Mourão e a “economia da moedinha”

 

O general Hamilton Mourão disse ao Uol que, embora seu cargo como vice-presidente seja limitado, trabalhará para ajudar Jair Bolsonaro.

“Sou limitado pela Constituição. Tenho de buscar um espaço que, dentro da legalidade, eu possa auxiliá-lo”.

Mourão disse também que com a fusão de ministérios será possível reduzir as despesas do governo.

“É o que eu chamo de economia da moedinha. Vai começar a pingar moeda no cofrinho, vai gastar menos papel, menos copinho de café, menos tonner, a máquina vai ser enxugada”.

O que Bolsonaro e Moro colocam em jogo juntos

eleições 2018 moro bolsonaro
Apoiadora de Bolsonaro empunha boneco inflável de Sergio Moro. Silvia Izquierdo AP

Deixo para outros analistas interpretar o significado político da nomeação do juiz Moro como superministro da Justiça, e o que isso possa significar retroativamente em relação às sentenças emitidas pelo juiz no passado, inclusive a mais clamorosa, a que acabou levando o ex-presidente Lula à prisão e o impediu de disputar as eleições.

O que para muitos ainda representa uma grande incógnita com relação a essa nomeação, na qual o presidente eleito Bolsonaro lhe concedeu poderes que nenhum outro ministro teve no passado, é o que ambos colocam em jogo com tão importante decisão.

Não é difícil imaginar que Moro tenha pensado bem o que sua nomeação como ministro da Justiça poderia significar para seu presente e seu futuro, e sobre as críticas de oportunismo que cairiam sobre sua cabeça, como já está acontecendo. Trata-se de um juiz que, sem sair da primeira instância, já ganhou o aplauso mundial graças à sua atuação contra a corrupção. Esperava-se dele ainda uma longa e brilhante carreira judicial. Por que quis interrompê-la para participar de um dos governos mais criticados dentro e fora do Brasil como autoritário e até fascista?

Moro tinha jurado que “por nada no mundo” deixaria a carreira judicial, na qual trabalhava quase desde menino, para entrar na política. Por que esta decisão, e tão rápida? Uma coisa serão as explicações que ainda dará à opinião pública, e outra o que pode haver, que não sabemos, por trás do seu sim a Bolsonaro.

E isso porque ambos arriscam tudo com essa decisão. César Maia, um veterano da política, recordou a Bolsonaro, não sem ironia, que sempre se aconselhou aos presidentes “não nomear alguém que não possa demitir”. E é verdade que não seria fácil para o novo presidente demitir uma figura como Moro, caso, por exemplo, ele não compartilhe de alguma de suas futuras decisões. Bolsonaro conquistou a Presidência em boa parte por seu apoio à Lava Jato. Um possível enfrentamento com o juiz-mito na luta contra a corrupção poderia lhe comprometer gravemente.

A nomeação de Moro obrigará agora, por exemplo, que Bolsonaro seja intransigente na hora de escolher sua equipe e de fazer as centenas de nomeações que tem pela frente. Deverá vigiar para que nenhum dos candidatos a cargos na administração tenha problemas pendentes com a Justiça, e menos ainda com os pecados de corrupção. Será isso possível para ele com um Congresso onde metade dos deputados e senadores estão envolvidos de alguma maneira com a Lava Jato? Caso Bolsonaro faça vista grossa em alguma nomeação, Moro também olharia para o outro lado?

E como poderia justificar — não só dentro do Brasil, mas também fora, onde é considerado o juiz-estrela que foi capaz de revelar um dos maiores escândalos mundiais de corrupção — o fato de ter aceitado entrar, e com tanto poder, num Governo cujo presidente havia flertado dias antes da sua nomeação com a ditadura militar e a tortura, e ameaçado a esquerda com o exílio e a prisão.

Talvez o mais positivo da presença de Moro no Governo Bolsonaro, dado seu indiscutível passado democrático e sua integridade pessoal, seja que pode constituir, dentro do Governo, uma garantia e um muro contra qualquer tipo de desvio autoritário do novo presidente. Precisamos saber, para isso, se estará de malas prontas para ir embora diante da primeira ruptura democrática do Governo ou frente às tentações fascistas que venha a observar lá dentro. Sobretudo agora, quando estará sentado, e como convidado especial, à mesa de um Governo que tantas preocupações e dúvidas desperta dentro e fora do país a respeito de seu compromisso com a democracia e a Constituição.

“Cafetin de Buenos Aires”, Edmundo Rivero: Imortal tango portenho. “Quando pequeno te olhava de fora, como estas coisas que nunca se alcançam/ o nariz contra a vidraça, em um azul de frio, que só foi depois, vivendo, igual ao meu”…

Maravilha de tango e de interpretação de Rivero, o saudoso e insuperável cantor e mestre de cerimônia do El Viejo Almacén. Vai dedicada ao professor e poeta Florisvaldo Matos, que depois do voto presidencial, viajou para esta amada cidade de tango, cultura, boa mesa e excelente vinho.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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CAFETIN DE BUENOS AIRES

De chiquilín te miraba de afuera, como esas cosas que nunca se alcanzan, la ñata contra el vidrio, en un azul de frío, que sólo fue después, viviendo, igual al mío. Como una escuela de todas las cosas, ya de muchacho, me diste, entre asombros, el cigarrillo, la fe en mis sueños y una esperanza de amor. ¿Cómo olvidarte en esta queja, cafetín de Buenos Aires, si sos lo único en la vida, que se pareció a mi vieja? En tu mezcla milagrosa, de sabihondos y suicidas, yo aprendí filosofía, dados, timba y la poesía; cruel, de no pensar más en mí. Me diste en oro un puñado de amigos, que son los mismos que alientan mis horas: José, el de la quimera; Marcial, que aún cree y espera y el flaco Abel que se nos fue pero aún me guía. Sobre tus mesas que nunca preguntan, lloré una tarde el primer desengaño, nací a las penas, bebí mis años… ¡y me entregué sin luchar!

nov
04
Jair Bolsonaro acena para apoiadores em uma praia no Rio, no dia 31 de outubro.
Jair Bolsonaro acena para apoiadores em uma praia no Rio, no dia 31 de outubro. Leo Correa AP

Há quatro anos, Dilma Rousseff recém havia sido reeleita. Na Argentina, Cristina Kirchner governava. O Brasil havia realizado a Copa de 2014, uma festa que acabou quando a seleção alemã desclassificou a local por um humilhante 7 a 1. Nessa época, a torcida argentina viajou maciçamente ao Brasil. Em cada estádio, podiam ser vistas milhares de camisetas alvicelestes. E em algum momento, todos os infiltrados cantavam juntos: “Brasil, me diga o que você sente, ter seu pai em casa…”, com música do Creedence. Esse refrão, depois da catástrofe da seleção de Neymar, machucava muito. Por isso os brasileiros comemoraram o título conquistado pela Alemanha, seu algoz. Qualquer coisa era melhor que uma vitória argentina.

Para falar a verdade, em poucas coisas a Argentina tem o direito de sentir que tem o Brasil como filho. No futebolístico, o Brasil tem cinco Copas do Mundo contra duas da Argentina. No econômico, o Brasil há tempos deixou a Argentina para trás, que há um século estava entre uma das potências do planeta. As praias brasileiras são mais quentes e belas e por isso, quando o dólar está barato, lá se fala mais espanhol do que português. Nos anos noventa a Argentina teve um neoliberalismo dogmático e destrutivo. O Brasil desses anos foi mais pragmático e moderado. Quando a direção do vento mudou, o Brasil escolheu Lula como líder, um operário irrepreensível. A Argentina, por sua vez, elegeu os Kirchner, um casal de milionários que havia sido cúmplice em desmandos anteriores.

Mas algo mudou.

Nos últimos tempos, o PIB brasileiro caiu 8%, a crise da insegurança aumentou como nunca. O processo político se perverteu, uma ex-presidenta foi derrubada, o político mais popular foi preso e, por fim, se tornou vitorioso um candidato de ultradireita pródigo em agressões contra homossexuais, dissidentes, mulheres, negros, jornalistas, que chegou a sugerir que fecharia o Congresso. A vitória de Bolsonaro deixou a Argentina perplexa: é como se o irmão mais velho enlouquecesse. A pergunta central é: o irmão mais novo será contaminado?

A preocupação é legítima por várias razões. A primeira é o surgimento em áreas centrais do debate público de discursos que eram marginais. Já existem políticos que postulam a expulsão de imigrantes e se queixam porque “os heterossexuais são discriminados”. No domingo passado, milhares de pessoas se manifestaram contra a inclusão da educação sexual nas escolas. Várias delas levavam cartazes antissemitas, algo que não se via há décadas em Buenos Aires. O ódio ao jornalismo independente, manifestado por Bolsonaro, também encontra terra fértil pelo discurso kirchnerista.

A segunda razão para se preocupar é econômica. Bolsonaro anunciou um plano de ajuste muito severo ao Brasil, com o objetivo de eliminar o déficit fiscal. Em curto prazo, os efeitos desses planos são profundamente recessivos. O Brasil é um destino vital às exportações industriais argentinas, que serão afetadas seriamente. E a Argentina precisa desesperadamente dos dólares dessas exportações. Como se não fosse o bastante, o ministro designado, Paulo Guedes, anunciou que o Mercosul deixará de ser prioridade, uma aliança alfandegária que permitia à Argentina o acesso privilegiado ao enorme mercado vizinho.

Mas o mais preocupante é que a Argentina, como o Brasil, vive um processo econômico de muita incerteza e empobrecimento. Os líderes locais se odeiam entre si e há anos falam cobras e lagartos uns dos outros. Como nenhum deles resolveu os problemas dos argentinos, é lógico que gerem muito mais repúdio do que aprovação. Dessa forma, o país pode embarcar em qualquer aventura.

O mundo se surpreendeu com fenômenos tão diversos como o triunfo de Donald Trump, o Brexit, a chegada ao poder da ultradireita italiana, o crescimento de partidos da mesma vertente na França, Alemanha e Suécia e, agora, a irrupção de Bolsonaro. Ninguém está vacinado contra tudo isso, muito menos um país tão instável como a Argentina.

Por agora, o mapa da América Latina mudou. Os Governos de direita moderada e ultradireita dominam os países mais poderosos. A exceção é a Venezuela, uma ditadura clássica com retórica de esquerda que gerou uma crise política e social inédita.

Os melhores sonhos se despedaçaram, em grande parte, por culpa dos que os encarnaram…

Os piores pesadelos surgem.

Talvez seja melhor falar de futebol. Apesar de tudo, Messi continua sendo melhor do que Neymar. Ou algum brasileiro discorda?

Do  Jornal do Brasil

 

Em entrevista ao pastor Silas Malafaia, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que sua eleição não foi fácil e que só pode ser explicada “pelo amor de Deus”. A conversa, de aproximadamente dez minutos, foi gravada na última terça-feira, dia 30, quando Bolsonaro esteve na sede da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha, zona norte do Rio, mas foi ao ar neste sábado, 3, no programa de mesmo nome, na Band. 

 “Longe de mim querer ser o salvador da pátria”, disse o presidente eleito ao pastor. “Mas o País não podia continuar flertando com o comunismo, o socialismo, com o populismo, com o desgaste dos valores familiares.” Bolsonaro afirmou que, durante a campanha, “em suas andanças pelo Brasil”, sempre dizia que o País precisava de um presidente “homem ou mulher, que fosse honesto, que tivesse Deus no coração e que fosse patriota”.

Bolsonaro contou que esteve já por duas vezes com autoridades de Israel que se colocaram à disposição para ceder tecnologia capaz de atender ao problema da falta d’água no Nordeste do País. “Com essa tecnologia, podemos fazer até melhor do que em Israel: lá chove menos do que no nosso semiárido”, afirmou. “Com isso, vamos dar independência ao povo do Nordeste, para que saia das mãos dos coronéis.” 

Ele contou que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com Donald Trump. Segundo Bolsonaro, o presidente americano disse que “está muito feliz” com a vitória dele na eleição brasileira.

Sobre a formação de seu governo, Bolsonaro voltou a afirmar que está em busca de nomes técnicos para os ministérios. “A consequência final do toma lá, dá cá é a ineficiência do Estado”, disse. “Por isso estamos montando um ministério de pessoas técnicas, que responda aos anseios da população e não a agremiações partidárias.”

Jair Bolsonaro afirmou ainda que pretende governar pelo exemplo. “Vamos valorizar a família brasileira, respeitar a inocência das crianças em sala de aula, ter uma política de enfrentamento da violência – porque não há economia com violência -, fazer comércio com o mundo todo sem viés ideológico e buscar tecnologia com países mais desenvolvidos.”

O pastor Silas Malafaia, que casou Bolsonaro com sua atual mulher, Michelle, há onze anos, falou sobre a nova primeira-dama: “É uma mulher discreta, simples, que gosta do ser humano, que na minha igreja costumava servir à mesa, é prendada, gosta do ser humano e tem um trabalho lindo com deficientes auditivos”, disse.

Do Jornal do Brasil

 

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) saiu de casa na manhã deste sábado (3) para cortar pela segunda vez em dois dias os cabelos. Desta vez ele escolheu um salão de Bento Ribeiro, na Zona Norte do Rio, que ele frequenta há mais de 20 anos. O salão HJM Cabeleireiros fica perto da Rua Divisória, onde funciona um comitê de campanha de Bolsonaro desde a época em que ele era vereador do Rio.

Cercada de muito tumulto e os tradicionais gritos de “mito”, a visita do presidente eleito ao barbeiro mudou a rotina de Bento Ribeiro. Em poucos minutos, após a chegada do capitão da reserva, a rua do salão ficou tomada de curiosos, que interromperam o trânsito e causaram um grande engarrafamento no entorno.

Antônio de Oliveira é o barbeiro de Bolsonaro há 26 anos, desde a época em que o presidente eleito ia à Vila Militar. 

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Bolsonaro corta o cabelo em salão de Bento Ribeiro (Foto: Divulgação)

Anesiano Paulo, 55, disse que a vinda dele é uma retribuição pelo apoio da população local. “Ele veio por uma demonstração de carinho com o povo que sempre o apoiou. Ele morava aqui (Bento Ribeiro) os filhos nasceram aqui”, disse o antigo vizinho.

Dentro do salão, segundo vídeo divulgado pela assessoria de Bolsonaro, o clima foi de festa com os funcionários. De acordo com assessores, apesar de ter posado para fotos na sexta-feira, 2, como se estivesse cortando o cabelo, o corte de verdade foi feito neste sábado. Não foi divulgado o motivo das fotos feitas na véspera e divulgadas pelo assessoria.

Uma atendente do salão informou que Bolsonaro só corta o cabelo e nunca usou tinta para pintá-lo. O presidente eleito entrou no salão pouco depois das 10h e, segundo passantes, estava sorridente e conversando com algumas pessoas.

Após sair do salão ovacionado por dezenas de pessoas com o grito de “mito”, Bolsonaro visitou uma casa, na mesma região, onde, segundo os vizinhos, teria iniciado a carreira política e onde nasceram os filhos do primeiro casamento.

Ontem, Bolsonaro deixou o condomínio à tarde para visitar o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (Cadim), que fica na Costa Verde do Rio de Janeiro. Bolsonaro chegou ao local por meio de um barco que partiu de Itacuruçá, em Mangaratiba.

Pelo Twitter, Bolsonaro disse hoje que já iniciou “intensa agenda”, com propostas para “fazer diferente de tudo que governos anteriores fizeram”, incluindo planos para “fomentar a economia, mas principalmente resgatar a confiança do brasileiro e do estrangeiro em nosso Brasil”.

Ontem, no fim da tarde, também no Twitter, afirmou que “por muito tempo, nossas instituições de ensino foram tomadas por ideologias nocivas e inversão de valores, pessoas que odeiam nossas cores e Hino. Hastear uma bandeira do Brasil não tem relação com política, mas com o orgulho de ser brasileiro e a esperança de tempos melhores”.

nov
04
Posted on 04-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-11-2018
 

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Jornal de charges – O melhor do humor gráfico brasileiro na Internet – ano XXII – Sábado 03/11/2018

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Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online

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04
Posted on 04-11-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-11-2018

Associação de delegados da PF elogia ida de Moro para ministério

 

Delegados da Polícia Federal acreditam que a ida de Sergio Moro para o ministério da Justiça vai fortalecer os policiais.

Diz a Associação de Delegados da Polícia Federal em São Paulo:

“O juiz [Moro] é extremo conhecedor do assunto do sistema de Justiça Criminal e das práticas complexas delitivas desvendadas ao longo das fases da Operação Lava Jato, um conhecimento que lhe permitirá realizar uma integração maior entre os órgãos de prevenção e repressão”.

Para o órgão, o novo ministério da Justiça “reflete um momento histórico em que mudanças reais podem, afinal, serem esperadas no âmbito da Justiça e da Segurança Pública”.

“Um passo adiante no combate à corrupção, que não pode retroceder em nosso país, já que se trata de mal endêmico que sofreu abalos com a Operação Lava Jato mas que, mesmo assim, insiste em se manter ativo”.

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