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ARTIGO

DEMOCRATAS NÃO ALINHADOS DIANTE DA URNA

 

Paulo Fábio Dantas Neto

 

A imprensa anuncia que o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso encabeça, a quatro dias do primeiro turno das eleições, um manifesto reiterando apoio à candidatura de Geraldo Alckmin. Um olhar apressado sobre esse gesto poderá julgá-lo tardio, inócuo, ou algo assim, porque a parada travada, nesse primeiro turno, no campo do antipetismo, já parece ter sido vencida por Jair Bolsonaro. O ex-governador de São Paulo não mostra mais chance de chegar ao segundo turno. Uma parte do que estamos assistindo nos últimos dias (e que alguns já chamam de “onda Bolsonaro”) é resultado da percepção de eleitores e eleitoras anti petistas ainda indecisos de que “precisam” correr o risco de seguir o capitão para tentar evitar o que consideram ser o risco maior: o retorno do PT ao governo.

Tudo isso é real mas não quer dizer que o manifesto de FHC é inócuo. Muito pelo contrário, esse manifesto e as ações eleitorais que podem se associar a ele (inclusive no amplo horário eleitoral do candidato tucano) podem evitar que ocorra com Alckmin, nesses últimos dias da campanha, o que ocorreu com Marina a partir do momento em que o PT oficializou a candidatura de Haddad. Se metade ou um pouco mais dos 8, 9 ou 10% de eleitores que, segundo as pesquisas de intenção de voto, ainda pretendem votar no tucano, rumarem em direção a Bolsonaro, esse último pode conseguir o que lhe falta para alcançar o que há alguns dias parecia (inclusive a mim) um delírio: vencer as eleições no primeiro turno. Ajudar a evitar isso talvez seja a essa altura a contribuição positiva possível do PSDB nesse processo depois dos equívocos em série que o partido cometeu. FHC e os que o acompanham nessa declaração política parecem estar lendo com lucidez a gravidade do momento. Tomara que seus liderados o ouçam.   

Porém, a luta mais decisiva a ser resolvida até domingo é no outro campo. Será travada em torno de quem será o adversário de Bolsonaro no segundo turno. Nove entre dez analistas acreditam que essa parada também já está decidida e que essa pessoa será Fernando Haddad, o candidato do PT. Reconheço o realismo dessas análises pois elas se baseiam também no que pesquisas do Ibope e Datafolha estão dizendo. Mas antes de dar o assunto por encerrado convém apurar a vista e ver o que as pesquisas desses dois institutos passaram a sugerir após o último fim de semana: “nova onda” Bolsonaro, que o fez voltar a crescer depois de semanas de estabilização e um aumento exponencial da rejeição a Haddad, além da interrupção do crescimento de intenções de voto dirigidas a ele. Agora o capitão está cerca de dez pontos à frente do petista e as rejeições a ambos encontram-se em empate técnico.

É razoável pensar que o novo alento nas intenções de voto em Bolsonaro resulta só da sua disputa com Alckmin pelos votos do campo “azul”? Os números estáveis nas intenções de voto e na rejeição do tucano mostram que não. Mais sensato pensar que o capitão ganhou novo fôlego com ajuda de movimentos ocorridos no campo “vermelho”. Refiro-me ao crescimento rápido de Haddad com um discurso que promete retorno aos tempos de Lula. Refiro-me também ao conteúdo das mensagens do movimento “elle não”. Como porta-voz de Lula se expôs sem autocrítica e ainda por cima veiculando a obscura proposta da “Constituinte exclusiva”, sacada por Dilma Rousseff, em 2013, para não enfrentar o que então se cobrava nas ruas, do governo e dos políticos. Esse coquetel retrô atiçou o pânico antipetista. Quanto ao movimento antiBolsonaro concentrou-se em pautas identitárias e não na crítica à aversão do capitão à democracia e ao pluralismo político. A opção foi apostar na polarização e não num conteúdo cívico que buscasse consensos democráticos contra o autoritarismo. Não se trata de desqualificar as pautas identitárias, que merecem simpatia e apoio dos democratas. Mas manifestações afirmativas em torno de temas ligados a costumes atiçaram o pânico do conservadorismo que notoriamente cresceu na sociedade brasileira de 2014 para cá. E isso num momento eleitoral em que o PT crescia. Então, antipetismo político e/ou conservadorismo comportamental parecem ser os fermentos da nova onda que está fazendo mais e mais indecisos decidirem-se por Bolsonaro.

Eleitoras e eleitores antibolsonaristas (simpatizantes ou não do PT) têm até domingo para decidirem qual cenário de segundo turno favorece o objetivo de derrotar o capitão. Podem continuar seguindo o script da campanha de Haddad, de unir o que ele chama de campo “democrático e popular” contra quem não for as duas coisas ao mesmo tempo. Devem preparar-se para uma guerra de fim de mundo no segundo turno, apostando na militância atuante e no mito Lula para fazerem prevalecer as “verdadeiras” justiça e democracia. Espero que todos estejamos atentos a dois fatos: o primeiro é que dessa vez o campo oposto a esse também possui militância, mito e a “sua” verdade. O segundo é que mesmo que a esquerda possa vencer a eleição, o governo terá que ser compartilhado com quem não é do “campo popular” e à frente desse governo não estará o mito e sim alguém que tateia em usar o mito como biombo e máscara. Quem quiser tem direito de apostar, mas não de alegar depois que não sabia dos riscos.

O caminho alternativo é apostar na reunião de diversos tipos de democratas para enfrentar o discurso obscurantista com que Bolsonaro e seu mal ajambrado grupo se dirige ao país. Para começo de conversa esse caminho implicará em compromisso inabalável com a Constituição, que os dois candidatos até aqui mais bem situados nas pesquisas querem ou sugerem revogar. Em segundo lugar – mas não menos importante – esse caminho significa não tratar os eleitores de Bolsonaro no primeiro turno como se fosse um exército de inimigos. Compreender que a grande maioria de muitos milhões de eleitores que estão hoje fazendo essa opção, fazem-na não porque são fascistas, homofóbicos, racistas ou coisa que o valha e sim porque estão assustados com o que consideram ser o “mal maior”. Portanto, são eleitores que precisam e podem ser reconquistados por uma campanha democrática, para que possam voltar a apostar na democracia que temos. Não se pode sequer estigmatizá-los, de modo arrogante e simplório, como “coxinhas”.  Não se derrota intolerância senão com respeito genuíno a todas as diferenças, sem exceção.

Minha percepção – e modestamente, realisticamente, ponho-a assim, como apenas uma percepção – é que uma campanha de segundo turno liderada por um candidato do PT não poderá produzir esse desarmamento moral, tão necessário para que tenhamos paz. Por outro lado, a candidatura de Ciro Gomes ainda pode acenar a quem não se alinhou para uma guerra. Pensar nessa opção não é ir contra Haddad – nem contra o prefeito de ontem nem contra o candidato que hoje, constrangidamente, contradiz o perfil daquele. Também não é porque se possa ter em Ciro alguém mais talhado a nos “salvar”.  São muitas as incertezas que essa opção encerra. Mas, a meu ver, menores. Logo, é uma perspectiva.  É interessante pensar o seguinte: esse candidato, que está longe de ser um candidato à unanimidade, é o único que conserva, em meio à tempestade, a possibilidade de falar, ao mesmo tempo, a quem teme Bolsonaro e a quem teme o PT. Aos primeiros pode dizer que é opção mais segura do que Haddad pra enfrentar o capitão; aos segundos pode se apresentar como a possibilidade de tirar o PT do segundo turno.

Pela situação objetiva que a disputa eleitoral coloca, a possibilidade de termos um segundo turno em que não se precise fazer a opção desesperada entre um cálice de vinho tinto de sangue e um pote até aqui de mágoa não é algo que se possa apresentar como provável.  Mas – data vênia aos já alinhados, a quem também não nego por isso a condição de democratas –  é o que os não alinhados têm a fazer até o dia 7.  Depois do dia 7, caso o quadro insinuado hoje se mantenha, é aceitar o cardápio hard, que terá sido a vontade do soberano. 

Paulo Fabio Dantas Neto é Cientista político e professor da UFBa, que escreve no Bahia em Pauta.

“Transparências”, Nara Leão: música, poesia e voz em doce harmonia, para amenizar o tempo de confrontos e desencontros a caminho das urnas  da eleições de domingo. Calma, que ainda não será i fim do mundo. Música no prato, maestro.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Janela em São Paulo com cartaz em apoio a Bolsonaro.
Janela em São Paulo com cartaz em apoio a Bolsonaro. Andre Penner AP

 

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, 3 de outubro, mostrou um cenário estável na corrida eleitoral após o instituto registrar uma melhora da performance de Jair Bolsonaro na última segunda-feira. O candidato do PSL que tinha 31% no levantamento anterior agora aparece com 32%, oscilando dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais. O mesmo aconteceu com Fernando Haddad, do PT, que oscilou positivamente dois pontos: de 21% para 23%. Ciro Gomes, do PDT, oscilou um ponto para baixo (de 11% para 10%), mas é o único que vence Jair Bolsonaro no segundo turno, por 46% a 39%. Em todas as demais simulações, há empate técnico entre os competidores.

O Ibope entrevistou 3.010 eleitores entre primeiro e 2 de outubro em sua segundo levantamento para a reta final do primeiro turno, que acontece em 7 de outubro. Apesar da estabilidade dentro da margem de erro, Bolsonaro segue com tendência de alta, o que deve manter as campanhas adversárias em estado de alerta. Há semanas o campanha do PSL estimula, até mesmo com pesquisas falsas, a ideia de que o deputado federal pudesse levar a eleição já no primeiro turno. Antes tido como descartado, o cenário começou a ser considerado como possível, ainda que improvável, com os números do Ibope de segunda e do Datafolha da terça-feira. O mercado financeiro viveu dois dias de euforia com a possibilidade de a extrema direita liquidar a disputa já no próximo domingo. “A frequência das pesquisas Datafolha e Ibope revela uma volatilidade grande. Então todo resultado novo precisa ser interpretado com cautela”, diz Andrei Roman, da consultoria Atlas Político. “Os resultados dessa pesquisa vão diminuir a especulação em relação a uma possível vitória do Bolsonaro no primeiro turno”, avalia Roman.

Outra cifra acompanhada com lupa nesta reta final é a rejeição aos candidatos –quando o eleitor diz que não votaria de jeito nenhum no nome apresentado pelo entrevistador– porque pode ser decisiva no segundo turno. Neste quesito, Bolsonaro segue liderando, mas o rechaço ao capitão oscilou para baixo dois pontos de 44% para 42%. Os petistas, que se mostraram alarmados com a alta rápida da rejeição de Haddad no levantamento anterior também ganharam um alento: o rechaço ao ex-prefeito de São Paulo de 38% para 31%.

A reta final da campanha terá pesquisas praticamente diárias. Nesta quinta-feira, data do último debate dos presidenciáveis na TV Globo, é a vez de o Datafolha divulgar novos números. Bolsonaro disse que não vai ao debate e citou que o veto é uma recomendação média. O líder das pesquisas se recupera em sua casa, no Rio de Janeiro, de um atentado a faca sofrido em 6 de setembro.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

INTENÇÃO DE VOTO

(Entre parênteses o índice de cada candidato na pesquisa anterior, divulgada no dia 2 de outubro).

Jair Bolsonaro (PSL): 32% (31%)

Fernando Haddad (PT): 23% (21%)

Ciro Gomes (PDT): 10%(11%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 7% (8%)

Marina Silva (Rede): 4%(4%)

João Amoêdo (Novo): 2%(3%)

Alvaro Dias (Podemos): 1%(2%)

Henrique Meirelles (MDB): 2% (2%)

Guilherme Boulos (PSOL): 0%(1%)

Cabo Daciolo (Patriota): 1%(0%)

Branco/nulos: 11% (12%)

Não sabe/não respondeu: 6% (5%)

REJEIÇÃO AOS CANDIDATOS

Jair Bolsonaro (PSL): 42% (44%)

Fernando Haddad (PT): 37% (38%)

Marina Silva (Rede): 23% (25%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 17% (19%)

Ciro Gomes (PDT): 16% (18%)

Poderia votar em todos: 3% (2%)

Não sabe/não respondeu: 7% (6%)

SEGUNDO TURNO

Ciro Gomes (46%) X Bolsonaro (39%) – Branco/nulo (13%)/Não sabe (3%)

Geraldo Alckmin (41%) X Bolsonaro (40%) – Branco/nulo (16%)/Não sabe (3%)

Haddad (43%) X Bolsonaro (41%) – Branco/nulo (12%)/Não sabe (3%)

Bolsonaro (43%) X Marina Silva (39%) – Branco/nulo (16%)/Não sabe (2%)

DO BLOG O ANTAGONISTA

 

Por Claudio Dantas

Na conversa com O Antagonista em que defendeu o voto útil, Jair Bolsonaro também comentou o fracasso do movimento #elenão, convocado por mulheres de esquerda.

“Olha as fotografias dessas mulheres. É mulher com peito de fora, homem pelado escrito nas nádegas, bandeiras de minorias ativistas. Não tem como dar certo.”

Bolsonaro aproveitou para ironizar as críticas ao general Mourão.

“Veja a vice do Haddad pedindo voto daquela funkeira. Nenhum problema com os 140kg dela, mas ela falando ‘cospe na minha cara’. Ninguém aguenta isso. Se dizem que o meu vice pisou na bola, a vice do Haddad caiu de cara na bola.”

Segundo o Datafolha de ontem, o presidenciável ultrapassou Fernando Haddad no eleitorado feminino.

Abaixo, o vídeo de Manuela D’Ávila pedindo votos para Mc Carol:

A poucos dias da eleição

out
04

 Yuri Silva

 

O ex-ministro e ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT) afirmou que o perfil do presidenciável do PDT, Ciro Gomes, “por ser um cara mais aguerrido, mais intempestivo”, poderia contemplar melhor a expectativa dos eleitores que preferem um candidato à Presidência da República com “um perfil retado, que bata na mesa”.

Wagner, que chegou a ser cotado para substituir na disputa presidencial de 2018 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) após condenação pela Operação Lava Jato, sempre se declarou contra o lançamento de um candidato próprio do PT ao Planalto em caso de indeferimento da postulação do líder petista. A opinião provocou críticas a ele no partido.

Ex-ministro Jaques Wagner

 Ex-ministro Jaques Wagner

Foto: Agência Brasil

A declaração, dada a jornalistas nesta terça-feira, 2, durante o debate entre os candidatos a governador do Estado, na TV Bahia, afiliada da TV Globo, foi uma resposta à reportagem do Estado, que questionou Wagner se o crescimento do candidato Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas aponta que ele estava certo ao se opor a uma candidatura própria do seu partido.

“Não sou engenheiro de obras prontas. Eu dei minha opinião, ela foi vencida, acabou, eu abracei a tese do time e estamos caminhando. Não dá para fazer especulação”, disse o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff (PT). “Agora, evidentemente que o perfil do Ciro, por ser um cara mais aguerrido, mais intempestivo, pode ser que ele contemplasse mais essa expectativa (…) por um perfil retado, que bata na mesa”, afirmou.

Apesar da afirmação, Jaques Wagner pregou que o presidenciável do PT, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação Fernando Haddad, “vai ganhar a eleição no segundo turno”. Para o ex-governador, “na hora da urna, o equilíbrio prevalece”.

Ele afirmou ainda que não será ministro em um eventual governo petista de Haddad. “Eu serei senador. Não estou recusando. Eu tenho contribuição a dar e acho que o papel do Senado e do parlamento é muito importante agora. Eu não me elegi para ser ministro”, disse Wagner, que lidera com ampla vantagem as pesquisas de intenção de votos feitas pelo Ibope para medir quem deve ser eleito para as duas vagas baianas no Senado. “Não vou recuar, vocês me conhecem”, disse.

out
04
Posted on 04-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-10-2018



 

 Sinovaldo, no (Porto Alegre)

 

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Posted on 04-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-10-2018

Do  Jornal do Brasil

Um dos mais próximos amigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ex-chefe de gabinete dele na Presidência da República, o engenheiro agrônomo Xico Graziano decidiu deixar o PSDB e apoiar Jair Bolsonaro (PSL) na corrida ao Palácio do Planalto nas eleições 2018.

“Venho tendo divergências com o PSDB desde o fim da eleição de 2014. Fui virando um patinho feio no partido. Achei um erro questionar a eleição daquele ano e depois tirar a Dilma (Rousseff) sem tirar o Temer. Meu voto agora será anti-PT”, disse Graziano à reportagem.

Ex-deputado federal pelo PSDB, Graziano também foi secretário de Meio Ambiente de José Serra no governo paulista. Em 2014, foi um dos coordenadores da área digital da campanha de Aécio Neves.

Macaque in the trees
Fernando Henrique Cardoso (Foto: Divulgação)

Ele foi também um dos principais diretores do Instituto Fernando Henrique. “Mantenho a admiração e a amizade com o ex-presidente. Tenho relações pessoais com ele até hoje. Nos vemos toda semana”, disse o agora ex-tucano.

Questionado se não há constrangimento em apoiar um candidato que sugeriu “fuzilar” FHC quando ele era presidente, Graziano minimizou. “Eu estava lá (no governo) quando ele disse isso. Não é o caso de levar ao pé da letra. Conheço o Bolsonaro. Nunca tive nada contra ele do ponto de vista moral”.

O ex-deputado, porém, evita falar sobre como o amigo recebeu a sua decisão e não se arrisca a dizer quem FHC vai apoiar no segundo turno, caso Geraldo Alckmin (PSDB) não chegue lá.

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