Prefeito de Salvador reforça reposicionamento do DEM ao centro e diz que apoio dependerá do Planalto.

Ele admite que “deu tudo errado” na campanha de Alckmin e defende “projeto de poder” para 2022

O prefeito de Salvador, ACM Neto. Valter Pontes Prefeitura de Salvador

Antônio Carlos Magalhães Neto não enxerga prejuízo para o Democratas, partido que presidente desde março, como consequência do crescimento do Partido Social Liberal (PSL), que elegeu 52 deputados federais empurrados pela onda eleitoral de Jair Bolsonaro no primeiro turno. “Nosso campo político é o centro. O PSL está nitidamente ocupando o espectro da direita”, diz o neto de Antônio Carlos Magalhães, o falecido líder do direitista Partido da Frente Liberal (PFL), que virou DEM em 2007 e, desde então, passa por um processo de reposicionamento no espectro político brasileiro.

Pergunta. O desempenho do Democratas na eleição foi satisfatório?

Resposta. O Democratas elegeu na Câmara uma bancada 50% maior do que na eleição passada [o número de deputados eleitos pelo DEM em 2014 foi 21, mas a bancada, ao longo da legislatura, subiu para 43; nesta eleição, elegeram 29]. Elegemos em primeiro turno dois governadores, e estamos disputando dois Estados no segundo turno. Na eleição passada, não tínhamos conseguido eleger nenhum governador. Fizemos quatro senadores e vamos ter uma bancada de seis, que é o dobro do que tínhamos no mandato passado. Acho que o Democratas, apesar de todo o tsunami da política, teve um desempenho satisfatório e conseguiu sobreviver. O mais importante é que tem um processo de crescimento contínuo. Isso é o que mais nos preocupa. Existem bolhas na política, que, quando você estoura, acabou. Já vimos isso acontecer no Brasil várias vezes. Não digo que estamos vivendo outra bolha, mas pode ser que sim. No caso do Democratas, temos um partido orgânico com quadros muito qualificados e em processo de crescimento.

P. Em 2016, você celebrava que o Democratas tinha se reconectado com as ruas. O PSL tomou esse espaço?

R. Não quero de maneira alguma desmerecer o êxito do PSL. Pelo contrário, temos de reconhecer o feito e o resultado que eles conseguiram na eleição. Mas não dá para comparar. O PSL está muito vinculado a esse momento e ao fenômeno da candidatura do Bolsonaro. Temos uma outra linha. Não disputamos a Presidência, mas estamos estruturados no Brasil inteiro. Temos uma história. São situações muito distintas. Não vejo o PSL como adversário, como um partido que ocupa espaço que poderia ser nosso. Nosso campo político é o centro. O PSL está nitidamente ocupando o espectro da direita. O DEM não é um partido de direita, é de centro. E a gente vai manter essa coerência ideológica, mesmo que agora a moda seja outra. Compromisso com princípios é o mais importante, porque moda passa.

P. Você acha que o Democratas é enxergado dessa forma, como partido de centro?

R. A gente vem se reposicionando. A refundação do partido, feita em março deste ano, inclusive com a minha chegada à presidência do partido, foi exatamente com esse propósito, de identificar o nosso nicho e de posicionar o partido no campo do centro. Nós não vamos mexer nisso por conta do resultado da eleição. Até por que esse é o nosso programa e nós somos um partido orgânico. Claro que dentro do Democratas existem pessoas mais à direita, absolutamente identificadas com o pensamento de direita, mas a maioria é de centro. A linha de pensamento do partido é posicionada no centro democrático.

P. Como você define o centro? E que espaço esse posicionamento tem numa dinâmica política de radicalização dos discursos?

R. As coisas são muito cíclicas. O PT teve uma trajetória de esquerda. Quando, em 2002, Lula venceu a eleição, foi praticamente renunciando àquele ideário. Ele só venceu a eleição porque apaziguou as resistências que tinha, atenuou o discurso e fez todo um movimento para o centro. E [o PT] governou por oito anos, e os quatro primeiros anos da Dilma [Rousseff], assim. O segundo governo da Dilma é que começou a ser ideológico, querendo se meter em intervencionismo econômico, com um viés estatizante. Deu no que deu. Agora, o PT, no primeiro turno, foi mais para a esquerda e moderou. Bolsonaro, no início, estava na direita, e moderou. Eu entendo que se posicionar no centro é ter a capacidade de dialogar com todos, de não ser sectário, de não trabalhar com preconceitos, de ter condições de construir uma agenda progressista. Espero que a agenda do próximo governo, caso Bolsonaro seja eleito, mesmo com um perfil conservador, seja uma agenda de união nacional. Não adianta, não dá pra governar para uma banda. Você pode se eleger com uma banda, mas tem de governar para todos. Essa precisa ser a visão do próximo governo.

P. A perspectiva é de que o Democratas componha um futuro eventual Governo Bolsonaro?

R. Depende. A perspectiva é: nós vamos ajudar o país. Nós temos um compromisso com a agenda do Brasil. Os temas que forem bons para o país terão o nosso apoio. O governo, querendo dialogar conosco essa agenda, querendo construir conosco as medidas que vão ter de ser tomadas para organizar o Brasil, terá o nosso apoio. Agora, a gente não sabe qual vai ser a tônica da relação política do futuro governo. Eles é que vão ter de dar o tom, que vão ter de dizer em que medida querem o apoio. O que eu posso garantir é que nós estamos prontos para ajudar o Brasil, e não vamos participar de maneira alguma de indicação de cargos, daquele toma lá, dá cá, esqueça isso. Não há hipótese de o partido participar disso. Podemos até ter quadros, como o próprio Onyx [Lorenzoni, deputado federal cotado para comandar a Casa Civil], que já foi anunciado pelo Bolsonaro, o que nos deixa muito feliz. É um quadro do partido, a gente confia muito no Onyx, mas não é uma indicação do Democratas. O partido quer que o Brasil dê certo e está pronto para ajudar. Cabe ao governo iniciar um processo de diálogo e mostrar que agenda quer implementar.

P. Quais são os principais pontos da agenda do país para você?

R. A prioridade número um é o ajuste fiscal. Temos um déficit nas contas públicas que precisa ser equacionado. Só tem dois caminhos, e um deles nós não apoiaremos: o aumento de impostos. Não pode ser por esse caminho, tem de ser pelo outro, que é a racionalização dos gastos públicos, a otimização da estrutura de governo, a reforma do Estado, a reforma da Previdência, a reforma tributária. Esse é o caminho em que a gente acredita.

P. Você acredita que o Democratas pode contribuir para moderar um eventual governo Bolsonaro, acalmar os ânimos?

R. Não vou dizer isso. Eu não teria essa pretensão. A gente tem que ter a humildade de reconhecer o resultado das urnas. Se as pesquisas se confirmarem, o Bolsonaro será eleito com um grande respaldo popular. Noventa e nove por cento do partido está com ele no segundo turno. Eu, particularmente, estou com ele no segundo turno. E nossa expectativa é de que ele possa representar uma mudança na política. O apoio a ele é exclusivamente em função disso. Nós já conhecemos o PT, já sabemos que o PT não vai dar certo, então estamos apostando que ele possa representar alguma mudança. E o partido quer contribuir para isso. Bolsonaro está se elegendo sem o apoio de nenhum partido, só o dele, o que não é ruim para este momento. Acho isso bom porque dá a ele total liberdade para compor seu governo, que eu espero que seja um governo com os mais qualificados.

P. Você justifica o apoio a Bolsonaro no segundo turno por preferi-lo ao PT. O que lhe desagrada nele?

R. Não concordo 100% com os pensamentos e com as práticas dele, tanto que não o apoiei no primeiro turno, meu candidato foi outro, o Geraldo Alckmin. No entanto, eu discordo 100% do PT e de sua volta ao poder. Temos duas opções. Existem certamente divergências ideológicas entre o meu pensamento e o dele. Bolsonaro é um cara mais conservador, mais à direita do que eu. Eu não acredito que o governante deva se envolver em questões que são da liberdade do indivíduo. Opções sexual, religiosa, ideológica. Agora, sem dúvida, mantendo coerência com o que eu sempre defendi, tendo essas duas opções, me identifico muito mais com Bolsonaro do que com o PT.

P. O que aconteceu com a campanha de Alckmin, que não passou dos 10% nas pesquisas de intenção de voto?

R. Deu tudo errado. Primeiro, nós já sabíamos das dificuldades da candidatura do Alckmin. Fizemos pesquisas antes de declarar o apoio a ele, sabíamos das limitações, do desgaste do PSDB. Acabou que a campanha do Geraldo não conseguiu desenvolver uma estratégia, muito em função do episódio da facada no Bolsonaro. Aquela facada matou a campanha do Geraldo, a verdade é essa. Depois, a campanha não conseguiu voltar a respirar. Aí veio toda a desagregação dos aliados. O PSDB, com suas crises internas e suas traições, não deu o exemplo. Isso abriu espaço para que todos os outros não se sentissem comprometidos de verdade com a campanha. O próprio Geraldo não conseguiu compreender esse momento novo da política e traduzir isso em uma comunicação mais assertiva, em mensagens mais diretas para o eleitor. É um conjunto de fatores, só que eu não me arrependo do apoio que dei a ele. Era o melhor quadro, o mais preparado para governar o Brasil, tinha o melhor perfil, mas o eleitor não concordou com isso. Eu tenho que me curvar e me render ao pensamento da maioria, não tem jeito.

P. A mudança das ferramentas de fazer campanha também interferiram?

R. Muito. Elas mudaram muito, e eles [PSDB] não conseguiram compreender isso. A campanha subestimou a força das redes sociais. Achou que a televisão ia resolver tudo. E a gente está vendo que a campanha é uma somatória: é rua, rede social, televisão, é tudo. O desempenho do candidato, o debate, a entrevista. Não é só mais aquele programa que o marqueteiro produz e que você leva para o horário eleitoral gratuito. O eleitor se mostrou muito impaciente, muito pouco disposto a entender o que estava sendo colocado no programa eleitoral. A televisão pesa muito, mas não é sozinha que resolve.

P. Foi uma situação específica desta eleição ou essas mudanças vão se estabelecer para as próximas?

R. A chegada das redes sociais é algo que veio para mudar inteiramente a dinâmica das eleições. E outra coisa importante, que foi um acerto do Bolsonaro e em que o PSDB pecou durante todas as últimas eleições em que disputou e perdeu: deixou para construir um projeto em cima da hora. Era o quê? Aécio [Neves]: governador, depois senador, aí, chegava no ano da eleição, candidato [à Presidência]. [José] Serra: governador, no ano da eleição, candidato. Geraldo: governador, no ano da eleição, candidato. Acabou isso. Tem de sair dessa zona de conforto.

P. E qual é o plano do DEM?

R. Vamos, primeiro, esperar passar o segundo turno. Não adianta começar a falar de uma nova eleição agora. Ninguém é criança nem neófito na política para fazer isso. Mas eu defendo que o partido tenha um projeto próprio de poder nacional. Tentamos isso neste ano, com Rodrigo [Maia, presidente da Câmara], mas foi muito em cima da hora. Temos de olhar 2022 e construir um projeto, não tem jeito. Temos de quebrar essa barreira. O partido ensaiou algumas vezes ter candidato a presidente, primeiro com Luis Eduardo [Magalhães, tio de ACM Neto que morreu em 1998 de infarto], que a vida levou, depois com Roseana [Sarney, pré-candidata à Presidência em 2002], depois com Cesar Maia, agora com Rodrigo, mas nunca foi um trabalho de longo prazo. Nunca foi uma coisa feita com a devida antecedência e o devido planejamento. Acho que agora tem de ser feito, olhando para o futuro.

P. Isso passa por permanecer com a presidência da Câmara?

R. Não vamos tratar disso antes da eleição. Rodrigo tem sido muito cuidadoso, não abriu esse debate. Não vai tratar desse assunto, mas sem dúvida ele é um dos principais atores desse processo. Ele reunirá, pelo que fez, todas as condições [para permanecer no cargo], no entanto, se será ou não candidato é algo que a gente só vai ver ou discutir depois da eleição.

out
23
Posted on 23-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 23-10-2018



 

Sinovaldo, no (RS)

 

Do blog O Antagonista

Não é porque é meu filho que vai ficar isento’, diz Bolsonaro

Jair Bolsonaro subiu agora há pouco para suas redes sociais uma entrevista gravada para o Jornal da Record em que volta a criticar as declarações do filho Eduardo Bolsonaro sobre o STF.

“Ele errou. É jovem. Se tiver algo para pagar, que pague. Não é porque é meu filho que vai ficar isento”, declarou o presidenciável sobre Eduardo, que se reelegeu deputado federal em São Paulo com a maior votação da história.

“Ele me disse, o garoto, que foi há quatro meses, uma pergunta sem pé na cabeça, e que ele resolveu justificá-la. Errou, já pediu desculpas. Eu já o adverti no tocante a isso e reitero aqui o meu compromisso de respeito e admiração por todos os Poderes da República”, acrescetou

AOS NAVEGANTES, LEITORES E OUVINTES DO BAHIA EM PAUTA:

“Barril de Chopp”, Banda Choppão: música que atravessa o tempo e os países. Trilha sonora da breve parada de descanso da turma do BP, que pega o avião nesta quarta-feira, com destino à catarinense Blumenau, um centro nacional de celebração, no Oktoberfest 2018, nestes dias dos que nasceram sob o signo de Libra , a exemplo deste editor e Márcia, a moderadora e amigo do peitos dos que pensam e fazem este site blog. Não prometemos novos posts nos próximos quatro dias de descanso e celebração, mas a área de comentários do Bahia em Pauta segue aberta e livre para seus leitores e ouvintes. Sintam-se em casa.

ATÉ A VOLTA

(Vitor Hugo Soares).  

Imagem relacionada

 

“Prezado colega ,
Em resposta à sua perplexidade confirmo o meu apoio à candidatura de Jair Bolsonaro, não é fake.
Nas eleições de 2014, concorri pela Bahia ao Senado, estando filiada simbolicamente à Rede que, sem oficialização, abrigou-se no PSB de Eduardo Campos. O nosso sonho, à época, era cavar a terceira via para em, 2018, termos condições de vencer as eleições: era sabido que Dilma não tinha condições de governar o pais por mais quatro anos, como terminou acontecendo.

Infelizmente, Eduardo Campos, que despontou como um líder crescente, ameaçando o PT, acabou morrendo tragicamente e Marina Silva, massacrada publicamente pelo partido da situação não chegou ao segundo turno.

Diante do que vivenciei, dentro dos partidos políticos, dos boicotes aos seus próprios filiados por venda da bandeira partidária a outros partidos, decidi afastar- me da política em definitivo, voltando a me filiar a Rede nas proximidades das eleições de agora, por insistencia de Marina, mas sem candidatura.

Com o resultado do primeiro turno, tive algumas surpresas. A mais agradável, a maturidade do eleitor brasileiro que, do Oiapoque ao Chuí varreu antigas lideranças, arquivou velhas raposas e deu espaço a novos e jovens candidatos que concorreram sem dinheiro e sem espaço partidário, usando simplesmente as redes sociais e a inteligência. Quero dizer com orgulho que até o Nordeste recebeu esses novos ventos, com algumas poucas exceções, sendo a Bahia um caso à parte, digno de um estudo sociológico em separado.

A segunda grande surpresa foi a manutenção do PT no segundo turno, um partido que, depois de dezesseis anos no poder, deixou o Brasil em frangalhos, foi publicamente desmascarado como abrigo da quadrilha que devastou os cofres públicos, saqueou as estatais e aparelhou o serviço público, o que valeu a prisão de toda a cúpula, inclusive do seu chefe maior, em julgamento de lisura absoluta, acompanhado ao vivo e a cores por toda a nação. Para completar, seguiu-se o afastamento da ex-Presidente da República, também petista, por um Congresso majoritariamente filiado ao partido da situação, seguindo-se a posse de um vice escolhido pelo PT e por ele apresentado como conveniente, eleito democraticamente na dobradinha da chapa Dilma x Temer. Esse episódio politico foi considerado pelo partido como golpe. Como golpe? Certamente um golpe democrático e constitucionalmente previsto, o que ocorreu porque o impeachment fugiu ao controle das forças dominadoras, que não contavam com o desenrolar dos fatos e a atuação parlamentar, acuada com a mobilização de uma população enfurecida com a escancarada corrupção.

Depois de desfilar aos nossos olhos os bilhões dos saques e as consequências nas políticas públicas, volta o PT com um candidato que me repugna, como magistrada de carreira, espectadora política e cidadã. Assisti-lo debochando da nação, desrespeitando o Judiciário, empunhando na propaganda eleitoral uma máscara de um presidiário que, submetido em três instâncias a julgamentos, inclusive por magistrados que conheço de perto e sei da lisura e competência, anuncia sorridente que no dia 1o de janeiro subiraá a rampa do Palácio do Planalto com ele, para governarem o Brasil.
Mas não é só. O partido dito dos trabalhadores, ao sentir que não foi bem sucedido no deboche caricato de Lula-Haddad, Haddad-Lula, rapidamente mudou de tática ou de marqueteiro, passou a abolir a cor vermelha e a estrela da corrupção,
aderindo às cores da bandeira brasileira e com o seu candidato pousando de bom moço junto a uma destrambelhada garota desajuizada, que não sabe sequer articular as ideias, mesmo que sejam elas boas ou ruins, não diz nada que tenha lógica.

Bolsonaro não seria a minha escolha primeira mas foi o que restou de decência e pudor ao povo brasileiro, diante do que ficou.

Acusam-no de fascista porque é militar? E o radicalismo do Partido dos Trabalhadores, o que é? E o apoio dado a conhecidas ditaduras da América Latina e a outras mais longínquas, em detrimento das nossas necessidades básicas de saúde, segurança e educação? Qual o nome que se pode dar a esse fenômeno dito democrático?

Não posso mais me enganar, colega, já sei o que é o PT, convivo com ele há 16 anos e sofro as consequências de um pais destroçado financeira e eticamente, desacreditado e desmoralizado fora das nossa fronteiras. Tenho hoje pudor em dizer que pertenço a um país que tem a desfaçatez de permitir que as linhas mestras da política sejam dadas por dois presidiários, ou melhor, dois condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula e José Dirceu, usando mais uma vez a técnica dos factoides, Fernando Haddad e Manoela D`Ávila, dois bobalhões que se submetem ao ridículo com naturalidade.

Esta é a primeira vez que estou revelando as razões de minha postura política. É também um desabafo, o primeiro que faço desde que, na quarta-feira, dia 11 de outubro, atendi ao convite para participar da campanha de um candidato de um partido minúsculo, sem fundo partidário, sem dinheiro de empresário e sem recursos dos cofres públicos, em favor de um candidato ficha limpa que há mais de 30 anos é político e nunca se misturou com a podridão parlamentar usada pelo PT como seu passaporte para os milionários desfalques. Não consegui encontrar na vida do candidato nada que possa denegrir a sua imagem, senão tolas frases soltas, até pueris ou em tom de bravata, quando se viu acuado pelos adversários e pela mídia que sequer respeitam o seu estado de saúde.

Estou tranquila, estou em paz com a minha consciência e, tenha a certeza: farei o que estiver ao meu alcance, para que o Brasil experimente o novo, o mais adequado para esse momento em que estamos pretendendo inaugurar um país com moralidade e dignidade cívica, ingredientes sem os quais de nada valera? fortalecer a economia. Os valores da nação  precisam voltar aos seus lugares.

Obrigada, colega, pela oportunidade que me deu de falar com o coração e dizer, com tranquilidade, que escolhi o que melhor me pareceu sem estar influenciada por mídia alguma, senão pela minha experiência de vida. Afinal, “o diabo é sabido não por ser diabo, mas porque é velho”.

Em sab, 13 de out de 2018 a?s 22:30, Eliana Calmon

Apoiadores de Bolsonaro em São Paulo.
Apoiadores de Bolsonaro em São Paulo. AMANDA PEROBELLI REUTERS

Um mastodonte de 56 metros de altura, 105 de largura e 121 de profundidade, em uma área de 100.000 metros quadrados, levanta-se no bairro de Brás, uma das zonas populares de São Paulo. Diz-se que seu inspirador, o magnata da comunicação e fundador da evangélica neopetencostal Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, trouxe pedra de Jerusalém para construir esta réplica do templo de Salomão, com capacidade para 10.000 fiéis. Na última sexta-feira antes da eleição, quando a chuva ameaçava chegar na primeira hora da tarde paulista, menos de 1.000 foram ao culto. No interior, ao que se chega por um estacionamento subterrâneo após se deixar todos os telefones a bom cuidado e passar por uma barreira de controle de metais, seis menorás (candeeiro de sete braços da cultura judaica) luzem imponentes nas paredes, enquanto de várias telas se difundem versículos da Bíblia. A cerimônia, então, começa. O pastor comemora os louros de um exorcismo feito na semana anterior. Antes, todos os fiéis farão uma prece. O eco criado pela falta de gente e o ímpeto permitem escutar os pedidos de uma mulher: por sua família, seus amigos próximos. Pelo Brasil.

— Que não acabe o mês sem a vitória.

No domingo, na primeira hora da manhã quando os colégios eleitorais acabavam de abrir, o ambiente em torno do templo era de quietude. Os guardiões do templo, homens em paletós negros que impedem que alguém ponha um pé sequer em uma pedra, se mostravam irritados diante da votação: “Aqui não se fala de política”.

De política não se falará dentro do templo de Salomão —até por uma proibição da própria legislação eleitoral— e é arriscado adivinhar por qual triunfo clamava a mulher ao se referir ao Brasil, mas é fato que o poder dos evangélicos transcende aquelas gigantescas paredes. Há quatro anos, na festa de inauguração, pela imensa esplanada do santuário caminhavam 11 governadores, entre eles o de São Paulo, o candidato destas últimas eleições, Geraldo Alckmin, e a então presidenta, Dilma Rousseff, que aspirava à reeleição e precisava, para isso, manter o apoio de Macedo e seus fiéis. Os evangélicos, uma massa de 42,3 milhões de pessoas —22,2% da população—, são um dos setores determinantes nas eleições brasileiras, com um poder incomum em comparação com outros países da América Latina, onde também cresceram nos últimos anos. Junto aos católicos e aos partidários das armas e os ruralistas formam no Congresso o que se conhece como a bancada BBB: bala, boi e Bíblia.

Nesta eleição teria que somar um quarto B, o de Jair Bolsonaro, o favorito nas pesquisas, que conseguiu aglutinar o respaldo de todos eles nos últimos meses. No caso dos evangélicos, recebeu um super impulso na véspera do primeiro turno. Na quinta-feira, às 22h, à mesma hora em que todos os candidatos presidenciais participavam do último debate na TV Globo, Bolsonaro aparecia em uma entrevista amigável na TV Record, a segunda televisão do país, propriedade de Edir Macedo. O ultra direitista aproveitou os 30 minutos que recebeu da Record para tentar humanizar sua retrógrada figura, sem muita confrontação por parte do entrevistador.

Assim como foi para Rousseff há quatro anos, o apoio de Macedo e de seu PRB é de suma importância para Bolsonaro. Criador há 40 anos da Igreja Universal do Reino de Deus, hoje um império religioso com mais de nove milhões de seguidores em todo mundo que frequentam cerca de 10.000 templos, ele divulgou sua decisão de forma discreta —foi em um comentário em sua página do Facebook, ao responder a um seguidor que perguntara em quem ele votaria. Foi deste pequeno gesto a oferecer ao militar reformado a maior plataforma de que poderia dispor. A comparação com Trump volta a ser inevitável. Se o primeiro tem a Fox News, Bolsonaro conta com TV Record.

O respaldo de Macedo soma-se ao de outros líderes evangélicos, como o pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente emérito da Assembleia de Deus, a maior força evangélica do país, com 22,5 milhões de fiéis, ou cerca do 10% da população. “De todos os candidatos, o único que fala o idioma do evangélico é Bolsonaro. Não podemos deixar a esquerda voltar ao poder”, assegurou o pastor no primeiro dia de outubro após mostrar, em sua festa de aniversário na igreja, um vídeo do candidato o felicitando. Em agosto de 2014, era Dilma Rousseff, em plena campanha para a reeleição, quem aparecia no púlpito da igreja de Bezerra da Costa. Era ela quem, então, levava um terço do eleitorado evangélico na véspera da eleição. Dilma estava à frente de todos as pesquisas.

O abandono, paulatino, começou com o impeachment. Mas foram essas eleições, no entanto, que marcaram o fim da aliança evangélica com o PT. Na última década, os principais líderes apoiaram ao partido, um respaldo pragmático pelo qual obtinham influência política. Um apoio que causava leve desconforto entre as bases mais progressistas do partido de Lula, já que suas bandeiras acabavam rifadas. E que, por outro lado, também incomodavam muitos dos fiéis, mais conservadores de costumes, que não compartilhavam com as ideias um pouco mais progressistas que o PT tentou aprovar, especialmente aquelas vistas como pró-aborto, ainda que todas as tentativas tenham sido mais de manter direitos já existentes sobre o tema. Dilma, mas sobretudo Lula, conseguiam ainda assim o respaldo dos evangélicos pelas políticas voltadas aos setores mais pobres, maioria dentro da religião. Esse delicado castelo de cartas foi esmaecendo, ao mesmo tempo em que chegou a crise econômica e cresceu na sociedade o antipetismo. Desmoronou com o aparecimento de um candidato que defendia os valores mais tradicionais.

“Desde setembro identifiquei uma migração considerável da intenção de voto evangélico para Bolsonaro”, explica Ronaldo Almeida, professor de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). “Bolsonaro representa essa sensação de ordem e autoridade que pega parte da população, ainda mais em um contexto de retrocesso econômico e moral”, complementa. Os líderes religiosos, então, embarcaram na carreata, diante de um candidato, para eles, perfeito, livre dos incômodos gerados pelas posições mais progressistas dos petistas e, finalmente, com chance de chegar ao poder —uma solução mais rápida do que forjar um líder político nacional de dentro da igreja, alguém que ainda precisa ser construído, como o prefeito Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo.

“Bolsonaro é um candidato que tem a agenda que nós defendemos, tem uma vida limpa e patriota. Por que não o apoiar?”, pergunta, retoricamente, o pastor Silas Malafaia, da Vitória em Cristo, uma vertente da Assembleia de Deus. Ele se orgulha de ter sido um dos primeiros a se posicionar claramente ao lado de Bolsonaro. “Edir Macedo nunca foi nem de direita, nem de esquerda. Ele aproveita as oportunidades. Ele tem seus interesses. O partido dele é o do Macedo”, ironiza. Quando perguntado sobre as atitudes racistas, machistas e homofóbicas de Bolsonaro, o pastor responde que são acusações “das mais ridículas”. “Foi a esquerda brasileira quem apoiou com força todo esse lixo moral, como a ideologia de gênero ou o beijo gay na novela das seis”, ressalta.

Na quarta-feira passada, a primeira pesquisa Datafolha após o primeiro turno apontou o abismo: 70% dos evangélicos estão com Bolsonaro. O candidato petista, Fernando Haddad, reagiu criticando duramente a Macedo, a quem chamou de “charlatão”. “Uma Igreja não pode ter pretensões de poder. O que ele está fazendo agora é uma coisa completamente diferente do que ele fez”, disse Haddad ao EL PAÍS, sem entrar em detalhes. O portal R7, também de Macedo, publicou reportagem dizendo que a a declaração do petista “provocou um inédito movimento de solidariedade por parte de lideranças religiosas de diferentes

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Do Jornal do Brasil

 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu à Polícia Federal (PF) que investigue uma mensagem enviada ao tribunal, direcionada à presidente da Corte, ministra Rosa Weber, em tom de ameaça. Recebida através de uma rede social do TSE, o texto fala que o presidenciável do Jair Bolsonaro, do PSL, está “matematicamente eleito”, e que “se as urnas forem fraudadas”, a população irá para as ruas até que uma nova eleição com voto impresso. “Experimente deixar que isso aconteça”, diz parte da mensagem.

A história foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira, 16, e confirmada pelo Broadcast Político/Estadão. A reportagem apurou que a PF foi avisada na segunda-feira, 15, sobre a mensagem, e que um ofício para o órgão já foi elaborado para que a origem e o autor da mensagem sejam identificados, e seja feita uma apuração em torno da ameaça. “Espero que a senhora fique de olho”, diz outro trecho do texto.

Macaque in the trees
Rosa Weber (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )

Questionamentos sobre a lisura do processo eleitoral têm sido um tópico frequente nessas eleições, com dúvidas lançadas por um de seus próprios concorrentes. Na disputa pela Presidência da República, Bolsonaro já chegou a dizer que não aceitava resultado das eleições diferente de sua vitória. Mais recentemente, na sexta-feira, 12, o candidato voltou a falar do assunto e disse que a suspeição vale somente para a votação para presidente.

Bolsonaro disputa o segundo turno das eleições presidenciais com Fernando Haddad, do PT.

Do  Jornal do Brasil

 

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, classificou como uma “coisa meio acalorada” as críticas feitas pelo senador eleito do Ceará Cid Gomes (PDT) na noite desta segunda-feira, 15. “Uma coisa meio acalorada, não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa”, disse Haddad a jornalistas na manhã desta terça-feira, 16. Em uma discussão, Cid Gomes disse que o PT perderá eleição se não fizer mea-culpa e chamou a militância petista de “babaca”.

O petista declarou que preferia ver o lado “positivo” das declarações do pedetista e que a amizade entre os dois continuaria a mesma. Haddad disputa o segundo turno da eleição presidencial com o candidato Jair Bolsonaro, do PSL. Levantamento feito por Ibope/Estado/TV Globo divulgado pouco antes do discurso de Cid Gomes apontou que Bolsonaro lidera a pesquisa com 59% dos votos válidos, contra 41% de Haddad.

Macaque in the trees
Fernando Haddad (Foto: Renato Cerqueira/AE)

Cid Gomes se envolveu em uma discussão com apoiadores do PT durante ato a favor de Haddad, na noite de segunda-feira em Fortaleza. Em vídeo que circula nas redes sociais, Cid faz elogios a Haddad, mas cobra que o PT faça um mea-culpa para conquistar o apoio do eleitorado.

“Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse o senador eleito, sendo interrompido por pessoas da plateia. “É sim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea-culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, afirmou Gomes durante o ato.

Veja o vídeo

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17
Posted on 17-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-10-2018


 

Clayton, no jornal

 

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Posted on 17-10-2018
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DO BLOG O ANTAGONISTA

Cid ataca de novo: petistas estão “se lixando” para Haddad

Depois de Fernando Haddad dizer que espera seu apoio até domingo, Cid Gomes declarou ao Estadão que parte do PT  já deu por perdido o segundo turno e está “se lixando” para o poste de Lula. Para o irmão de Ciro, senador eleito, a “companheirada” só está pensando em garantir a hegemonia na oposição a um futuro governo de Jair Bolsonaro. 
“Eles [petistas] querem ser hegemônicos inclusive na oposição. Boa parte da companheirada aí já deu por perdido [o segundo turno] e está pensando nisso, em ser hegemônico na oposição. 
Estão se lixando para o Haddad”, afirmou Cid.“São incapazes de um gesto de grandeza, mesmo que isso seja permitir uma oportunidade para o jovem, talentoso, inteligente, preparado que é o Fernando Haddad.
Eu acho que isso [gesto de autocrítica] tem que partir de quem está no comando do PT”, acrescentou.

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