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Michelle Obama
A ex-primeira-dama Michelle Obama. Charles Sykes Charles Sykes/Invision/AP
Washington

Quem costuma procurar sinais em cada detalhe, como quem busca seu destino na borra do café, garante que a capa do livro de memórias de Michelle Obama, que começa a ser vendido nos Estados Unidos na próxima terça-feira, já é uma notícia por si só. Nenhuma mulher que aspire a ser candidata, por exemplo à Casa Branca, teria posado com um top branco mostrando generosamente um ombro nu. Ah, além disso, seu olhar é cintilante. E dentro do livro ela revela que suas duas filhas, Malia e Sasha, foram geradas por fertilização in vitro.

Os que já tiveram o volume em mãos e falam a respeito contam que Michelle Obama soube caminhar com elegância sobre essa tênue linha que divide o que se oculta — por privacidade — e o que se expõe — íntimo demais —, porque afinal de contas é um livro de memórias. E não memórias quaisquer. Becoming (“tornando-se”) é a história da tataraneta de um escravo que chegou a primeira-dama do país mais poderoso do mundo (e que manteve a segregação racial em sua sociedade até a década de 1960).

Nas 426 páginas do livro, Michelle Obama deixa claro como a água sua aversão ao atual inquilino da Casa Branca, Donald Trump. “Nunca o perdoarei”, escreve, taxativa. Essa ex-advogada prestigiada, com diploma de Harvard, narra o dano que Trump causou — e poderia ter causado mais — à sua família ao propagar falsos rumores de que Barack Obama não havia nascido nos EUA e, portanto, não tinha legitimidade para ocupar a presidência.

“Tudo aquilo [a falsa certidão de nascimento de Obama] foi uma loucura cheia de más intenções, sob a qual havia intolerância, fanatismo e muita xenofobia escondida”, afirma. “Além disso, era muito perigoso, porque estava voltado a inflamar o ódio de todo tipo de loucos e maníacos”, escreve. “O que teria acontecido se alguém mentalmente não muito estável tivesse dirigido até Washington com uma arma carregada? O que teria acontecido se essa pessoa tivesse ido diretamente atrás das nossas filhas?”, pergunta-se a ex-primeira-dama. “Donald Trump, com suas insinuações vociferantes e insensatas, estava pondo a minha família em perigo. E, por isso, nunca o perdoarei.”

Suas filhas são um capítulo importante do livro, já que Michelle Obama conta, pela primeira vez de forma pública, que sofreu um aborto involuntário e posteriormente se submeteu a tratamentos de fecundação in vitro para ficar grávida de Malia e Sasha.

Isso faz 20 anos. “Eu me senti perdida e sozinha” após a interrupção espontânea da gravidez, escreve. “Na época não tinha consciência de que era algo que acontecia com relativa normalidade, ter um aborto espontâneo”, afirmou Michelle Obama numa entrevista nesta sexta-feira no programa Good Morning America, da rede ABC, que irá ao ar na íntegra neste domingo. “Senti que tinha falhado, na época não sabia que os abortos espontâneos eram tão comuns, porque não falamos deles”, relata a esposa de Barack Obama.

A ex-primeira-dama menciona a crueldade de ter consciência do chamado relógio biológico. “A produção de óvulos é limitada”, diz. “Percebi isso quando tinha 34 ou 35 anos. Tivemos que recorrer à fecundação in vitro”, revelou Michelle Obama, cujas filhas, Malia e Sasha, têm hoje 20 e 17 anos, respectivamente. Falando em confissões, Michelle Obama admite que naquela época seu marido e ela tiveram que recorrer à terapia de casal.

Não foi uma boa época para um dos casamentos mais famosos — e bem sucedidos — do planeta. Barack Obama estava dedicado de corpo e alma à política, e ela ficava em casa, onde se aplicava sozinha as injeções que integram o tratamento para engravidar.

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