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DO JORNAL DO BRASIL

Em transmissão ao vivo no Facebook, realizada nesta sexta-feira (9), o presidente eleito Jair Bolsonaro abordou diversos temas. O capitão reformado voltou a falar sobre o reajuste salarial do Judiciário e disse que, agora, a decisão está “nas mãos de Michel Temer”. Disse ainda que anunciará na próxima semana os futuros ministros da Defesa, Meio Ambiente, Saúde, Relações Exteriores e, mais adiante, da Educação. Bolsonaro frisou, inclusive, que escolherá para esta última pasta um ministro “com autoridade, que entenda que o Brasil é um país conservador”.

“Qual o objetivo da educação? No final da linha é você ser um bom técnico, um bom liberal. Não são essas besteiras de ideologia de gênero”, disparou o presidente eleito. “O pai e a mãe têm que ter a garantia de que o filho está indo pra escola para não ficar aprendendo sexo. Ninguém quer impor nada. Queremos a normalidade. Que importância tem ideologia de gênero? Quem ensina sexo é papai e mamãe e acabou”, ressaltou Bolsonaro, que também voltou a fazer duras críticas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) .

“Essa prova do Enem, com a linguagem particular daquelas pessoas (o pajubá, socioleto criado pela comunidade LGBT) é um absurdo. Vai obrigar a molecada a aprender sobre isso? Não vai ter questão dessa forma no ano que vem. Queremos que, na escola, a molecada aprenda algo que dê liberdade, que não fique com essas questões menores”, disse Bolsonaro. O presidente eleito salientou ainda que quer “ver a prova do Enem” antes de sua aplicação aos estudantes, a fim de aprovar seu conteúdo.

O presidente eleito criticou ainda as universidades federais. Disse que o centro acadêmico da Universidade de Brasília (UnB) parece um “ninho de ratos”, com “camisinhas espalhadas pelo chão, maconha, cachaça na geladeira e paredes pichadas”. “Mudar isso? É difícil. Vão me chamar de fascista, vão me chamar de ditador, mas vamos tentar mudar isso aí, tá ok?”, asseverou. “Boa parte do dinheiro[aplicado] nas universidades é dinheiro jogado fora”, acrescentou Bolsonaro.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

‘Estão botando o reajuste salarial do Judiciário na minha conta’

Jair Bolsonaro também apontou suas armas para a imprensa. “Estão botando na minha conta o reajuste do Judiciário”, disse. O Senado aprovou projetos de lei que concedem o aumento aos magistrados. O salário atual é de R$ 33,7 mil. Com o reajuste, passará para R$ 39,3 mil por mês. Conforme o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o eventual aumento terá impacto mensal de R$ 18,7 milhões (R$ 243,1 milhões em um ano). 

“Dei minha opinião que era inoportuno [o reajuste]. A decisão agora está nas mãos do senhor Michel Temer, se vai sancionar ou não”, afirmou o presidente eleito.

Combate à corrupção

Bolsonaro também prometeu um intenso combate à corrupção durante seu governo com o juiz federal Sérgio Moro à frente do Ministério da Justiça. “Moro vai pegar vocês, corruptos. Antes ele pescava de varinha, agora vai ser com rede arrastão de 500 metros”, afirmou.

Ele também disse que Moro terá carta branca para trabalhar e voltou a dizer que conversou com o juiz somente após o segundo turno das eleições 2018. Antes disse, a única interação entre os dois havia sido meses antes em uma conversa rápida em um aeroporto. Com isso, Bolsonaro afasta qualquer questionamento sobre interferências no processo eleitoral e a possibilidade de que o convite para assumir o ministério tivesse sido feito antes da hora.

Amazônia

Na transmissão, Bolsonaro demonstrou interesse em permitir que empresas de alguns países explorem os recursos naturais da Amazônia. Ele questionou “por que não fazer acordo” para explorar a região “sem viés ideológico”.

Nos 30 minutos de sua fala, durante a qual por diversas vezes criticou a gestão do meio ambiente no Brasil, Bolsonaro afirmou que o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) cometem “caprichos”. O presidente eleito ainda disse que pretende avançar com o turismo em áreas protegidas ambientalmente para garantir que não sejam abandonadas.

“Se tivesse hotéis em áreas protegidas, o meio ambiente estaria preservado. O turismo preservaria o meio ambiente e não essa forma xiita do Ibama”, afirmou.

Embora demonstre interesse em explorar a Amazônia, Bolsonaro não informou quais setores e países teriam acesso à região em seu governo. Mais uma vez, apenas citou o mercado de nióbio, que, segundo o presidente eleito, “não será privatizado”. Disse ainda que “parece que 40% das multas (ambientais) aos produtores” vão para organizações não governamentais. “Não vai ter ativismo”, acrescentou.

 “O Brasil, o país dos direitos; só não tem emprego”

O presidente eleito reagiu às críticas de determinados setores, que afirmam que ele pretende extinguir os direitos trabalhistas e sindicais. Jair Bolsonaro condenou o comportamento de alguns sindicalistas: “A vida de sindicalista é muito boa. É ficar lá, só engordando.”

O capitão reformado disse ainda que seu objetivo não é atingir os sindicatos nem os direitos trabalhistas. “Eu quero é acabar com o desemprego”, afirmou. “O Brasil, o país dos direitos; só não tem emprego”, acrescentou. “Antes que falem besteira por aí”, complementou.

O presidente eleito afirmou que não pretende mexer em determinados pontos em vigência no país. Não citou quais. Mas foi objetivo: “Não vou dar murro em ponta de faca”.

Mercado

Em contrapartida, Bolsonaro disse que conta com apoio do mercado, que está confiante com sua eleição e o futuro governo, a partir das demonstrações que observa e vem recebendo. Ele disse ter admiração por aqueles que são patrões no Brasil, pois há uma série de dificuldades para empregar no país.

“Quem quer ser patrão no Brasil?”, perguntou. “Ninguém quer”, acrescentou o presidente eleito, informando que conversou com uma rádio brasileira nos Estados Unidos e foi transmitido para ele que no mercado de trabalho norte-americano se recebe apenas pelas horas trabalhadas.

Detalhe

Dois livros figuravam sobre a mesa na transmissão ao vivo realizada nesta sexta-feira: “Não, Sr. Comuna! – Guia Para Desmascarar As Falácias Esquerdistas”, de Evandro Sinotti, e “A Mente Esquerdista. As Causas Psicológicas da Loucura Política”, de Lyle H. Rossiter.

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