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Hora do Hino: Bolsonaro,, na Câmara, comemora 30 anos da Constituição…
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…e Sergio Moro: coletiva exemplar em Curitiba.

ARTIGO DA SEMANA

Política e Sorte: Moro com a imprensa, Bolsonaro com a Constituição

Vitor Hugo Soares

Diante de dois fatos relevantes do noticiário nacional de 6 de novembro de 2018, para não esquecer, é preciso reconhecer a atualidade do pensamento de Ulysses Guimarães, sobre o Político e a Sorte: De manhã, em Brasília, a comemoração dos 30 anos da Constituição de 1988, no Plenário da Câmara, com a presença do presidente eleito Jair Bolsonaro – ainda convalescente dos efeitos da facada que recebeu durante ato público de campanha, em Juiz de Fora (MG). À tarde, em Curitiba, a entrevista coletiva do juiz Sérgio Moro. Ele homenageia a Imprensa e fala do futuro, ao deixar a magistratura, e sair do comando da Lava Jato, para assumir, com poderes inimagináveis, o Ministério da Justiça e da Segurança do governo à caminho.

Ulysses, parlamentar campeão da resistência democrática em anos temerários, dizia: “a sorte faz parte da carreira do político vitorioso. Há político azarado”, – registrou ol ex-presidente da Câmara, a quem não se pode considerar exatamente um homem de sorte, (a deduzir, entre outros fatos, pela sua trágica morte, no desastre aéreo no qual desapareceu, sem que seu corpo tenha sido achado . “Ficou encantado no fundo do mar”, escreveu Luiz Fontana, inspirado poeta de Marília (SP).

O audaz parlamentar dizia, sobre o destino do político azarado: “chove no dia de seu comício, dá defeito no microfone na hora em que vai falar, e o bêbado – o inevitável bêbado postado sempre à frente do palanque – arrasa seu discurso com apartes hilariantes. Tão desastrado que cai de costa e quebra o nariz”.  Na mosca!

Olha o exemplo da imagem improvável (para alguns, incluindo este jornalista) até bem pouco tempo: na Mesa da celebração dos 30 anos da Carta Magna de 88, Jair Messias Bolsonaro, capitão reformado do Exército, esquentado deputado por quase 28 anos circulando na Casa (para dizer o mínimo), volta a Brasília renascido, pela primeira vez depois de eleito presidente. É o centro das atenções, a face mais buscada pelas câmeras, a figura que mais desperta atenção e interesse – nos sinais de poder e nas palavras – dos presentes ao ato e dos milhões de telespectadores no País.

Sentado ao lado de Michel Temer, em ocaso de mando, do chefe atual do Congresso, Eunício Oliveira – recusado pelas urnas na tentativa de reeleição, mas ainda aprontando antes de voltar para o Ceará –, do enigmático atual mandarim da Câmara, deputado reeleito Rodrigo Maia, e do onipresente ex-presidente José Sarney. Além da dama de ferro da Procuradoria Geral da República, Raquel Dodge, que faz advertências mal veladas, em sua fala, e do camaleônico chefe do STF, Dias Toffoli, que aproveita para propor mais um pacto de elites no poder, a título de dar governabilidade ao mandatário recém eleito, legitimado nas urnas por quase 58 milhões de votos. É Bolsonaro quem arremata tudo em breves palavras, mas de pontaria precisa, ao afirmar que na democracia não há outro norte além da Constituição. 

O espaço acabou. Sobre o outro fato relevante do dia 6, a exemplar coletiva à imprensa do juiz Sérgio Moro, fica para depois. Por enquanto, dá apenas para acrescenta: uma vez que o magistrado afirmou que não fará política na poderosa pasta da Justiça, nem pretende disputar nenhum cargo eleitoral na vida, mesmo sendo, desde já, o mais visível nome à sucessão de Bolsonaro em 2022 – a sorte deve ser atribuída à Nação ou, mais uma vez, ao político capitão Jair Bolsonaro. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: Vitor_soares1@terra.com.br

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