Do Blog O Antagonista

 Bolsonaro reage a Boulos: “Vamos tipificar como terrorismo qualquer invasão de propriedade privada”

Em sua ‘live’ de domingo no Facebook, Jair Bolsonaro reagiu ao vídeo de um comício feito por Guilherme Boulos na quarta-feira passada, ao lado de Gleisi Hoffmann, em cima de um carro de som no Masp, em São Paulo, no qual o candidato derrotado do PSOL disse que só deixaria passar o feriadão para voltar a fazer mobilizações pelo país e a militância cantou em coro: “Ô Bolsonaro, presta atenção, a sua casa vai virar ocupação”.

Boulos afirmou que “o MTST ocupa terreno improdutivo, e a casa do Bolsonaro não me parece uma coisa muito produtiva”.

“Você deve ter visto um vídeo de ontem, ou anteontem, do Boulos insuflando uma massa enorme para invadir, ocupar a minha residência. O que você faria se o Boulos e 2 mil pessoas ameaçassem invadir a sua residência? Se eu for o presidente e se o Parlamento assim entender, nós vamos tipificar como terrorismo qualquer invasão de propriedade privada”, disse Bolsonaro.

Em rede social, Boulos alegou que fez apenas uma ironia.

 DO EL PAÍS

A luta contra a corrupção e as eleições no Brasil

Jair Bolsonaro, momentos antes de sofrer um atentado durante a campanha em Juiz de Fora (MG).
 Jair Bolsonaro, momentos antes de sofrer um atentado durante a campanha em Juiz de Fora -MG. (foto – Antonio Scorza).

O desempenho de Jair Bolsonaro no primeiro turno das eleições foi surpreendente. Buscando se descolar da sua longa e inexpressiva carreira na política, Bolsonaro conseguiu encarnar o espírito de renovação caro a muitos brasileiros. Somou a isso uma retórica autoritária e inflamatória que ecoou como nenhuma outra em um sistema devastado pela maior operação contra a corrupção do mundo. Nos últimos 18 meses temos conduzido uma pesquisa para entender de forma mais robusta os efeitos da luta anticorrupção sobre a opinião e o comportamento político dos Brasileiros. Nossos resultados preliminares ajudam a compreender o fenômeno que observamos no domingo passado.

O estudo investigou se e como a Lava Jato afeta emoções, atitudes com relação à política e à corrupção, e também a preferência dos eleitores quanto ao perfil de liderança desejado para o país. Em primeiro lugar, dados do Latino Barometro mostram que a tolerância à corrupção parece ter se mantido constante no Brasil, tanto ao longo do tempo, como em referência a outros países da América Latina. Dados do instituto de pesquisa IPSOS também mostram que o cinismo dos brasileiros em relação à política aumentou ao longo do tempo. Ambas tendências sugerem que, pelo menos até o momento, a Lava Jato não alterou de forma virtuosa a opinião dos brasileiros sobre corrupção e política.

Segundo, dados que coletamos há mais de um ano já indicavam grande aversão à política tradicional e uma afinidade de grande parte dos brasileiros a discursos populistas e antisistema. Perguntamos para uma amostra representativa da população qual seria o melhor perfil de liderança política para lidar com os problemas do país e oferecemos três opções de resposta: um político tradicional, um outsider, e um outsider com discurso combativo e antipolítica. Essa última opção foi escolhida por quase 60% dos entrevistados, o que demonstra que a votação expressiva recebida no último domingo por Jair Bolsonaro—que adota artificialmente um discurso de outsider com tons claramente populistas—reflete uma preferência que já estava latente na população há algum tempo.

De acordo com os nossos dados, o discurso populista e antipolítica reverbera mais entre eleitores com nível educacional elevado e que elegem a raiva (vis-a-vis outros sentimentos como preocupação, entusiasmo ou esperança) como a emoção que melhor descreve como se sentem em relação à política. Estimamos também em que medida tal preferência seria resultado de uma maior exposição à luta contra a corrupção promovida pela Lava Jato. Nossos resultados sugerem que sim e que esse efeito é particularmente claro entre aqueles que declaram confiar nas instituições judiciais.

Chegamos também a uma terceira conclusão preliminar. Por meio de outra pesquisa representativa, fornecemos a diferentes grupos de eleitores, de forma aleatória, duas caracterizações alternativas da Lava Jato. Uma, enfatizando seus resultados (em termos de condenações e ativos recuperados). E a outra, destacando avaliações internacionais positivas que a Operação recebeu. Os resultados mostram que os eleitores mais instruídos e que confiam nas instituições judiciais são particularmente sensíveis a essas representações da Lava Jato. Eles são mais propensos a ficar com raiva, ao contrário de esperançosos, e a apoiar pessoas de fora da política. Não encontramos efeitos sobre os níveis de tolerância à corrupção ou cinismo político.

A Lava Jato almeja, além de investigar e punir a corrupção, algo um tanto mais ambicioso: alterar as atitudes marcadamente cínicas dos brasileiros com relação à corrupção e à política como um todo. A Operação se tornou assim uma campanha anticorrupção de proporções até então inéditas no mundo. Tal campanha poderia, em tese, levar a pelo menos dois resultados opostos. Uma perspectiva otimista sugere que a Lava Jato sinalizaria à população uma virtuosidade institucional capaz de subverter a lógica nefasta que domina a política Brasileira. Ao demonstrar para a população que a corrupção é de fato investigada e punida, as instituições quebrariam a resignação do eleitor e diminuiriam a tolerância à corrupção.

Por outro lado, uma perspectiva pessimista sugere que o tiro da Lava Jato pode sair pela culatra. Ao trazer a tona uma enxurrada de informações negativas sobre a política, a Lava Jato poderia reforçar o cinismo político, aumentando a desconfiança do eleitor e o levando a aceitar a corrupção como algo endêmico e inevitável. Mais do que simplesmente analisar qual dessas duas expectativas se concretizou no caso do Brasil, buscamos identificar as condições que tornam as expectativas otimista e pessimista mais prováveis de se materializar.

Apesar de haver pouca evidência de que os brasileiros tenham ficado menos tolerantes com a corrupção ou menos cínicos, nossos achados sugerem que os eleitores tenham assumido atitudes mais duras em relação à política. A cruzada anticorrupção pode ter desencadeado uma avalanche de eleitores furiosos dispostos a punir a classe política preferindo candidatos com discurso combativo em relação a ela. Mais amplamente, nossos dados apontam para o papel das emoções em determinar se a Lava Jato levará a um ciclo vicioso que corrói os próprios fundamentos da democracia brasileira, ou a um ciclo virtuoso que consegue canalizar esse descontentamento de uma maneira menos perturbadora.

A luta contra a corrupção que a Lava Jato representa é necessária e importante para o país. Mas ela também é complexa e suas consequências de curto e longo prazo ainda são bastante desconhecidas. É esperado que ações anticorrupção tenham um custo político elevado, então precisamos compreender melhor como elas afetam o eleitor e como devem ser conduzidas pelos órgãos de controle, judiciário e meios de comunicação.

Enquanto a raiva tomar conta do eleitorado, os partidos políticos e as instituições de forma mais geral terão dificuldade de processar o descontentamento com a política. Aqueles que apreciam a democracia precisam promover emoções menos viscerais e mais positivas, como entusiasmo ou esperança, a fim de evitar que atitudes mais duras em relação à corrupção e à política abram a porta para ideias autoritárias.

“Chôro Bandido”: fabulosas baianinhas da música brasileira!!! Notável Edu Lobo, pena de brilhante da composição na MPB!!! Combinação mais que perfeita para começar a semana de outubro no BP.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

out
15

DO EL PAIS

O deputado reeleito Eduardo Bolsonaro.
O deputado reeleito Eduardo Bolsonaro. Fabio R. Pozzebom Ag. Brasil
Brasília

 

Militares, policiais, outsiders, ator que já gravou filme pornô, descendente da família real brasileira, ex-nadador olímpico, líderes de movimentos pró- impeachment de Dilma Rousseff (PT), jornalista processada por plágio, candidatos à reeleição ou apenas concorrentes fracassados em outras disputas que colaram sua imagem à de Jair Bolsonaro. Assim é formada a eclética bancada que o partido do presidenciável, o PSL, fez na Câmara dos Deputados neste ano. Entre seus 52 eleitos, a segunda com maior representatividade no Legislativo atrás apenas da do PT, há três que se declararam negros, 14 pardos e 35 brancos. Nove são mulheres. A frente da bala é expressiva: ao menos 22 já trabalharam ou atuam em órgãos de segurança privada ou pública, como as Forças Armadas, empresas particulares, polícias Civil, Federal, Militar e Rodoviária Federal. A média de idade é jovem, 45 anos. E quase a metade, 24, nunca havia disputado um mandato eletivo.

Nesta semana, o EL PAÍS analisou no Tribunal Superior Eleitoral o perfil de cada um desses 52 eleitos pelo Partido Social Liberal. Também pesquisou o que eles afirmaram em algumas entrevistas, publicaram nas redes sociais ou nas páginas de autopromoção de candidaturas. Eis algumas das constatações: 1) Juntos, eles obtiveram 7,6 milhões de votos; 2) Arrecadaram 9,1 milhões de reais para suas campanhas; 3) Ao menos 3,7 milhões de reais provieram dos fundos partidário e eleitoral; 4) Apenas 19 desses concorrentes tiveram a ajuda do partido, sendo que o maior beneficiado foi o presidente licenciado e deputado reeleito por Pernambuco, Luciano Bivar. Sozinho, ele recebeu 1,8 milhão dos 9 milhões de reais aos quais a sigla tem direito. Ele diz que redistribuiu a verba para alguns dos concorrentes à Assembleia Legislativa de Pernambuco. Os dados sobre o financiamento são parciais, já que a prestação de contas definitiva para quem disputou o primeiro turno tem de ser entregue até o dia 6 de novembro.Os discursos são semelhantes. Quase todos possuem um viés altamente conservador.

Defendem a redução da maioridade penal, a revogação do estatuto do desarmamento, a proibição do aborto ou o projeto Escola Sem Partido. Declaram ser defensores da “família tradicional” e, em alguns casos, se autodenominam opressores ou afirmam que “comunistas merecem apanhar”. Alguns espalham boatos a torto e direito. Outros, mesmo sendo militares, dizem ser contra qualquer intervenção das Forças Armadas no Governo —este foi o caso de Coronel Armando, eleito por Santa Catarina. A quantidade de eleitos surpreendeu até mesmo os bolsonaristas mais otimistas. “Não esperávamos chegar a esse número. A grande verdade é que a indignação social, felizmente, não estava só na cabeça do Bolsonaro e na minha cabeça, mas na de toda a sociedade. O Bolsonaro apenas acendeu a faísca e todos viram que ali tem luz”, disse Luciano Bivar, o presidente licenciado do PSL. Ele estima que a bancada pode ainda chegar a 90 parlamentares. O motivo é a cláusula de barreira que passou a valer neste ano para o Congresso Nacional. As legendas que não atingiram ao menos nove deputados eleitos em nove Estados distintos ou não chegaram a 1,5% do total de votos válidos passarão a ter restrições no acesso a fundos públicos. Assim, uma migração em massa não está descartada. Há 14 partidos nessa situação.Bivar alugou o partido que preside desde a fundação, na década de 1990, para Bolsonaro concorrer. Cedeu temporariamente a presidência da legenda ao advogado Gustavo Bebianno, um dos assessores mais próximos do presidenciável. Dessa maneira, Bebianno cercou-se de pessoas de confiança dele e de seu chefe nos diretórios estaduais. Daí pra frente, foi só delimitar quem seriam os potenciais puxadores de votos que poderiam ajudar a eleger uma bancada maior. Esses receberam alguns recursos financeiros do partido para ajudar em suas campanhas. Valores que variavam 39 reais a 1,8 milhão de reais.Foi na região Sudeste, a mais populosa do país e com maior número de assentos na Câmara, que o PSL elegeu o maior número de seus parlamentares: 29. Foram 12 no Rio de Janeiro, dez em São Paulo, seis em Minas Gerais e um no Espírito Santo. No Sul, obteve êxito nos três Estados. Foram dez deputados, assim distribuídos: quatro em Santa Catarina, três no Paraná e três no Rio Grande do Sul. No Centro Oeste, mais cinco. Foram dois em Goiás, dois no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso. No Nordeste, região que serviu de muro anti-Bolsonaro no primeiro turno, foram cinco: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia —um representante em cada. Na região Norte, mais três ao total, em Amazonas, Rondônia e Roraima. Na sequência, alguns dos parlamentares que se destacaram por suas atuações na campanha ou antes dela mesmo começar.

Os campeões de votos

Em 2014, o policial federal Eduardo já havia notado o peso que o sobrenome de seu pai traria à sua pretensão política. Quando concorreu pelo Estado de São Paulo, mesmo pouco conhecido, obteve 82.224 votos e se elegeu pela média. Neste ano, contudo, diante da superexposição de Jair Bolsonaro, a onda para ele foi maior. Chegou a 1,8 milhão de votos e bateu o recorde de deputado federal mais votado da história brasileira. Na atual campanha ficou marcado por, entre outras razões, ter dito durante um ato de apoio ao seu pai que “mulheres de direita são mais bonitas do que as de esquerda”. “Não mostram o peito na rua e não defecam para protestar”, afirmou. “Ou seja, as mulheres de direita são muito mais higiênicas que as da esquerda”.

Outra puxadora e recordista de votos foi a jornalista Joice Hasselman, que teve mais 1 milhão de votos também pelo Estado de São Paulo. Entre a direita brasileira, ela já foi apontada como “a musa da operação Lava Jato”. Ex-repórter da revista Veja, já foi acusada de plagiar 65 reportagens. Ela nega a irregularidade e, quando da acusação, falou que o sindicato de jornalistas do Paraná, que constatou a fraude, representava a escória do jornalismo. De qualquer maneira, na atual campanha eleitoral, ela foi responsável por disseminar alguns dos boatos que inundaram as redes sociais e os grupos de WhatsApp de Bolsonaro, uma das principais ferramentas de divulgação do candidato. Entre eles o de que um meio de comunicação teria recebido 600 milhões de reais para “detonar” a candidatura de Bolsonaro e outro de que o criminoso Adélio Bispo de Oliveira, que esfaqueou o presidenciável, concederia uma entrevista para atribuir o crime à campanha dele. Seus principais financiadores foram a direção do PSL e o empresário Sebastião Bonfim Filho, da rede de materiais esportivos Centauro.

Helio Negão e Jair Bolsonaro.
Helio Negão e Jair Bolsonaro. Reprodução/Facebook/Jair Bolsonaro
 No Rio de Janeiro, o campeão de votos foi o militar Hélio Fernando Barbosa Lopes, o Hélio Negão. Ele teve 345.234 votos. Seu crescimento exponencial, em comparação com outras eleições, deu-se por conta da proximidade com Bolsonaro, que lhe emprestou o sobrenome para amenizar a pecha de “racista” que seus opositores tentam colar nele. Além disso, o comitê do presidenciável bancou os 45.000 reais da campanha do candidato a deputado. Há dois anos, Hélio concorreu para vereador de Nova Iguaçu e teve míseros 480 votos.

Os radicais

Alguns dos destaques entre os que pregam discursos extremistas são:

– Tio Trusti (MS), dono de um estabelecimento em Campo Grande que diz ser um bar de opressores. Um de seus jingles pregava que, com ele, “vagabundo não vai ter vez”. “Chegou tio Trusti, osso duro de roer. Malandro e maconheiro ele vai mandar prender”.

– Nelson Barbudo (MT). Produtor rural e ex-vereador, Barbudo foi o mais votado em seu Estado com discurso radical contra criminosos e comunistas. Conhecido por ostentar uma barba longa e sempre usar chapéu, em um dos vídeos de sua campanha ele dizia: “Vou meter o chapéu na cara daqueles comunistas, lá [na Câmara]”.

– Delegado Waldir (GO) foi pela segunda eleição consecutiva o mais votado de Goiás. Em seu primeiro mandato, não aprovou nenhum dos 52 projetos protocolados e se destacou porque disse que estava sendo comprado na Comissão de Constituição e Justiça para votar a favor de um relatório que pedia o arquivamento de uma denúncia criminal contra o presidente Michel Temer (MDB). Na campanha de 2018, sempre ostentava o sinal de armas e dizia que seu número nas urnas era o 17 do calibre e o 00 que representa a algema.

– Carlos Jordy (RJ), apelidado de filhote de Bolsonaro frequentemente faz discursos contra feministas. É vereador em Niterói e já teve vários embates contra representantes da esquerda.

– General Girão (RN) já defendeu que militares voltassem a usar as espadas, “para colocar o Brasil no rumo certo”. É a primeira eleição que ele disputou.

– Daniel Silveira (RJ) o policial militar que se notabilizou por destruir uma placa de rua que levava o nome da vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL).

Lideranças pró-impeachment

Nesse grupo estão: a gerente Carla Zambelli (SP) e a advogada Alê Silva (MG), ambas do movimento Nas Ruas; o ex-ator pornô Alexandre Frota (SP) que participou de vários grupos antipetistas; Heitor Freire (CE), do Movimento Direita Ceará, e Caroline de Toni (SC), que era do Movimento Brasil Livre e protocolou um dos pedidos de impeachment da então presidente Dilma Rousseff e do ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Toffoli.

A eleita Caroline De Toni.
A eleita Caroline De Toni. Divulgação
 

Algo comum entre esse grupo é o apoio junto ao empresariado. Com exceção de Heitor Freire, cuja maior parte dos recursos de sua campanha provieram do partido, os demais foram financiados por empresários, ruralistas ou advogados. Zambelli, por exemplo, recebeu recursos de Flávio Rocha, o ex-presidenciável que é dono das lojas Riachuelo, e de Sebastião Bonfim Filho, da rede de materiais esportivos Centauro.

O príncipe e o atleta

Entre os que já eram famosos antes de aderirem ao bolsonarismo, estão o ex-nadador olímpico e campeão pan-americano Luiz Lima e o cientista político e herdeiro da monarquia brasileira Luiz Philippe de Orleans Bragança.

Para se eleger pelo Rio de Janeiro, Lima participou do movimento Renova BR, organizado pelo empresário Eduardo Mufarrej e que tinha como objetivo trazer novas caras para a política brasileira. O ex-nadador recebeu quase 230.000 reais principalmente de investidores e mega empresários, como Abílio Diniz (que preside o Conselho de Administração da BRF), Paulo de Senna Nogueira Batista e Roberto Lombardi de Barros.

Já o “príncipe” Luiz Philippe investiu ele próprio em sua campanha juntamente com Terence Michael Pih, que possui empreiteira e empresas aduaneiras. Cotado para ser o vice de Bolsonaro, o membro da família real foi preterido pelo General Hamilton Mourão. A razão, foi a falta de proximidade entre ele e o presidenciável. Uma fonte confidenciou o EL PAÍS que Bolsonaro temia ser traído por Luiz Philippe. “Entre o príncipe e o general, ele optou pelo militar pela lealdade. O príncipe é mais preparado, mas talvez ele não fosse tão fiel quanto o Mourão. Por isso, a escolha”, disse um graduado assessor de Bolsonaro. Ainda assim, se eleito, o capitão reformado diz que conta com os serviços do herdeiro real no parlamento.

Herdeiros

Ainda na seara “herdeiros” (sem contar Eduardo Bolsonaro) outros dois eleitos se aproveitaram de seus familiares para se elegerem. Filho do deputado federal Delegado Fernando Francischini, um dos mais próximos de Bolsonaro, o deputado estadual Felipe Francischini (PR) se valeu da fama e da estrutura de campanha de seu pai. O delegado concorreria a senador nessa eleição, mas como não teria tempo de TV por estar num partido até então nanico e por querer ter mobilidade para acompanhar as agendas de Bolsonaro, ele desistiu de disputar o Congresso. Acabou “trocando” de lugar com seu filho e se elegeu estadual com votação recorde.

A outra herdeira foi a médica Soraya Manato (ES). Em sua primeira eleição ela obteve os votos que costumavam eleger seu marido, Carlos Manato, por quatro mandatos consecutivos. Ele concorreu, sem sucesso para o Governo capixaba.

Neolideranças

Outros dois parlamentares se destacaram como aliados de primeira hora de Bolsonaro em seus Estados para garantirem suas vagas na Câmara o paraibano Julian Lemos e o mineiro Marcelo Álvaro Antônio. Alçado a vice-presidente nacional do PSL, o dono de uma empresa de segurança Julian conheceu o presidenciável há quase quatro anos, quando foi trabalhar em um evento que tinha o militar como palestrante. Julian conseguiu evitar que manifestantes impedissem a palestra de Bolsonaro e se aproximou rapidamente deles. Tornou-se, então, o elo do presidenciável com o Nordeste e indicou a agência que faz suas peças publicitárias. Todos os 286.000 reais recebidos por sua campanha até o momento foram entregues pelo PSL.

Antes de chegar ao PSL, Marcelo já havia passado por três legendas distintas PRP, PMB e PR. Os discursos radicais o levaram ao PSL, que abriu uma trincheira para Bolsonaro desvendar em Minas Gerais. Em 2014, se elegeu para o primeiro mandato com pouco mais de 60.000 votos. Agora, com quase quatro vezes mais votos foi o deputado mais votado de seu Estado. O impulsionamento de seu nome se deu, principalmente, pelo fenômeno Bolsonaro. No dia em que o presidenciável foi esfaqueado em Juiz de Fora, Marcelo estava ao seu lado e é visto, em vários vídeos, carregando o candidato pelos braços.

No Congresso, a tendência é que essa bancada – que hoje representa 10,1% dos parlamentares – caminhe unida e ainda mais reforçada por simpatizantes de Bolsonaro que se elegeram por outras legendas, como Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Kim Kataguiri (DEM-SP), Sargento Fahur (PSD-PR), Delegado Éder Mauro (PSD-PA) e Capitão Augusto (PR-SP).

out
15

DO BLOG O ANTAGONISTA

As mãozinhas de ACM Neto para ajudar Bolsonaro na Bahia

ACM Neto, presidente do DEM, vai usar sua estrutura na Bahia para pedir votos para Jair Bolsonaro.

Diz a Folha:

“Prefeito de Salvador, Neto disse optar pelo capitão da reserva contra o PT, mas afirmou que não se envolveria pessoalmente na eleição”.

A apoiadores do presidenciável, porém, ACM já admitiu que vai colocar o bloco na rua para ajudar no Nordeste.

out
15
Posted on 15-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-10-2018
DO PORTAL TERRA BRASIL

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, declarou neste domingo que, se depender dele, a porta citada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um possível apoio ao candidato petista será aberta em nome da democracia.

“Se depender de mim, essa porta será aberta em nome da democracia”, afirmou Haddad, referindo-se à entrevista do tucano publicada pelo jornal O Estado de São Paulo neste domingo, na qual diz que o que separa ele de Haddad é uma porta, enquanto ele e o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, estão separados por um muro.

Na entrevista, Fernando Henrique descartou votar em Bolsonaro no segundo turno, mas declarou que quer ouvir o que Haddad tem a dizer antes de definir seu voto.

Haddad afirmou que quer apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em nome da democracia

 
 
Haddad afirmou que quer apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em nome da democracia

Foto: Caio Rocha / Fotoarena / Estadão Conteúdo

“Independentemente do PSDB ser situação ou oposição no próximo governo, se eu for eleito, o mais importante hoje é garantir as liberdades democráticas que estão em risco nesse país, como ele mesmo reconhece”, acrescentou Haddad em coletiva de imprensa após participar de evento em São Paulo.

O petista, no entanto, não elaborou sobre como pretende abrir esta porta. Ao ser questionado se irá procurar o ex-presidente, Haddad não respondeu diretamente.

Fernando Henrique também rejeitou a pressão moral para adesão automática à candidatura petista e disse que gostaria de ouvir quais são as propostas do partido para o país.

“Repito o que eu disse. Se existe uma porta que precisa ser aberta em nome da democracia, como chefe de Estado, como chefe do Executivo, todo mundo tem a obrigação de abrir essa porta para que as forças democráticas se imponham à violência”, disse Haddad.

Segundo ele, uma porta não pode ser um impedimento “para defender o país da ditadura, da tortura, da cultura do estupro”.

Haddad fez um apelo à imprensa para que verifique e questione declarações do seu adversário, o candidato Jair Bolsonaro. Segundo ele, estão ocorrendo muitas ofensas desnecessárias e se “a imprensa não ajudar, essa campanha não vai terminar bem”.

“Não se ganha uma eleição dessa maneira, é ruim para o Brasil. Vamos debater propostas. E tem uma razão para ele não participar de debates, ele não vai poder dizer isso na minha cara. Não vai poder afirmar nada o que afirma pela internet frente a frente e não vai conseguir sustentar”, declarou Haddad.

out
15
Posted on 15-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-10-2018


 

Miguel, no (RS)

 

out
15

Do Jornal do Brasil

Bolsonaro ataca Haddad após petista apagar post

Candidato do PT havia dito que adversário teria votado contra deficientes, mas ele se absteve

  O candidato do PSL à presidência da República, Jair Bolsonaro, publicou neste domingo, 14, no Twitter, uma mensagem na qual ataca o seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, Fernando Haddad (PT), em razão de uma informação falsa que foi publicada pelo petista em seu perfil e depois apagada.

“Após mentir descaradamente que votei contra os deficientes, o marmita de corrupto preso também apagou as acusações como se nada tivesse acontecido. A mentira nunca vencerá a verdade!”, escreveu Bolsonaro.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

O tuíte de Haddad criticava Bolsonaro por supostamente ter votado contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência. A publicação, depois, foi apagada. Procurada, a equipe do petista disse que, na verdade, Bolsonaro se absteve da votação, e que por isso a postagem foi excluída.

“O deputado Jair Bolsonaro votou contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Acredito que ele tenha votado contra por falta de conhecimento. Ele não foi educado para compreender toda a diversidade humana e sua complexidade”, era o que dizia a postagem, antes de ser apagada.

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