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Postado em 17-10-2018
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-10-2018 00:39
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“Prezado colega ,
Em resposta à sua perplexidade confirmo o meu apoio à candidatura de Jair Bolsonaro, não é fake.
Nas eleições de 2014, concorri pela Bahia ao Senado, estando filiada simbolicamente à Rede que, sem oficialização, abrigou-se no PSB de Eduardo Campos. O nosso sonho, à época, era cavar a terceira via para em, 2018, termos condições de vencer as eleições: era sabido que Dilma não tinha condições de governar o pais por mais quatro anos, como terminou acontecendo.

Infelizmente, Eduardo Campos, que despontou como um líder crescente, ameaçando o PT, acabou morrendo tragicamente e Marina Silva, massacrada publicamente pelo partido da situação não chegou ao segundo turno.

Diante do que vivenciei, dentro dos partidos políticos, dos boicotes aos seus próprios filiados por venda da bandeira partidária a outros partidos, decidi afastar- me da política em definitivo, voltando a me filiar a Rede nas proximidades das eleições de agora, por insistencia de Marina, mas sem candidatura.

Com o resultado do primeiro turno, tive algumas surpresas. A mais agradável, a maturidade do eleitor brasileiro que, do Oiapoque ao Chuí varreu antigas lideranças, arquivou velhas raposas e deu espaço a novos e jovens candidatos que concorreram sem dinheiro e sem espaço partidário, usando simplesmente as redes sociais e a inteligência. Quero dizer com orgulho que até o Nordeste recebeu esses novos ventos, com algumas poucas exceções, sendo a Bahia um caso à parte, digno de um estudo sociológico em separado.

A segunda grande surpresa foi a manutenção do PT no segundo turno, um partido que, depois de dezesseis anos no poder, deixou o Brasil em frangalhos, foi publicamente desmascarado como abrigo da quadrilha que devastou os cofres públicos, saqueou as estatais e aparelhou o serviço público, o que valeu a prisão de toda a cúpula, inclusive do seu chefe maior, em julgamento de lisura absoluta, acompanhado ao vivo e a cores por toda a nação. Para completar, seguiu-se o afastamento da ex-Presidente da República, também petista, por um Congresso majoritariamente filiado ao partido da situação, seguindo-se a posse de um vice escolhido pelo PT e por ele apresentado como conveniente, eleito democraticamente na dobradinha da chapa Dilma x Temer. Esse episódio politico foi considerado pelo partido como golpe. Como golpe? Certamente um golpe democrático e constitucionalmente previsto, o que ocorreu porque o impeachment fugiu ao controle das forças dominadoras, que não contavam com o desenrolar dos fatos e a atuação parlamentar, acuada com a mobilização de uma população enfurecida com a escancarada corrupção.

Depois de desfilar aos nossos olhos os bilhões dos saques e as consequências nas políticas públicas, volta o PT com um candidato que me repugna, como magistrada de carreira, espectadora política e cidadã. Assisti-lo debochando da nação, desrespeitando o Judiciário, empunhando na propaganda eleitoral uma máscara de um presidiário que, submetido em três instâncias a julgamentos, inclusive por magistrados que conheço de perto e sei da lisura e competência, anuncia sorridente que no dia 1o de janeiro subiraá a rampa do Palácio do Planalto com ele, para governarem o Brasil.
Mas não é só. O partido dito dos trabalhadores, ao sentir que não foi bem sucedido no deboche caricato de Lula-Haddad, Haddad-Lula, rapidamente mudou de tática ou de marqueteiro, passou a abolir a cor vermelha e a estrela da corrupção,
aderindo às cores da bandeira brasileira e com o seu candidato pousando de bom moço junto a uma destrambelhada garota desajuizada, que não sabe sequer articular as ideias, mesmo que sejam elas boas ou ruins, não diz nada que tenha lógica.

Bolsonaro não seria a minha escolha primeira mas foi o que restou de decência e pudor ao povo brasileiro, diante do que ficou.

Acusam-no de fascista porque é militar? E o radicalismo do Partido dos Trabalhadores, o que é? E o apoio dado a conhecidas ditaduras da América Latina e a outras mais longínquas, em detrimento das nossas necessidades básicas de saúde, segurança e educação? Qual o nome que se pode dar a esse fenômeno dito democrático?

Não posso mais me enganar, colega, já sei o que é o PT, convivo com ele há 16 anos e sofro as consequências de um pais destroçado financeira e eticamente, desacreditado e desmoralizado fora das nossa fronteiras. Tenho hoje pudor em dizer que pertenço a um país que tem a desfaçatez de permitir que as linhas mestras da política sejam dadas por dois presidiários, ou melhor, dois condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula e José Dirceu, usando mais uma vez a técnica dos factoides, Fernando Haddad e Manoela D`Ávila, dois bobalhões que se submetem ao ridículo com naturalidade.

Esta é a primeira vez que estou revelando as razões de minha postura política. É também um desabafo, o primeiro que faço desde que, na quarta-feira, dia 11 de outubro, atendi ao convite para participar da campanha de um candidato de um partido minúsculo, sem fundo partidário, sem dinheiro de empresário e sem recursos dos cofres públicos, em favor de um candidato ficha limpa que há mais de 30 anos é político e nunca se misturou com a podridão parlamentar usada pelo PT como seu passaporte para os milionários desfalques. Não consegui encontrar na vida do candidato nada que possa denegrir a sua imagem, senão tolas frases soltas, até pueris ou em tom de bravata, quando se viu acuado pelos adversários e pela mídia que sequer respeitam o seu estado de saúde.

Estou tranquila, estou em paz com a minha consciência e, tenha a certeza: farei o que estiver ao meu alcance, para que o Brasil experimente o novo, o mais adequado para esse momento em que estamos pretendendo inaugurar um país com moralidade e dignidade cívica, ingredientes sem os quais de nada valera? fortalecer a economia. Os valores da nação  precisam voltar aos seus lugares.

Obrigada, colega, pela oportunidade que me deu de falar com o coração e dizer, com tranquilidade, que escolhi o que melhor me pareceu sem estar influenciada por mídia alguma, senão pela minha experiência de vida. Afinal, “o diabo é sabido não por ser diabo, mas porque é velho”.

Em sab, 13 de out de 2018 a?s 22:30, Eliana Calmon

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Comentários

Daniel on 17 outubro, 2018 at 2:57 #

Muito bem dito!


Laura Dourado on 17 outubro, 2018 at 8:24 #

Lúcida!!


Lucas Ribeiro on 17 outubro, 2018 at 8:41 #

Lucas Ribeiro on 17 outubro, 2018 at 9:55 #

Senhor Daniel nunca falou sobre a defesa do Coiso de USTRA ( o torturador) . https://www.youtube.com/watch?time_continue=115&v=AL_iJQrtql0


Lucas Ribeiro on 17 outubro, 2018 at 9:58 #

… “senão tolas frases soltas, até pueris ou em tom de bravata … ” E Moa do katedê???????? Esta Calmon está delirando ou esclerosada!!!!!!


rosane santana on 17 outubro, 2018 at 12:36 #

E assim segue Eliana a defender seus interesses advocatícios em Brasília, onde mantém escritório e tem trânsito livre nos tribunais superiores, usando as prerrogativas de ex magistrada e corregedora do Poder Judiciário, no qual há “bandidos de toga”, como ela mesma anunciou com estardalhaço. Aliás, fato que qualquer brasileiro bem informado ou não conhece por experiência empírica, desde que aqui aportaram os tribunais lusitanos!


rosane santana on 17 outubro, 2018 at 12:41 #

Acrescente-se: sobra a defesa da tortura, crime hediondo segundo a Constituição, feita por Bolsonaro, nenhuma crítica; sobre o seu racismo, sua homofobia e sua declarada intenção de acabar com o ativismo no Brasil, idem. E la nave va na bolha do oportunismo e do atraso das elites brasileiras, com as massas embaladas pelo lero-lero de que tudo é para combater a corrupção. As máscaras estão caindo!


rosane santana on 17 outubro, 2018 at 12:43 #

Sem medo de errar: país de elites retrógradas e oportunistas e de população majoritariamente inculta, mal informada e imbecil!


Vanderlei on 18 outubro, 2018 at 19:11 #

Falou e disse! Com argumentos sólidos sobre a realidade do país, nos últimos 16 anos de desgoverno petista.


Lucas Ribeiro on 18 outubro, 2018 at 22:39 #

rosane santana on 18 outubro, 2018 at 22:46 #

Em que mundo o sr. vive, Sr. Vanderlei?Pra cima de mim? Sou uma mulher inteligente, meu caro, modéstia às favas! O analfabetismo no Brasil é herança lusitana. Em 300 anos de colonização, Portugal impediu a existência de escolas no país, diferente do q ocorreu na América Espanhola. Educação primária em massa, no Brasil, é fenômeno do século XX. Até hoje pagamos por isso. Em matéria de educação, embora eu não seja petista, reconheço q houve inclusão social, pela primeira vez neste país, melhoria do livro didático e expansão do ensino superior, como nunca dantes. Conheço o assunto por experiência teórica e empírica. Neste quesito, o PT fez melhor do que seu pefelê, viu? Quer criticar, critique. Mas tenha estilo e competência!


Vanderlei on 19 outubro, 2018 at 9:13 #

Senhora Rosana, eu não disse que a senhora conhece ou não conhece o assunto sobre a educação. Eu simplesmente concordo com os argumentos da Sra. Eliana Calmon. Portanto, apresente, se for o caso, números sobre a realidade que a senhora disse conhecer muito bem e que possa contrapor a Sra. Calmon. Eu não estou aqui para defender a Sra. Calmon, mas sim , como já disse, continuo concordando com o que ela escreveu.


Lucas Ribeiro on 19 outubro, 2018 at 9:24 #

Calmon$$$$$$$$$$$$$$$$


Lucas Ribeiro on 19 outubro, 2018 at 10:31 #

Tem jornalista na Bahia para perguntar a “doutora” Calmon o que ela acha da denuncia da Folha de SP?


Daniel on 19 outubro, 2018 at 19:38 #

Daniel on 19 outubro, 2018 at 19:38 #

“Consciente de que será muito difícil reverter a vantagem de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela Presidência da República, o PT decidiu partir para seu “plano B”: fazer campanha para deslegitimar a eventual vitória do oponente, qualificando-a como fraudulenta. É uma especialidade lulopetista.

A ofensiva da tigrada está assentada na acusação segundo a qual a candidatura de Bolsonaro está sendo impulsionada nas redes sociais por organizações que atuam no “subterrâneo da internet”, segundo denúncia feita anteontem na tribuna do Senado pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que lançou o seu J’accuse de fancaria.

“Eu acuso o senhor (Bolsonaro) de patrocinar fraude nas eleições brasileiras. O senhor é responsável por fraudar esse processo eleitoral manipulando e produzindo mentiras veiculadas no submundo da internet através de esquemas de WhatsApp pagos de fora deste país”, afirmou Gleisi, que acrescentou: “O senhor está recebendo recursos ilegais, patrocínio estrangeiro ilegal, e terá que responder por isso. (…) Quer ser presidente do Brasil através desse tipo de prática, senhor deputado Jair Bolsonaro?”

Como tudo o que vem do PT, nada disso é casual. A narrativa da “fraude eleitoral” se junta ao esforço petista para que o partido se apresente ao eleitorado – e, mais do que isso, à História – como o único que defendeu a democracia e resistiu à escalada autoritária supostamente representada pela possível eleição de Bolsonaro.

Esse “plano B” foi lançado a partir do momento em que ficou claro que a patranha lulopetista da tal “frente democrática” contra Bolsonaro não enganou ninguém. Afinal, como é que uma frente política pode ser democrática tendo à testa o PT, partido que pretendia eternizar-se no poder por meio da corrupção e da demagogia? Como é que os petistas imaginavam ser possível atrair apoio de outros partidos uma vez que o PT jamais aceitou alianças nas quais Lula da Silva não ditasse os termos, submetendo os parceiros às pretensões hegemônicas do demiurgo que hoje cumpre pena em Curitiba por corrupção?

Assim, a própria ideia de formação de uma “frente democrática” é, em si, uma farsa lulopetista, destinada a dar ao partido a imagem de vanguarda da luta pela liberdade contra a “ditadura” – nada mais, nada menos – de Jair Bolsonaro. Tudo isso para tentar fazer os eleitores esquecerem que o PT foi o principal responsável pela brutal crise política, econômica e moral que o País ora atravessa – e da qual, nunca é demais dizer, a candidatura Bolsonaro é um dos frutos. Como os eleitores não esqueceram, conforme atestam as pesquisas de intenção de voto que expressam o profundo antipetismo por trás do apoio a Bolsonaro, o PT deflagrou as denúncias de fraude contra o adversário.

O preposto de Lula da Silva na campanha, o candidato Fernando Haddad, chegou até mesmo a mencionar a hipótese de “impugnação” da chapa de Bolsonaro por, segundo ele, promover “essa campanha de difamação tentando fraudar a eleição”.

Mais uma vez, o PT pretende manter o País refém de suas manobras ao lançar dúvidas sobre o processo eleitoral, assim como já havia feito quando testou os limites legais e a paciência do eleitorado ao sustentar a candidatura de Lula da Silva. É bom lembrar que, até bem pouco tempo atrás, o partido denunciava, inclusive no exterior, que “eleição sem Lula é fraude”.

Tudo isso reafirma, como se ainda fosse necessário, a natureza profundamente autoritária de um partido que não admite oposição, pois se julga dono da verdade e exclusivo intérprete das demandas populares. O clima eleitoral já não é dos melhores, e o PT ainda quer aprofundar essa atmosfera de rancor e medo ao lançar dúvidas sobre a lisura do pleito e da possível vitória de seu oponente.

Nenhuma surpresa: afinal, o PT sempre se fortaleceu na discórdia, sem jamais reconhecer a legitimidade dos oponentes – prepotência que se manifesta agora na presunção de que milhões de eleitores incautos só votaram no adversário do PT porque, ora vejam, foram manipulados fraudulentamente pelo “subterrâneo da internet”.


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