Encontro com empresários a favor de Bolsonaro (PSL). Na foto, Fernando Figueiredo (Abiquim), Marco Polo de Mello Lopes e Sergio Leite de Andrade (Aço Brasil), José Augusto de Castro (AEB), Sérgio Leite de Andrade (Usiminas/Aço Brasil), Cristiano Buarque Franco Neto (Firjan) e Fernando Pimentel (Abit)
Na casa de Bolsonaro: empresario visitam endereço do poder na Barra da Tijuca.

ARTIGO DA SEMANA

Bolsonaro, Barra da Tijuca: PIB no novo endereço do Poder

Vitor Hugo Soares

Expressivas as imagens no Jornal Nacional da TV Globo, segunda-feira, 22, no noticiário das campanhas dos candidatos a presidente da República – Jair Bolsonaro (56%) x Fernando Haddad (44%), segundo a pesquisa Datafolha de quinta-feira – na sinuosa curva que vai dar nas urnas do segundo turno, neste domingo, 28. Emblemáticas as tomadas em grandes planos, das filas cerradas de homens de negócio, líderes representativos de diferentes entidades da indústria e comércio (gente que soma 32% do PIB nacional ), a caminho de mais novo endereço do poder no País.

O grupo aperta o passo pela alameda de acesso ao condomínio privado de classe média  na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde mora, cuida da saúde e faz campanha, o candidato que lidera todas as pesquisas com relativa folga, incluindo a mais recente, do Ibope, na qual experimentou sua primeira parada de crescimento no segundo turno. No correr da semana, o JN registrou outras romarias expressivas no Rio ( parlamentares, prefeitos, evangélicos e pastores de outros credos).No entanto, a cena mais simbólica, para o jornalista, foi mesmo a do encontro do capitão presidenciável com os empresários, congelado na fotografia que começou a circular nas redes sociais. Informa e permite outras observações. Uma delas, publicada no El Pais, síntese perfeita dos 30 minutos de conversa, feita por Fernando Figueredo, presidente-executivo da Abiquim: “O fundamental é que ele disse que não quer atrapalhar”. O executivo observou, também, que o dono da casa nem sequer segurava um papel para anotar os comentários dos industriais. Preciosa revelação! 

Rodado observador, por dever de profissão, dos signos do poder, em outras eleições e redações, bateu de imediato uma recordação: me fez retornar à noite de 12 setembro de 2002, em Salvador, na curva de chegada da campanha que levaria ao inédito no Brasil, como escrevi então neste espaço: Um ex-dirigente sindical do ABC (Luiz Inácio Lula da Silva, fundador do PT ( hoje preso em uma cela da sede da PF em Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro) conduzido pelo voto ao Palácio do Planalto. Naquela noite, um temporal diluviano ameaçava afogar a capital, e o melhor a fazer era não sair de casa. Tomar avião nem pensar, ainda mais se a pessoa arde em febre de mais de 28 graus e está com a garganta estropiada por uma faringite agravada pelo excessivo uso das cordas vocais, pelos últimos atos da campanha. Era o caso de José Alencar, então candidato a vice da chapa praticamente vitoriosa. Dono da Coteminas, anunciado para falar aos seus pares da indústria e do comércio, na sede da multicentenária Associação Comercial da Bahia.

Não repetirei o que escrevi antes sobre este episódio . Resumo apenas que, quase na hora marcada, sob dilúvio, Zé Alencar chegava no prédio histórico da ACB, lotado, para a palestra destinada a derrubar resistências ainda fortes na elite empresarial do Nordeste, “quanto a apoiar o barbudo sindicalista do PT, para ocupar o mais alto posto de comando da Nação”. O resto e o que se sabe. 

“Ninguém me contou. Eu estava lá. Eu vi”, repito, para terminar, as palavras do jornalista Sebastião Nery, na apresentação do livro Rompendo o Cerco, sobre Ulysses Guimarães. Agora falta conferir o que virá, depois das  romarias à casa do capitão Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca. Bom Voto!

Vitor Hugo Soares, jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. Email: vitor_soares1@terra.com.br  

“I Dont Want To Talk About It “: Belíssima canção! Magnífica interpretação de Rod Stewart e Belle. A participação do público na gravação ao vivo é um espetáculo empolgante à parte. Confira!!!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

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Presidenciável do PSL tem milhões de seguidores nas redes, recusa os debates e dá entrevistas contadas para manter seu discurso sob controle

São Paulo
Máscara de Bolsonaro à venda nas ruas
Máscara de Bolsonaro à venda nas ruas Nacho Doce REUTERS

É talvez um dos momentos mais surrealistas da campanha eleitoral brasileira. Sem dúvida, o mais escatológico. Ocorreu na Internet, crucial campo de batalha nesta eleição. Jair Messias Bolsonaro, claríssimo favorito no segundo turno, veterano deputado, explica ao vivo aos seus oito milhões de seguidores no Facebook que não participará do debate televisivo com que tradicionalmente se encerra a campanha. Convalescente da facada que sofreu no começo de setembro, esmiúça ao vivo – “numa live do Facebook” – os motivos da sua ausência. Diz que tem autorização médica para ir para o cara a cara, mas prefere não correr riscos. De repente, levanta a camiseta… E mostra a bolsa de colostomia enquanto diz: “O pessoal quer que eu vá ao debate, mas posso ter um problema com a bolsa, posso ter que voltar para o hospital, e tudo isso para debater com um poste“. Eis aí, em estado puro, o candidato que revolucionou a política do Brasil.

Bolsonaro levou um grau adiante o conceito de fazer política nas redes sociais. Evita intermediários. Esquiva críticas. Tem um controle quase absoluto sobre sua mensagem. Dá as costas aos debates e também aos comícios desde que um desequilibrado com simpatias esquerdistas o esfaqueou. Fala à mídia tradicional, apenas o necessário, e só para os veículos com afinidade e outros terrenos seguros.

Barack Obama foi o primeiro a vislumbrar o potencial da Internet para arrecadar dinheiro; na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi travou sua batalha no Twitter e fez vibrar centenas de milhares de pessoas em todos os cantos do país, participando de comícios simultâneos graças a um holograma; Donald Trump descobriu no Twitter uma alternativa aos sempre incômodos meios tradicionais; finalmente, o italiano Matteo Salvini descobriu o potencial das lives do Facebook. Agora, Bolsonaro levou a estratégia a uma nova fase: só se deixa ver na tela.

Bolsonaro mostra sua bolsa de colostomia em uma transmissão ao vivo pelo Facebook
Bolsonaro mostra sua bolsa de colostomia em uma transmissão ao vivo pelo Facebook
 O ex-militar, que dedicou seu voto na destituição de Dilma Rousseff ao torturador da ex-presidenta, conseguiu fazer da necessidade uma virtude. Sem um partido poderoso ou aliados óbvios, e com apenas oito segundos de propaganda contra os partidos de longa data, ele planejou uma estratégia voltada para as redes sociais, um ecossistema que premia e potencializa o tribalismo, o radicalismo e o histrionismo. Um terreno fértil para difundir seu conservadorismo de extrema direita sem renunciar a distorções ou a mentiras flagrantes.

Usa diferentes canais, com discursos diferentes dirigidos a diferentes públicos, explica Francisco Carvalho de Brito, diretor do Internet Lab, consultoria de direito e tecnologia. “Bolsonaro usa o FB para divulgar sua agenda, para falar com suas bases, que não confiam na grande mídia. Quando quer moderar seu discurso, concorda em dar entrevistas para a televisão para enviar sinais aos mercados, às instituições … Ele usa o Twitter para responder rapidamente às questões (polêmicas) … Usa os grupos de WhatsApp como fã-clubes em que se pode fazer parte da sua rede … “

Na reta final da campanha, o Facebook fechou 69 páginas e 43 contas vinculadas ao grupo empresarial Raposo Fernandes Associados por violar as regras sobre spam e deturpação, mas a tecnológica tem rejeitado o pedido de reduzir no Brasil o limite de pessoas às quais se pode enviar mensagens de WhatsApp de 20 para 5, como acontece na Índia. “É muito preocupante, caminhamos sobre o gelo porque as fake news são fabricadas em escala industrial, mas a checagem de informações é um processo que leva um longo tempo”, destacou esta semana Thiago Tavares, diretor da SaferNet, ONG que analisa as redes em busca de possíveis crimes, informa a France Presse.

A página oficial no Facebook de Bolsonaro tem oito milhões de seguidores (ainda longe de seus 49 milhões de votos no primeiro turno) na reta final de uma campanha em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso, começou com 3,6 milhões e o militar aposentado, com 5,5 milhões. Um enorme salto para um político cuja primeira mensagem no Facebook teve apenas 70 curtidas.

O brasileiro estreou a página em um momento-chave. Em junho de 2013, as ruas (e as redes) explodiram. O aumento do transporte público em São Paulo (com Haddad prefeito) catalisou a indignação popular e levou milhões para as ruas convocados por outros brasileiros comuns, distantes de partidos, sindicatos e movimentos sociais. Alguns políticos tradicionais viram nas redes sociais a possibilidade de se reinventar e buscar relevância. Grupos sociais da direita também vislumbraram o filão. Com isso houve um vertiginoso crescimento de uma dinâmica que viu surgirem grupos como o ultraliberal e agressivo Movimento Brasil Livre (MBL), o questionamento das eleições vencidas por pequena margem por Dilma Rousseff em 2014, a sua destituição, novos protestos em massa … e em 2017, o salto de Bolsonaro para a arena, com cenas de multidões que o recebiam no aeroporto transmitidas pelas redes e visitas a quartéis.

O Movimento Brasil Livre foi um dos agitadores das grandes manifestações de 2015 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. Essas foram as primeiras marchas da direita como tal desde o fim da ditadura em 1985. O ex-militar já ambicionava há três anos se candidatar nesta eleição presidencial. O MBL empreendeu uma guerra cultural em sintonia com os evangélicos e Bolsonaro. Desde a criação de sua página no Facebook, o favorito para presidir o maior país da América Latina utilizou esse canal a partir de janeiro de modo intensivo para difundir a agenda que defendia como deputado federal: a oposição ao projeto de lei que criminaliza a homofobia, sua proposta de voto em cédula para evitar uma suposta fraude nas urnas eletrônicas, a rejeição de uma Comissão da Verdade – que investigou os abusos cometidos pelo Estado durante a ditadura militar –, e assim por diante. Mas não descuida do Whatsapp, ao qual tanto deve. No ano passado, ele lhe dedicou até um projeto de lei, que buscava impedir que o aplicativo fosse tirado do ar pela Justiça.

  • Haddad participa de carreata pelas ruas de João PessoaHaddad participa de carreata pelas ruas de João Pessoa

A dois dias do segundo turno, o candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) voltou a fazer um aceno a Ciro Gomes (PDT) nesta sexta-feira (26) e disse acreditar que conquistará pontos nas intenções de voto com o apoio do pedetista, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno.

“A gente vai ganhar uns 3, 4 pontos com o apoio do Ciro”, disse Haddad a jornalistas antes de participar de uma caminhada em Salvador.

Até agora, Ciro não anunciou apoio a Haddad. Logo depois do primeiro turno, o candidato viajou para a Europa, e deve chegar na noite desta sexta a Fortaleza. O PDT declarou “apoio crítico” à candidatura petista.

Na pesquisa Datafolha de quinta (26), Jair Bolsonaro (PSL) ficou com 56% dos votos válidos, contra 44% para Haddad. A vantagem de Bolsonaro para Haddad caiu 6 pontos.

Este é o segundo dia de agenda de campanha de Haddad no Nordeste. Ontem, o petista esteve em Recife, e nesta manhã ele foi a João Pessoa.

“Aqui na Bahia, nós passamos de 60% e queremos passar de 70%”, disse.

Haddad atribuiu a queda de Bolsonaro nas pesquisas a “mentiras” e ao fato de o deputado federal não comparecer aos debates.

“O povo descobriu que ele mente. E, segundo, descobriu que ele foge. Ninguém gosta de homem frouxo e mentiroso”, disse. O petista também voltou a atacar o adversário e afirmou que Bolsonaro representa um “atraso de 500 anos” para o Brasil.

Clima de festa entre a militância

Haddad foi recebido no evento por líderes de capoeira, líderes religiosos do candomblé e integrantes do movimento negro da Bahia pela democracia.

Além deles, a cantora Daniela Mercury também declarou apoio à candidatura do petista. “Vai ser uma derrota do povo brasileiro [se Bolsonaro for eleito]”, disse. “O obscurantismo, o fascismo, o discurso de ódio as discriminações, as falas dele contra a maioria populacional do país, ninguém pode aceitar”, completou.

A caminhada arrastou milhares de pessoas pelo bairro de Ondina, zona sul da capital baiana. O clima entre a militância era de festa. Haddad fez o trajeto em uma camionete, ao lado de sua mulher, Ana Estela, e do governador reeleito Rui Costa. Também estavam no veículo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Tarso Genro.

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Posted on 27-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2018



 

S. Salvador, no jornal

 

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Posted on 27-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2018

A República de Ipanema e Leblon está muito louca

 

Fernanda Torres diz, na Folha, que se Messias for eleito, ocorrerá “lavagem cerebral. A Revolução Cultural de Mao aplicada ao livre mercado” e que ela “também não queria o PT” e acredita na responsabilidade fiscal, “mas qualquer coisa é melhor do que a teocracia armada”.

Mais: “A temporada de caça está aberta. Para andar em segurança, o sujeito vai ter que levar uma blusa do Ustra na mochila e fazer sinal de arminha com a mão, cada vez que o pelotão dos bons costumes passar”.

A atriz esclarece que não trabalha há dez anos com a Lei Rouanet. Ou seja, o conteúdo da sua coluna é pura convicção mesmo.

A República de Ipanema e Leblon está muito louca.

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