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Conceição Evaristo: a grande homenageada da Flica, em Cachoeira (BA).

 

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Elieser Cesar

– Escritora nascida em uma favela de Belo Horizonte seria a primeira mulher negra a ingressar na instituição fundada por Machado de Assis. Este ano, ela até que tentou, mas a cadeira ficou com o cineasta Cacá Diegues.

 

Por Elieser Cesar

 

Estimulada por uma petição com 40 mil signatários que defendem a sua candidatura à Academia Brasileira de Letras (ABL), como a primeira escritora negra a ingressar na instituição fundada por um mulato, Machado de Assis, a mineira Conceição Evaristo, não desistiu de continuar tentando o feito inédito nas letras brasileiras.  Este ano, a autora de sete livros, dentre eles Ponciá Vicêncio(2003) e Olhos D’água, terceiro lugar do Prêmio Jabuti de 2015, na categoria Contos e crônicas, bem que tentou ocupar a cadeira número 7 , que pertencera ao cineasta Nélson Pereira dos Santos e cujo patrono é Castro Alves, o “Poeta dos Escravos, mas a eleição foi ganha por outro diretor de cinema, Cacá Diegues.

Conceição Evaristo recebeu apenas um dos 35 votos, contra 22 de Diegues e 11 do colecionador e editor carioca Pedro Aranha Côrrea. Disputaram a eleição (secreta) 11 candidatos. A escritora nascida há 71 anos em uma favela de Belo Horizonte e o principal fenômeno da literatura negra no Brasil desde Carolina Maria de Jesus, autora do sucesso Quarto de despejo, nos anos 70 do século passado, foi a grande homenageada da 8ª edição da Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica), que aconteceu na semana passada na histórica cidade  do recôncavo baiano. Ali ela conversou com este jornalista e acenou para a possibilidade de disputar novamente uma vaga na ABL.               

“ Já está havendo uma demonstração do desejo de que eu concorra novamente. Eu ainda não pensei, não tenho uma resposta até este momento, mas a única coisa que reafirmo é que a minha candidatura representou e representa um coletivo de mulheres negras que quis que eu estivesse na Academia Brasileira de Letras”, disse Conceição Evaristo. Na opinião da escritora, a ABL terá que pensar numa literatura que contemple, de maneira mais ampla, formas discursivas literárias, que não são só aquelas que estão lá.  “Acredito que, amanhã, não só a mulher negra, o escritor negro, mas também sujeitos indígenas que estão fazendo literatura vão também reivindicar o se u espaço na ABL”, afirmou Conceição Evaristo.

Com um livro de poesia a sair pela editora francesa Maison de Femme, a mesma que publica Clarice Lispector, e um romance, Canção de ninar menino grande, que deve ser lançado em novembro, na  Flink Sampa, a Feira Literária coordenada pela Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, Conceição Evaristo diz ter todas as condições para concorrer novamente à Academia. “ABL  é uma casa plural. É diversa, portanto, aberta a acolher as diversidades. Se para concorrer à ABL é preciso ser brasileira e ter um livro escrito, eu sou brasileira e tenho sete livros publicados, a caminho do oitavo”, observa.

A escritora reconhece a dificuldade dos autores negros publicar no Brasil: “Primeiro nós, os escritores negros, não temos padrinhos para nos apresentar às grandes editoras. Mesmo quando a gente publica, alguns críticos literários que poderiam ajudar a expandir os nossos trabalhos, eles não nos leem, ou quando os leem não nos entende. Eu tenho até uma massa crítica muito boa que nasceu nos cursos acadêmicos. Eu até não posso reclamar não. Mas é também uma trajetória que eu venho fazendo desde 1990, quando comecei a publicar meus textos e minhas história pelos Cadernos Negros”.

A um jovem escritor negro, Conceição Evaristo aconselha que permaneçam unidos para que o sistema “não os engula ou os usem, através da cooptação”. Neste caso, ele diz que “é preciso estar junto do coletivo, acompanhar as lutas do coletivo e pensar também que todo processo de criação intelectual só faz sentido se reverberar em outras pessoas”. E adverte: “Nós temos nossas vaidades pessoais, mas quem seguir a luta sozinho vai se perder”.

Elieser Cesar, jornalista, escritor, poeta e professor universitário, participou da  FLICA deste ano, em Cachoeira, Recôncavo Baiano, onde a escrtora Conceição Evaristo foi a grande homenageada.

“THE SOUND OF YOUR NAME”,  (Ton nom) , Charles Aznavour & Liza Minnelli,  Musica: Charles Aznavour ? Letra: Herbert Kretzmer ? Histórica apresentação em dueto , ao vivo, no Palais des Congrés, Paris, 1991Um vídeo rarissimo, para ver e rever. Sempre.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Jair Bolsonaro nordeste
O presidente eleito Jair Bolsonaro em uma foto de outubro, no Rio. Leo Correa AP
Marina Rossi

A eleição de Jair Bolsonaro acendeu um alerta no grupo de governadores do Nordeste, região onde o militar reformado perdeu para o petista Fernando Haddad. A partir de janeiro do ano que vem, os nove Estados da região estarão governados ou pelo PT ou por partidos aliados, como o PSB e o PCdoB, representando a única região totalmente sob o Governo de siglas da oposição ao novo presidente. O cenário distinto ao do restante do país, onde Bolsonaro venceu, causou preocupação entre os políticos locais, que decidiram que a região deve atuar em bloco e não individualmente, para dar maior musculatura às demandas regionais.

Logo após o resultado da eleição, alguns governadores manifestaram publicamente a preocupação de serem deixados de escanteio. Com isso, poderiam perder verbas do Governo federal para programas e projetos em seus Estados. “Finalizada a eleição, externo aqui o meu desejo de que o presidente eleito, respeitando os princípios da democracia, dialogue com todos os Estados, com respeito e sem discriminação, e busque a solução dos problemas que afligem o país”, escreveu o petista Camilo Santana, do Ceará, em seu Facebook.

A preocupação tomou conta também de um grupo de WhatsApp, formado por todos governadores do Nordeste. Além de Santana, no Ceará, ele inclui Rui Costa (PT), da Bahia, Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco, Wellington Dias (PT), do Piauí, Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão. Fátima Bezerra (PT), do Rio Grande do Norte, Belivaldo Chagas (PSD), de Sergipe, João Azevêdo (PSB), da Paraíba, e Renan Filho (MDB). O acordo firmado entre eles até o momento foi de aguardar o anúncio da nova equipe ministerial para, então, marcar uma reunião presencial e deliberar as ações. A expectativa gira em torno do perfil dos novos ministros: se serão em maior parte militares, ou se haverá uma composição com membros dos partidos que formam o centrão.

Esse grupo havia sido formado em maio deste ano. Naquele mês, todos os governadores do Nordeste se reuniram, juntamente com o atual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), para deliberar as principais demandas da região. Da reunião, no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, saiu a Carta do Recife, endereçada a Michel Temer, com 11 pontos considerados importantes para a retomada do desenvolvimento nos Estados. Dentre eles, a oposição à privatização da Eletrobras e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, a Chesf.

Agora, o esforço é por fazer chegar até a mesa de Bolsonaro uma pauta mais enxuta, priorizando três temas mais urgentes: água, segurança pública e saúde. Em relação à água, tema sensível para a região que viveu nos últimos anos uma seca histórica, a demanda é pela retomada das grandes obras que levam o abastecimento oriundo da transposição do rio São Francisco até os moradores do semiárido. No âmbito da saúde, os mandatários reivindicarão a revisão da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Os governadores pedirão aumento na participação do Governo Federal nos repasses aos hospitais públicos dos Estados. O tema é sensível, já que baterá de frente com a barreira imposta pela PEC do teto de gastos, que limitou o crescimento dos investimentos públicos pelos próximos 20 anos.

A mesma dificuldade pode ser imposta pelas reivindicações na área de segurança pública. Aqui, além dos problemas comuns a todos os Estados, como investimento no aumento do efetivo policial e em sua remuneração, a região Nordeste tem uma questão pontual: a realização de um trabalho de inteligência para desmontar quadrilhas interestaduais especializadas na explosão de caixas eletrônicos. Esse tipo de crime gera um efeito cascata que contribuiu para o aumento dos índices de violência na região. Isso porque, em muitas cidades, há apenas uma agência bancária. Com a explosão dos caixas dessas agências, os clientes precisam se deslocar para as cidades vizinhas para realizar saques e pagamentos. A circulação dessas pessoas com altas quantias de dinheiro pelas estradas torna-se um alvo fácil de assaltos e latrocínio.

Discutidas as principais questões da região, o grupo deve marcar uma reunião presencial assim que os novos ministros forem anunciados pelo presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é que demandas locais sejam apresentadas até mesmo antes da posse do novo Governo, no dia 5 de janeiro.

Diálogo com os Estados

Nesta eleição, o Nordeste, repetindo os pleitos anteriores, votou em peso no PT. Fernando Haddad obteve 69% dos votos da região no segundo turno. Ainda assim, o partido perdeu em três capitais: João Pessoa (PB), Natal (RN) e Maceió (AL), sendo nessa última, onde Bolsonaro obteve o maior percentual de votos, 61%. Embora Haddad tenha levado a maioria dos votos na região —20,3 milhões—, o presidente eleito amealhou 8,8 milhões de eleitores. Durante a campanha, muitas capitais nordestinas promoveram atos pró-Bolsonaro, e esse apoio popular sustenta a teoria de que o novo presidente não deve virar as costas para a região.

Sabendo da importância dos nordestinos para sua eleição, Bolsonaro acenou para a população local algumas vezes durante sua campanha. Para se aproximar de um público que historicamente elege o PT, colocou o chapéu de couro, tradicional ornamento local, e afirmou ser nordestino também, argumentando que o sogro nasceu no Ceará. Em uma TV no Piauí, afirmou que acabaria com o “coitadismo” dos nordestinos. Logo após o primeiro turno, em sua primeira entrevista, fez um agradecimento especial aos eleitores do Nordeste. Na sequência, lançou a proposta de 13º para o Bolsa Família, ideia claramente direcionada aos eleitores da região, que abriga metade dos 14 milhões de beneficiados pelo programa.

Porém, seu plano de Governo registrado no TSE trata pouco da região. Menciona o Nordeste somente quando aborda a área de energia, ao afirmar que é um local com “grande potencial de desenvolver fontes de energia renovável, solar e eólica”.

Do Jornal do Brasil

 

Em mensagem a seus colegas da magistratura federal, via intranet, o juiz Sérgio Moro sugeriu a eles que “continuem dignificando a Justiça, com atuação independente, mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça”.

Moro assume em janeiro o comando da Justiça, que vai ganhar status de superministério, acumulando áreas sensíveis do governo, como a Controladoria-Geral da União e uma fatia do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de puxar de volta a Polícia Federal, junto com o Ministério da Segurança.

“Da minha parte, sempre terei orgulho de ter participado da Justiça Federal e os magistrados terão sempre o meu respeito e admiração”, escreveu Moro.

Nesta segunda-feira, 5, ele já abandonou a Operação Lava Jato, por meio de ofício dirigido ao corregedor do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região. Moro entrou em férias.

Ao aceitar o convite do presidente eleito Jair Bolsonaro para assumir o superministério, Moro deixa para trás 22 anos de toga.

No texto endereçado a seus colegas da Justiça Federal, ele diz que sua saída “foi uma decisão muito difícil, mas ponderada”.

“Em Brasília, trabalharei para principalmente aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado, com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais”, compromete-se.

Ele diz aos colegas que pretende seguir os passos do juiz Giovanni Falcone – assassinado pela máfia italiana em 1992. “Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.”

Macaque in the trees
Sérgio Moro, futuro Ministro da Justiça e Segurança Pública (Foto: Agência Brasil)

LEIA A MENSAGEM DE MORO A SEUS COLEGAS

“Prezados colegas magistrados federais,

A todos que me endereçaram congratulações aqui, meus agradecimentos.

Foi uma decisão muito difícil, mas ponderada.

Em Brasília, trabalharei para principalmente aprimorar o enfrentamento da corrupção e do crime organizado, com respeito à Constituição, às leis e aos direitos fundamentais.

Lembrei-me do juiz Falcone, muito melhor do que eu, que depois dos sucessos em romper a impunidade da Cosa Nostra, decidiu trocar Palermo por Roma, deixou a toga e assumiu o cargo de Diretor de Assuntos Penais no Ministério da Justiça, onde fez grande diferença mesmo em pouco tempo. Se tiver sorte, poderei fazer algo também importante.

Da minha parte, sempre terei orgulho de ter participado da Justiça Federal e os magistrados terão sempre o meu respeito e admiração. Continuem dignificando a Justiça com atuação independente (mesmo contra, se for o caso, o Ministério da Justiça).

nov
06
Posted on 06-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-11-2018


 

Ronaldo ,no (PE)

 

nov
06

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou sua conta pessoal no microblog Twitter, na manhã desta segunda-feira, 5, para “bater boca” com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). “A desinformação é péssima conselheira, sobretudo vinda dos poderosos”, disse FHC

A postagem foi resposta a uma foto postada neste domingo, 4, pelo capitão da reserva, em sua página oficial na mesma rede social, na qual o ex-presidente tucano aparece segurando o livro “Prisioner of The State – The Secret Journal of Chinese Premier Zhao Ziyang”.

Sem legenda, a foto postada por Bolsonaro rendeu comentários de seus seguidores de que FHC era adepto do comunismo, já que o livro trata de Zhao Ziyang, ex-líder comunista deposto da liderança do Partido Comunista da China em 1989 por se opor aos massacres ocorridos na Praça da Paz Celestial. Ele faleceu em 2005, aos 85 anos.

Além de dizer que a desinformação é péssima conselheira, FHC diz em seu post: “Na foto do Twitter do presidente eleito eu apareço lendo um livro de ex-premier da China, deposto e preso, em que critica o regime. Isso aparece como ‘prova’ de que sou comunista. Só faltava essa. Cruz, credo!”

A desinformação é péssima conselheira, sobretudo vinda dos poderosos: na foto do Twitter do Pr eleito eu apareço lendo um livro de exPremier da China, deposto e preso, em que critica o regime. Isso aparece como”prova” de que sou comunista. Só faltava essa. Cruz, credo!

Público aplaude o presidente Donald Trump na sua chegada a um comício em Chattanooga (Tennessee), no domingo passado.
Público aplaude o presidente Donald Trump na sua chegada a um comício em Chattanooga (Tennessee), no domingo passado. AP

Os títulos certamente são chamativos: “Assessor especial e ex-diretor do FBI Robert Mueller é acusado de estupro por ‘testemunha muito confiável’”; “Novo vídeo demonstra que pessoal da campanha do Beto O’Rourke ajuda ilegalmente a caravana”; “Nações Unidas: Trump deve permitir que a caravana de imigrantes entre nos Estados Unidos

Todas são notícias-lixo, compartilhadas por milhares de pessoas no Facebook. Segundo um novo estudo do Oxford Internet Institute (OII), estes conteúdos são mais compartilhados nesta campanha eleitoral norte-americana do que em 2016, e já superam o interesse pelos veículos tradicionais. Na época eram mais conhecidas como fake news, mas os pesquisadores acham que a nova denominação é mais precisa: “Preferimos o termo notícias-lixo porque fake news foi muito politizado e com frequência é usado retoricamente para desacreditar os meios de comunicação tradicionais”, diz Nahema Marchal, pesquisadora do OII.

Os veículos que publicaram essas notícias são Breitbart, Hannity e Gateway Pundit. Os três fazem parte de uma lista de 113 plataformas que o estudo isolou porque “contêm formas variadas de propaganda e informação hiperpartidária e ideologicamente extrema”. O artigo analisou 2,5 milhões de tuítes e 6.986 páginas do Facebook durante outubro deste ano. “A proporção de fontes de notícias-lixo que circula pelo Twitter cresceu cinco pontos em relação 2016, o que significa 25% de todas as URLs capturadas durante o estudo”, escrevem os autores. Os links compartilhados de veículos tradicionais somaram apenas 19% do total.

Um submundo de ‘memes’

Estas pseudonotícias são só uma parte visível do universo desinformativo das redes sociais. Por baixo dele vêm os memes: uma imagem com uma frase sem link. Os textos em imagens são mais difíceis de procurar. Kevin Roa, jornalista do The New York Times, encontrou por exemplo um meme com o rosto de Cessar Sayoc, o acusado de mandar 14 pacotes-bombas a críticos de Trump: “Um democrata de toda a vida recentemente registrado como republicano, que cobre sua caminhonete com adesivos de Trump e começa a enviar bombas que não explodem a democratas. E vocês ainda perguntam por que os americanos o veem como suspeito?” Esta acusação de ser um infiltrado somava mais de 78.000 compartilhamentos. Segundo Roa, a reportagem mais compartilhada do The New York Times em outubro conseguiu 50.000.

Os memes são fáceis de criar, e costuma haver um suposto usuário privado do Twitter no início da cadeia. Um meme de muito sucesso foi o de policiais mexicanos ensanguentados com uma mensagem que atribuía a culpa aos imigrantes da caravana que se dirige aos Estados Unidos; só que as fotos eram de 2012. Outro meme com ampla difusão dizia, falsamente, que o marido de Chelsea Clinton é sobrinho do magnata George Soros, acusado sem provas de estar por trás de todas as conspirações antirrepublicanas. Ambos os exemplos rondavam os 30.000 compartilhamentos.

Um grupo de migrantes chega a Puebla, no México. A caravana foi alvo de notícias falsas.
Um grupo de migrantes chega a Puebla, no México. A caravana foi alvo de notícias falsas. Hilda Rios EFE
 

Os pseudoveículos exageram, forçam ou manipulam a realidade para que se ajuste às suas intenções. Há, frequentemente, um embrião de verdade no fundo de suas peças. Os memes são diretamente propaganda: “Neste estudo não analisamos memes. Entretanto, também é verdade que a informação-lixo visual é um problema enorme, já que as imagens são capazes de distorcer a realidade política e se espalhar como fogo nas redes”, diz Marchal. A organização para viralizar esses conteúdos atualmente pode proceder dos grupos do Facebook, o que seria uma novidade, segundo Jonathan Albright, diretor de Investigação do Tow Center da Universidade de Columbia.

O Facebook criou há algumas semanas, com grandiloquência, uma war room para alertar e eliminar esse fluxo de desinformação. Entretanto, não está obtendo nenhum resultado além de gabar-se do esforço.

E a publicidade de micronichos?

Além das notícias-lixo e dos memes, há os anúncios, que têm seu peso e podem decidir eleições. Isso é o que pode ter ocorrido em 2016: a publicidade para micronichos “elevou em pelo menos cinco pontos percentuais a probabilidade de que um eleitor não alinhado acabasse votando em Trump”, segundo outro artigo recente da Universidade britânica de Warwick, do ETH de Zurique e da Universidade Carlos III, de Madri. Em uma eleição tão igualada como a de 2016, os 44 milhões de dólares e as 175.000 variantes de anúncios usados pela campanha do atual presidente foram decisivos, segundo esse relatório. “Os efeitos da campanha online foram mais fortes entre os eleitores que usavam Facebook regularmente, entre os que confiavam nele como fonte principal de informação e entre os eleitores sem formação universitária”, acrescentam. Tudo isso ocorre por baixo do radar público.

Os grupos mais propensos a compartilhar e consumir as notícias-lixo no Facebook são, segundo o artigo de Oxford, as páginas vinculadas à “extrema direita” e os “conservadores tradicionais”. Segundo os autores, a base que sustenta o presidente Trump conseguiu se expandir para republicanos mais tradicionais: “As notícias-lixo consumidas pelos seguidores de Trump, e a extrema direita agora é consumida por usuários conservadores”, escrevem. A esquerda começou a copiar os métodos dos seguidores de Trump, mas seu alcance é mínimo: não supera 5% do que consomem as bases progressistas.

É fácil imaginar por que os seguidores de Trump acreditam mais neste conteúdo-lixo. Segundo um estudo do The Washington Post, nas últimas sete semanas antes das eleições Trump fez 1.419 declarações falsas, uma média de 30 por dia. Os comícios eleitorais fazem seus exageros dispararem.

Se alguém se pergunta se os russos estão por trás de tudo isto, a resposta dos pesquisadores é não, ao menos de maneira óbvia. Há no artigo uma categoria chamada “conteúdo russo óbvio”, que só soma 0,2% do total. Entretanto, ninguém sabe nada com certeza: “Os dados indicam que muitas das notícias-lixo são feitas em casa. Entretanto, não tentamos analisar se o conteúdo em si mesmo foi criado ou impulsionado por entidades estrangeiras”, diz Marchal.

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