Michelle Bolsonaro, uma discreta primeira-dama evangélica
Imagem:Ricardo Moraes AP

 

Maquiagem discreta, calça cinza e uma camiseta preta. Assim Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, 38 anos, acompanhou o marido Jair Bolsonaro (PSL) na convenção que formalizou sua candidatura à Presidência, no último dia 22 de julho. Sentou ao lado dele no palco, mas não discursou. Durante mais de duas horas de evento, escutou os pronunciamentos, posou para algumas fotografias e conversou em libras com um grupo de deficientes auditivos que manifestava apoio ao marido. Colando uma imagem de simplicidade, chamou a atenção naquele dia mais pelo discurso de Jair Bolsonaro, que, do púlpito, lhe agradeceu por educar a filha caçula do casal, de sete anos, e contou como conheceu a esposa 25 anos mais jovem que ele, nos corredores da Câmara dos Deputados. Nos meses seguintes, inclusive durante a campanha eleitoral, foram raras as vezes em que a primeira-dama apareceu publicamente ao lado do candidato. Preferiu manter a discrição e apoiar o marido de maneira mais reservada.

Quando soube que Bolsonaro planejava disputar as eleições presidenciais, Michelle pensou que o marido estava “maluco”, mas não se opôs. “Se ele quer, vou apoiá-lo. Agora tá nas mãos de Deus. Estou bem confiante, e o que Deus tiver para nós vai ser uma bênção”, afirmou em entrevista ao Jornal Nacional, na última semana de campanha, quando as pesquisas apontavam que o candidato do PSL seguia na frente, mas com uma diferença menor em relação ao rival Fernando Haddad (PT). Na reta final, aliás, a primeira dama resolveu abrir mão da estratégia que adotou durante todo o primeiro turno e apareceu pela primeira vez na propaganda eleitoral de Bolsonaro para a televisão. A três dias do segundo turno, participou de um programa dedicado à comunidade surda, pela qual desenvolve trabalhos sociais. Sem nenhum tipo de deficiência, Michelle decidiu aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) para conseguir se comunicar com um tio surdo. “Ele que plantou essa sementinha”, contou na propaganda eleitoral gratuita. 

Com o marido eleito presidente, Michelle espera seguir a tradição das primeiras-damas brasileiras. Em uma das raras entrevistas que deu à imprensa, manifestou o desejo de desenvolver “todos os trabalhos possíveis” na área de ação social, embora ainda não tenha detalhado como deverá ser essa atuação. “Eu já fazia isso antes de conhecê-lo, que é um chamado que eu tenho”, disse ao Jornal Nacional. Evangélica, a primeira-dama realiza trabalhos voluntários na igreja, principalmente de educação à comunidade surda. É com esse público, aliás, que costuma ter maior proximidade nos cultos de domingo da Igreja Batista Atitude, no Recreio (zona oeste do Rio), pra onde vai duas vezes por semana, sempre acompanhada de seguranças.

Como evangélica, Michelle Bolsonaro teve um papel fundamental na aproximação do marido —Jair Bolsonaro é católico— com sua religião. Começou a levá-lo como acompanhante em alguns cultos que frequentava desde o início do relacionamento, há 11 anos. Ali, Bolsonaro encontrou espaço para ampliar a pauta conservadora que defende, como por exemplo sua posição contra o aborto e o casamento entre homossexuais.

Terceira esposa de Jair Bolsonaro, Michelle conheceu o marido em 2007 nos corredores da Câmara Federal, onde trabalhava como secretária parlamentar. Bolsonaro, que estava no quinto mandato parlamentar, a convidou para trabalhar no seu gabinete poucos meses depois. No período de um ano e dois meses em que trabalhou ali, Michelle teve o salário triplicado, mas foi exonerada em 2008, quando o Supremo Tribunal Federal proibiu o nepotismo nos Três Poderes. “A demissão foi pra evitar uma acusação de nepotismo. Mesmo ela tendo o direito de permanecer porque já era empregada quando me casei com ela”, explicou Bolsonaro durante a convenção do PSL. Os dois se casaram em 2007, mas a cerimônia religiosa aconteceu seis anos depois, numa mansão de festas que tem vista do Rio de Janeiro até Teresópolis.

Fora da política, Michelle se dedicou aos trabalhos voluntários da igreja. Durante a campanha, quase não foi a eventos políticos com Bolsonaro nem se tornou famosa na sombra do marido. Nem mesmo quando ele esteve internado no Hospital Albert Einstein, depois de ter sofrido uma tentativa de assassinato em um evento de campanha em Juiz de Fora (MG). Diferente do candidato, que costuma se comunicar com o eleitorado nas redes sociais, Michelle decidiu fechar suas contas nas redes sociais neste ano, quando passou a ficar mais conhecida e buscada por jornalistas em razão da candidatura do marido.

Mesmo assim, teve uma atuação na campanha, especialmente na tentativa de afastar do marido as pechas de racista e xenófobo. Em entrevista ao programa Pânico no início de outubro, Jair Bolsonaro afirmou que a esposa é filha de um nordestino negro. “O meu sogro é o Paulo Negão, de Crateús, no Ceará. A minha filha [Laura] tem sangue de cabra da peste correndo em suas veias”, afirmou.

“Mulher nova, bonita e carinhosa”, Amelinha: por falar em capitães, a canção imortal de Zé Ramalho,  da trilha sonora de “Lampião”, série marcante da TV Globo nos anos 70, para assinalar no BP o último dia deste outubro histórico de mudança no Brasil.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Do Jornal do Brasil

Os ministérios da Agricultura e Meio Ambiente serão fundidos no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), assim como as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio – formando este último o superministério da Economia. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (30), após reunião na casa do empresário Paulo Marinho, no Rio de Janeiro.

O coordenador de economia da campanha de Bolsonaro, Paulo Guedes, apontado como futuro ministro da Economia, confirmou a criação do superministério, enquanto o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), indicado para Casa Civil, reiterou sobre a fusão do Meio Ambiente com a Agricultura.

Macaque in the trees
Paulo Guedes (Foto: Mauro Pimentel / AFP)

Guedes e Onyx conversaram com os jornalistas após reunião, onde trataram sobre a formatação do governo e o início dos trabalhos da transição. Na quarta-feira (31) Onyx deverá ir a Brasília para se reunir com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que coordena a equipe de transição do governo Temer.

Redução de ministérios

Onyx afirmou que o objetivo é reduzir de 29 ministério para 15 ou 16. Guedes acrescentou que a junção das pastas é importante para dar agilidade às decisões.

“Nós vamos salvar a indústria brasileira. Está havendo uma desindustrialização há mais de 30 anos. Nós vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros”, disse Guedes.

Guedes disse que o governo pretende simplificar e reduzir drasticamente o número de impostos. “Será uma abertura gradual. E a razão do Ministério da Indústria e Comércio estar próximo da Economia é para justamente existir uma mesma orientação econômica em tudo isso. Não adianta a turma da Receita ir baixando os impostos devagar e a turma do Ministério da Indústria e Comércio abrir muito rápido. Isso tudo tem que ser sincronizado, com uma orientação única.”

Previdência

Ambos confirmaram também que o próprio presidente eleito que vai conduzir a discussão sobre a reforma da Previdência. “A reforma da Previdência, quem comanda essa decisão é o presidente. O professor Paulo Guedes e toda equipe estão conversando com o presidente, que vai nos sinalizar”, disse Onyx.

Na última segunda-feira (29) Bolsonaro, em entrevistas a emissoras de televisão, afirmou que pretende vir a Brasília na próxima semana quando se reunirá com o presidente Michel Temer e também pretende agilizar o debate sobre a reforma da Previdência.

Para Guedes, quanto mais rápido o processo avançar, melhor. “Do ponto de vista econômico, quanto mais rápido melhor. Nós estamos atrasados, essa reforma podia ter sido feita lá atrás. Agora, existe um cálculo político”, observou.

Em seguida, o futuro ministro da Economia acrescentou: “Acho que, na parte econômica, nós devemos avançar o mais rápido possível. O nosso Onyx, corretamente, não quer que uma vitória nas urnas se transforme em uma confusão no Congresso”.

Do Jornal do Brasil

Convite de Bolsonaro será objeto de ‘discussão e reflexão’, diz Moro

O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, sinalizou nesta terça-feira, 30, ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), sobre eventual convite para chefiar o Ministério da Justiça ou para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota oficial, o magistrado declarou que “caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão”.

“Sobre a menção pública pelo sr. presidente eleito ao meu nome para compor o Supremo Tribunal Federal quando houver vaga ou para ser indicado para Ministro da Justiça em sua gestão, apenas tenho a dizer publicamente que fico honrado com a lembrança. Caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão”, afirmou Moro.

Macaque in the trees
Sérgio Moro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )

A interlocutores próximos, Moro tem dito que se, de fato, for convidado para o Ministério da Justiça, vai inicialmente conversar com Bolsonaro para identificar “convergências importantes” e “divergências irrelevantes”.

O juiz da Lava Jato acredita que no Ministério da Justiça poderia adotar “boas iniciativas”. Depois, eventualmente, seguiria para o Supremo, quando surgisse uma vaga na Corte máxima.

Nesta segunda-feira, 29, em entrevistas concedidas ao SBT e ao Jornal Nacional, da TV Globo, Bolsonaro afirmou que pretende convidar Moro para a pasta da Justiça em seu futuro governo ou ainda para ocupar uma vaga no Supremo.

“Pretendo conversar com ele (Moro) para ver se há interesse da parte dele”, disse Bolsonaro em entrevista ao SBT. “Se eu tivesse falado isso antes (na campanha) soaria como oportunismo.”

Ao Jornal Nacional, o presidente eleito disse que Moro é um “grande símbolo” da luta contra a corrupção. “Poderia ser ministro da Justiça ou, abrindo uma vaga no STF, (escolher) a que achar que melhor poderia contribuir para o Brasil”. Aliados de Bolsonaro já haviam dito que Moro era cotado para ocupar futura vaga no STF. Esta é a primeira vez que o nome do juiz federal é citado como possível ministro.

Aliados de Bolsonaro dizem que a indicação de Moro para o Ministério da Justiça seria um atalho necessário para ele chegar ao Supremo. Um juiz de primeiro grau nunca foi alçado diretamente a ministro da Corte.

Esses interlocutores citam como exemplo o ministro Alexandre de Moraes. Antes de assumir a Corte, o advogado foi ministro da Justiça no governo Temer e Secretário de Justiça de São Paulo. O ministro Dias Toffoli, atual presidente do Supremo, também passou por um cargo relevante antes de ser indicado para a Corte. Toffoli foi Advogado-Geral da União, assim como o ministro Gilmar Mendes.

Confira a nota de Moro:

“Nota oficial

Sobre a menção pública pelo Sr. Presidente eleito ao meu nome para compor o Supremo Tribunal Federal quando houver vaga ou para ser indicado para Ministro da Justiça em sua gestão, apenas tenho a dizer publicamente que fico honrado com a lembrança. Caso efetivado oportunamente o convite, será objeto de ponderada discussão e reflexão. Curitiba, 30 de outubro de 2018.

Sergio Fernando Moro, Juiz Federal”

out
31
Posted on 31-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-10-2018


 

Laílson, no portal

 

out
31
Santiago

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro – admirador declarado de Augusto Pinochet – terá Paulo Guedes como um superministro da Economia. Guedes anunciou nesta terça-feira, 30, que sua pasta será uma fusão dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio Exterior. Trata-se de um velho conhecido dos economistas chilenos que impulsionaram o programa econômico ultraliberal na ditadura (1973-1990). Em seus estudos de pós-graduação na Universidade de Chicago, onde o homem-forte era Milton Friedman, pai intelectual dos Chicago Boys, Guedes estreitou laços com vários estudantes chilenos que depois viriam a ter papéis relevantes no regime militar.

Paulo Guedes fala com jornalistas antes de uma reunião com o presidente-eleito Jair Bolsonaro, no Rio
Paulo Guedes fala com jornalistas antes de uma reunião com o presidente-eleito Jair Bolsonaro, no Rio Reuters

Um deles foi Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Orçamento do regime de Pinochet, que começo da década de oitenta comandou a Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, a instituição acadêmica pública mais antiga e importante do país. Foi a convite dele que Guedes aterrissou nesse centro de estudos para trabalhar como pesquisador e acadêmico, assim como fizeram na mesma época Robert Mundell e Edmund Phelps – conforme informou a revista chilena Capital –, que receberam o Nobel de Economia em 1999 e 2006, respectivamente.

“Entendo que esteve por aqui, na Universidade do Chile. Não sei se foi durante anos ou um trimestre”, disse, ao jornal chileno La Tercera, Rolf Luders, da primeira geração dos Chicago boys, um de seus principais expoentes, ministro da Fazenda e da Economia, Fomento e Reconstrução entre 1982 e 1983. Em setembro passado, o economista Ricardo Paredes escreveu no Twitter: “Economista-chefe de Bolsonaro, Paulo Guedes, é PhD de Chicago e trabalhou no Departamento de Economia da Universidade do Chile por volta do começo dos anos oitenta. Recordo-o como un capo [um craque], embora assim como Bolsonaro seja aterrorizante”.

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