Pesquisa Ibope Bolsonaro
Os candidatos Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. ADRIANO MACHADO REUTERS

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) segue na liderança da corrida eleitoral, com 28% das intenções de voto, mas parou de crescer, de acordo com nova pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira, 24. É a primeira vez desde 20 de agosto —e desde o atentado a faca que sofreu— que o candidato do PSL nem sequer oscila positivamente: na pesquisa anterior ele também tinha 28%. Ainda hospitalizado, Bolsonaro teve ainda outras notícias negativas: viu a rejeição crescer de 42% a 46%. Também viu o candidato do PT, Fernando Haddad (PT), se aproximar. O nome apoiado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu e foi de 19% a 22%. Nas simulações de segundo turno, Haddad saiu da posição de empate e agora vence Bolsonaro por 43% a 37%. O deputado federal também perderia no embate direto para Ciro Gomes (PDT) e para Geraldo Alckmin (PSDB). Só arrancaria um empate com Marina Silva (Rede).

Os números apurados pelo Ibope, que ouviu 2.506 eleitores entre sábado 22 e domingo 23, confirmam a consolidação de Haddad em segundo lugar, isolando-se dos demais. Ciro não se moveu: segue com 11%. Marina oscilou para baixo e tem 5%. Já Geraldo Alckmin, dono do maior tempo de TV, oscilou para cima um ponto e tem 8%. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

Se não serviram para alavancar Alckmin, as propagandas do tucano na TV contra Bolsonaro parecem começar a arranhar a imagem do deputado. A artilharia contra a candidatura também envolveu outros movimentos contrários. Um deles é a mobilização de mulheres contra ele, que sob a #elenão atrai celebridades como a cantora Anitta. Em outra frente, um grupo crescente de personalidades se une em torno de um manifesto pela democracia que rejeita a candidatura do PSL. Como resultado, em uma semana, a rejeição ao capitão reformado do Exército subiu quatro pontos. É a primeira vez desde o atentado que o índice de rechaço, considerado um bom termômetro da viabilidade das candidaturas no segundo turno, subiu. Antes do ataque, em 6 de setembro, a rejeição marcava 44%. Logo após o episódio desceu a 41%.

Expectativa de alta e críticas à Polícia Federal

O estancamento de Bolsonaro coincide com a melhora do seu quadro de saúde, após passar por duas cirurgias decorrentes do atentado. O candidato de extrema direita deixou a unidade de cuidado semi-intensivo do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Já no quarto, concedeu nesta segunda-feira uma entrevista à rádio Jovem Pan, transmitida ao vivo pelo YouTube, e disse ter a expectativa de deixar o hospital até o fim da semana.

Na conversa, Bolsonaro disse acreditar que seu agressor Adelio Bispo “não agiu sozinho”, ao contrário do que aponta a Polícia Federal. Reportagem da Folha de S. Paulo no fim de semana informou que os investigadores descartam por ora que Adelio tenha recebido dinheiro em sua conta bancária para tentar matar o candidato. O deputado não poupou críticas à PF. Segundo ele, a instituição quer “abafar” a investigação sobre o ataque. “Pelo que ouvi dizer, não tenho certeza ainda, a Polícia Civil de Juiz de Fora está bem mais avançada que a Polícia Federal. O depoimento do delegado que está conduzindo, realmente é para abafar. Eu lamento o que ouvi ele falando. Dá a entender até que age em parte como uma defesa do criminoso. Isso não pode acontecer”, disse.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DO IBOPE

(Entre parênteses o índice de cada candidato na pesquisa anterior, aplicada entre os dias 16 e 18 de setembro)

Jair Bolsonaro (PSL): 28% (28%)

Fernando Haddad (PT): 22% (19%)

Ciro Gomes (PDT): 11% (11%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 8% (7%)

Marina Silva (Rede): 5% (6%)

Alvaro Dias (Podemos): 2% (2%)

João Amoêdo (Novo): 3% (2%)

Henrique Meirelles (MDB): 2% (2%)

Guilherme Boulos (PSOL): 1% (0%)

Cabo Daciolo (Patriota): 0% (1%)

João Goulart Filho (PPL): 0% (0%)

Vera (PSTU): 0% (0%)

Eymael (DC): 0% (0%)

Branco/nulos: 12% (14%)

Não sabe/não respondeu: 6% (7%)

REJEIÇÃO DOS CANDIDATOS

Jair Bolsonaro (PSL): 46% (42%)

Marina Silva (Rede): 25% (26%)

Fernando Haddad (PT): 30 % (29%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 20% (20%)

Ciro Gomes (PDT): 18% (19%)

Poderia votar em todos: 2% (2%)

Não sabe/não respondeu: 7% (9%)

set
25

Do Jornal do Brasil

 

O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, está dando os retoques finais no que vem sendo chamado de “Manifesto à Nação”, no qual pretende fazer um compromisso em defesa da democracia, responder às críticas de racismo e misoginia, e reiterar ao mercado de que trabalhará pelo ajuste fiscal. O formato ainda está sendo definido – se será um texto ou um vídeo – e a ideia é divulgar a mensagem nas redes sociais.

A intenção é que o conteúdo tenha forte tom emocional e possa ser gravado ainda no quarto do hospital, onde o candidato se recupera da facada que recebeu no dia 6 deste mês, em Juiz de Fora (MG), durante agenda de campanha. A equipe de apoiadores gostaria de divulgar o manifesto “o quanto antes”, mas Bolsonaro, que é quem dá a palavra final sobre tudo em sua campanha, ainda quer discuti-lo um pouco mais.

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução de vídeo)

O documento está sendo elaborado a várias mãos e um dos temas centrais, de acordo com um dos auxiliares que participaram da discussão, é rebater acusações de que o capitão da reserva não tem compromisso com a democracia e que a sua chegada ao Palácio do Planalto represente um resquício de ditadura.

Neste domingo, 23, um grupo que inclui intelectuais, juristas, artistas, esportistas, ativistas e empresários subscreveu um manifesto contra o candidato do PSL, intitulado “Pela democracia, pelo Brasil” (mais informações nesta página).

Seguidores de Bolsonaro entendem que existem vários pontos que precisam ser respondidos. O candidato quer mostrar que deseja a união do País e responder que a acusação de racista não se sustenta porque ele vem de uma instituição (o Exército) que é um extrato de toda a população brasileira.

Embora inicialmente a ideia tenha sido inspirada na Carta aos Brasileiros, feita pelo então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, com o objetivo de acalmar o mercado, a campanha rechaça a comparação. Diz que Bolsonaro quer somente responder aos ataques que vem recebendo.

O momento da divulgação, porém, ainda não foi definido porque o candidato teme eventuais efeitos negativos do manifesto a menos de 15 dias do primeiro turno. Apesar de não citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), aliados de Bolsonaro usam como exemplo as críticas que o tucano recebeu ao divulgar no fim da semana passada uma carta em que defendeu a necessidade de deter a “marcha da insensatez”.

Pelo que ficou acertado até o momento, o candidato do PSL dirá que está em franca recuperação no hospital e vai agradecer ao povo brasileiro pelas orações. Ele também deverá tratar de economia, destacando a importância do ajuste fiscal e rechaçando a tese de que é estatizante. Pretende ainda reforçar que não tem divergência com seu guru econômico, Paulo Guedes, mesmo após as polêmicas da semana passada envolvendo a proposta de criação de tributos aos moldes da CPMF.

Delegado que comanda inquérito de Adélio foi assessor de Pimentel

 

Por Claudio Dantas

Responsável pelas investigações do atentado a Jair Bolsonaro, o delegado Rodrigo Morais Fernandes chefiou por dois anos a Assessoria de Integração das Inteligências da Secretaria de Defesa Social (Segurança Pública) do governo de Fernando Pimentel.

Há dois anos, virou alvo da imprensa ao ser enviado por Pimentel para assistir ao Super Bowl, na Califórnia (EUA). Na ocasião, o governo alegou que Fernandes coordenava em Minas Gerais a comissão das Olimpíadas Rio-2016.

Morais também foi por alguns meses diretor de Inteligência da Secretaria Extraordinária para Grandes Eventos, criada no governo Dilma. Há três meses, foi condecorado por Pimentel com a Medalha Alferes Tiradentes.

Segundo currículo disponível no site do Ministério da Justiça, Morais entrou para a PF em 2002. Dentre outras funções, foi chefe do Setor de Inteligência da PF em São Paulo e da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico de Minas Gerais.

Hoje é delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF em MG.

Formado em Direito pela Faculdade Milton Campos, tem pós-graduação em Direito Público pela Gama Filho e outra pós em Inteligência de Estado e de Segurança Pública pela Universidade Newton Paiva.

Antes da PF, foi advogado da Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais.

set
25
FIFA The Best 2018
A brasileira Marta ganhou o prêmio de melhor do mundo pela sexta vez. John Sibley Reuters

A brasileira Marta venceu nesta segunda-feira, em Londres, o Prêmio FIFA – The Best 2018 como melhor jogadora da última temporada, chegando a seis conquistas individuais (2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018) da entidade máxima do futebol.

Oito anos após vencer pela última vez, Marta, que tem 32 anos e defende atualmente o Orlando Pride, equipe norte-americana, se torna a maior vencedora de prêmios individuais da FIFA com os seis troféus. .

set
25
Posted on 25-09-2018
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2018



 

S. Salvador, no jornal

 

set
25

Por Ivan Raupp e Mariana Becker — Londres

Luka Modric desbanca Cristiano Ronaldo e é o melhor jogador do mundo no The Best da Fifa

Luka Modric desbanca Cristiano Ronaldo e é o melhor jogador do mundo no The Best da Fifa

O croata Luka Modric foi eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo na temporada 2017-2018. Ele desbancou Cristiano Ronaldo, da Juventus, e Mohamed Salah, do Liverpool, para ficar com o troféu. O meia do Real Madrid obteve 29,05% dos votos. O português ficou com a segunda colocação, com 19,08%, e o egípcio em terceiro, com 11,23%.

Assim ficou o top-10:

  1. Modric (29,05%)
  2. Cristiano Ronaldo (19,08%)
  3. Salah (11,23%)
  4. Mbappé (10,52%)
  5. Messi (9,81%)
  6. Griezmann (6,69%)
  7. Hazard (5,65%)
  8. De Bruyne (3,54%)
  9. Varane (3,45%)
  10. Kane (0,98%)

Modric também acabou com a hegemonia de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, que se alternaram na primeira colocação do prêmio nas últimas dez edições. O último jogador que havia conquistado a taça antes do reinado do português e do argentino havia sido o brasileiro Kaká, em 2007.

Fim do reinado entre os melhores do mundo

Ano Vencedor Segundo Terceiro
2008 Cristiano Ronaldo Messi Fernando Torres
2009 Messi Cristiano Ronaldo Xavi
2010 Messi Iniesta Xavi
2011 Messi Cristiano Ronaldo Xavi
2012 Messi Cristiano Ronaldo Iniesta
2013 Cristiano Ronaldo Messi Ribéry
2014 Cristiano Ronaldo Messi Neuer
2015 Messi Cristiano Ronaldo Neymar
2016 Cristiano Ronaldo Messi Griezmann
2017 Cristiano Ronaldo Messi Neymar
2018 Modric Cristiano Ronaldo Salah

O prêmio foi entregue pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. No palco, Modric fez questão de agradecer aos torcedores e companheiros de Croácia e Real Madrid e ainda fez um compatriota chorar: o ex-jogador Zvonimir Boban.

“Obrigado aos meus fãs do mundo inteiro pelo apoio. Fico feliz pelo apoio que me deram desde sempre. Gostaria de agradecer aqueles que votaram por mim. Gostaria de mencionar o meu ídolo do futebol, capitão da Croácia na Copa de 1998, em nossa primeira participação, quando ganhamos o terceiro lugar. Aquele time mostrou que poderíamos conquistar coisas grandes e, por sorte… Tivemos a sorte de ser a mesma coisa para as próxima gerações. E mostramos que o sonho pode ser realidade”, disse Modric

 

O jogador também fez um rápido discurso em espanhol e em croata.

– Gostaria de agradecer ao meu clube, o Real Madrid, aos meus companheiros e aos torcedores pelo carinho que mostram sempre.

Modric ficou com o prêmio após a ótima temporada por Real Madrid e pela Croácia. Com o time espanhol, ele foi fundamental na conquista do tricampeonato da Liga dos Campeões. Pela seleção, foi uma das estrelas da equipe que conquistou o vice-campeonato da Copa do Mundo da Rússia. Na decisão, o time foi derrotado pela França por 4 a 2.

 

Modric levou a esposa e os filhos ao evento Fifa The Best — Foto: ASSOCIATED PRESS Modric levou a esposa e os filhos ao evento Fifa The Best — Foto: ASSOCIATED PRESS

Modric levou a esposa e os filhos ao evento Fifa The Best — Foto: ASSOCIATED PRESS

Dos votos brasileiros, Modric foi escolhido o melhor do mundo pelo técnico Tite. O treinador do Brasil apontou o egípcio Salah para a segunda colocação, e o português Cristiano Ronaldo como terceiro. Já o zagueiro Miranda, que votou por ser o capitão da Seleção, escolheu a seguinte ordem: Cristiano Ronaldo, Mbappé e Messi.

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi não compareceram ao evento organizado pela Fifa. Os representantes dos jogadores alegaram o cronograma de compromissos apertado para que os dois atletas pudessem estar na cerimônia do Fifa The Best.

Resultado de imagem para Jornalista Luis Augusto Gomes morre em Salvador
Luis Augusto Gomes
 EM MEMÓRIA DE LUIS AUGUSTO GOMES, O GRANDE JORNALISTA E ESPECIAL FIGURA HUMANA, QUE A BAHIA PERDEU NA MADRUGADA DESTE DOMINGO (23), SEPULTADO NA TARDE DE ONTEM, NO CEMITÉRIO BOSQUE DA PAZ, EM SALVADOR.
Postado originalmente na seção Blaque do Blog, do Por Escrito, e reproduzido  em 16-10-2015, no Bahia em Pauta.
Luis Augusto Gomes: Historinha exemplar (com o finado ACM no meio) sobre José Carlos Araujo, presidente da Comissão de Ética que vai julgou Cunha
Arquivado em (Artigos) por vitor em 16-10-2015 01:20

Do jornalista Luis Augusto Gomes , editor do Blog Por Escrito, postado na área de comentários do Bahia em Pauta, a propósito da entrevista recuperada do deputado José Carlos Araújo (PSD-BA) à revista IstoÉ e publicada no blog O Antagonista para revelar a quem desconhece, um pouco do perfil do presidente da Comissão de Ética da Câmara, que vai julgar Eduardo Cunha.

Deliciosa e emblemática história de fatos e costumes políticos, narrada bem ao estilo de Luis Augusto, que merece destaque no espaço principal do BP e de qualquer jornal ou blog da Bahia e do País. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

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Que diria O Antagonista se soubesse do fato a seguir, publicado há mais de cinco anos em Por Escrito?”

BLAGUE NO BLOG – Sebo nas canelas

À deputada federal Tonha Magalhães (PR) não se poderá negar uma forte personalidade. Prefeita de Candeias, fez comício na cidade em 2002 para impulsionar, em dobradinha, as candidaturas de ACM Neto a deputado federal e a de seu filho Júnior a estadual.

Na hora do comício, aparece o senador Antonio Carlos Magalhães (que não era parente de Tonha) acompanhado de grande comitiva, da qual fazia parte o deputado José Carlos Araújo. Desafeta do parlamentar, Tonha não titubeou: “Senador, o senhor é meu líder, mas esse cidadão aí não sobe em meu palanque”.

ACM também não demorou a reagir. Bem a seu estilo, encarou Araújo e determinou: “Se pique”.

Do jornalista Jolivaldo Freitas sobre Luis Augusto Gomes:

Luiz Augusto Gomes, velho colega do A Tarde e amigo. Um sorriso permanente. Um gestual perene. Estresse? Nem no seu dicionário. Uma ironia fina. Olhava nos olhos. Piadas incessantes e inteligentes. Muito respeito pela posição política do outro. Belíssimos textos de Cidade. Perspicácia no de Política. Não sabia brigar. Sabia curtir. Mas soube brilhar. E segue nova luz.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas sentadas e pessoas comendo
BOM DIA!!!

DO EL PAÍS
Eleições 2018 Nordeste
Haddad, em visita ao Recife no último sábado. CRISTIANA DIAS AFP
Recife

Nos últimos três dias, o Recife se tornou o termômetro dos candidatos para medir a temperatura de suas campanhas junto aos eleitores nordestinos. O Estado mais lulista do país recebeu um dia após o outro, desde sexta-feira, Geraldo Alckmin, o candidato tucano que mesmo com o maior tempo de TV não consegue decolar nas pesquisas; Fernando Haddad, o herdeiro político de Lula que precisa continuar subindo para se consolidar no segundo turno; e Ciro Gomes, o pedetista que tenta segurar seus votos na região, que arriscam migrar para o PT. Numa eleição tão acirrada, conquistar o Nordeste, com 26,6% do eleitorado e órfão de Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se ainda mais essencial.

A quinze dias da eleição, Haddad e Ciro estão tecnicamente empatados no segundo lugar, com 16% e 13%, respectivamente, segundo o último Datafolha. O Nordeste é a única região onde o petista lidera a corrida, com 26% das intenções de voto, na frente de Ciro (17%) e Bolsonaro (17%). Reduzindo o recorte, em Pernambuco o petista também está na frente, com 24% das intenções de voto, seguido de Bolsonaro (17%) e Ciro (13%). Mas o mesmo não ocorre na capital: no Recife, Bolsonaro lidera a pesquisa (com 23%), na frente de Haddad (17%) e Marina Silva (12%).

Na disputa para chegar ao segundo turno, Ciro Gomes tenta se equilibrar na tênue linha entre desconstruir Haddad, e, ao mesmo tempo, não poder se voltar contra o ex-presidente Lula. Precisa se afastar do PT para conquistar os votos descontentes com o partido, mas não pode ir longe demais, para não arriscar perder sua própria base fiel, construída durante décadas no Ceará com a proximidade do ex-presidente. “Se Lula fosse candidato, muito provavelmente mais cedo ou mais tarde a gente estava entendido”, afirmou Ciro, neste domingo. “Todas as eleições de Lula de 16 anos para cá eu votei nele. Já zangado com as contradições da Dilma, votei nela, e votei contra o impeachment”, afirmou.

Mas, na sequência, se colocou a disparar contra Haddad, a quem acusou de conhecer pouco o Nordeste. Lembrou ainda, em seu palanque, que o candidato petista não conseguiu, sequer, vencer a reeleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2016, perdendo a disputa no primeiro turno para João Doria (PSDB), qualificado por Ciro de “farsante”. “Vocês acham que alguém que acabou de perder as eleições em São Paulo em todas as urnas será uma boa resposta para a gente emancipar o Nordeste?”, perguntou, a um público de militantes essencialmente jovens. Conhecendo a vaidade do pernambucano, Ciro afirmou que é nesse Estado onde se forma “a opinião política do Nordeste brasileiro”. “Nosso povo nem sabe quem é o Andrade“, referindo-se ao apelido que o presidenciável petista ganhou por eleitores que desconhecem seu sobrenome, de origem libanesa.

Em comum com Haddad, trouxe as críticas que resvalam em Jair Bolsonaro (PSL), primeiro colocado na disputa. Chamou o vice dele, general Hamilton Mourão, de “jumento de carga”. “Mourão, tu aí, vice do Bolsonaro, tu é um jumento de carga”, disse. “Não dá para deixar por menos não. Elogiar um vagabundo como esse Brilhante Ustra, que torturava mulheres diante de suas filhas crianças, é um doente mental e tem que ser denunciado com todo o deboche possível”. A ausência de Bolsonaro na campanha de rua desde o último dia 6, quando sofreu uma facada, fez com que sua militância se mobilizasse para mostrar seu apoio em atos sem a presença dele. Neste domingo em Boa Viagem, grupos como o Direita Pernambuco organizaram uma marcha da família com Bolsonaro, que levou centenas de pessoas para às ruas da zona Sul da cidade.

Em seu discurso no dia anterior, Haddad também lembrou do vice do capitão, que nos últimos dias criou polêmica ao afirmar que famílias sem pai ou avô são “fábricas de elementos desajustados”. “Um recado para o nosso amigo ali: se a mulher cria os filhos sozinha, ela vai receber mais atenção da gente e não menos. Se a avó cuida do neto sozinha, ela vai receber o carinho do Lula de novo”, disse.

Candidato oficial

Haddad retornou ao Nordeste pela primeira vez desde que foi consolidado como candidato oficial do PT, após o partido ter que substituir Lula como cabeça de chapa, já que o ex-presidente tornou-se inelegível. Voltou também em uma situação eleitoral mais favorável: foi o candidato que mais subiu nas pesquisas no período da campanha, um indicativo de que a transferência dos votos de Lula para ele começaram a acontecer. Talvez por isso parecesse mais à vontade do que quando esteve, no início do mês, em um ato em Garanhuns. Para tentar se aproximar dos eleitores da região, usou gírias locais como “cabra”, ao se referir a outra pessoa, e incorporou um discurso pacificador, em meio a uma disputa que segue para a polarização entre petistas e antipetistas. “Não vamos admitir violência, não vamos admitir intolerância porque não é a nossa cultura”.

Após uma caminhada com milhares de militantes petistas e do PSB —com o qual o PT é coligado no Estado— o candidato discursou com um tom otimista. “O Nordeste já é festa. O Nordeste já sabe o resultado da eleição”, disse. Mas envolveu-se em uma saia justa quando a plateia, de apoiadores petistas, vaiou sonoramente sua menção a Renata Campos (PSB), viúva de Eduardo Campos, e a João Campos (PSB), filho de Eduardo e candidato a deputado federal, ambos ao lado dele no palco. O Governador Paulo Câmara (PSB) e sua vice, Luciana Santos (PCdoB) também foram vaiados ao discursarem. Uma amostra de que a militância petista ainda não perdoou a decisão do partido em abrir mão da candidatura ao Governo do Estado de Marília Arraes para apoiar a reeleição de Câmara e, em troca, manter o PSB neutro na eleição nacional, sufocando a candidatura de Ciro Gomes, que acabou isolado.

Sabendo do descontentamento de parte dos eleitores do PT com o episódio, Ciro, no dia seguinte, usou o fato como parte da sua artilharia. “Paulo Câmara vota a favor do impeachment, e a burocracia do PT tira a Marília Arraes na marra. Por qual razão? Para não deixar eu ter o apoio do PSB, que me daria 12 segundos só pra eu falar?”, diz, se referindo ao tempo a mais de televisão que teria se tivesse se aliado aos socialistas. “Que diabo eu tenho pra dizer que esse povo não quer que eu diga?”.

Liderando as pesquisas na região Nordeste, Haddad aproveitou a ida à capital pernambucana para consolidar seu eleitorado que, se de fato for fiel ao PT nas urnas, pode ser crucial para levá-lo ao segundo turno. Em sua agenda, ainda está prevista mais uma vinda a Pernambuco antes do primeiro turno, em a cidade ainda a ser confirmada.

“O importante é chegar no segundo turno”

Já o tucano Geraldo Alckmin, que garantiu uma grande base de apoio partidária no país, mas não tem palanques fortes no Nordeste, chegou ao Recife, na sexta-feira, com o desafio de angariar algo a mais que os 7% das intenções de voto que conseguiu até agora. O tucano fora recebido por Mendonça Filho (DEM), candidato a senador por sua chapa estadual e ex-ministro da Educação de Temer. Um palanque um tanto desconfortável, já que o Governo Temer tem sido alvo de diversas críticas por parte de Alckmin que, inclusive, suscitaram a publicação de um vídeo feito pelo próprio presidente que acusa o tucano de dizer “falsidades”. Questionado sobre a contradição, o presidenciável se limitou a dizer que Mendonça Filho “foi um grande ministro” e enalteceu sua maior conquista: ter realizado a reforma do Ensino Médio.

Sem a presença de militantes, a visita de Alckmin teve na agenda uma entrevista a uma rádio local e um encontro com a União das Mães de Anjos, entidade criada por mães que tiveram filhos com microcefalia. Não teve ao seu lado, entretanto, Armando Monteiro, candidato ao Governo do Estado para quem Alckmin deu seu apoio —Monteiro usa em sua campanha uma estrela laranja, uma espécie de adaptação da estrela vermelha símbolo do PT.

O tucano fez um breve discurso de cerca de dez minutos, falou com a imprensa e seguiu para Salvador. Desde que a campanha começou oficialmente, em 16 de agosto, ele esteve na região Nordeste somente três vezes, passando por Petrolina (PE), cidades do Ceará e Natal (RN). Não comentou as pesquisas e disse que “o importante é chegar no segundo turno”.

Bolsonaro reitera que eleição pode ter fraude nas urnas eletrônicas

Em representação protocolada no TSE, Jair Bolsonaro reitera a possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas, registra o Estadão.

Para o candidato, há “diversos motivos” para acreditar que o PT tem a intenção de alterar o pleito.

As afirmações foram feitas dentro do pedido do PT para retirar do ar um vídeo de Bolsonaro sobre as urnas.

A defesa do candidato do PSL argumenta que a segurança das urnas não “constitui uma unanimidade”.

“Cabe frisar, de início, que a possibilidade de crítica às instituições do Estado constitui parte da liberdade de expressão e do próprio Estado Democrático de Direito”.

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