Artigo publicado ontem (11/10), na edição impressa da Tribuna da Bahia. Bahia em Pauta reproduz o texto e recomenda a leitura . Vivamente! ( Vitor Hugo Soares, editor)

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ARTIGO/OPINIÃO POLÍTICA

Um tiro no pé

Joaci Góes

 

Ao querido amigo Jutahy Magalhães Júnior, modelo de político.
As oposições na Bahia sofreram a maior derrota eleitoral da nossa história, em razão do seu líder natural, o Prefeito de Salvador, ACM Neto, inesperadamente, desistir de concorrer ao governo do Estado, aos 45 minutos do segundo tempo, apanhando de surpresa o mundo político e seus aliados, quando já não havia a mínima margem temporal para a articulação de um substituto consensual. Disso resultou a escolha solitária, pelo prefeito, ACM Neto, do bem avaliado quatro vezes prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo. Não estão em discussão, portanto, as qualidades administrativas do ex-prefeito feirense para administrar o Estado. Questiona-se sua habilitação para concorrer, no atual contexto, com o dinâmico e bem avaliado candidato à reeleição, Governador Rui Costa. Registre-se que considerado o panorama geral, o desempenho de Zé Ronaldo, ao perder por pouco mais de três milhões e meio de votos acachapantes, poderia ter sido, até, mais modesto.
Entre os mais graduados correligionários de ACM Neto abundam os que pensam que para sua biografia política uma eventual derrota seria preferível à fuga que desagradou a gregos e troianos e fez a festa da trupe governista que elegeu uma bancada estadual e federal superior à inicialmente programada, em prejuízo das bancadas oposicionistas que saíram mais reduzidas do que seria razoável, contando entre as vítimas gente do calibre de Antônio Imbassahy, José Carlos Aleluia, Benito Gama e Tia Eron. Isso sem falar no caso Jutahy que optou por candidatar-se ao Senado no pressuposto da inquestionável candidatura, ao governo, de ACM Neto. Ironia do destino: Juracy Magalhães, avô de Jutahy, foi quem lançou o avô homônimo de Neto na política, que agora contribui para Jutahy encerrar sua honrosa carreira política, como ele diz, com estrepitosa derrota, ainda que muito digna.
Ao sair da frente de batalha para comandar as oposições a partir de uma torre de marfim, ACM Neto priorizou seus interesses pessoais sobre os do conjunto dos aliados, deixando-os atônitos e silenciosamente enraivecidos, a ponto de um político promissor, como o deputado João Gualberto, preferir abandonar uma reeleição certa, ao perceber que sua missão na política era vista como mero provedor de recursos, com possibilidades vitalícias de se candidatar, exclusivamente, a vice-governador. Sobre o tema, o analista político Levy Vasconcellos deu detida conta em veemente artigo em A Tarde do último domingo, quando em curso a votação, concluindo que ACM Neto era o grande perdedor destas eleições.
Uma candidatura combativa, apta a assoalhar o fracasso dos governos petistas, na Bahia, em áreas tão sensíveis como a educação e a segurança pública, teria evitado a tremenda desidratação das oposições, com a mudança para as hostes governistas de uma enxurrada de prefeitos e de candidatos a postos eletivos, podendo levar as eleições a um segundo turno, quando, obra do imprevisível, passariam a ser alavancadas pela aliança com o líder das eleições nacionais, Jair Bolsonaro, francamente favorito a uma grande vitória. Além do próprio prefeito, nomes como os dos deputados Antônio Imbassahy, José Carlos Aleluia, Elmar Nascimento, Arthur Maia e João Gualberto, certamente, seriam mais competitivos para denunciar o péssimo nível educacional praticado na Bahia, estado, também, com os mais altos índices de violência no País, tanto em termos relativos, como absolutos.
Para as oposições na Bahia, o alento vem com a induvidosa eleição de Jair Bolsonaro, candidato que encarna a resistência máxima a um impensável retorno do PT ao poder, partido que afronta a dignidade da maioria do povo brasileiro e a autonomia do Poder Judiciário, assoalhando como seu líder máximo o maior chefe de quadrilha de que se tem notícia na história dos povos. Como já tivemos ocasião de dizer, Jair Bolsonaro não encarna para muitos dos seus eleitores o modelo ideal de líder. No Brasil de hoje, porém, é a ele que os verdadeiros patriotas devem apoiar, no saneador esforço de muitos de impedir que o Brasil siga o curso suicida da Venezuela.
Jovem, inteligente e legitimamente ambicioso como é, ACM Neto dispõe de tempo suficiente para recobrar-se do monumental equívoco que cometeu, ao submeter aos seus interesses, de modo personalíssimo, projetos e desejos dos aliados que nele tanto confiaram, na contramão do preceito que ensina que liderar, em ambiente democrático, significa canalizar os anseios dos liderados, imprimindo coesão sinérgica à necessária diversidade de pensamento.

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