Bahia em Pauta traz para este seu espaço principal de informação e opinião, o texto postado por Lucia Jacobina na área de comentários do BP , a propósito da notícia da morte de Charles Aznavour, na madrugada triste deste domingo, no sul da França. Um depoimento formidável (“formidable”, como diriam os franceses) e completo: informação, inteligência, cultura, vivencia e emoção em texto ágil e extremamente bem escrito, como é próprio da autora, colaboradora do BP e cidadã do mundo nascida na Bahia. Leia (ou releia) e comprove.

(Vitor Hugo Soares, editor do Bahia em Pauta)

 

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Ver (e  ouvir) Aznavour em Barcelona: gratas surpresas de viagem

A morte de Charles Aznavour representa uma lamentável perda para a França, onde nasceu, para a Armênia, terra de seus antepassados e para todos os seus fãs, inclusive eu, sua admiradora incondicional!

Vê-lo ao vivo no Teatro do Liceu, em Barcelona, em junho de 2014, foi uma dessas boas surpresas que as viagens podem trazer. Estava eu circulando pelas Ramblas com uma amiga, quando me deparei com o anuncio de sua apresentação naquela cidade dois dias depois. Fomos direto à bilheteria e compramos os últimos ingressos. Na noite do show assistimos ele cantar por duas horas e, ao final, ser aplaudido de pé pelo público que lotava o teatro.

Aznavour mostrou seu talento em várias áreas. Era um show man, verdadeiro gigante no palco; além de cantor foi também compositor dos mais importantes da canção francesa; além disso, como ator também nos deixou participações inesquecíveis, no cinema, principalmente no filme “Atire no Pianista”, de François Truffaut.

E como você bem lembrou, Vitor, a dedicação de Aznavour a Armênia, o coloca como um artista engajado com as causa de seus antepassados, representantes de um povo martirizado pelos turcos, cujo deplorável episódio da história mundial está muito bem descrito no filme de Elias Kazan, “Sonho de uma Terra Distante”. Essa atuação humanitária e política em prol dos refugiados armênios no mundo torna-se mais relevante, principalmente neste momento em que vivenciamos novamente a tragédia das migrações de pessoas fugindo de massacres, guerras e desastres em sua terra de origem. E nos faz lembrar que os pais de Aznavour estavam em Paris apenas enquanto aguardavam um visto para a América, jamais obtido, quando nasce o pequeno Charles,
numa maternidade da rua d’Assas, em Saint Germain des Près, na capital francesa. Curiosamente, esse filho de refugiados vai-se tornar uma das personalidades mais eminentes do seu tempo e vai contribuir para a glória e a difusão da cultura francesa.

Essas circunstâncias aqui descritas me fazem relembrar a minha primeira passagem por Paris, no inverno de 1978 e um encontro casual que tive com um imigrante armênio ali radicado, durante o almoço num bistrô da Rue Royale, que me deixou uma sensação de gentileza e acolhimento numa cidade que é famosa por não tratar bem aos visitantes. Sentados lado a lado no balcão à espera de uma breve refeição, certamente o meu sotaque deixou o elegante vizinho curioso e ele resolveu me perguntar sobre minha nacionalidade e eu lhe respondi que era brasileira. Daí, ele se apresentou, disse que era arménio, mas atualmente vivia com sua esposa e filhos em Paris e tinha um parente que conhecia o Brasil. Conversamos mais um pouco e, no final, com a ajuda do proprietário, ambos me convenceram a degustar um “crêpe suzette”, sob a alegação de que eu não poderia deixar Paris sem provar sua famosa iguaria. Dessa forma, fiquei conhecendo a sobremesa que o proprietário gentilmente preparou e me serviu de cortesia.

Assim como as maravilhosas canções de Aznavour, essa especialmente em homenagem aos armênios mesclada ao sabor do crêpe suzette, que me foi apresentado por um armênio habitante de Paris, trazem para essa minha tarde de evocação e saudade uma doçura inesperada.

Lúcia Leão Jacobina Mesquita é ensaísta e autora de “Aventura da Palavra”.

 

 

 

 

 

 

“She”: formidável Charles Aznavour, voz e veia da canção romântica da França e do mundo, que nos deixa. Provavelmente nunca outro igual.

A linda canção vai dedicada à doutora Natascha, sobrinha e afilhada mais que amada de Margarida, amiga do peito do deste editor do Bahia em Pauta. que a saúda e homenageia com esta música que ela ama, pelo importante novo passo de ascensão em sua carreira médica e acadêmica, conquistado ontem, brilhantemente, em São Paulo.

Saudades de Aznavour, beijos e abraços de parabéns em Natascha.

BOM DIA!!!

 

(Vitor Hugo Soares)   

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, segue líder de intenções de voto
O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, segue líder de intenções de voto NELSON ALMEIDA AFP

 

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, atestou não só a resiliência de seu eleitorado como viu crescer suas intenções de voto a 31% na pior semana de sua campanha desde o atentado a faca que sofreu em 6 de setembro. É o que mostra pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, 1º, após reportagens negativas na imprensa e uma massiva marcha no sábado, 29, liderada por mulheres em todos os estados do país, gritando #EleNão. De acordo com a CEO do Ibope, Márcia Cavallari, o capitão reformado apresentou crescimento de 6% entre o eleitorado feminino. O levantamento trouxe, ainda, notícias negativas para o candidato Fernando Haddad (PT), que oscilou negativamente – de 22% para 21% – em relação ao último Ibope encomendado pela TV Globo e pelo jornal O Estado de S.Paulo e divulgado no dia 24 de setembro. A rejeição ao petista subiu de 30% para 38% e ele voltou a empatar com Bolsonaro em um eventual segundo turno.a Bolsonaro na TV aberta.

O levantamento foi realizado poucos dias após reveses importantes em sua campanha. Reportagem da revista Veja de quinta-feira, 27, revelou que a ex-mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, o havia acusado de ocultação de patrimônio, recebimento de pagamentos não declarados e do furto de um cofre – além de ter dito que o candidato tem um comportamento “agressivo” – durante o processo de separação. Na terça-feira, o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria segundo a qual Cristina disse ao Itamaraty, em 2011, que se mudou para Noruega porque havia sido ameaçada de morte pelo ex-marido. Procurada após as publicações, Cristina disse que mentiu na época.

O eleitorado de Bolsonaro resistiu, ainda, ao fogo amigo sofrido pelo candidato, também na última semana, quando seu candidato a vice, o general Hamilton Mourão, chamou o 13º salário de uma “jabuticaba brasileira”. O capitão teve que rebater a declaração do leito do hospital, onde ainda estava internado: Criticar o 13º salário “além de uma ofensa à quem trabalha, confessa desconhecer a Constituição”. Bolsonaro ainda desafiou explicitamente a autoridade eleitoral brasileira ao afirmar, em entrevista ao programa policial de José Luis Datena, na TV Bandeirantes, que não aceitaria qualquer resultado diferente da eleição dele. Durante o fim de semana, o candidato baixou o tom do discurso e disse que sua chapa vai ganhar no primeiro turno: “A diferença será tão grande que será impossível qualquer possibilidade de fraude”.

Segundo turno

Além do crescimento de intenções de voto no primeiro turno, Bolsonaro voltou a empatar com o segundo colocado nas pesquisas, Fernando Haddad, na simulação de segundo turno. No Ibope anterior, do dia 24, o petista estava em vantagem na disputa (43% a 37%). No levantamento divulgado hoje, os dois candidatos aparecem com 42% das intenção de voto. A eleição parece que será decidida em uma batalha de rejeições, altas em ambos os casos. Segundo o Ibope, 44% dos eleitores não votariam em Bolsonaro e 38%, em Haddad.

Na simulação de segundo turno entre o capitão reformado e Ciro Gomes (PDT), o primeiro tem 39% das intenções de voto e o segundo, 45%. Geraldo Alckmin do PSDB também venceria a segunda etapa da disputa, por 42% a 39%. Já Marina Silva (Rede), perderia de Bolsonaro de 43% a 38%.

A pesquisa ouviu 3.010 eleitores em 208 municípios, entre os dias 29 e 30 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

INTENÇÃO DE VOTO

(Entre parênteses o índice de cada candidato na pesquisa anterior, divulgada no dia 24 de setembro).

Jair Bolsonaro (PSL): 31% (28%)

Fernando Haddad (PT): 21% (22%)

Ciro Gomes (PDT): 11% (11%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 8% (8%)

Marina Silva (Rede): 4% (5%)

João Amoêdo (Novo): 3% (3%)

Alvaro Dias (Podemos): 2% (2%)

Henrique Meirelles (MDB): 2% (2%)

Guilherme Boulos (PSOL): % (1%)

Cabo Daciolo (Patriota): 1% (0%)

Branco/nulos: 12% (12%)

Não sabe/não respondeu: 5% (6%)

REJEIÇÃO AOS CANDIDATOS

Jair Bolsonaro (PSL): 44% (46%)

Fernando Haddad (PT): 38% (30%)

Marina Silva (Rede): 25% (25%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 19% (20%)

Ciro Gomes (PDT): 18% (18%)

Poderia votar em todos: 2% (2%)

Não sabe/não respondeu: 6% (7%)

SEGUNDO TURNO

Ciro Gomes (45%) X Bolsonaro (39%) – Branco/nulo (13%)/Não sabe (3%)

Geraldo Alckmin (42%) X Bolsonaro (39%) – Branco/nulo (17%)/Não sabe (3%)

Haddad (42%) X Bolsonaro (42%) – Branco/nulo (14%)/Não sabe (3%)

Bolsonaro (43%) X Marina Silva (38%) – Branco/nulo (17%)/Não sabe (2%)

out
02
Posted on 02-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-10-2018

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, vetou na noite desta segunda-feira os pedidos de entrevista ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitos por Florestan Fernandes Júnior, apresentador do programa Voz Ativa, da Rede Minas, e colaborador do EL PAÍS, e Mônica Bergamo, da Folha. Em sua decisão, Toffoli ordena que seja cumprida a decisão do ministro Luiz Fux sobre o tema e contraria o Ricardo Lewandowski, que trava um cabo de guerra com seu colega de tribunal.

Lewandowski havia autorizado na semana passada que Fernandes e o jornal Folha de S.Paulo conversassem com Lula, preso na sede da Polícia Federal em Curitiba desde abril: “Não raro, diversos meios de comunicação entrevistam presos por todo o país, sem que isso acarrete problemas maiores ao sistema carcerário”, escreveu em seu despacho. Na noite de sexta-feira, Fux derrubou a decisão liminar. Em resposta, na manhã desta segunda-feira, Lewandowski derrubou a liminar e atendeu a um novo pedido de Fernandes, assim como da Folha.

“Reafirmo a autoridade e vigência da decisão que proferi na presente reclamação para determinar que seja franqueado, incontinenti, ao reclamante e à respectiva equipe técnica, acompanhada dos equipamentos necessários à captação de áudio, vídeo e fotojornalismo, o acesso ao ex-presidente”, escreveu o ministro. Lewandowski aproveitou o despacho desta segunda-feira para criticar de forma dura o colega. “Com efeito, o pronunciamento do referido ministro [Fux], na suposta qualidade de presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, incorreu em vícios gravíssimos”, escreveu. Para ele, Fux cometeu em “inescusáveis erros”.

Toffoli resolveu então intervir. Diante do questionamento do ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, sobre qual decisão teria efeito, ordenou que a decisão válida era a de Fux e vetou a entrevista ao ex-presidente. Também determinou que o plenário delibere sobre os pedidos de entrevista.

Fundamentos legais e decisões monocráticas

Na decisão que barrou a entrevista da Folha, o ministro Fux concedeu liminar a um pedido do Partido Novo que mencionava exclusivamente o jornal. Ele alegou que “há elevado risco de que a divulgação de entrevista com o requerido Luiz Inácio Lula da Silva, que teve seu registro de candidatura indeferido, cause desinformação na véspera do sufrágio, considerando a proximidade do primeiro turno das eleições”. Determinou também que, caso a entrevista já tivesse sido feita, não poderia ser publicada — isto é, ordenou sua censura prévia. A defesa de Fernandes rebateu, e disse que que não caberia nenhuma legenda querer suspender decisões liminares. Além disso, a decisão de Fux mencionava apenas o pedido feito pela Folha, logo “a decisão proferida nos autos, de lavra do ministro Luiz Fux não trata da presente reclamação constitucional”, escreveram os advogados do jornalista. Posteriormente o Novo também entrou com representação contra a entrevista a Fernandes.

No documento em que pedem a manutenção da entrevista, os defensores do colaborador do EL PAÍS alegaram também que “em primeiro, é de se ressaltar que não cabe à Presidência do Supremo Tribunal Federal, substituto ou não, o conhecimento dos pedidos de suspensão de decisões proferidas pelos demais ministros”, diz o documento assinado pelos advogados Cezar Britto, Paulo Freire e Cláudio Souza.

Lula está preso desde abril após ser condenado pela Justiça de segundo grau por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato. Nesta segunda-feira pela manhã, em um evento, Lewandowski chegou a criticar a atitude de Fux, sem no entanto citar seu nome. Em evento realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo o ministro afirmou que “essa decisão censurou um dos mais importantes veículos de comunicação do Brasil, impedindo que fizesse uma entrevista com um ex-presidente da República”.

O enfrentamento velado entre os dois ministros fez com que o presidente da Corte, Dias Toffoli, afirmasse que o ideal é que as decisões monocráticas (tomadas por um só magistrado) não tenham “longa vida”, e que sejam rapidamente discutidas pelo plenário – onde todos os magistrados participam.

Gleisi dá o tom da resposta petista

 

Gleisi Hoffmann já foi ao Twitter divulgar o “argumento” que todos os petistas repetirão sobre a delação de Antonio Palocci.

“Moro divulga para imprensa parte da delação de Palocci. Não podia deixar de participar do processo eleitoral! A ação política é da sua natureza como juiz. Vai tentar pela enésima vez destruir Lula. Tudo que consegue é a autodestruição”, escreveu a presidente do PT.

out
02
Posted on 02-10-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 02-10-2018



 

Sponholz, no

 

Do Jornal do Brasil

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, afirmou nesta segunda-feira (1º), que os resultados das eleições devem ser respeitados, independentemente de quem sejam os eleitos. “A função do STF é deixar a soberania popular falar”, disse o ministro durante debate na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) sobre os 30 anos da Constituição Federal.

A declaração do ministro foi dada dias depois de o candidato do PSL a presidente, Jair Bolsonaro, ter dito que não vai aceitar um resultado diferente da sua vitória, em entrevista ao apresentador de TV José Luiz Datena, da Band. No último domingo (30), em entrevista a “O Globo”, Bolsonaro afirmou que em caso de derrota “não terá nada para fazer”.

Macaque in the trees
Dias Toffoli (Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Toffoli quis deixar claro também que não vai pautar “causas polêmicas” no plenário do Supremo durante o período eleitoral. “Este é o momento para o povo refletir, para o povo votar”, defendeu.

O presidente do STF dá o seu recado após o ministro Luiz Fux ter cassado decisão do ministro Ricardo Lewandowski que havia autorizado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, a dar entrevistas a jornalistas. A decisão de Fux vale até o julgamento do caso pelo plenário da Suprema Corte, que poderá referendar ou não o posicionamento do ministro. Ainda não há previsão de quando o processo será apreciado pelos 11 ministros da Corte.

Debate

No debate, Toffoli também fez uma defesa ao diálogo que a política proporciona para a busca por maiorias e consensos, em detrimento de conflitos armados. “Como disse Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe, clássico da literatura política no Renascimento, política é melhor do que guerra”, disse o ministro.

“O Estado Democrático de Direito se sustenta na pluralidade, no respeito ao outro”, afirmou Toffoli. “Temos de formar consensos ou maiores para superar dificuldades, há uma necessidade de se pensar o Brasil como um todo e não como um dado fragmentado”, disse em seguida, numa crítica também à fragmentação do sistema partidário brasileiro, que, para ele, é uma barreira aos consensos.

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