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CRÔNICA

                   Capitão Bolsonaro versus capitão Virgulino

 

                             Janio Ferreira Soares

A não ser que nas próximas horas caia um asteroide igual ao que exterminou os dinossauros da face da Terra, Bolsonaro será o nosso próximo presidente. Se até há pouco o polêmico deputado era apenas uma piada de mau gosto, agora só me resta torcer para que ele, até o dia da posse, tome café da manhã com a prudência, almoce com a sensatez, durma com o bom senso e sonhe com os demais sinônimos dessas palavrinhas mágicas. Em sua homenagem, republico um texto que fiz em 2011 (atualizado) que, se fosse à vera, poderia mudar a história. Ei-lo.

Quase ao mesmo tempo em que o deputado Bolsonaro desafiava a presidente Dilma a assumir sua homossexualidade, o juiz Aldo Albuquerque, da 7ª Vara Cível de Aracaju (SE), proibia a publicação do livro “Lampião – o Mata Sete”, de autoria do juiz aposentado Pedro de Morais, onde o autor afirma que Lampião mantinha uma relação homoafetiva com o cangaceiro Luiz Pedro e que o mesmo também seria namorado de Maria Bonita, formando assim um triângulo amoroso em pleno cangaço. Valei-me, meu Padim Ciço!

A ação judicial foi movida pelos descendentes do casal de cangaceiros, obviamente ofendidos por Lampião ser taxado de gay e por Maria Bonita ter sido literalmente comparada a Valéria, personagem do programa Zorra Total, cujo bordão (“ai, como eu tô bandida!”) cai como uma luva nessa pendenga.

Sem entrar no imbróglio jurídico-erótico da questão e nem aí para as preferências sexuais da rapaziada gangaceira, comecei a pensar numa ideia que daria uma bela literatura de cordel, que seria a tentativa do lunático caçador de boiola de descobrir se o boato procedia ou se era fake news das volantes.

O local do embate seria o Raso da Catarina, octógono perfeito para confrontos de cabras que não temem cobra (ui!) nem a sobrancelha arqueada de uma Dilma qualquer. E lá, o deputado – sabiamente disfarçado de cangaceira – se entrosaria no bando e logo ganharia a simpatia de Lampião, dividindo com ele alforjes, perfumes e punhais, num plano pra lá de perfeito.

Acontece que numa noite de Lua cheia, Zóinho de Rola (que era como Lampião carinhosamente o chamava por conta de seu olhar de fogo-pagô) exageraria na cachaça e acordaria com uma estranha ardência lombar inferior a lhe incomodar a região furicular.

Na dúvida se teria sido o peba na pimenta ou algo do tipo “valha-me Deus, será?”, um modificado Bolsonaro voltaria para Brasília e chamaria Jean Wyllys pra uma conversa, tipo: “agora lhe entendo, colega!”. Já o Capitão Virgulino, coitado, uivaria de saudade toda vez que a Lua prateasse o Raso, enquanto Luiz Pedro fazia um cafuné na cabeça de Maria, ao som de Geraldo Azevedo, sentado num mourão, chorando e cantando: “eu digo e ela não acredita, ela é bonita, é bonita…”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

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Comentários

Daniel on 28 outubro, 2018 at 2:33 #

O cara fez uma campanha sem recursos, sem máquina partidária, sem tempo de televisão, é atacado por toda a mídia, por todos os adversários e ainda assim conseguiu se manter líder e em crescimento. Entendo que Bolsonaro é um fenômeno exclusivamente do povo, dos anseios mais profundos da população brasileira!


Vanderlei on 28 outubro, 2018 at 14:08 #

Excelente!
Bolsonaro veio cobrir o vácuo existente dos conservadores brasileiros, e que não são poucos, órfãos de uma verdadeira liderança há muitas décadas.


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