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Do El País
Madri 
Charles Aznavour
Aznavour em um show em 2017. ERIC FEFERBERG AFP

 

Charles Aznavour, o último gigante da música francesa do século XX, faleceu na madrugada desta segunda-feira aos 94 anos no sul da França, anunciaram seus porta-vozes à agência AFP. O cantor francês mais conhecido internacionalmente —responsável por clássicos como She, eternizado no filme Um Lugar chamado Notting Hill— vendeu mais de 100 milhões de discos ao longo de oito décadas de uma carreira excepcional que manteve ativa até o fim da vida. Sua trajetória artística compõe-se de mais de 1.200 canções e quase 300 discos. Ele ainda compunha todos os dias e pretendia atuar no dia 26 de outubro em Bruxelas.

Conhecido como “o Frank Sinatra da França”, ele conseguiu fama mundial apesar de ter uma voz e um físico atípicos. A Bohème, A Mamma e Emmenez-moi figuram entre suas canções mais destacadas de um repertório de marcado tom nostálgico. Compôs, além disso, para artistas como Edith Piaf e, como ator, participou de 80 filmes. 

Essa efervescência fazia parte de sua natureza, segundo afirmou em uma entrevista a EL PAÍS. “Inspira-me tudo: a televisão, a rádio, os livros… Como não tenho imaginação, apanho o que vejo. Há gente que a tem e, no entanto, não é capaz de escrever uma canção”. A um artista, considera, inspiram-no por igual as penas e as alegrias. “Embora é verdade que não há tantas canções felizes como tristes”, assegurava o embaixador da música francesa. 

O cantor cresceu arraigado às origens de seus pais, armênios, que tiveram que fugir do genocídio. À história de seus progenitores e à de tantos milhões de pessoas vai dedicada a canção com a que habitualmente costumava começar seus recitais há décadas, Lhes émigrants (Os imigrantes).

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Comentários

Lucia Jacobina on 1 outubro, 2018 at 17:30 #

A morte de Charles Aznavour representa uma lamentável perda para a França, onde nasceu, para a Armênia, terra de seus antepassados e para todos os seus fãs, inclusive eu, sua admiradora incondicional!

Vê-lo ao vivo no Teatro do Liceu, em Barcelona, em junho de 2014, foi uma dessas boas surpresas que as viagens podem trazer. Estava eu circulando pelas Ramblas com uma amiga, quando me deparei com o anuncio de sua apresentação naquela cidade dois dias depois. Fomos direto à bilheteria e compramos os últimos ingressos. Na noite do show assistimos ele cantar por duas horas e, ao final, ser aplaudido de pé pelo público que lotava o teatro.

Aznavour mostrou seu talento em várias áreas. Era um show man, verdadeiro gigante no palco; além de cantor foi também compositor dos mais importantes da canção francesa; além disso, como ator também nos deixou participações inesquecíveis, no cinema, principalmente no filme “Atire no Pianista”, de François Truffaut.

E como você bem lembrou, Vitor, a dedicação de Aznavour a Armênia, o coloca como um artista engajado com as causa de seus antepassados, representantes de um povo martirizado pelos turcos, cujo deplorável episódio da história mundial está muito bem descrito no filme de Elias Kazan, “Sonho de uma Terra Distante”. Essa atuação humanitária e política em prol dos refugiados armênios no mundo torna-se mais relevante, principalmente neste momento em que vivenciamos novamente a tragédia das migrações de pessoas fugindo de massacres, guerras e desastres em sua terra de origem. E nos faz lembrar que os pais de Aznavour estavam em Paris apenas enquanto aguardavam um visto para a América, jamais obtido, quando nasce o pequeno Charles,
numa maternidade da rua d’Assas, em Saint Germain des Près, na capital francesa. Curiosamente, esse filho de refugiados vai-se tornar uma das personalidades mais iminentes do seu tempo e vai contribuir para a glória e a difusão da cultura francesa.

Essas circunstâncias aqui descritas me fazem relembrar a minha primeira passagem por Paris, no inverno de 1978 e um encontro casual que tive com um imigrante armênio ali radicado, durante o almoço num bistrot da Rue Royale, que me deixou uma sensação de gentileza e acolhimento numa cidade que é famosa por não tratar bem aos visitantes. Sentados lado a lado no balcão à espera de uma breve refeição, certamente o meu sotaque deixou o elegante vizinho curioso e ele resolveu me perguntar sobre minha nacionalidade e eu lhe respondi que era brasileira. Daí, ele se apresentou, disse que era arménio, mas atualmente vivia com sua esposa e filhos em Paris e tinha um parente que conhecia o Brasil. Conversamos mais um pouco e, no final, com a ajuda do proprietário, ambos me convenceram a degustar um “crêpe suzette”, sob a alegação de que eu não poderia deixar Paris sem provar sua famosa iguaria. Dessa forma, fiquei conhecendo a sobremesa que o proprietário gentilmente preparou e me serviu de cortesia.

Assim como as maravilhosas canções de Aznavour, essa especialmente em homenagem aos armênios mesclada ao sabor do crêpe suzette, que me foi apresentado por um armênio habitante de Paris, trazem para essa minha tarde de evocação e saudade uma doçura inesperada.


Lucia Jacobina on 1 outubro, 2018 at 17:50 #

Vitor, por favor, corrija no quinto parágrafo, terceira linha, a palavra emigrante para imigrante, pois foi escrita por descuido.


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