianureto estava dentro de uma garrafa de água com gás, numa escrivaninha do quarto do pai de Alejandro que morreu de câncer três dias antes. O arquiteto estava acompanhado de uma irmã.

“Por causa dos fatos anteriores, a Procuradoria-Geral também abriu uma investigação para determinar porque essa substância estava na casa do pai da vítima”, explicou Riveros. A Odebrecht é acusada de pagar até US$ 28 milhões em propinas para obter contrato de uma rodovia.

nov
15

DO G1

Por Carolina Dantas, G1

Os estados de São Paulo e da Bahia têm o maior número de cubanos atuando pelo Mais Médicos e, por isso, são os que mais perderão médicos com o fim acordo. O governo de Cuba anunciou a retirada do programa nesta quarta-feira (14), citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos cubanos no Brasil.

 

Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil — Foto: Alexandre Mauro/G1 Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil — Foto: Alexandre Mauro/G1

Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil — Foto: Alexandre Mauro/G1

O estado de São Paulo tem 16% de todos os médicos. A Bahia, quase 10%. Eles devem perder a maior quantidade absoluta de profissionais, mas a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde ainda deverão fazer um relatório de impacto no Brasil. Não necessariamente os paulistas e os baianos deverão sofrer mais com o fim do programa: estados do Norte e Nordeste já apresentam uma menor quantidade de médicos pelo Sistema Único de Saúde, um dos motivos da criação do programa em 2013.

Vale lembrar que, desde a chegada de Michel Temer ao governo, o Ministério da Saúde busca uma diminuição no número de médicos estrangeiros no programa. Os cubanos representam 45% dos 18.240 profissionais que trabalham no Mais Médicos atualmente.

A saída

A decisão de saída do programa Mais Médicos foi anunciada pelo governo de Cuba nesta quarta-feira. O país tem uma parceria com a Opas, que estabeleceu o acordo com o Ministério da Saúde brasileiro para enviar profissionais do país. O acordo foi estabelecido há 5 anos pelo governo de Dilma Rousseff.

“O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa”, diz a nota do governo.

O comunicado não diz a data em que os médicos cubanos deixarão de trabalhar no programa. A Opas disse apenas que foi comunicada da decisão por Cuba e informou o Ministério da Saúde. Sem dar mais detalhes, disse que está analisando a melhor forma de realizar a operação.

Expulsão pelo Revalida

Em agosto, ainda em campanha, Bolsonaro declarou que ele “expulsaria” os médicos cubanos do Brasil com base no exame de revalidação de diploma de médicos formados no exterior, o Revalida. A promessa também estava em seu plano de governo.

Fora do Mais Médicos, os formados no exterior não podem atuar na medicina brasileira sem a aprovação no Revalida. Mas no caso do programa federal, todos os estrangeiros participantes têm autorização de atuar no Brasil mesmo sem ter se submetido ao exame.

Após a decisão do governo cubano, Bolsonaro se manifestou pelo Twitter dizendo: “Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.”

Bolsonaro disse ainda que “além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos”. O presidente eleito acrescentou que “Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares”.

“Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável!”, escreveu no Twitter.

 

Jair M. Bolsonaro

? @jairbolsonaro

Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.

Jair M. Bolsonaro

? @jairbolsonaro

 

Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos.

nov
15
Posted on 15-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-11-2018


Clayton, no jornal O POVO (CE)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do Jornal do Brasil

Ao defender a necessidade de realizar reformas durante fórum com governadores em Brasília, o presidente eleito da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta quarta-feira, 14, que algumas medidas a serem tomadas são “amargas”. Ele não detalhou, no entanto, quais propostas são prioritárias para seu governo.

“Algumas medidas são um pouco amargas, mas nós não podemos tangenciar com a possibilidade de nos transformarmos naquilo que a Grécia passou, por exemplo”, declarou Bolsonaro, para quem a Câmara, o Senado e os governadores têm “perfeita noção” do que precisa ser feito.

No encontro, Bolsonaro recebeu uma carta de governadores eleitos do Nordeste pedindo melhorias nos regimes próprios de previdência dos Estados. Ele admitiu que o País começará o próximo ano com problemas e que soluções precisam ser apresentadas. O presidente eleito prometeu fazer um estudo “minucioso” da carta o oferecer uma solução rápida para os itens apresentados no documento.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Agência Estado)

Afirmando que os governadores podem confiar nele, Bolsonaro prometeu esforços independentemente de partidos políticos. “A partir deste momento não existe mais partido, nosso partido é o Brasil”, declarou, sendo aplaudido na sequência.

‘Reformas ultimadas’

Em encontro com 20 governadores eleitos em Brasília, o presidente eleito defendeu a necessidade de aprovar reformas que estão sendo estudadas pela equipe econômica do próximo governo. “Temos que aprovar reformas que estão sendo ultimadas pela minha equipe econômica”, disse Bolsonaro, sem citar quais medidas são prioritárias.

De acordo com Bolsonaro, sua equipe pediu aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, para “votar ou não determinadas matérias” e agradeceu o empenho dos parlamentares. O presidente eleito citou ainda que as reformas passam necessariamente pelas duas Casas e que todos têm “perfeita noção” do que tem de ser feito.

Paulo Guedes

Ao falar sobre o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente eleito comentou que o economista não tem vivência política, mas possui “vasta experiência econômica” para contribuir com soluções.

Confiança

Aos governadores, Bolsonaro fez um discurso dizendo que os eleitos podem confiar nele para resolver questões que “atrasam” o País e dar uma “satisfação” aos eleitores. “Não teremos outra oportunidade de mudar o Brasil. E os senhores sabem disso, nós teremos que dar certo, declarou.

Para o presidente eleito, dar uma resposta aos problemas relacionados à segurança pública ajudará a economia. “Se nós conseguimos diminuir a temperatura da insegurança no Brasil, a economia começa a fluir.”

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